Por Amanda Gusmão

Amante do homeoffice, geek old school e mãe de dois pequenos padawans.

Publicado em 28/08/2018. | Atualizado em 09/04/2019


Confira aqui uma história emocionante de uma produtora de conteúdo e como é possível conciliar vida de freelancer com filhos!

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Ter filhos custa caro. Quem nunca ouviu ou falou isso em algum papo sobre planejamento familiar?

Talvez por isso muitas pessoas estejam adotando cães. E gatos. Ou chinchilas, e então dando nomes como Enzo, Valentina ou Carlos Ernandes para seus bichinhos.

Não vou discordar que a lista de despesas seja grande, são milhares de fraldas, roupas, remédios, pomadas, escola, atividades extracurriculares, brinquedos, festas, eventos, presentes para professores, presentes para os padrinhos, batizado, viagens, cinema, confraternização com os amigos, aula de inglês, futebol, balé e… ufa, acabou.

Mentira, as despesas só acabam depois do casamento dos filhos, e olhe lá.

O que acabou mesmo foram meus comentários desanimadores para aqueles que estavam interessados em viver o combo “eu, você, dois filhos e um cachorro”, porque apesar das várias cifras que vejo saindo das minhas finanças mensalmente, esses meus pequenos (monstrinhos?) são a razão pela qual levanto todos os dias e vou trabalhar — e muito feliz, obrigada.

Ok, este também não é um esforço homérico, afinal de contas, meu home office é apenas a alguns passos da minha cama.

Mas sabe por que é assim? Porque em determinado momento da minha vida escolhi ter mais tempo com meus filhos e tropecei no melhor emprego da vida.

Vem cá, chega mais que vou te contar como me organizei nessa vida freelancer com filhos e ela me deixou mais próxima — de corpo e alma dos meus meninos e da minha cachorrinha.

Da CLT para vida freelancer

Existem muitos motivos e caminhos que fazem profissionais saírem da CLT para a Gig Economy. O meu foi porque não estava me encaixando mais naquele ambiente de trabalho e prestes a surtar com questões éticas e princípios morais que precisava lidar diariamente.

Aliás, vamos fazer um parêntesis: você sabe o que significa o termo Gig Economy? Bom, ele define o meu (ou seria, o nosso?) mercado atual, também chamado de economia freelancer ou sob demanda.

Se você vive sofrendo com insinuações ou perguntas indiscretas tipo “com o que você trabalha mesmo, querida?”, responda: “Sou player da Gig Economy”. Vai por mim, vai ser top.

Voltando ao nosso papo, eu acordava diariamente, ligava o modo automático e fazia tudo que era necessário para o dia desenvolver.

Quando dava tudo certo, pontualmente eu buscava o filho mais velho na escola, respondia “ham-ham” para tudo que ele falava dentro do carro sem verdadeiramente escutar, pegava o bebê na creche, e então iniciava o ciclo de fechamento do dia que envolvia atividade escolar, jantar, banho, três palavras trocadas com o marido (também em modo automático) e cama.

Era massante, monótono, irreal e insosso, quando não dava alguma coisa errada, é claro, porque a partir daí, era um verdadeiro tsunami.

Apesar de ter vivido essa parte da minha vida como um robô, vou confessar uma fraqueza: eu simplesmente não conseguia deixar minhas frustrações no trabalho e isso azedava todo o restante.

O trânsito ficava um caos, as crianças irritadas, a comida queimava no fogão e eu parecia estar em uma camisa de força, amordaçada, no meio de um furacão a minha volta que ao mesmo tempo que me sufocava, enchia meu peito com um grito que não conseguia sair.

Tudo aquilo estava errado, mas eu simplesmente não conseguia me mover, tomar uma atitude. Um pesadelo, né?

“Pra quê” você colocou filho no mundo, menina?

Pois bem, se você ficou com a respiração presa e se identificou com a sensação, relaxa, pois vou te contar neste instante como foi o meu momento da virada.

Em um desses dias que davam tudo errado e eu ficava uma pilha de nervos, saí muito atrasada do trabalho para buscar o filho na escola e já estava até escuro. Chegando lá, vi de longe a expressão cansada do mocinho sentado no chão com todas as mochilas em volta dele.

Quando cheguei perto, ele se esforçou para dar um sorriso, mas além do cansaço, nos olhos dele também tinha um certo alívio.

Meus nervos, que estavam tensos pelo estresse do trabalho, naquela hora amoleceram. Será que meu filho achou que eu ia abandoná-lo? Ele então pediu para que eu o carregasse no colo e falou bem perto do meu ouvido: você demorou.

Mas eu não demorei minutos, nem horas. Demorei meses e anos para perceber que não queria viver minha maternidade daquela maneira. Queria e podia muito mais, afinal de contas, eu e meu marido não tínhamos colocado filhos no mundo para nos desconectar deles, e foi aí que a tal da Gig Economy começou a me salvar.

As principais dificuldades da vida de freelancer

Declaro oficialmente, que o storytelling desse post acaba por aqui! Vamos falar de coisas mais práticas, ok?!

Para começar, vou falar das dificuldades, porque elas existem em qualquer área e profissão e apareceram para mim logo no flerte com vida de freelancer…

Definir uma área de atuação

Opa, e que profissão seguir? Algumas carreiras naturalmente se adaptam ao home office. Profissionais liberais e consultores podem trabalhar um público mesmo sem associação com uma empresa.

Mas e quando nem mesmo sua formação ou experiências parecem ter ligação com alguma atividade que possa ser remunerada?

Essa foi uma das minhas dificuldades. Eu trabalhava no mercado financeiro e fazer aconselhamentos para investimentos não estava na minha lista de preferências. Mas eu escrevia um blog pessoal e se aquilo pudesse dar dinheiro, seria uma maravilha.

E dava, de várias maneiras. Como blogueira, cursos online, infoprodutos etc. Dentre todas elas, encontrei meu lugar no mercado freelancer como ghostwriter.

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Organizar uma rotina profissional e pessoal

Trabalhar em casa não é a mesma coisa que estar perto dos filhos e essa é uma daquelas verdades inconvenientes que preciso me lembrar regularmente. Sim, porque ora foco demais no trabalho, ora foco demais nas brincadeiras.

Organizar uma rotina para o trabalho e para atender as necessidades das crianças é muito difícil, até porque nessas duas áreas recorrentemente surgem imprevistos. É uma entrega urgente no trabalho que esbarra com uma ligação da escola avisando que o filho está passando mal, sabe?

Uma vez que você toma o controle da sua gestão do tempo, o aproveitamento das horas produtivas é muito maior, e até uma disposição extra surge para trabalhar na madrugada para compensar a partida de futebol que surgiu de última hora na praça do bairro.

Gestão da imagem profissional

Isso é tão complicado quanto necessário. Dizer que você é uma “player da Gig Economy” para pessoas inconvenientes é divertido, mas não acaba com o incômodo trabalho de ter que explicar para a família o que você faz, se é remunerada e por que não pode cuidar dos cachorros da tia que viajará em férias.

Você tem responsabilidades como todos os outros profissionais, precisa fazer networking, buscar novos clientes, ter um ambiente para realizar possíveis reuniões — mesmo que seja um coworking maneiro e até mesmo trabalhar sua imagem profissional nas redes sociais.

Ter as finanças sob controle

Olha, essa foi e ainda é a principal dificuldade que senti trocando a CLT pela vida de freelancer. É preciso ter um controle financeiro muito apurado para não deixar a peteca cair em períodos de baixa procura de serviços. Além, é claro, de pensar no futuro das crianças.

Lembra da lista sem fim de despesas das crianças? Pois é, nem falei das chantagens emocionais que eles fazem com a gente quando querem comprar figurinhas do campeonato brasileiro. Quer saber? Sucumbo fácil.

Mas ao escolher a vida de freelancer, criar essa proteção financeira para o futuro que contemple o bem-estar dos filhos é um grande desafio que em algumas noites tira nosso sono, mas precisa ser feita.

Uma boa dica é começar olhando quais das suas despesas podem ser cortadas e depois partir para o quanto você consegue ganhar.

Esses são alguns dos perrengues grandes. Mas existem outros, como os da rotina que também sempre nos tomam, como quando as crianças teimam em fazer um teatro no quarto ao lado que você está trabalhando.

Mas precisamos falar também dos benefícios da vida freelancer, pois sei que nesse momento, na outra aba do seu navegador, possivelmente deve ter uma pesquisa sobre adoção de cachorríneos! (Aliás, adote, são ótimos parceiros para infâncias felizes!)

As vantagens de ser uma mamãe freelancer

Considerando a pequena parte da minha história que contei no início desse post, é evidente dizer que uma das vantagens que pude usufruir foi ter uma vida em cores novamente, não é mesmo?

Tudo desacelerou. Aquele furacão foi girando cada vez mais devagar, eu comecei a ouvir outros sons pela janela, sentir novos cheiros e sabores dos alimentos.

Eu continuei acordando cedo, preparando tudo para levar as crianças à escola, mas no caminho para lá, discutia a ordem cronológica da saga Star Wars e morria de rir quando me dava conta que meu filho estava certo e eu errada.

Ter controle e saúde mental novamente foi maravilhoso. A liberdade que a vida freelancer proporciona é ideal para quem tem filhos. Poderia apontar outras milhares de vantagens, mas as principais que eu vejo são:

Ver meus filhos crescerem

vida de freelancer com filhos

Sem a menor sombra de dúvidas, a maior vantagem de todas. Veja bem, sou daquelas que pensa que tudo e todos podem nos ensinar alguma coisa e a cada momento que passo com meus filhos tenho mais certeza disso.

Eles são tão diferentes e precisam de atenções e estímulos tão distintos que estar disponível para eles me permite personalizar minha abordagem materna.

Não tem preço estar com o calendário vacinal em dia, aprender a dancinha do Youtube no meio de uma tarde de chuva, fazer bolo juntos ou ficar pedindo quinze vezes para que eles arrumem a bagunça que fizeram.

Bom, essa última não é tão legal assim, mas faz parte, né?

Ter meus momentos de pausa e ócio criativo com eles

Quem trabalha com produção de conteúdo ou qualquer outra coisa relacionada à criatividade sabe que é essencial ter pausas criativas, e fazê-las junto com os filhos é delicioso.

Você pode só deitar do lado do seu filho que está cochilando, assistir desenho ou jogar videogame. Serão minutos de descanso preciosos que calibrarão seu ânimo.

Poder cuidar de suas enfermidades sem ter que implorar por perdão no trabalho

Não queremos que nossos filhos fiquem doentes nunca, mas como isso é praticamente impossível, pelo menos poder cuidar e estar por perto é essencial.

Apesar disso, quando você está trabalhando em regime CLT, nem sempre é fácil realizar esse desejo. Muitos chefes não autorizam, mandam descontar de sua folha de pagamento e até consideram tal ausência como uma falta de comprometimento com a organização. Você já passou por situações assim?

Como freelancer, tudo que você precisa fazer é organizar suas entregas de trabalho ou levar o notebook para o lado do seu filho, sem julgamentos.

Ensinar para meus filhos o valor do trabalho

Se você lembra das canções de ninar old school, sabe que uma delas diz “papai foi pra roça, mamãe foi trabalhar” (ou o contrário, tudo depende de quem canta). Para muitas crianças, o ato de trabalhar fica longe e escondido, mas, para os meus filhos, acontece bem na frente deles.

Eu acho isso muito importante. Muitas vezes ouço um chamando atenção do outro dizendo que o barulho atrapalha meu trabalho e essa empatia e entendimento do valor do trabalho pode ser fundamental para eles no futuro.

Não ter que se preocupar com as férias escolares

Em grandes empresas e entidades alguns funcionários não podem tirar férias simultaneamente e, toda vez que chegava a hora da definição dos períodos de descanso obrigatórios, era um Deus nos acuda entre as mães e pais querendo as datas.

Afinal de contas, são quase dois meses no final do ano e um recesso prolongado no mês de julho.

O que fazer com as crianças nesses períodos? Enfurná-las dentro de casa na frente da televisão? Colocá-los em colônias de férias longe da gente que são super caras? Com a vida freelancer, apenas uma organização na agenda profissional basta.

Fazer muitas economias

É isso mesmo que você leu, ECONOMIAS! Se antes você precisava pagar transporte especial, empregada, almoço e lanches na escola, agora é possível realizar tudo isso por conta própria.

OK, para algumas pessoas (eu me incluo nisso) essas não são atividades divertidíssimas. Cozinhar não é o meu forte, por exemplo, mas a gente se vira, não é? A questão é que uma vez que essas tarefas deixam de ser terceirizadas, as despesas caem consideravelmente.

Entender o real valor da minha hora de trabalho

Para colocar a cereja no topo do bolo, vem não apenas uma vantagem, mas um aprendizado. Ser mãe e freelancer me fez entender o valor da minha hora de trabalho.

Ela não tem a ver somente com o tanto que produzo e o quanto invisto nos meus conhecimentos, mas com as horas que abrirei mão de estar com meus filhos. Amo meu trabalho, faço com grande satisfação pessoal como agorinha mesmo escrevendo esse post.

Mas esse trabalho precisa ter significado e compensar a dedicação que estou dando a ele, porque hoje posso dizer que, primeiramente, minha atenção pertence a algo muito precioso para mim, minha família.

Últimas dicas (para não surtar)

Agora, se essa vida freelancer te parece muito romântica e linda, saiba que não é bem assim não, viu?

Além das dificuldades, posso dizer que vivo eternos dilemas e conflitos entre a maternidade, minha carreira e necessidades pessoais.

No meio disso tudo ainda tenho um marido e uma cachorrinha para amar, sabia? Sim, e também tenho irmãs, amigas, colegas de trabalho, vizinhas, academia e outras tantas coisas da vida que quero usufruir estando realmente presente, e não no modo automático como era antigamente.

Por isso, para não surtar, abrace a vida freelancer, tenha mais tempo com seus filhos, mas não deixe de pensar nem um segundo na sua felicidade, porque mesmo que eventualmente ela precise ser colocada em segundo plano por eles, ela ainda há de ser perseguida até o fim da vida!

E digo mais, essa entrega por eles também é outra forma de ser feliz.

Então, se você me perguntar se ter filhos custa caro, vou responder que é tudo uma questão de análise entre perdas e ganhos. No meu caso, posso dizer com toda certeza que estou no lucro em ter os meus.

Agora me conta, como é a sua vida de freelancer com filhos? Jogou ou planeja jogar tudo para o alto para estar mais perto deles? Deixe um comentário!

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