Como o trabalho de Stan Lee na Marvel pode inspirar a sua Produção de Conteúdo Web?

Como o trabalho de Stan Lee na Marvel pode inspirar a sua Produção de Conteúdo Web?

Creditado como cocriador de grandes ícones do Universo Marvel, Stan Lee desenvolveu táticas que podem ajudar você a produzir conteúdos incríveis!
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Os cabelos grisalhos penteados para trás, o bigode característico e os enormes óculos escuros compuseram um dos rostos mais emblemáticos do mundo do entretenimento.

Cocriador de incontáveis personagens do Universo Marvel, Stan Lee teve a sua figura consolidada no cenário pop, sobretudo, graças às suas pontas nas adaptações cinematográficas da editora.

Captado pelo imaginário popular como a grande mente por trás do sucesso de super-heróis e vilões lendários da Casa das Ideias, Lee deixou um legado valioso para qualquer produtor de conteúdo.

Pensando nas suas contribuições para o mercado dos quadrinhos — e, consequentemente, para o universo do entretenimento —, decidimos refletir sobre as táticas que esse ícone usou ao longo dos seus 95 anos de vida e que podem ser aplicadas à realidade da Produção de Conteúdo Web.

Confira, a seguir, as lições heroicas deixadas pelo trabalho de Stan Lee na Marvel.

Crie identificações com o seu leitor

Virou senso comum afirmar que o diferencial dos personagens da Marvel em relação aos da DC, a sua principal concorrente, é o fato de equilibrarem problemas reais e verossimilhantes com as suas “carreiras heroicas”.

Enquanto os heróis da Distinta Concorrente eram representados como seres com ares quase divinos até quando não tinham superpoderes — vide o famoso “preparo” do Batman —, Stan Lee, durante a década de 60, inovou ao criar uma série de tipos poderosos, mas extremamente dúbios e problemáticos, refletindo a realidade e as personalidades dos seus leitores.

O maior expoente disso talvez seja a sua principal criação: o Homem-Aranha. Em muitas das suas histórias, a atuação do aracnídeo como herói é eclipsada pelos dramas — financeiros, amorosos, estudantis etc. — cotidianos de Peter Parker.

Nada mais autêntico do que um personagem que pretende lucrar com os seus poderes recém-adquiridos e recusa entrar para o Quarteto Fantástico ao descobrir que os membros da equipe não recebiam salário.

Outra decisão notável de Lee foi evitar a abordagem de cidades fictícias, como a DC fazia com Gotham City ou Metrópoles, reunindo boa parte das suas criações em um único lugar: Nova York. Ao visualizarem esses personagens em locais reais, os fãs de quadrinhos espalhados pelo mundo passaram a ter uma referência, de certa forma, palpável em relação à existência desses seres incríveis.

Ou seja, por mais que as histórias produzidas por Stan Lee apresentassem premissas simples e, muitas vezes, infantis — como o vilão Electro, que recebe seus poderes após ser atingido por um raio enquanto consertava um poste elétrico — elas carregavam um forte apelo emocional e se conectavam genuinamente com o seu público.

A lição aqui é a de perceber os anseios e as necessidades dos seus leitores e traduzi-las ao transpor o seu conteúdo para o papel ou, no caso do âmbito digital, para um blog post, e-book, infográfico etc.

Nessa toada, é pertinente recorrer a exemplos práticos e situações que façam parte da rotina do seu público, mas também deve-se apresentar soluções concretas para os seus problemas.

Assim como Stan Lee acertou em cheio ao conceber o Homem-Aranha como um herói adolescente, refletindo o perfil de muitos leitores de quadrinhos na época, você pode entrar na cabeça do seu público delineando as suas características mais específicas por meio da criação de uma persona.

Discuta temas atuais e pertinentes

Das páginas assinadas por Stan Lee, saltaram discussões que já eram pertinentes na década de 60, quando sua produção atingiu patamares mais prolíficos, e continuam extremamentes relevantes até os dias de hoje.

O quadrinista abordou as discriminações em geral com os seus X-Men.

Com direito aos antagônicos Professor Charles Xavier e Magneto apresentando discursos calcados em Martin Luther King e Malcolm X, respectivamente.

Deu protagonismo a personagens negros em Pantera Negra, discutiu bullying em Homem-Aranha, fez um deficiente visual herói em Demolidor…

Essa percepção acerca da realidade ao seu redor e da necessidade de discutir temas de forte impacto social garantiram autenticidade ao trabalho de Stan Lee e ajudaram a estabelecer uma imagem inclusiva e acolhedora para a Marvel.

Estudos recentes mostram que 93% dos consumidores tendem a consumir produtos de empresas com líderes que se mostram sensíveis a causas sociais relevantes. Portanto, é fundamental se importar com essas questões e transmiti-las para o seu público por meio dos seus conteúdos.

O exercício dessa empatia garante que a sua produção não estará alheia ao contexto sociocultural no qual se insere. Assim, você confere um caráter de urgência e um aspecto de atualização que mantêm os seus leitores interessados nos seus conteúdos.

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Trabalhe de forma escalada — e lide bem com os seus colaboradores!

O polêmico “Método Marvel” de produção, popularizado por Stan Lee, consistia, basicamente, no seguinte processo:

  1. o roteirista esboçava um argumento genérico e discutia com o desenhista, brevemente, a história que seria produzida;
  2. o ilustrador, então, desenvolvia todo o andamento da trama direto na prancheta de desenhos;
  3. após as ilustrações serem concluídas, o roteirista adicionava os balões de fala e as onomatopeias.

Essa lógica otimizava o tempo de produção — visto que não era necessário escrever um roteiro detalhado previamente, como os grandes autores atuais, como Alan Moore e Neil Gaiman, fazem — e conferia ao desenhista uma enorme liberdade criativa.

A polêmica residia no fato de que, frequentemente, as outras figuras envolvidas nesse processo colaborativo eram eclipsadas por Stan Lee.

O roteirista e os seus desenhistas parceiros não recebiam royalties pelas suas criações, que, por contrato, pertenciam à editora. Entretanto, vários ilustradores, como os lendários Jack Kirby e Steve Ditko, demonstraram insatisfação por considerarem que o reconhecimento pelas criações da Marvel incidia majoritariamente sobre o escritor.

Conforme Stan Lee colecionava aparições públicas para divulgar o trabalho da editora e consolidar a sua imagem de gênio criativo e visionário, os ilustradores eram relegados ao esquecimento enquanto enfrentavam uma rotina de trabalho extenuante.

Esse contexto levou ambos — Kirby e Ditko — a romperem com a Marvel e, eventualmente, trabalharem até mesmo na DC.

A ideia de segmentar e escalar a produção é interessante, mas deve ser empreendida de forma cuidadosa, a fim de evitar conflitos, conforme os descritos acima. Claro que, em casos de ghost writer, a questão da autoria é suprimida, mas é importante sempre esclarecer os pormenores desse tipo de prática, previamente, visando ao bem-estar e à transparência do diálogo entre os membros da equipe.

Uma maneira comum de dividir as produções para web é separando o processo em planejamento de pauta, redação, revisão e, caso desenvolva um e-book ou infográfico, diagramação. Esse fluxo também pode ser volátil, com a inserção de etapas com entrevistas com especialistas e/ou revisão técnica, por exemplo.

O importante é fazer com que essa colaboração aberta e coletiva agilize o processo de produção, mas garantir que o conteúdo seja de qualidade, extraindo o melhor que você e os seus parceiros possam oferecer.

Abra canais de diálogo com o seu público

stan lee

O trabalho de Stan Lee na Marvel apresentou algumas estratégias, até então, inovadoras para o mercado de quadrinhos.

Uma dessas sacadas de gênio foi fazer das seções de cartas das suas revistas um espaço informal, onde Lee respondia os seus leitores com uma linguagem descolada e leve, alinhada à narrativa das HQs e à forma como os seus fãs se comunicavam.

Abrir canais de diálogo com o seu público garante transparência ao seu trabalho, mostrando que você está à disposição para ouvir elogios, obviamente, mas também aceitará receber críticas e sugestões, responderá dúvidas pertinentes etc.

Com as redes sociais e os espaços de comentários em blogs e plataformas em geral, às vezes, fica um pouco complicada separar o joio do trigo. Entretanto, há sempre feedbacks pertinentes que serão recebidos e, portanto, devem ser tratados de maneira acolhedora, sendo absorvidos e respondidos.

Saiba trabalhar a sua imagem

Ao longo deste post, elencamos uma série de particularidades profundamente atreladas à figura e à obra de Lee. Desde características físicas, passando pelo seu estilo narrativo e até estratégias de negócios… O quadrinista soube constelar vários fatores-chave em seu entorno, construindo uma imagem única para si.

Essa espécie de auto marketing foi tão bem-feita que, quando pensamos na criação do panteão da Marvel, a imagem de Lee, imediatamente, vem às nossas cabeças, mas pouco se fala sobre a contribuição dos seus parceiros, como os supracitados Kirby e Ditko.

Apesar dessas mazelas relacionadas aos bastidores do negócio, podemos tirar uma lição positiva das práticas do roteirista e editor: a capacidade de trabalharmos as nossas imagens de forma que o público em geral nos reconheça, de imediato, em nossas obras.

Lee utilizava bordões, como Nuff Said e Excelsior, que apareciam em suas colunas e seções de cartas e também criou uma espécie de assinatura nas revistas da editora, vide o selo “Stan Lee apresenta”.

Essas práticas popularizaram a sua marca e serviram como uma espécie de gatilho para os leitores, gerando neles uma expectativa específica ao abrirem qualquer revista assinada pelo quadrinista.

Vale citar a forma como Lee desenvolveu o Homem-Aranha e, sobretudo, o seu alter ego, Peter Parker, à imagem e semelhança do autor e dos seus leitores. O quadrinista inspirou-se em aspectos da sua própria personalidade, em problemas que enfrentou e na sua filosofia de vida para cunhar o herói.

As situações que Stan trouxe, de modo acachapante, para as tiras do aracnídeo — e que também apareceram em outras de suas obras — estavam muito próximas da realidade dos seus leitores, que puderam se identificar não só com o que era visto nas narrativas, mas também com o discurso e com a figura do autor por trás daquelas histórias.

Reside aí a importância de criar conteúdos com uma voz própria, seguindo uma linguagem que seja relevante para o seu projeto e que dialogue legitimamente com o seu público.

Assim, o seu leitor terá as suas expectativas atendidas e não se decepcionará ao esbarrar com as suas produções, tornando-se um consumidor fiel e recorrente.

Leia bons autores

Stan Lee era um leitor voraz de livros, tanto é que sonhava ser um autor de romances, chegando a “guardar” o seu nome de batismo, Stanley Martin Lieber, para ser utilizado quando essa aspiração se concretizasse. Entre as suas influências, destacam-se a literatura pulp, Arthur Conan Doyle, William Shakespeare, Edgar Rice Burroughs e Mark Twain.

A lição aqui parece — e é — óbvia: é imprescindível que um produtor de conteúdo se inspire em grandes mestres da escrita. Ter esse tipo de referência dá substância aos seus trabalhos e oferece atalhos para turbinar a sua criatividade.

Aposte na convergência entre as mídias

Apesar de o grosso da sua produção ter se dado nos quadrinhos, é seguro dizer que Stan Lee tornou-se mundialmente conhecido por conta das suas aparições em outras mídias, sobretudo nas suas breves participações especiais nas adaptações cinematográficas da Marvel Studios.

Há pessoas que jamais leram uma história em quadrinhos assinada por Lee, mas que, certamente, reconhecem a imagem do simpático velhinho — que também marcou presença em séries, animações, jogos eletrônicos e, até mesmo, no longa-metragem do desenho “Os Jovens Titãs em Ação”, da concorrente DC.

Essa natureza transmidiática está no cerne do seu próprio trabalho, visto que o Universo Marvel nos quadrinhos, assim acontece hoje no cinema, funcionava como uma espécie de “rede social” em que os personagens se relacionavam nas suas próprias publicações e nas revistas alheias.

O ensinamento que fica aqui é o de adaptar o seu conteúdo às diversas mídias. Há um leque imenso de possibilidades: compartilhamento e/ou produção específica voltada para determinada (s) rede (s) social (is), desenvolvimento de site mobile friendly, videomarketing, estratégias on e offline etc.

Outra boa dica é fazer com que o seu conteúdo dialogue entre si, criando séries de postagens, inserindo links estratégicos e apostando em autorreferências.

Stan Lee nunca fugiu da regra dos ícones alardeados como gênios, mas envolvidos em contestações e polêmicas. No fim das contas, o maior aprendizado que podemos tirar do seu legado na Marvel, por mais piegas que o trecho a seguir soe, é nos doarmos e acreditarmos no potencial — ou nos superpoderes — do conteúdo que produzimos.

Agora que você já tem consciência do poder e da responsabilidade de escrever um texto de qualidade, que tal compartilhar este post nas redes sociais para que os seus amigos também se tornem verdadeiros heróis da Produção Web?

Guia da escrita criativa