Por Julyana Andrade

Apaixonada por praia, tatuagens, séries e home office. Meio nerd. Mãe de gato e calopsitas.

Publicado em 22/02/2019. | Atualizado em 28/03/2019


Toda semana, elegemos um freela para escrever para a gente com pauta livre. Assim, conhecemos melhor a nossa Comunidade e você também. Essa é a história da Julyana Andrade!

Uma das principais vantagens da vida de freelancer é ter liberdade para gerenciar os próprios horários e, por isso, conseguir fazer coisas legais até mesmo durante a semana, certo? Nem sempre. Como o tio Ben disse, “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

Além da disciplina extra que esse trabalho demanda, me deparei com outro problema recentemente: a capacidade (ou a falta dela) de me desligar nas horas vagas e realmente curtir o meu descanso. Sempre era incomodada pelo pensamento de que poderia estar trabalhando ou fazendo algo produtivo em vez de simplesmente relaxar.

Em tempos de dicas e hacks de produtividade e pessoas correndo cada vez mais para ter um desempenho melhor, pouco se fala sobre a importância de deixar o corpo e a mente descansarem. É por isso que resolvi elaborar este post e fazer o meu relato. Ficou interessado pelo assunto? Então, vamos lá!

Como os problemas começam

Sabe aquele ditado sobre a grama do vizinho ser mais verde? Não sei se com você isso acontece, mas eu sempre tenho a impressão de que as outras pessoas estão produzindo mais. Quando vejo relatos de mamães freelas e suas rotinas, só consigo pensar “Uau! Essas são as verdadeiras Mulheres-Maravilhas!“.

Admiração à parte, é aí que a cobrança para ser mais produtiva começa. No meu caso, ela está ligada a render mais no trabalho e também a conseguir conciliá-lo com as tarefas do lar. Passo o dia tentando equilibrar essa relação freela/dona de casa e nem sempre sou bem-sucedida.

Qual é o resultado disso? Às 21h estou morta de cansada, trabalhei abaixo do que esperava e não estou satisfeita com a arrumação feita por aqui.

O ciclo vicioso da frustração

Você já viveu aquele ciclo vicioso “falta de produtividade-frustração-baixa na produtividade-mais frustração”? A gente se cobra cada vez mais e só fica mais longe dos objetivos que traçou. Na tentativa de tentar compensar o problema, passamos a nos esforçar cada vez mais — às vezes os resultados vêm, mas às vezes não.

E aí, o que acontece é que queremos trabalhar à noite (ou fora do horário estabelecido, caso sua rotina seja um pouco diferente), nos fins de semana e nos feriados. Em algumas situações, um momento que deveria ser de lazer, diversão ou descanso com a família e amigos é preenchido por aquele pensamento “você poderia estar trabalhando, ganhando dinheiro, mas está aqui à toa“.

E dá-lhe mais cobrança.

Quando o descanso deixa de ser prazeroso

Necessidade (ou vontade) de fazer mais dinheiro, preocupação com os boletos ou cobrança para ser um profissional exemplar. Independentemente do motivo, um momento que era para ser prazeroso passa a transmitir uma sensação de ser errado.

Afinal, se posso fazer algo útil, por que estou aqui sem fazer nada? Esse conflito me levou a outro problema: tenho dificuldade para produzir bem nas horas de trabalho — a cobrança excessiva às vezes me faz procrastinar — e não consigo me desligar totalmente nas horas de descanso.

Com o passar dos dias, eu me sentia mais cansada e frustrada e tinha cada vez mais objetivos pendentes acumulados. Depois de certo tempo, veio aquela estafa mental e física. Eu passava o dia todo fazendo um monte de coisas, preocupada com tudo, mas sempre com a sensação de que não havia feito metade do que deveria.

O pior é que todo esse estresse e ansiedade surgiu de uma cobrança que só partiu de mim. Ninguém mais me cobrava além do que eu podia entregar. Nem no trabalho, nem em casa — eu tenho do meu lado uma pessoa que merece demais ser chamada de parceiro e companheiro. Ele divide as tarefas e, se precisar, faz tudo sozinho para eu poder descansar ou trabalhar mais.

Como fugir dessa neura

Quando eu tive uma crise que me fez pensar que estava a um fio de ter um burnout, vi que era hora de mudar algumas coisas. Por isso, vou compartilhar aqui as minhas estratégias (é claro que cada pessoa tem seu ritmo e o que funcionou para mim pode não ser tão eficaz para você, mas vai que ajuda, né?).

Crie uma lista com a rotina diária

No início, essa me pareceu uma ideia radical, mas depois que peguei a agenda e passei a anotar todos os horários do meu dia (acordar, trabalhar, parar para o almoço e fazer as tarefas de casa, por exemplo), senti que tinha uma direção e não precisava mais passar os dias confusa em relação a como distribuir o meu tempo.

Fuja da procrastinação

Eu li uma série de artigos com dicas para evitar a procrastinação e, até então, falhei em todas elas. Esse período conturbado serviu para aprender que a única forma de parar de enrolar é fazer.

Foi triste descobrir que, para mim, não existia uma fórmula mágica para o problema (não me julgue, eu ainda tinha esperança de achar algum hack de produtividade que transformaria minha vida) e que o lance todo dependia só do meu esforço inicial — ou seja, começar a fazer.

Algumas coisas realmente ajudaram:

  • levantar mais cedo;
  • não mexer no celular assim que acordo;
  • criar uma rotina fixa pela manhã (assim, o organismo se acostuma e cria um bom hábito);
  • respeitar os horários que estabeleci para o dia.

Respeite o descanso

Parece absurdo colocar dessa forma, mas eu tive mesmo que aprender a respeitar meus períodos de descanso. Ainda hoje, quando termino minha rotina de afazeres mais cedo, fico um pouco incomodada, entediada e pensando “ah, eu tenho energia para trabalhar mais um pouquinho”.

A minha meta é realmente aumentar a minha produtividade diária, mas é melhor dar pequenos passos e conseguir estabelecer uma rotina fixa antes que isso seja feito — um dos motivos que me levaram ao esgotamento foi justamente querer fazer tudo de uma só vez.

Então, quando chega a hora de desligar do trabalho, por mais que eu ainda não esteja acostumada a isso, eu realmente aproveito o momento para fazer coisas de que gosto e que ajudam a relaxar o corpo e a mente.

Crie bons hábitos

Depois de tudo que já foi dito, vem a parte clichê (mas que precisa ser mencionada): cultive bons hábitosTer uma boa noite de sono, alimentar-se bem e praticar atividades físicas são algumas das coisas que você pode incorporar à sua rotina para se livrar do estresse — sem ele, você dorme melhor, se torna mais produtivo e vive com mais qualidade. Vamos sair daquele ciclo negativo e adotar esse positivo?

Você tem dado a devida importância aos seus momentos de descanso? O trabalho é um aspecto fundamental na nossa vida e ser mais produtivo é muito positivo (a conta bancária agradece), mas não sacrifique o seu bem-estar físico e mental correndo atrás desse objetivo, viu? Respeite seus limites e reconheça quando é o momento de desacelerar — antes que seu organismo faça isso por você.

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Julyana Andrade

Julyana Andrade

Especialista em logística com dois MBAs concluídos e redatora freelancer.

Essa foi a história da Julyana Andrade.
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