Por Adnilson Maia

Publicado em 23/01/2019. | Atualizado em 21/01/2019


Um de nossos freelancers estudou a fundo a obra Sobre a Escrita, do Stephen King, e decidiu compartilhar seus principais aprendizados com você. Confira!

A vida de freelancer é feita de constante aprendizado. Aprendemos estratégias para otimizar nossos textos em motores de busca, como trabalhar nossa imagem pessoal e até mesmo como planejar nossa carreira de freelancer.

Recentemente tive o prazer de ler Sobre a Escrita, do mestre da ficção Stephen King. Como já era de se esperar, King tem grandes conselhos para quem ganha a vida com as palavras, deseja dar um passo além e perseguir aquela qualidade única que diferencia os grandes profissionais do texto de quem se contenta em permanecer estagnado.

Como bom colega de freela que sou, separei para você as principais dicas de King sobre escrita e storytelling, que você pode começar a usar hoje mesmo nas suas próximas tarefas. Vem comigo!

A caixa de ferramentas

O autor começa relatando um verão de sua infância, quando tinha cerca de 8 ou 9 anos de idade, no qual ajudou seu tio Oren a trocar uma tela quebrada nos fundos da casa. Seu tio havia herdado uma pesada caixa de ferramentas do pai, uma caixa de metal, feita pelo próprio avô de Stephen.

King então nos convida a abordarmos a folha em branco com uma espécie de caixa de ferramentas da escrita, a qual, assim como a caixa de seu tio Oren, se estrutura em algumas bandejas, as quais conheceremos agora.

1. Escreva para o Leitor Constante

Stephen King nos diz que nossa maior preocupação deve ser sempre o que ele chama de Leitor Constante, sem o qual somos apenas “uma voz grasnando no vácuo”.

O conceito que King tem do Leitor Constante não é muito diferente da nossa já conhecida persona: um leitor real, concreto, com anseios e história própria, com um conhecimento de mundo que deve ser levado em consideração e com uma necessidade que precisa ser endereçada.

A primeira ferramenta que podemos pegar emprestado do mestre King, então, é essa: o Leitor Constante, nossa querida Persona. Tenha ela sempre em mente, escreva para ela, e seu texto não cairá no vazio deserto da internet.

2. Use o vocabulário de forma orgânica, objetiva e direta

“As ferramentas mais comuns ficam em cima. A mais comum de todas, o pão da escrita, é o vocabulário.”

Para o autor best seller, o item mais comum, aquele que um escritor mais utiliza, é o vocabulário. Não é para menos: afinal, é pela escolha de palavras que construímos o texto diante de nós, imprimindo o sentido que queremos e estabelecendo a nossa telepatia com o Leitor Constante.

Embora entenda que a opção pelo uso de um vocabulário mais ou menos rebuscado seja pessoal, Stephen se junta a nomes como o de Hemingway e defende o uso de palavras mais simples e objetivas, que traduzam bem o que se procura dizer sem criar distanciamento entre o autor e o leitor.

King inclusive defende que, via de regra, o escritor deve usar a primeira palavra que lhe vem à mente, se esta for adequada e interessante. Isso porque a primeira palavra normalmente é aquela que carrega o sentido exato daquilo que se deseja transmitir.

O autor fala ainda que não se deve fazer nenhum esforço consciente para melhorar o vocabulário, o que deve acontecer naturalmente à medida em que seguimos com nossa rotina de leituras. Para King, uma das piores coisas que um escritor pode fazer é tentar enfeitar o vocabulário, “procurando por palavras longas por vergonha de usar as curtas de sempre”.

3. Conheça a gramática

É bem provável que, mesmo sendo um redator, você não gostasse muito das aulas de gramática do colégio. Classificações morfológicas, análises sintáticas e regras de acentuação não costumam fazer muitos fãs. Mas tudo bem. Fique tranquilo.

Você muito provavelmente já assimilou grande parte desses conceitos enquanto leitor, e não é necessário ser perito em gramática para escrever bons textos, de qualquer forma.

Mas sejamos sinceros: se você consegue lembrar a escalação do Palmeiras em 2003 e o número atômico da Estrôncio (38), você é perfeitamente capaz de lembrar que não se inicia um período com pronome oblíquo (bem como o que é um pronome oblíquo).

Nota do editor:
E para o que você não conseguir memorizar, é sempre válido manter um material de consulta. Pensando nisso, produzimos um guia com 63 erros de escrita que você deve evitar e dicas simples para corrigi-los. Acesse agora para incluí-lo em sua caixa de ferramentas!

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4. Melhore a escaneabilidade

Como redator da Rock, você com certeza já conhece o conceito de escaneabilidade: seu texto deve ser estruturado de tal forma que o leitor consiga passar por ele sem dificuldades, sendo capaz de localizar informações facilmente.

Não, Stephen King não é redator. E não, ele não fala especificamente em escaneabilidade. Mas o autor de It dá dicas importantes para nós, mortais.

A primeira dica é trabalhar o tamanho dos parágrafos. Isso porque, para King, o parágrafo é a verdadeira unidade básica de composição de um texto, e, pelo comprimento dos parágrafos, é possível ter uma boa noção da profundidade e da densidade do texto que vamos enfrentar.

Outra dica valiosa aparece quando o autor cita uma fórmula padrão de estruturação de parágrafos, muito usada em crônicas e textos leves, a qual podemos definir como estrutura síntese-comentário. Esse tipo de parágrafo começa com uma ou duas frases sínteses, que resumem a ideia do parágrafo, as quais são detalhadas ao longo do parágrafo.

Essa estrutura nos ajuda a manter o ritmo e a organização do texto, encadeando as ideias principais e garantindo maior fluidez para o conteúdo.

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5. Tenha compromisso

A última ferramenta que Stephen King nos apresenta talvez seja a mais importante de todas: o compromisso. Independentemente da natureza do que escrevemos (seja uma newsletter ou um livro de ficção), toda escrita requer compromisso, requer dedicar tempo e esforço consciente para entregar o nosso melhor, sempre.

Isso porque é preciso também fazer jus ao compromisso que o leitor assume conosco sempre que se dispõe a ler aquilo que escrevemos, em vez de fazer qualquer uma das infinitas outras coisas que ele ou ela poderia fazer naquele momento.

Então, valorize seu ofício de redator, e valorize também o tempo do seu leitor entregando conteúdos incríveis.

Sobre a Escrita já se tornou um dos meus livros favoritos de todos os tempos, e tenho certeza de que vou voltar às lições de Stephen King ainda muitas vezes ao longo dos anos.

Se você quer aprender ainda mais sobre como contar histórias que cativam, precisa conhecer também o mini-curso de storytelling da Rock Content. Nele você vai conhecer conceitos poderosos para encantar a audiência e criar verdadeiros virais.

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