Por Amanda Gusmão

Amante do homeoffice, geek old school e mãe de dois pequenos padawans.

Publicado em 28/02/2018. | Atualizado em 10/06/2020


Um dos benefícios mais celebrados da vida de freelancer é ser seu próprio chefe e não precisar passar por situações desgastantes.

Final de expediente, sala abafada, aquela vontade louca de levantar da cadeira, esticar o esqueleto e voltar para casa. Essa é a cena típica de qualquer escritório na galáxia que vivemos, especialmente na sexta-feira.

Quem vive uma vida sem chefe pode até não se lembrar, mas é exatamente nesse momento, com música de suspense do Hitchcok ao fundo, que ele aparece para azedar os esquemas.

Lembrou de algo parecido? Certamente não tem saudades nenhuma, né? Eu também não!

Mas vamos com calma, não vou propor por causa disso que queimemos nossas carteiras de trabalho e gritemos que desta água nunca beberemos!

Existem muitas empresas bacanas (alô Peçanha, estamos aí!) e gestores incríveis que marcam nossa carreira. O RockJobs está aí para não me deixar mentir.

Porém, a verdade é que vida sem chefe nos livra de muitos perrengues comuns do trabalhador em regime CLT. Então, vamos refrescar a memória para depois praticar intensamente o mantra “eu amo ser freelancer”?

Comecemos pelo horário em que a Senhorita está chegando…

1. Mais atrasada que o Coelho Branco da Alice

É tarde! É tarde! É tarde até que arde!


Quem já teve um chefe, ou mesmo um sistema, para cronometrar cada segundo de atraso na chegada, no almoço ou em qualquer intervalo sabe do que estou falando.

Minha mãe diz que ser pontual é uma virtude, mas confesso que não combina muito com minha (cama) produtividade e motivação. Sou mais do estilo “missão dada é missão cumprida. O resto é resto, e vice-versa”.

Como freelancer posso controlar meu horário e concentrar meus jobs nas horas mais produtivas do dia, seja de manhã cedo, seja na madrugada, e se já tiver cumprido meu planejamento diário, ninguém ou nenhum sistema me impedirá de pegar um cinema com meus filhos no meio da tarde.

É ostentação? Talvez um pouco, mas é, principalmente, o uso consciente da flexibilidade do meu horário de trabalho, essa sim, um luxo que como funcionária eu não podia nem sonhar em ter!

2. Quem é você na fila do pão?

Estamos em 2018 mas as relações trabalhistas de alguns lugares não viraram o século. Empresas familiares, de administrações tradicionais e órgãos públicos ainda alimentam a boa e velha tradição das “costas quentes”.

Com isso, pessoas com pouca ou nenhuma capacidade técnica são colocadas em cargos gerenciais por serem filhos, maridos e esposas de alguém. Resultado? Show de tretas.

Você faz um projeto primoroso que só falta falar, daí vem seu chefe para fazer umas “pinceladas pontuais” e detona tudo. Faz zilhões de críticas sem fundamento, fica do seu lado dizendo o que mudar e no final, pede para voltar a versão original.


Infelizmente, não tá tão bom!

E, além do retrabalho, das horas perdidas, de ter ensinado conceitos básicos para seu chefe, você ainda sofre quando ele recebe o reconhecimento que deveria ser seu. Mas, quem é você na fila do pão, não é mesmo?

3. “Em inglês strategy, em alemão strategie, em italiano strategia…”

Saudoso Capitão Nascimento! Para mim era o melhor condutor de reuniões brilhantes e objetivas (#sqn) até eu conhecer o superintendente da empresa que trabalhei.

A cena do filme Tropa de Elite I em que o personagem Capitão Nascimento faz uma palestra longa e chata retrata bem o que são algumas reuniões nas empresas, afinal de contas, para que ser objetivo se podemos levar nossa plateia ao limite do sono?


Mas não acha ruim, porque não tem nada que não possa piorar. Além de longas e irrelevantes, elas ainda podem ser marcadas no final do expediente, ou até mesmo depois dele!

A equipe já finalizou as tarefas do dia e ainda faltam 12 minutos para acabar o horário de trabalho? Ahhh, então vamos fazer uma reuniãozinha!

4. Pede pra sair, pede pra sair!

Falando em Capitão Nascimento, não podemos deixar de lembrar sua forma nada gentil e cordial de tratar seus subordinados! E temos chefes que são clones geneticamente modificados do Wagner Moura versão BOPE nos escritórios espalhados por aí? Sim, claro que temos!

Definitivamente não sentimos saudades nenhuma de chefes que gritam, xingam, desrespeitam e assediam seus subordinados. Lembro que a pressão e o clima organizacional ficavam tão ruins, que ficar doente, chorar de raiva, ou as duas coisas ao mesmo tempo, não era incomum.

5. A Central de Fofocas e Intrigas da empresa informa:

Em uma vida sem chefe você também dá adeus às fofocas e intrigas que rolam soltas nos corredores das empresas.

E verdade seja dita, nem sempre a culpa é do chefe, né? De fato, muitos deles fomentam a competição, fazem reuniões excluindo um funcionário para criticá-lo e até colocam uns contra outros.

Mas alguns colegas de trabalho também tem o dom maligno de colocar olho gordo em tudo que conquistamos, não é mesmo?


6. Dress code obrigatório! (dá um salve aqui para a vida sem chefe)

O que nossos clientes vão pensar de você com essa roupa?” Se eu fizer um bom trabalho, tenho certeza que será algo do tipo “Uma profissional dessas, bicho!“.

O dress code ainda é um fantasma para muitos profissionais que estão no mercado de trabalho, e as mulheres sofrem ainda mais com isso. Não é incomum que o traje social seja obrigatório nas empresas, mas alguns chefes extrapolam e fazem terrorismo com a maquiagem certa, perfume e até o tamanho do salto alto.


É sério isso, produção?!

A forma de se vestir é algo muito pessoal e faz parte da identidade do indivíduo, mas não determina a qualidade do seu trabalho. Lógico, existem situações que exigem formalidades, mas elas não ocorrem em 365 dias do ano e podemos usar o nosso bom senso. Então, fica a dica!

Além disso, algumas intervenções ultrapassam anos-luz as relações profissionais e podem ser consideradas assédio. Por isso, dá um salve aqui para o no dress code de trabalhar em casa!

7. Se a culpa não é das estrelas, então é sua

Filho feio não tem pai nem mãe, né?! Mas quando a feiura é astronômica, alguns chefes chamam o Ratinho e pedem logo o teste de DNA para encontrar um culpado pelo desastre.

Nunca quis fugir das minhas responsabilidades, mas levar bronca e ser apontada como único elo fraco de um processo que envolve tantas pessoas (inclusive o chefe!) era muito injusto.

Penso que o gestor de uma equipe deve fomentar a união de esforços para que todos enxerguem que o resultado final é coletivo.

Identificar falhas também faz parte de suas funções, mas, em vez de fazer uma caça às bruxas, é preciso utilizar esse momento para ensinar e dar sequência a evolução do time.

8. Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço

Outro paradoxo de quem tem um chefe sem noção. Ele te manda seguir todos os protocolos, planejar uma campanha seguindo todas as normas e processos possíveis, para então, jogar tudo pelos ares.

Alguns também usam o argumento do comprometimento e te pedem para fazer umas horinhas extras na véspera do feriado para “salvar o emprego dele”. Você se compadece, até porque o seu também pode estar em jogo, mas quando chega na sala dele, descobre que ele saiu mais cedo.

Não sei você, mas nem chegamos nas tretas mais pesadas e tudo isso já me deu alguns calafrios. Então soma aí na conta a sensação de pegar o ônibus lotado na hora de voltar para casa, de ouvir desaforos e insinuações porque faltou por motivo de doença e outras tantas que tivemos o desprazer de vivenciar.

Chega de assombração? Sem dúvidas a vida sem chefe é mais colorida que isso, mas não deixa de existir uma autoridade responsável pela coisa toda. Sim, esse famigerado “cargo” é transferido para você, e acredite, serão necessárias boas doses de autoconhecimento e técnicas para se sair bem nele.


Então, aí vai mais um empurrãozinho! Baixe agora este ebook com dicas para iniciar sua carreira de freelancer e comece a repetir o mantra “eu amo ser freelancer, eu amo ser freelancer..”!

Como se iniciar na carreira de freelancer

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