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Publicado em 25/02/2018. | Atualizado em 28/05/2018


“Construção sintática”, “análise sintática”, “sintaxe”... você se lembra desses termos? Refresque sua memória e produza conteúdos mais ricos agora mesmo!

Você, por curiosidade, já reparou como poemas antigos parecem desconexos? Curiosamente, na verdade eles não são.

O linguajar literário de décadas e séculos passados, ainda que soe estranhamente em nossos ouvidos, em nada está transgredindo o Português.

Tomando, por exemplo a letra do hino nacional brasileiro, o que ele tem de tão notável? A resposta é simples: uma construção sintática difícil.

A sintaxe, parte fundamental da gramática, apresenta nesse tipo de literatura uma construção muito distante da que usamos hoje.

É com esse conhecimento que você produzirá conteúdos mais ricos e corretos gramaticalmente! Curtiu? Relembre agora funções importantes e descubra regras que você não se lembrava!

O que é sintaxe

É uma parte da gramática que estuda as palavras dentro das frases ou orações e suas relações entre si, no que diz respeito à concordância, subordinação e ordem.

A sintaxe também estuda a relação das orações dentro do período. Podemos dizer que é a sintaxe que torna uma frase compreensível, ao conferir sentido conforme a relação entre as palavras.

Para não cair nas armadilhas do português, precisamos saber os elementos de estudo da sintaxe:

Elementos da sintaxe

São três os elementos da sintaxe, e compreendê-los é o primeiro passo para realizar uma análise sintática:

  • Frase: estrutura que transmite significado por si só e é finalizada com um sinal de pontuação. Podem ser formadas por uma só palavra ou por muitas.
  • Oração: formada por um verbo ou locução verbal, pode ser uma frase ou um fragmento dela.
  • Período: enunciado com uma oração (período simples) ou mais (período composto), finalizado por um sinal de pontuação.

Exemplos:

  • “Socorro!” é uma frase, mas não é uma oração.
  • “Eu não quero sair à noite para passar raiva em um bar onde as pessoas não conseguem usar o banheiro!”: período composto por várias orações.

Evidentemente, se formos estudar toda a sintaxe, ficaremos um bom tempo por aqui. Isso porque, a partir dela, devemos conhecer as funções sintáticas de cada termo de uma oração e analisá-la.

Dentro disso, temos os termos da oração (essenciais, integrantes e acessórios), coordenação e subordinação de período composto, concordância, regência, colocação pronominal etc.

Então, vamos começar pela função sintática a qual as palavras podem assumir dentro de um período.

Função sintática e análise sintática

Função sintática é o papel que cada termo desempenha dentro da oração. Essa função é determinada a partir de uma análise sintática, aquela matéria de Português que nós erramos na escola.

Por meio da análise, cada termo é estudado conforme seu sentido e a posição que ocupa na oração. A partir dela, temos:

  • Termos essenciais da oração:
  • Sujeito: simples, composto, oculto, indeterminado, ausente (oração sem sujeito).
  • Predicado: verbal, nominal e verbo-nominal; verbo transitivo direto, indireto, direto-indireto; verbo intransitivo; verbo de ligação.
  • Termos integrantes da oração: complementos verbais (objeto direto, objeto indireto, objeto pleonástico, objeto direto preposicionado), complemento nominal e agente da passiva.
  • Termos acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto adverbial e aposto.

“Não estou entendendo nada!”. Calma, já vai. Vamos pegar um exemplo e analisar:

Amanhã, eu emprestarei o livro à minha mãe.

Na oração acima, temos:

  • Amanhã: adjunto adverbial.
  • Eu: sujeito simples.
  • Emprestarei o livro à minha mãe: predicado.
  • Emprestarei: verbo transitivo direto e indireto.
  • O livro: objeto direto.
  • À minha mãe: objeto indireto.
  • O, minha: Adjunto adnominal.

“Ah, mas achei que ‘livro’ era substantivo”. Ainda é. Tenha cuidado para não confundir função sintática com classe gramatical!

Função sintática x Classe gramatical

Como dissemos, a função sintática do termo é definida conforme a relação estabelecida com os outros termos da oração. Mas a classe gramatical é definida independentemente da posição da palavra na oração. É a palavra isolada, definida por análise morfológica.

São classes gramaticais: substantivo, adjetivo, verbo, artigo, pronome, advérbio, preposição, conjunção, numeral e interjeição.

No nosso exemplo, teremos:

  • Amanhã: advérbio de tempo.
  • Eu: pronome pessoal reto.
  • Emprestarei: verbo.
  • O: artigo definido masculino.
  • Livro: substantivo.
  • À: fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”.
  • Minha: pronome possessivo
  • Mãe: substantivo.

Quando você passa a compreender a análise sintática, sua redação ganha ares profissionais, digna dos grandes professores de português!

Com ela, passamos a evitar erros bobos, que prejudicam o entendimento do leitor. E a melhor forma de se tornar um expert em sintaxe é praticando!

E aproveite que você está aqui e aprenda tudo sobre os Segredos do Português assistindo ao webinar com a Lívia Chaves. É só preencher o form antes de prosseguir com a leitura 🙂


Dicas de sintaxe

O redator web deve sempre se preocupar com a clareza do texto, com a compreensão quase intuitiva do leitor, que pode desistir do seu artigo diante do menor esforço de leitura necessário.

Por isso, melhorar a escrita é fundamental! Para te ajudar, separamos algumas dicas imperdíveis de sintaxe para que seu texto seja tão natural quanto respirar!

Sintaxe e semântica andam juntas

As palavras têm significado, e esse significado é interpretado conforme a disposição dos termos na frase.

Construções como “durante ontem” não fazem o menor sentido, uma vez que a preposição indicando duração deve anteceder um substantivo passível de duração (“durante o dia de ontem”).

Tome cuidado com o lugar das palavras na oração

Elas podem assumir funções sintáticas diversas. Existe diferença entre “A menina alegre chegou ao teatro“ (adjunto adnominal) e “A menina chegou alegre ao teatro” (predicativo do sujeito).

Conheça as funções sintáticas das classes morfológicas

Quer facilitar seu estudo de sintaxe? Vai outra dica: as classes morfológicas exercem determinadas funções sintáticas, veja só:

  • Artigo: adjunto adnominal.
  • Substantivo: sujeito, objeto direto ou indireto, aposto ou vocativo.
  • Verbo: Verbo de ligação, transitivo direto ou indireto, intransitivo ou predicado verbal-nominal.
  • Adjetivo: adjunto adnominal, predicativo do sujeito ou do objeto, aposto.
  • Preposição: complemento nominal, adjunto adnominal, objeto indireto ou direto preposicionado, agente da passiva ou predicativo do objeto.
  • Pronome: adjunto adnominal, objeto direto ou indireto, sujeito ou complemento nominal.

Construa orações na ordem direta

O que isso quer dizer? Que ao escrever, procure sempre obedecer à ordem “sujeito-predicado-complemento”. Isso contribui para o bom entendimento e para a fácil leitura.

Voltando ao hino nacional, veja bem a primeira parte:

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante”

Se o poeta estivesse preocupado com a compreensão fácil do hino, ele teria escrito “As margens plácidas do Ipiranga (sujeito) ouviram o brado retumbante de um povo heroico”.

Mas a liberdade poética falou mais alto! A ordem inversa utilizada é responsável pela incompreensão imediata do hino por parte de 100% dos brasileiros. Dados reais!

Reconheça os termos da oração

Se você quiser realmente se tornar um especialista em sintaxe terá de estudar, muito bem, os termos da oração. A compreensão do que compõe um período é o que nos ajuda a construí-lo com uma qualidade superior. É óbvio que você já sabe que uma oração pode ter muitos termos, todavia será que se lembra especificamente de cada um deles?

Sujeito, predicativo, predicado verbal, predicado verbo-nominal, objeto direto, objeto indireto, agente da passiva, adjunto adverbial, complemento nominal, aposto e vocativo são termos que podem ser encontrados em uma oração. Raramente você verá todos eles juntos, mas é bom conhecer o significado de cada um e aprender como identificá-lo.

Portanto, fique atento:

  • sujeito é sempre quem, ou o quê, pratica a ação. Há alguns casos em que eles não aparecem nas orações, como naquelas em que o verbo na terceira pessoa indica indeterminação. Caso contrário sempre estarão lá, podendo ser encontrados pela desinência verbal (sujeito oculto), ser simples ou compostos. A única exceção para essa regra são nas orações construídas com verbos como haver, no sentido de existir. Estas nunca têm sujeito;
  • predicativos, por sua vez, são todo o resto da frase, ou o que é conhecido sobre o sujeito dentro daquele contexto;
  • predicados verbais ocorrem quando predicativo e verbos não estão ligados explicitamente;
  • predicativos verbo-nominais, entretanto, estão sempre ligados há verbos com mais de um núcleo;
  • objeto direto é todo complemento que dá sentido ao verbo, podendo ou não ser acompanhado de artigos;
  • objetos indiretos fazem o mesmo, mas sempre atrelados necessariamente a uma preposição;
  • agente da passiva é quem pratica a ação na voz passiva, geralmente sendo indicado por palavrinhas como “pelo” e “por”;
  • adjuntos adverbiais são encontrados nas orações quando é necessário informar tempo, causa, modo, lugar ou até mesmo intensidade;
  • adjuntos adnominais determinam características a um nome;
  • complementos nominais dão sentido aqueles substantivos abstratos;
  • apostos resumem as características de um nome que foi referido a pouco e;
  • vocativos estão sempre isolados por vírgulas, servindo para se referir diretamente a algo ou alguém, chamando-o.

Saiba sempre qual é a oração em um período

Saber o que é frase, período e oração é outra maneira de melhorar a sintaxe dos seus textos. É que com essas informações um redator pode estruturar melhor seus textos.

Pense, por exemplo, no fato de que todas as frases (que contenham orações, determinadas por verbos, ou não) sempre oferecem sentido completo. Na prática, isso nos ajuda a jamais construí-las sem que informem exatamente tudo que precisa ser dito.

Identificar a oração é particularmente relevante porque vai lhe ajudar com uma porção de tarefas sintáticas comuns. Como a concordância dos verbos. Sem conseguir apontar qual é a oração sempre será mais difícil garantir que seus escritos estão gramaticalmente corretos.

Faça distinção clara entre regentes e regidos

Distinguir entre regente e regido é outro ponto importante para uma boa sintaxe. Isso acontece porque na Língua Portuguesa há uma série de verbos que demandam, obrigatoriamente, a presença de uma série de outros termos na oração. Não conseguiu entender?

Vamos lhe explicar com alguns exemplos:

  • O velho conduzia (regente) um carrinho de mão (regido).
  • A noiva jogou (regente) o buquê de flores aos convidados (regido).
  • O menino lavou (regente) as próprias mãos (regido).

Em geral, o termo mais comum como regido é um objeto direto ou indireto. Construir uma oração com verbos transitivos sem incluir seus objetos é um problema que pode ser endereçado quando entendemos este ponto da sintaxe.

Entenda os verbos quanto à predicação

Falando em objetos diretos e indiretos precisamos entrar no mérito da predicação verbal. É referida como predicação verbal a característica que algumas palavras (verbos) têm de exigir complementos. Portanto, todos os verbos transitivos têm uma predicação verbal (objetos diretos, indiretos e bidirecionais).

Ao estudar essa característica dos verbos, construir frases corretas fica muito mais simples. Os verbos abaixo, por exemplo, são todos diretos:

  • ler;
  • fazer;
  • começar;
  • perder;
  • causar;
  • quebrar;
  • comprar.

Por causa disso, eles precisam vir acompanhados de objetos diretos, como nas frases a seguir:

  • Eu li o livro.
  • Nunca fiz natação.
  • Já comecei a nova série daquela atriz.
  • Perdi tempo pensando em nós dois.
  • Quero causar espanto em quem me vir na festa.
  • Os garotos quebraram os copos.
  • Nunca comprei gibis.

Do mesmo modo, todos os verbos listados aqui são indiretos. O que significa que eles exigem objetos que contêm em si preposições capazes de estabelecer a regência verbal. Veja:

  • duvidar;
  • responder;
  • conversar;
  • obedecer;
  • saber;
  • simpatizar;
  • comparecer; e
  • lembrar.

As frases abaixo estariam incorretas caso despidas das preposições:

  • Eu duvido de você. (correto) / Eu duvido você. (incorreto)
  • Nunca respondi a esse e-mail. (correto) / Nunca respondi esse e-mail. (incorreto)
  • Sempre obedeci aos meus pais. (correto) / Sempre obedeci meus pais. (incorreto)

Use figuras de construção sintática

As figuras de sintaxe, de construção ou de construção sintática são parte da norma culta. E, embora algumas delas pareçam equivocadas, não estão. Temos como figuras de sintaxe a elipse, o assíndeto e até mesmo o pleonasmo.

Quando bem utilizadas, figuras de sintaxe funcionam como figuras de linguagem. Elas podem dar ênfase a um determinado discurso, no caso do pleonasmo, ou tornar uma composição menos complexa, sem alterar seu sentido, como faz a elipse.

Confira algumas delas na prática:

  • Ela gosta de picolés de limão, eu de uva. (Subentende-se o “gosta”/Elipse)
  • Marina faz poesia, eu prosa. (Subentende-se o “faz”/Elipse)
  • A cidade em silêncio, ninguém na rua. (Subentende-se o “estava”/Elipse)
  • Vi com meus próprios olhos. (Redundância enfática/Pleonasmo)
  • Chovia uma chuva grossa. (Reforça a ideia principal/Pleonasmo)

Todos os exemplos de figuras de sintaxe não devem ser confundidos com vícios de linguagem, que são erros não-intencionais ou advindos da força do hábito. Empregar termos como “surpresa inesperada” ou “sair para fora” continua sendo um problema de sintaxe.

Compreenda ambas ordem direta e reversa

Ordem direta é quando seguimos a estrutura esperada de uma frase. Por exemplo:

  • O menino foi até a minha casa.

Já a ordem indireta é quando invertemos termos, seja para enfatizá-los, ou por uma escolha estilística. Como em:

  • Até minha casa o menino foi.

Embora a ordem indireta não esteja equivocada, utilizá-la em suas redações pode fazer com que o leitor se confunda. Mas isso não significa que o recurso não tem sua função. A ordem indireta deve ser usada sempre que a sua intenção for destacar um ponto com relação a outros.

Fazemos isso bastante na oralidade. É daí que vem expressões como “desta água não beberei”.

Aprenda concordância nominal

Concordância é um ponto muito importante da sintaxe. Por isso utilize as regras a seguir para acelerar seu trabalho:

  • adjetivos concordam em gênero e número com pronomes pessoais, sempre (ex: ela é virgem, eles são virgens);
  • quando há dois ou mais adjetivos, substantivos continuam no singular se houver artigo entre eles (ex: os nadadores brasileiros e o americano);
  • proibido, permitido, preciso, necessário e bom são invariáveis quando não há artigo (ex: é permitido entrada) e;
  • menos é sempre invariável (ex: menos receio, menos dúvidas, menos aborrecimento).

Você sabia tudo isso sobre sintaxe? É só o começo! Se formos destrinchar cada tópico sobre ela, ficaríamos aqui um bom tempo! Existem outras dicas gramaticais que você deve aproveitar!

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