teoria dos traços de personalidade

Teoria dos Traços de Personalidade: saiba o que é e quais são as 5 dimensões da sua personalidade!

Como você descreveria a sua personalidade? Pode ser mais difícil do que parece, certo? A teoria dos traços de personalidade chega para ajudar a identificar características e tendências. Confira!
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Se alguém lhe pedisse para descrever a personalidade de seu melhor amigo, que tipo de coisas você diria? Algumas características que provavelmente viriam à mente nessa hora seriam palavras como: “extrovertido”, “temperamental” ou “tímido”, certo? Todas elas representam traços de personalidade. Mas o que exatamente isso significa?

Um traço pode ser considerado como uma característica estável, que faz com que os indivíduos se comportem de maneiras específicas em situações diferentes. A abordagem característica da personalidade é uma das principais áreas teóricas no estudo da psicologia cognitiva.

Neste post você vai conhecer a teoria dos traços, que sugere que as personalidades individuais sejam compostas por essas disposições. Ficou curioso? Então vamos lá!

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O que é a personalidade

“Personalidade” é um conceito muito fácil de entender para a maioria das pessoas: é o que faz você, “você”. É um conjunto de características que abrange todos os traços, qualidades, defeitos e peculiaridades que distinguem a sua pessoa de todas as outras.

Para a psicologia, no entanto, a definição de personalidade é um pouco mais elaborada do que isso. O conceito entendido por alguns pesquisadores pode não ser idêntico ao divulgado pela APA (Associação Americana de Psicologia), que classifica a personalidade como “as diferenças individuais nos padrões característicos de pensamento, sensação e comportamento”.

Qualquer mudança nessa definição é capaz de influenciar o modo como a personalidade de uma pessoa é identificada e compreendida. Porém, todos os estudiosos da psicologia devem concordar com uma coisa: a personalidade exerce um grande impacto na vida de cada um de nós.

A teoria dos traços de Gordon Allport

Em 1936, o psicólogo Gordon Allport descobriu que um dicionário continha mais de 4.000 palavras para descrever diferentes traços de personalidade. Ele decidiu categorizar todos esses elementos em três disposições:

Traços cardeais

São os aspectos que dominam a personalidade de um indivíduo de tal forma, a ponto de tornar a pessoa conhecida especificamente por esses traços. Inclusive, alguns personagens históricos são tão marcados pelos traços cardeais que tiveram seus nomes associados com determinadas características (maquiavélico, narcisista, Don-Juan, etc.).

Allport sugere que esses traços são raros, e tendem a ser desenvolvidos durante o decorrer da vida.

Traços centrais

Estas são as características gerais, que apesar de não tão dominantes quanto os traços cardeais, também formam os fundamentos básicos da personalidade. Em suma, são os principais adjetivos que você pode usar para descrever a personalidade de outra pessoa.

Termos como: “criativo“, “honesto”, “tímido” e “tranquilo” são considerados exemplos de traços centrais.

Traços secundários

São aqueles traços de personalidade que não são muito evidentes por estarem relacionados às atitudes ou preferências. Eles geralmente aparecem apenas em situações específicas.

O exemplo está nas pessoas que são aparentemente calmas e equilibradas, mas que se sentem ansiosas quando falam em público ou tornam-se impacientes enquanto esperam em uma longa fila.

Ao estabelecer esses três grupos, mal sabia Gordon que a criação dessas simples disposições originaria teorias maiores, e o consagraria como um dos pioneiros os estudos de traços de personalidade.

O questionário de Raymond Cattell

O teórico Raymond Cattell aproveitou o trabalho de Allport para reduzir o número de traços de personalidade de sua lista (de 4.500 para apenas 171). Ele fez isso principalmente, combinando as suas principais características comuns.

Em seguida, Cattell classificou uma grande amostra de indivíduos com esses novos traços diferentes. Usando uma técnica estatística, identificou os termos mais relacionados e conseguiu reduzir sua lista para apenas 16 características-chave da personalidade.

Segundo ele, esses traços são a fonte de todas as personalidades humanas. Ele também desenvolveu uma das avaliações de personalidade mais conhecidas atualmente, chamada “questionário de 16 fatores de personalidade” ou “16PF. Talvez você já tenha até se deparado com esse teste antes, em um consultório psicológico ou entrevista de emprego.

As dimensões de Hans Eysenck

O psicólogo britânico Hans Eysenck, por outro lado, acreditava que a maior parte dos traços de personalidade tinham origem genética ou biológica, e desenvolveu um modelo de personalidade baseado em poucas trilhas universais. As principais delas são:

Introversão / extroversão

A introversão envolve a atenção psicológica direta sobre as experiências internas, enquanto a extroversão se relaciona com o foco em outras pessoas e no meio ambiente. Uma pessoa muito introvertida pode ser silenciosa e reservada, enquanto um indivíduo com alto nível de extroversão tende a ser mais sociável.

Neuroticismo / estabilidade emocional

Essa dimensão da teoria dos traços de Eysenck está relacionada ao humor e a temperança. Nesse contexto, o neuroticismo se refere à tendência de um indivíduo para se tornar perturbado, enquanto a estabilidade se refere ao equilíbrio emocional e permanência do humor.

Talvez você esteja se perguntando: “mas o que isso tem a ver com o assunto do artigo?” ou “não estamos conhecendo uma teoria só?”. Acontece que, sem as pesquisas de Allport, Cattell ou Eysenck, a teoria dos traços de personalidade jamais existiria como a conhecemos hoje.

A teoria dos 5 traços de personalidade

Tanto a teoria de Cattell quanto a de Eysenck têm sido objeto de diversos estudos na área da psicologia. Isso levou alguns pesquisadores a acreditar que Cattell se concentrou em traços demais, enquanto Eysenck e Allport focaram em poucos.

Tudo isso somado as descobertas feitas por eles originou uma nova teoria mais completa, que abrangia cinco traços de personalidade. Esse resultado ficou conhecido como: “teoria dos traços da personalidade”, “teoria do grande cinco” ou apenas “Big Five”.

A abordagem característica da personalidade nesse caso é formada pela combinação de vários traços, formando uma identidade única para cada indivíduo. O contrário acontece em outras teorias da personalidade (como as psicanalíticas ou humanísticas).

A teoria dos traços de personalidade é então focada na identificação e mensuração de todas essas características da personalidade individual.

O Modelo dos Cinco Grandes Fatores é muito usado pela Psicologia Cognitiva e Cognitivo-Comportamental e fornecem um panorama geral da personalidade humana, tomando como base 4 a 5 facetas (ou sub-categorias), dependendo do autor. Embora alguns pesquisadores geralmente discordem sobre os rótulos exatos, as sub-categorias mais comuns são as seguintes:

Extroversão

Conforme já foi explicado antes por Hans Eysenck, você já sabe que esta dimensão possui duas extremidades: a extroversão e a introversão.
A extroversão diz respeito ao indivíduo que se energiza por meio da interação com os outros, enquanto os introvertidos tendem a se cansar com essa atividade e necessitam de um pouco mais solidão para “recarregar” as energias.

As pessoas com traços associados a altos níveis de extroversão podem ser:

  • sociáveis;
  • assertivas;
  • falantes;
  • amigáveis.

As pessoas com baixo nível de extroversão, por outro lado são mais propensas a ser pessoas “de poucas palavras”, quietas e bastante pensativas.

Neuroticismo

O Neuroticismo é a única dimensão do Big Five que indica traços mais negativos. No entanto, não se trata de um fator de maldade ou incompetência, mas um indicador de insegurança e falta de autoconfiança. Abrange a estabilidade emocional e o temperamento geral.

As pessoas que manifestam esses traços geralmente são:

  • pessimistas;
  • ansiosas;
  • tímidas;
  • inseguras;
  • muito autocríticas.

Os indivíduos que pontuam no extremo inferior do neuroticismo são mais propensos a se sentir confiantes, de fácil trato e aventureiras. Eles também tendem a ser corajosos ou despreocupados devido ao seu otimismo nato.

Abertura

A abertura à novas experiências (também chamada às vezes de “intelecto” ou “imaginação”) diz respeito à energia e vontade de um indivíduo para experimentar o novo, arriscar, sair da zona de conforto e “pensar fora da caixa“.

Os traços mais comuns relacionados à abertura estão nas pessoas:

  • imaginativas;
  • originais;
  • criativas;
  • curiosas;
  • ecléticas;
  • intelectuais.

Um indivíduo que possui grande abertura é provavelmente alguém que gosta de aprender, tem interesse pelas artes e se engaja em uma carreira ou hobby criativo. Na outra ponta da escala encontram-se os ordeiros, que preferem a rotina à variedade e tem senso um apurado sobre o que é “certo” e “errado” para si mesmos e a sociedade.

Simpatia

Este fator diz respeito ao bom relacionamento das pessoas com os outros. Enquanto a extroversão é mais focada na busca de interações, a simpatia é uma construção que se baseia em como essas interações acontecem. Sendo assim, é totalmente possível ser introvertido e simpático ao mesmo tempo.

As pessoas que manifestam esse tipo de traço tendem a ser:

  • confiáveis;
  • pacientes;
  • polidas;
  • sensíveis;
  • atenciosas.

Muitos pontos de simpatia indicam pessoas com poucos inimigos, respeitadas e sensíveis às necessidades dos outros. Por outro lado, as pessoas na extremidade baixa desse espectro são menos propensas à popularidade, sendo mais retraídas e egocêntricas.

Conscienciosidade

A conscienciosidade (não confundir com “consciência”!) é uma dimensão que pode ser descrita como a tendência de controlar impulsos e agir de maneira socialmente aceitável. Tratam-se de características que facilitam o alcance de metas e objetivos pessoais.

As pessoas desse grupo se destacam em sua boa capacidade para seguir regras, planejar e se organizar de forma eficaz.

As pessoas que apresentam alto nível de conscienciosidade geralmente também são:

  • persistentes;
  • ambiciosas;
  • disciplinadas;
  • confiáveis;
  • previsíveis;
  • energéticas.

As pessoas que já possuem esse traço dominante provavelmente serão bem-sucedidas nos estudos e em suas carreiras. Elas são propícias a se destacar em posições de liderança e a perseguir seus objetivos com determinação. No entanto, quem tem baixa conscienciosidade é muito mais propenso a procrastinar e ser impetuoso ou impulsivo.

A abordagem da teoria dos traços de Personalidade

Você se identificou com um ou mais desses padrões descritos acima? A maioria dos teóricos e psicólogos concorda que as pessoas podem ser muito bem descritas com base apenas em seus traços de personalidade.

No entanto, muitos continuam a debater o número de dimensões que compõem a personalidade humana. Por isso, é possível que você já tenha se sentido com um maior nível de abertura em alguma fase da sua vida e mais neuroticismo em outra, por exemplo.

A teoria ajude (e muito!) a identificar tendências de características e habilidades de um indivíduo, além de possuir objetividades que faltam em outras teorias da personalidade (como a teoria psicanalítica de Freud). Apesar disso, é possível afirmar que ela também possui alguns pontos fracos.

Algumas das críticas mais comuns feitas a teoria dos traços de personalidade se deve justamente a esse fato de que as dimensões são frequentemente não são preditoras exatas. Isso significa que, enquanto um indivíduo puder marcar uma alta pontuação nas avaliações de um traço específico, ele nem sempre apresentará os traços descritos em todas as situações.

Outro problema é que as teorias como essa não abordam exatamente como ou por qual motivo as diferenças individuais na personalidade surgem ou se desenvolvem. Ainda assim, podem ser bastante úteis para resumir e explicar condutas, sendo também uma excelente ferramenta para o autoconhecimento.

Avaliação online da sua personalidade

Para saber mais informações sobre sua identidade, você pode fazer a avaliação dos cinco grandes traços de personalidade online. Para ter mais precisão no seu resultado final, recomendamos consultar um especialista, pois testes assim carecem de uma normatização conforme o público alvo (o brasileiro, no caso). Uma vez que, por ser uma teoria lexical, os fatores culturais devem ser levados em conta!

Não se sinta pressionado ao realizar o teste. Tenha em mente que uma pontuação alta ou baixa em qualquer fator particular não é necessariamente uma coisa boa ou ruim. Isso porque, em algumas situações específicas, é melhor ser mais complacente e inclinado a confiar nos outros. No entanto, também existem outros contextos nos quais uma abordagem mais reservada e cética é a escolha mais sensata.

O estudo da personalidade e fatores que influenciam os traços de cada pessoa é complexo, porém incrível. Como você pode ver, aqueles que estudam esse campo podem até ter opiniões diferentes. Entretanto, ainda assim, procuram colaborar uns com os outros para refinar o trabalho de seus antecessores, o que é comum em quase todas as atividades científicas.

O que é mais importante para entender é que todas as pessoas têm diferentes traços de personalidade. Ainda que cada um de nós se encaixe em apenas uma definição que a domine, esse padrão pode vir acompanhado de uma infinidade de características que surgem em diferentes situações.

Além disso, esses traços podem mudar ao longo do tempo, sendo moldados por experiências e influência do ambiente externo.

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