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Storytelling: o que é e tudo o que você precisa saber para se tornar um excelente Storyteller

Storytelling é a arte de contar e adaptar histórias utilizando elementos específicos — personagem, ambiente e um conflito — em eventos com começo, meio e fim, para transmitir uma mensagem de forma inesquecível ao conectar-se com o leitor no nível emocional.

Você já se perguntou se os seus leitores têm interesse pelo que você escreve?

Você pode ter ideias e mensagens brilhantes para transmitir, mas se não souber como fazer isso da melhor maneira, de nada adianta — sua audiência continuará formada por cadeiras vazias (ou poucos cliques).

Sua escrita ainda pode não ser cativante o bastante. A de vários escritores de sucesso também não era no começo. É uma questão de encontrar a sua voz, desenvolver a sua habilidade e aprender a contar histórias capazes de encantar seus leitores.

Diante da enorme quantidade de conteúdos à qual estamos submetidos 24 horas por dia, é preciso apresentar um diferencial claro para o seu público e não ser “apenas mais um”.

Para isso, uma das melhores técnicas que existem é a que você está prestes a aprender: o storytelling. Mas, em primeiro lugar…

O que é storytelling?

Storytelling é a arte de contar, desenvolver e adaptar histórias utilizando elementos específicos — personagem, ambiente, desejo e um conflito — em eventos com começo, meio e fim, para transmitir uma mensagem de forma inesquecível ao conectar-se com o leitor no nível emocional.

Vale a pena parar e ler o parágrafo anterior novamente. Ele resume perfeitamente a técnica de contar histórias, e o desenvolvimento deste artigo será para esmiuçá-la e explicá-la melhor.

Vamos começar pelos motivos de se preocupar em contar boas histórias em seus conteúdos.

Qual é a importância do storytelling?

Ao contar boas histórias, você garante que está produzindo um material único. Por mais que seja sobre um tema desgastado ou de conhecimento geral, o seu conteúdo abordará uma perspectiva única: a sua.

Muito mais do que isso:

“People don’t remember what you say as much as what they see when you say it.” (Patricia Fripp, Coach de Oratória)

Histórias levam o público em uma jornada

Nós já temos a Wikipedia para nos fornecer conteúdos diretos listando puramente os fatos e os dados. Não há motivo para você escrever como essa enciclopédia online, até porque vai ser bastante complicado superá-la nas páginas do Google.

Então, leve o seu leitor em uma jornada. Por mais que o seu conteúdo não seja uma narrativa, é possível fazer isso com tópicos bem estruturados e explorando o encadeamento de ideias.

Quando você pensa na experiência e na jornada do usuário e conta com um conteúdo escaneável, tem o necessário para o início de um storytelling bem-sucedido.

Histórias geram identificação

Uma boa história desperta o interesse e a identificação do leitor.

Uma história melhor faz com que o leitor se imagine no papel do personagem principal.

Uma história espetacular faz com que o leitor percorra cada passo na pele do protagonista, sofrendo com ele e enfrentando todos os obstáculos no caminho, movido pela esperança de superar o conflito e vibrando quando isso ocorre.

Histórias despertam emoções

Além da identificação, as histórias também acionam nosso lado emocional, seja por despertar alguma memória do leitor, seja por fazê-lo se imaginar na pele do personagem.

Com isso, temos o resultado final:

Histórias nos seduzem com facilidade

A comunicação humana é feita por histórias desde sempre.

Por isso, a grande maioria dos textos sobre storytelling costuma abrir falando sobre os tempos das cavernas e sobre como histórias eram contadas em pedras antes mesmo de existirem idiomas.

Assim, é muito mais fácil transmitir uma mensagem quando ela está ancorada em uma história.

Quais são os principais elementos do storytelling?

Embora não exista uma receita de bolo para contar boas histórias, existem quatro elementos que estão sempre presentes.

Então, vamos começar já pelo mais importante.

1. Mensagem

É comum separarmos o storytelling em duas partes:

  1. story: a história e a mensagem a serem transmitidas;
  2. telling: a forma como essa mensagem é apresentada.

Caso a mensagem seja forte, é possível que ela surta efeito mesmo com um telling fraco. Mas, caso ela seja fraca, dificilmente você conseguirá salvar o seu conteúdo com técnicas para contá-la.

A ideia passada é o que pode transformar e marcar a vida das pessoas.

Textos, histórias e palestras que deixam a audiência entusiasmada momentaneamente existem aos montes, mas conteúdos que marcam de verdade e fazem com que você continue lembrando deles são escassos.

Esses são os que conseguem conciliar as duas partes do storytelling, ao trabalhar bem os próximos três elementos com a mensagem.

2. Ambiente

Simplesmente porque os eventos precisam acontecer em algum lugar, tê-lo bem descrito facilita que o público embarque na jornada.

3. Personagem

O personagem é quem percorre toda a jornada e sofre uma transformação que leva à transmissão da mensagem.

Mas, para passar por essa transformação, ele deve superar o próximo elemento:

4. Conflito

O principal fator que deixa a audiência interessada na história é o conflito: o desafio que surge para o personagem a fim de motivá-lo a percorrer toda a jornada.

Um conflito muito simples não desperta interesse, pois não gera identificação. Afinal, conquistas muito fáceis não costumam ser valorizadas.

Ele deve ser mais elaborado e também não pode ser facilmente superado. Nesse caso, teríamos uma história romantizada, que pode até despertar emoções, mas dificilmente gera identificação.

Portanto, o conflito deve ser elaborado e de difícil superação, a ponto de exigir a transformação do personagem para que seja superado.

Nesse ponto, é comum surgir a seguinte dúvida:

Todo storytelling é uma narrativa?

Embora toda narrativa seja storytelling, a recíproca não é verdadeira.

Eles funcionam bem como sinônimos para não repetirmos o mesmo termo várias vezes. Porém, arte de contar histórias, storytelling e narrativa não são exatamente a mesma coisa.

É possível incorporar alguns elementos do storytelling nos seus conteúdos sem necessariamente transformá-los em narrativas.

A ideia do show, don’t tell (mostrar para não falar) é uma excelente maneira de ilustrar isso: a descrição de um evento ou dado funciona muito melhor para explicação, entendimento e identificação do que sua apresentação de forma simples e direta.

Como aplicar storytelling nos seus conteúdos

1. Conteúdo é a história

Esse é o método mais óbvio e é o primeiro que nos costuma vir à mente ao pensar em storytelling.

Uma verdadeira narrativa completa e ambientada, com personagens, obstáculos, conflito e uma jornada bem definida para levar à transformação do protagonista.

Pense no seu filme favorito e certamente você identificará cada um desses elementos.

Exemplos:
Como conseguir um emprego em marketing em apenas 23 horas
Um dia na vida de uma freelancer e mãe em tempo integral
O Guia do Marketeiro das Galáxias – parte 1
O Guia do Marketeiro das Galáxias – Até mais, e Obrigado Pelos Leads

2. Storytelling como parte do conteúdo

Trata-se do uso de uma história que serve de exemplo ou ilustração para facilitar o entendimento de um tema.

Por exemplo, o artigo Show me the money: como entender os clientes me fez ganhar mais dinheiro menciona uma cena do filme Jerry Maguire como ponto de partida para explicar como entender melhor os clientes pode te levar a ganhar mais dinheiro.

Porém, uma ressalva: é necessário tomar cuidado com storytelling sem sentido:

“João acorda todos os dias às duas horas da manhã.

Outro fato interessante sobre João é que ele nunca mais será citado no meu texto. Eu só queria introduzir um post sobre insônia e resolvi colocar João na introdução.

Aí, seu texto fica parecendo Batman vs. Superman, com uns personagens jogados lá dentro só para dar um exemplo inútil.”

Exemplos:
Coluna Freela: como entender os clientes me fez ganhar mais dinheiro
Deadpool explica: por que todo conteúdo que você escreve é uma m…

3. História usada como estrutura do conteúdo

Esse é o método mais utilizado no Marketing de Conteúdo.

Em vez de apresentar uma história no texto, ele é estruturado com base em uma história e explora vários elementos do storytelling, mesmo que não sejam apresentados de forma clara.

Storytelling no Marketing de Conteúdo

Você se lembra dos quatro elementos do storytelling, certo?

  1. Mensagem;
  2. ambiente;
  3. personagem;
  4. conflito.

Para mostrar como a arte de contar histórias pode ser trabalhada — ou explorada — no Marketing de Conteúdo, vamos usar este texto de exemplo.

O personagem é você, que se motivou a encarar o conflito de aprender mais sobre storytelling. E, assim, embarcou em uma jornada: consumir todo este artigo na esperança de que ele seja transformador e inovador o bastante para resolver o seu conflito.

O ambiente é a internet. Mais especificamente, pode ter envolvido uma rede social, um e-mail ou o próprio Google e acabou mudando de cenário para o blog da Comunidade Rock Content.

E a mensagem? Essa eu não posso revelar ainda, ou o conflito seria muito facilmente resolvido e teríamos uma história romantizada demais para ser digna da sua leitura.

Portanto, no Marketing de Conteúdo, os conceitos de persona e resposta à intenção do usuário estão extremamente ligados ao storytelling.

Além desses elementos, existem também estágios ou etapas que podem ser identificados em uma história, que variam conforme a estrutura adotada. A seguir, falaremos de duas das mais famosas.

O modelo Pixar de contar histórias

Responsável por inúmeros sucessos, como Toy Story e Procurando Nemo, o estúdio de animação Pixar aplica o storytelling com maestria em seus filmes, e a estrutura utilizada é extremamente simples.

1º ato: apresentação

Era uma vez…

Somos apresentados aos personagens em seu mundo, com toda a rotina acontecendo normalmente até que…

Temos o evento que anuncia o conflito!

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2º ato: a jornada

Por causa do conflito, temos uma série de outros acontecimentos que se tornam obstáculos para o protagonista. E por causa de cada obstáculo, temos um novo, até chegar ao conflito final.

Finding Dory GIF

Nesta jornada, acompanhamos a transformação do personagem principal, que costuma ainda chegar ao fundo do poço antes de se transformar para, enfim, resolver o conflito.

3º ato: a mudança

Somos reapresentados aos personagens em sua nova rotina, agora transformados pela resolução do conflito.

Com base nessa mudança, a mensagem é transmitida e, assim, emociona e impacta a audiência.

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O modelo Joseph Campbell: a Jornada do Herói

A Jornada do Herói é apresentada no livro “O Herói de Mil Faces”, de Joseph Campbell. Também chamada de Monomito, ela é basicamente um estudo que identifica um padrão narrativo em histórias famosas.

Como você vai notar, várias das etapas são similares às do modelo Pixar, mas de uma forma mais estendida.

1. O mundo comum

Somos apresentados ao herói — o protagonista — e o seu mundo.

finding nemo morning GIF by Disney Pixar

2. O chamado da aventura

Momento em que o conflito é apresentado ao herói.

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3. A recusa ao chamado

O protagonista se vê em um conflito interno entre o seu desejo e a sua necessidade, de forma que, inicialmente, ele pode se render à zona de conforto do seu mundo atual.

Wishing Well High Disney Pixar GIF

4. A ajuda sobrenatural

Quando algo ou alguém chama a atenção do herói para a necessidade de agir. Pode ser um mentor, um evento ou até mesmo uma coisa.

Finding Nemo GIF

5. O cruzamento do primeiro portal

O protagonista decide abandonar o mundo comum e embarca de vez na jornada.

Scared Disney Pixar GIF

6. A barriga da baleia

Nosso herói encontra novos aliados e inimigos e, ao enfrentar novos desafios, ele aprende as regras e o funcionamento do novo mundo.

Finding Nemo Ocean GIF

7. A aproximação

O primeiro desafio é superado!

Finding Nemo Disney GIF

8. A provação traumática

Momento em que o protagonista encara o conflito de maior impacto em toda a história e pode ser levado ao fundo do poço, antes de superá-lo.

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9. A recompensa

Vencido o conflito, nosso herói recebe a recompensa após vencer seus medos e ter novas descobertas. A recompensa costuma ser a mensagem transmitida.

Its Gonna Be Okay Finding Nemo GIF

10. O caminho de volta

Começa o retorno do herói para o seu mundo.

finding nemo fish GIF

11. A ressurreição do herói

Surge um novo conflito e o protagonista é testado outra vez; agora, ele precisa utilizar sua recompensa para superar o desafio.

12. O retorno com o elixir

Quando nosso herói — agora transformado — retorna definitivamente para o seu mundo e está apto a mudar a vida de todos com a recompensa trazida por ele: o elixir.

Segundo Joseph Campbell, ao passar por cada um desses estágios, temos uma narrativa completa.

Mas a verdade é que você não precisa segui-los à risca. Vale muito mais tomar essa estrutura como base e adaptá-la para o seu caso, priorizando sempre a criatividade.

Afinal, se todos os conteúdos seguirem essa estrutura como uma receita de bolo, estaremos de volta ao problema do overload de conteúdos iguais.

Dicas e técnicas de storytelling para contar boas histórias em seus artigos

Leve o leitor de um ponto A até um ponto B

Histórias sem final ou sem ordem cronológica podem funcionar muito bem em filmes artísticos e na literatura, mas não são indicadas quando temos um objetivo claro e uma mensagem que deve ser facilmente transmitida e reproduzida.

Cada narrativa deve ser constituída pela simples estrutura: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Sua história precisa pegar o leitor pela mão e conduzi-lo sem muitas turbulências. Para isso, uma boa escaneabilidade e um bom encadeamento de ideias são fundamentais para não transformar o seu texto em um obstáculo para o herói.

Seja criativo

Qualquer história pode ser criada, tudo vai depender do que você vai oferecer para o seu público.

Mas é claro que, para produzir uma boa narrativa, você necessita de um tema que seja relevante, contendo problemas que eles tenham e que você possa resolver.

Todo leitor gosta de ser surpreendido, e por essa razão obras que usam recursos narrativos como plot twists (viradas na trama) e quebras de expectativas são tão populares. Use a criatividade para atrair e envolver o seu leitor, mas tome cuidado para que a trama não fuja do objetivo principal.

Indicação de leitura:
Para aprender mais sobre os conceitos e técnicas de aplicar a criatividade em seus conteúdos, confira nosso Guia da Escrita Criativa!

Guia da escrita criativa

Transmita sensações positivas com o conteúdo

De acordo com um artigo publicado pela Scientific American, as histórias que estimulam emoções positivas são mais amplamente compartilhadas do que aquelas que provocam sentimentos negativos, e o conteúdo que produz uma maior excitação emocional tem maiores chances de viralizar.

Estimule o público a terminar o conteúdo com um sentimento positivo no peito. Isso não significa que o conteúdo deve apenas falar de coisas boas e não exibir problemas!

O principal objetivo é que, no final, uma solução seja apresentada e que, de preferência, ela seja um serviço ou produto oferecido pelo cliente que você atende.

Dicas do que não fazer ao usar storytelling

Contar histórias romantizadas

As principais vantagens do storytelling são a possibilidade de se conectar com o leitor emocionalmente e escapar do overload, correto?

Ao romantizar as histórias, você acaba suavizando ou comprometendo o conflito, o que traz uma situação onde tudo acontece de forma muito fácil — e isso acaba dificultando a identificação do leitor por ser muito distante da realidade.

Seu storytelling, assim, pode até ser apreciável, mas jamais será inesquecível. Basta lembrar das centenas de filmes de comédia romântica que são lançados. Quantos de fato se tornam clássicos?

Utilizar personagens rasos ou superficiais

Quando um protagonista é excessivamente simplificado ou genérico, é mais difícil desenvolver empatia por ele e, consequentemente, a identificação do leitor acaba comprometida.

Um bom herói deve ter suas virtudes e seus pontos fracos para enriquecer a trama e trabalhar junto com o conflito. Se ele é superficial demais, a sua transformação também é afetada e a mensagem transmitida terá menos impacto.

Apresentar a mensagem de forma muito direta

Ir direto ao ponto funciona em muitas situações. No storytelling, nem tanto.

Antes de transmitir sua ideia, é necessário envolver o público utilizando os estágios e elementos apresentados ao longo deste artigo.

Novamente, temos a ideia do show,don’ttell. Mas também não a leve tão a sério, chegando ao ponto de entediar sua audiência antes de ter a oportunidade de transmitir sua mensagem.

O caminho de volta

Após apresentar o conflito e percorrer toda a jornada com o herói, que ainda passa pela provação ao reforçarmos o que fazer e o que não fazer, chegamos ao momento de retornar para casa com o elixir.

Portanto, vale deixar claro que todos os tópicos aqui abordados são recomendações que podem ajudar a contar boas histórias, mas não os transforme em uma receita de bolo ou fórmula.

Com o storytelling, não existem mandamentos ou escrituras na pedra, e essa é a graça. Podemos reinventá-lo a cada texto e, por isso, sempre há uma forma de aprender algo novo.

Para seguir sua especialização na arte de contar histórias, confira nosso Minicurso de Storytelling, que tem mais de 3 horas de videoaulas para você aprender ainda mais como conquistar sua audiência.

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