Juliana Saldanha

Tenho medo de expor a minha opinião. Como faço para escrever nas redes sociais?

Aprenda como se posicionar para escrever nas redes sociais, mesmo com medo de expor a sua opinião!

O medo das críticas é uma das maiores barreiras à criação. É o que nos impede de testar, explorar alternativas, de fazer uma pergunta não convencional, de sair do que é o senso comum. 

E se eu não abordei todas as perspectivas no meu texto? E se eu receber uma opinião contrária e for exposto? E se questionarem a minha autoridade, a minha inteligência ou a minha reputação? 

Essas são preocupações frequentes que provavelmente passam nas mentes daqueles que pensam na possibilidade de expor publicamente seus pensamentos ou perspectivas. 

A única certeza que tenho: Nós sempre seremos questionados. 

E quanto maior a exposição, maiores as chances de sermos criticados, suave ou duramente. Justa ou injustamente. 

E ao pensar nessa possibilidade, muitos voltam atrás e pensam: não acho que vale o esforço. 

Mas quais são os prós e contras dessa decisão? 

Bom, os benefícios de não querer entrar nessas águas? 

Não nos sentirmos mal ao sermos contrariados ou criticados. E não ter que investir energia ao pensar em outras perspectivas e elaborar uma conclusão

A desvantagens? 

  • Perdemos uma contribuição de raciocínio importante. 
  • Deixamos de ser alguém que cria para ser alguém que apenas consome. 
  • Deixamos também a oportunidade de desenvolver a sua autoridade online e ser procurado como alguém relevante em nosso contexto de atuação. 
  • Perdemos também a oportunidade de praticar a escrita, de melhorar o nosso raciocínio, organização e absorção de informações e de desenvolver o pensamento crítico.
  • Perdemos a oportunidade de inovar, de conectar pontos não conectados, de sair da curva, de nos destacarmos. 
  • Perdemos ao não ter feedbacks sobre o nosso conteúdo, de mover pessoas ou despertá-las com o nosso conhecimento, de não sermos úteis para o outro ao compartilhar o que investimentos acumulando nos últimos anos.

O pensamento crítico 

Essa é uma das habilidades que serão ainda mais requisitadas no futuro próximo do mercado de trabalho. Afinal, com tantas opções e informação, de que forma filtrá-las e tomar melhores decisões? 

O pensamento crítico é esse modo de pensar ativo, intencional e autodisciplinado em que o pensador melhora a qualidade de seu pensamento questionando, analisando, avaliando e reformulando evidências, premissas e conclusões. O que necessariamente implica no difícil compromisso de superar o nosso ego e sociocentrismo nativos enquanto o exercemos. 

Pensar de forma crítica significa absorver informações importantes e usá-las para formar uma decisão ou opinião própria – em vez de apenas replicar o que nos é dito. E para aqueles em busca de serem ouvidos e respeitados em seus campos de conhecimento, é uma habilidade essencial de ser praticada. 

Infelizmente, muitos de nós não investimos muito tempo praticando essa habilidade. 

Navegamos no superficial ou na conformidade e, assim, escolhemos viver de uma maneira mais ou menos automatizada e não crítica, sem realmente assumir o controle de quem podemos nos tornar e de como podemos agregar, o que implica em perdas de oportunidades e da nossa própria realização.

O debate

Temos a tendência de entender que debater é algo negativo e está geralmente associado em nossas mentes com discussões exaustivas, como aquelas sobre política. E, com razão, preferimos evitá-la. 

Entretanto debater – mesmo silenciosamente entre as nossas ideias – é fundamental para o desenvolvimento do pensamento crítico. Que por sua vez é fundamental para navegar em um mar de informações desconexas e não embasadas. E o ato não envolve o desrespeito, o aumento do tom de voz ou a afronta pessoal. Pelo contrário, é um ato de contribuição. 

Debater é fundamental para sejamos capazes de desenvolver as nossas próprias opiniões, o que influencia melhores tomadas de decisão e em melhores conteúdos – seja numa conversa em reunião ou nas redes sociais.

Só é possível debater de forma saudável se não há reação emocional aos argumentos ou vieses pessoais, o que exige a prática do pensamento crítico. 

Sem ele, tendemos a cometer alguns erros como: 

O apelo à autoridade (quando tentamos justificar a conclusão citando uma autoridade ou com base em quantas pessoas possuem a mesma opinião), o raciocínio circular (onde a premissa de um argumento é usada como suporte para o próprio), ou o viés de atalho cognitivo (quando persistimos obstinadamente em um argumento favorecido, quando existem outras possibilidades a serem melhor exploradas).

E esses erros impedem que possamos avaliar diferentes perspectivas seja para o aprendizado, tomadas de decisão ou formação de opiniões mais embasadas. 

Quem não debate, perde. Pois perde a possibilidade de expandir sua mente para além do hoje. 

Para ter uma mente aberta e debater é preciso deixar de lado a nossa vontade de conformar com um grupo e a nossa vontade de estarmos certos. O que nunca é fácil, principalmente quando o outro lado nos provoca a reagir emocionalmente.

Leia também: Sinto te dizer, mas ninguém quer ouvir a sua história 

A crítica

É a mais temida por aqueles que querem se expor. 

Isso porque a vemos como um ataque pessoal: se o que dissemos foi atacado, implicitamente eu também fui a vítima do ataque. E essa conclusão pode nos levar a uma sequência de questionamentos internos: E se eu estiver totalmente errado? Mas será que eu tenho o direito de falar sobre esse assunto? E se eu perder a minha credibilidade pelo que eu escrevi? 

A crítica pode ter fundamentos, contribuir ou não para o seu desenvolvimento, mas ela também pode dizer mais sobre quem a faz, do que quem a recebe. É importante fazer essa distinção – olha a importância do papel do pensamento crítico novamente – e refletir sobre o que dessa crítica pode ser absorvido e o que pode ser descartado. 

A crítica é uma oportunidade: de coletar diferentes perspectivas para o debate – externo ou interno. E o debate sempre leva à nossa evolução. Que ela então não seja um empecilho para os benefícios trazidos aos formadores de opiniões e aqueles que as escutam/leiam.

Os Mitos

Para aqueles que querem se desafiar ao formar e expor suas próprias opiniões, para uma ou milhares de pessoas, é importante deixar para trás esses mitos:

1) Criatividade

“Não sou criativo o suficiente para criar conteúdo” ou “Não tenho habilidade para escrever bem ou para falar em público”. 

A primeira afirmação é necessariamente falsa: somos todos criativos. A criatividade está ligada apenas a algum trabalho artístico muitas vezes não presente em nossas rotinas. Somos criativos a todo momento: ao inventar uma receita na cozinha, ao elaborar um argumento de vendas ou ao criar um meme no whatsapp. 

A segunda afirmação, pode até ser a realidade atual. Mas como toda habilidade, só é necessária a prática para que ela seja aprimorada.

2) Autoridade

“Quem sou eu para falar sobre esse assunto? “Não tenho 20 anos de experiência”

As hierarquias de autoridade nos acostumaram a comparar. Os anos de experiência são extremamente valiosos e a expertise traz associações e conexões difíceis de serem feitas por quem não a tem. 

Entretanto, é importante lembrar que o poder da observação nos trouxe até onde estamos agora. E o simples fato de se notar o que antes não havia notado ou concluir o que não havia sido concluído é valioso. E para isso, nada mais é preciso do que você e a sua habilidade em observar. De forma única, já que cada um de nós possui um misto único de histórias, contextos, realidades e conhecimento. Então, não se reprima! 

3) Inflexibilidade

É possível mudar de opinião. O que não significa perder uma batalha, mas sim ganhar. Pois com informações adicionais fomos capazes de fazer outras conclusões. E elas nos abrem novas possibilidades: seja de perspectivas ou tomadas de decisão.

4) Preciso saber de tudo

“Se eu não sei tudo, como posso falar sobre esse assunto?”

Nunca saberemos tudo. Basear o seu conteúdo no que você tem de informação ou conhecimento é coerente. É válido. E será apreciado. Amanhã você terá novas informações, novas experiências e poderá falar sobre o mesmo assunto de uma outra forma. O que será igualmente válido e apreciado. 

A prática

Me perguntam muitas vezes: como você é capaz de escrever as reflexões que faz? 

Ao ter um tempo religiosamente bloqueado na agenda para ficar só eu, o silêncio e o papel (ou o notebook). 

Escrita é prática, como qualquer habilidade. E reflexões são reflexões se investirmos em questionar, observar – mesmo que o óbvio – e conectar os pontos do nosso conhecimento. 

Tomar notas sobre as nossas observações diárias e discutí-las com outras pessoas pode ajudar a desenvolver diferentes perspectivas sobre um mesmo assunto, o que nos leva a pensar de forma crítica e refletir. 

Além disso: esteja sempre consciente dos seus pensamentos, das suas reações em uma discussão ou conversa, aprenda a focar e a ouvir atentamente, não confunda opiniões com fatos, sempre questione informações que estão faltando e sempre se questione para encontrar as respostas que estão além da superfície. 

Dessa forma, somos todos nós que ganhamos ao ter você como um ponto fora da curva nesse mar de informações sem sentido e sem intenção. 

Faz sentido?

Nota do editor:
Para sair de vez da inércia e começar logo a escrever, confira nosso Guia!

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