Por Dimitri Vieira

Editor-chefe do blog Comunidade Rock Content.

Publicado em 04/02/2019. | Atualizado em 24/01/2019


É possível aprender storytelling e a contar melhores histórias sem fazer cursos, apenas estudando suas obras favoritas. Entenda como!

Uma das maneiras mais divertidas de se aprender storytelling sem fazer cursos é partindo de histórias que já existem. Pode parecer estranho no começo, mas a vantagem dessa ideia é conseguir dominar o tema com experiência prática.

Desde pequenos, aprendemos a ler com a ajuda de narrativas, depois construímos um repertório verbal assistindo TV e filmes e, ao longo desse tempo todo, adquirimos conhecimento valioso para nos tornar contadores de história.

Para conseguir colocar isso em prática, porém, precisamos aprender a discernir os elementos que fazem com que um texto seja cativante o suficiente para não conseguirmos pular uma página sequer do livro.

Então, por que não estudarmos as obras que nos cativaram e nos prenderam tanto para entender os motivos e as técnicas por trás?

Leia a história atentamente (e releia se necessário)

Para fazer storytelling com sucesso é preciso aprender a ouvir. Muitos de nós acreditamos que possuímos essa capacidade, mas você já parou para pensar quais elementos constituem uma grande história?

Selecione algumas de suas obras favoritas, pegue papel e caneta e comece a fazer uma lista. O que elas têm em comum, como são construídas e que conteúdo endereçam? Quais são os gêneros de storytelling que mais aparecem na sua seleção?

Rapidamente vai notar que existem algumas variações comuns para se construir uma narrativa. Algumas delas falam de heróis e de como eles superaram um problema, outras são engraçadas e ainda há aquelas em que uma missão deve ser cumprida. É possível observá-las em TED Talks e livros, e é com esse tipo de histórias que você vai aprender.

Leia e releia os conteúdos até que comece a memorizar falas e seja capaz de citá-las tranquilamente. Então, disseque as informações contidas ali e a maneira como elas são transmitidas para o interlocutor:

  • quem é o protagonista e quais são as suas características?
  • qual é o conflito da história e como ele se resolve?
  • e por fim, qual é a mensagem transmitida?

Enquanto lê, visualize tudo o que está acontecendo

A melhor característica de uma boa história é que ela é capaz de nos submergir em um universo que desconhecemos. Ele existe completamente em nossa imaginação e nos ajuda a aprender uma lição, a acompanhar o crescimento de um personagem, a vislumbrar um planeta ou galáxia que desconhecemos ou todas essas coisas ao mesmo tempo.

Para entender como eles funcionam é preciso se deixar imaginar. Ao ler ou ouvir uma história, desligue-se do mundo ao seu redor e tente se visualizar dentro dela.

Tente recontar a história

Após os dois primeiros passos, é hora de começar a colocar seus novos conhecimentos em prática.

Essa parte é essencial, pois assim como não se aprende a tocar um instrumento musical apenas escutando música e tentando entender quais seus estilos favoritos, não se aprende storytelling apenas lendo e estudando.

Selecione a sua história favorita entre uma daquelas que destrinchou na primeira etapa desse passo a passo. Comece a pensar em como você a contaria:

  • que elementos seriam diferentes e o quanto eles impactariam a sua própria imaginação se pudesse ouvi-los?
  • há algum pedaço da história que deixou para trás? Por que?

Faça tudo isso em um texto ou gravando um áudio, como se a sua criação fosse o original. Inclua tudo que for relevante e pratique esse exercício com a memória, sem colar.

Nenhuma história é contada duas vezes do mesmo jeito, afinal “quem conta um conto aumenta um ponto”. Ao terminar, descanse um pouco e passe para a próxima etapa.

Ao recontar, observe os pontos que mais te chamaram a atenção

É muito difícil perceber a qualidade de um texto quando o lemos imediatamente após escrever. Naquele momento, imersos no que criamos, é muito fácil ignorar erros ou inconsistências. Por isso, pedimos para que desse um tempo para sua cabeça antes de revisar o que produziu.

Alguns trechos da sua versão da história são mais acentuados do que na obra original. Também há partes que deixou de lado, para que a narrativa ficasse mais fluída ou porque não achava que eles eram relevantes o suficiente para a continuidade do storytelling.

  • quais são eles?
  • como se comparam a história que lhe foi contada?
  • por que você achou certo inclui-los?

Essas observações serão cruciais para que aponte o que foi mais marcante na história que leu.

O seu texto é bom o bastante para que qualquer pessoa consiga imaginar o que está escrito ali? Faça uma avaliação sincera, considerando os mesmos pontos que utilizou na análise das histórias que leu.

Entenda por que eles te chamaram a atenção

Não falamos que seria importante desconstruir as narrativas para poder fazer o caminho inverso? Agora é hora de olhar novamente para os pontos que lhe chamaram atenção e dizer o porquê.

Releia a obra original em comparação à sua e selecione os fragmentos em comum ou similares. Eles são as partes da história que ficaram incrustadas na memória e que você sentiu que não poderia deixar de mencionar.

  • eram frases específicas?
  • a descrição visual de um personagem?
  • uma ação tão marcante para a continuidade do storytelling que precisou ser descrita em detalhes?

Ao fazer isso também vai notar pontos que não precisavam ser mencionados. É hora de refinar o conteúdo que produziu. Rabisque trechos, faça comentários ao lado deles, pense como aquelas frases poderiam ficar melhores.

Procure aplicar técnicas parecidas em seus textos

Todos esses exercícios podem ser repetidos uma porção de vezes, até que se sinta confiante o bastante para contar a história a alguém que não conhece ou compartilhá-la com um amigo. Veja como outras narrativas se transformam na sua voz e veja se elas funcionam.

Confira quanto daquilo que aprendeu já foi aplicado nos seus novos textos ou o que ainda precisa ser integrado à sua maneira de contar histórias. Tente compor um conteúdo inédito, com algo que aconteceu no seu passado e que considera interessante.

Se precisar, invente um contexto mais atraente, use frases que ficaram guardadas na sua memória e refaça um texto tanto quanto for preciso.

Bons storytellings têm muito em comum. O primeiro passo para conseguir construí-los é aprender a ver essas similaridades. Contar histórias é reproduzir uma porção de elementos com os quais já estamos familiarizados. Use esse guia para orientá-lo e comece agora mesmo a ver narrativas com outros olhos.

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