Juliana Saldanha

Você é mesmo um influenciador?

Qualquer um pode ser um influenciador, mesmo que não tenha presença digital. Você pode ter poder de influência em um ambiente tão específico quanto o da sua empresa e família ou de maneira ampla como em um contexto de milhares de seguidores em uma rede social.

A busca por ser um influenciador é a corrida do ouro dos tempos modernos. Muitos seguidores, menções online e mesmo a aquisição de patrocínios de marcas, na mente de muitos, podem significar um passo a mais em direção ao sucesso e ao reconhecimento de quem são.

O marketing de influência também se tornou prática mais frequente. Marcas e negócios entenderam que para alcançar seus consumidores de forma efetiva, pulverizados em diversas redes e canais, com diversos interesses e conectados em diferentes tribos, era preciso utilizar-se de outras vias. E poderiam fazê-lo por meio de pessoas de confiança para esse público. Como consequência, a aceitação – ou mesmo apenas a visualização de suas mensagens – seriam garantidas.

Pessoas confiam em pessoas. E não tanto mais em marcas institucionais, como anteriormente. Por isso, o endosso ou a comunicação via influenciadores é um atalho que pode fazer sentido.

Mas o que é ser influente, afinal?

Segundo o dicionário Merriam-Webster:

“Influência é o poder de mudar ou afetar alguém ou algo; o poder de causar mudanças sem forçá-las diretamente para que aconteça”

A influência se relaciona à autoridade.

Quanto mais confiante alguém se sentir sobre você e sobre o que você diz, maior a probabilidade de que ele te ouça novamente. E quanto mais confiança você conseguir estabelecer com o tempo, maior a probabilidade de que você o influencie a agir.

A influência aumenta à medida que a sua relevância e reputação em determinado contexto aumentam. E é uma construção que demanda investimento de energia, foco, tempo e entregas.

Apesar de muitos relacionarem a palavra influenciador às pessoas que tem grande presença digital (muitos seguidores e grande visibilidade), um influenciador tem menos a ver com alcance e números (claro que são bem vindos) e mais a ver com relevância e engajamento.

Qualquer um pode ser um influenciador, mesmo que não tenha presença digital. Você pode ter poder de influência em um ambiente tão específico quanto o da sua empresa e família ou de maneira ampla como em um contexto de milhares de seguidores em uma rede social.

Alguns pontos que eu considero presentes e fundamentais em um influenciador:

  • AUTORIDADE:  do latim auctorĭtas, a autoridade é o poder, a legitimidade ou a faculdade. Pode vir da ocupação de um cargo, exercício de uma posição ou da conquista de conhecimento. A autoridade gera possibilidade para o exercício da influência.
  • RELEVÂNCIA: é ser pertinente. É entender em que contextos cabem e em quais não cabem a sua menção ou intervenção. É considerar onde você tem sabedoria, interesse, vivência ou autoridade. É deixar a coerência guiar os seus discursos e ações.
  • CONEXÃO: É a forma como você se conecta ao outro e se volta em direção a ele para melhor atendê-lo. A conexão abre ou fecha portas, independente da sua autoridade. É preciso haver um mínimo de conexão para que a ação seja tomada baseada em uma mensagem.
  • ALCANCE: Até onde sua mensagem alcança, de forma direta (aos seus seguidores nas redes, por exemplo) ou indireta (por menções e recomendações). Quanto maior o alcance, maior o poder de influência (Apesar de, isoladamente, o fator alcance não ser sinônimo de influência). E é bom relembrar: Para ter influência não é necessário um grande alcance.
  • CONFIANÇA: Eu considero a confiança a base para a construção da influência. É ela que facilitará o acordo em uma negociação, o alcance do “sim” durante a persuasão, a advocacia de alguém a seu favor e a absorção do seu conhecimento tido como válido. A confiança parte do nosso instinto de sobrevivência. E é um dos primeiros aspectos a serem avaliados no contato com alguém. Se não há confiança, não há permissão para a influência.
  • PERMANÊNCIA: a “duração” do poder, da voz para causar movimento, deve ser maior do que os 15 minutos de fama ou os 30 minutos de uma reunião. A influência deve ser duradoura, pelo simples fato que a sua construção foi sólida e também duradoura.

A influência está geralmente ligada a um contexto e há limites até onde ela pode alcançar e gerar ações. Alguém reconhecido no meio da culinária, pode ter a opinião respeitada, mas não necessariamente será um influenciador quando o assunto for política, por exemplo. O que é diferente caso esse mesmo nome decida ser um ativista contra pesticidas. Sua voz terá muito mais relevância e poder de causar a ação em prol do seu discurso.

Equilíbrio entre Força e Calor

De acordo com os autores do livro “Compelling People”, os estrategistas de comunicação Matt Kohut e John Neffinger, no momento em que estamos sendo avaliados, estamos sendo medidos por duas características: “força” e “calor” (warmth em inglês).

A força é sua capacidade de fazer as coisas acontecerem com habilidade e disposição, enquanto o calor é a sensação de que você compartilha os mesmos sentimentos, interesses e visão do mundo que a pessoa com quem está falando.

Existem pessoas muito talentosas e inteligentes mas que estão interessadas apenas em si, a ponto de serem frias e insensíveis ao outro. E existem aquelas que podem ser as mais simpáticas e legais do mundo, mas que estão sempre se desculpando por serem quem são ou fazerem o que estão fazendo.

O caminho para a influência é a capacidade de equilibrar a força e o calor para ganhar o respeito e a confiança dos outros.

Diferença entre influência e popularidade

Popularidade é quando as pessoas gostam de você. Influência é quando elas param para ouvir o que você tem a dizer.

Por que muitos recorrem a táticas para o alcance de popularidade?

Porque elas trazem resultados visíveis, mensuráveis e que podem grandiosos (o aumento no número de likes, no número de visualizações e mesmo o surgimento de fãs).

Além disso, a busca pela popularidade pode nos satisfazer de maneira instantânea. Temos a necessidade de pertencimento e de agradar ao outro. E saber que esse outro, ou muitos outros, gostam de nós é prazeroso.

A busca por um não é mais correto do que o outro. Ou mesmo excludente. Existem pessoas que são influentes e não populares (políticos, por exemplo). Outras que são populares, mas não influentes (Claudia Leitte). E, ainda, aquelas que são ambos (Nathalia Arcuri, no contexto finanças pessoais, por exemplo).

Entretanto, é preciso ter visão crítica para saber o que realmente te trará os resultados para o sucesso na sua vida, carreira ou negócio.

Ainda, para reforçar o conceito:

Personal Branding não tem a ver com a conquista da popularidade ou da visibilidade imediata. Tem a ver com a conquista de influência, por ser exatamente quem você é e pelo que você tem a oferecer para o mercado. Seja para um contexto de dez pessoas ou de um milhão.

Como mensurar?

Se eu pudesse mensurar, seria baseado nas perguntas: quantas pessoas tomaram ação a partir do que você disse, recomendou ou fez como exemplo? Ou o quanto de movimento foi gerado a partir da sua influência? Quantas pessoas pararam para te ouvir/ler ou voltaram a fazê-lo após um primeiro contato? Ou quantas pessoas o referenciaram como alguém relevante no seu contexto de atuação?

Muitas vezes não temos o feedback de toda a ação gerada pelo que disseminamos, mas é possível mensurar influência de forma micro, pontual ou de acordo com um canal, por exemplo.

Os pontos acima poderia ser traduzidos em número de compras a partir de uma recomendação, o número de visitantes que retornam ao seu blog ou o número de convites para falar em entrevistas ou palestras na sua área, por exemplo.

Dicas para ajudá-lo na construção do seu poder de influência:

  • Entenda o seu contexto: Onde você é mais relevante? Qual a sua história, conhecimento, trajetória? Onde você pode contribuir mais e se tornar referência para determinado público? É importante lembrar que ser influente não é ser popular, ou seja, você não precisa agradar a todos. E sim, entender qual o seu posicionamento no mercado, e dominá-lo.
  • Seja confiante e tenha paixão pelo que faz: Nós acreditamos naqueles que sabem para onde estão indo e se importam com o que fazem. Por isso, demonstre a sua confiança e sua paixão no que você se envolve.
  • Respeite a diversidade de opiniões e perspectivas: A intolerância pode minar a sua credibilidade por demonstrar a falta de respeito ao que o outro tem a dizer.
  • Escute e seja interessado genuinamente no outro: são essas atitudes que demonstram o seu interesse em se conectar de maneira significativa com o outro. E como disse anteriormente, a conexão é um ponto importante para a influência.
  • Comunique-se com relevância: Cada mensagem ou palavra emitida tem um poder de impacto ao outro. Além de dizer algo sobre você. Ter controle sobre o que é dito é cuidar do seu poder de gerar movimento, além de demonstrar que você se importa com o tempo do seu público. A comunicação relevante construirá a expectativa de que você deve ser ouvido ao falar, já que há consideração em cada palavra dita e não é uma perda de tempo.
  • Não reaja a tudo que notar: Ser influente não é sinônimo de chamar a atenção a todo momento. Comprar todas as brigas pode desgastar a sua presença e diminuir a expectativa de relevância do seu público sobre o que tem a dizer. Além de confundir o seu público sobre o que você realmente luta ou se importa.
  • Adicione valor, compartilhe conhecimento, ofereça algo para tornar o seu público melhor: A conquista de influência é uma construção. E é muito mais relacionado ao seu desejo de provocar a ação no outro, do que a busca pelo reconhecimento próprio. Com essa perspectiva, se você quer fazer o seu público ser melhor, ofereça o que você tem de melhor.

E então? Você é um influenciador?

Este artigo também pode ser lido aqui e aqui.

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