Por Dimitri Vieira

Editor-chefe do blog Comunidade Rock Content.

Publicado em 12/09/2019. | Atualizado em 12/09/2019


Entre todas as carreiras, aquelas que trabalham diretamente com arte e criatividade são, provavelmente, as mais afetadas pela Síndrome do Impostor. E entre os criativos, os escritores acabam sendo ainda mais atingidos. Veja como lidar!

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Você já se sentiu como uma fraude ou teve a sensação de não ser um escritor de verdade? Eu, com certeza. Também existe o receio constante de as pessoas não estarem dispostas a ler o que escrevo e a sensação de estar apenas desperdiçando meu tempo.

Aliás, só de ver a palavra “escritor” no título, me vejo sob um ataque da síndrome.

Seria eu mesmo a pessoa certa a escrever sobre este assunto? Não seria melhor que ele fosse assinado por um “verdadeiro escritor”? Daqueles que têm livros publicados, ou melhor, best-sellers publicados — embora continuem a se ver como fraudes.

O dilema começa na apresentação: redator ou escritor?

Prestes a completar dois anos como produtor de conteúdo, ainda não me sinto à vontade em abraçar o título de escritor. Prefiro me apresentar disfarçando-o num verbo, ao dizer que “trabalho com escrita criativa”, ou como “redator”, para simplificar.

Afinal, se me apresentar como escritor, é uma mera questão de tempo até a polícia da fraude bater na minha porta para me acusar e me desmascarar.

Síndrome do Impostor

E se você acredita que publicar um livro será a solução para vencer a Síndrome do Impostor, não é bem assim que funciona. Vários escritores consagrados continuam convivendo com ela — entre eles, Neil Gaiman, Seth Godin, Tina Fey e Maya Angelou:

“Eu escrevi onze livros, mas toda vez eu penso ‘uh oh, eles vão descobrir agora. Eu iludi todo mundo e eles vão descobrir dessa vez’. (Maya Angelou)”

Por que a Síndrome do Impostor afeta tanto os escritores?

De acordo com o psicólogo Joseph Cilona, a síndrome do Impostor prospera no isolamento. E se existe uma característica comum entre escritores, redatores e produtores de conteúdo, é justamente o fato de exercermos isolados a maior parte de nossas tarefas.

Por um lado, não temos ninguém acompanhando o progresso antes de finalizarmos e publicarmos nosso trabalho, que será julgado por inúmeros estranhos.

Do outro lado, também não acompanhamos o progresso dos verdadeiros escritores que tomamos como referência e tanto invejamos. Vemos apenas o resultado final: os textos impecáveis que jamais seremos capazes de escrever.

Então, quando nos sentamos para escrever o primeiro rascunho e não ficamos satisfeitos com ele, nos sentimos amadores.

Isso porque criamos parâmetros desleais de comparação. Como não acompanhamos todo o processo de nossas referências, a sensação que fica é que o texto não exigiu grandes esforços — embora possa ser o resultado de várias semanas de trabalho.

Então, o que podemos fazer para não nos sentirmos como fraudes?

Como lidar com a Síndrome do Impostor: 4 dicas para seguir escrevendo, mesmo que você se sinta uma fraude

Infelizmente, a Síndrome do Impostor não é algo que podemos superar a ponto de nos vermos livres dela.

Mas é possível aprendermos a conviver com isso.

Síndrome do Impostor - Frase do Seth Godin: Eu me sinto uma fraude ao ler isso para você, ao escovar meus dentes e toda vez que subo no palco. Isso é parte da condição humana. Aceite isso. E agora?

“Eu me sinto uma fraude ao ler isso para você, ao escovar meus dentes e toda vez que subo no palco. Isso é parte da condição humana. Aceite isso. E agora? (Seth Godin)”

O primeiro passo é aceitar a Síndrome do Impostor como algo natural e admitir que você se sente como uma fraude. Se você leu até aqui, fique à vontade para riscá-lo de sua checklist.

Algumas outras dicas que vão te ajudar são:

1. Conviva com outros escritores

Somos uma grande comunidade de medrosos impostores. Então, conviver com outros escritores vai te ajudar a entender que você não é o único que enfrenta esse desafio diariamente.

Seja no meio online, seja no offline, esse convívio possibilita que você acompanhe mais de perto o processo de outros escritores. Além de abrir um canal de feedbacks entre vocês, tanto para receber críticas sobre seus textos, quanto para opinar sobre os conteúdos de seus colegas.

E se quiser um exemplo de como essa influência pode trazer resultados fantásticos, basta se lembrar da relação entre J. R. R. Tolkien, autor da trilogia Senhor dos Anéis, e C. S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia:

“Por muito tempo ele (C. S. Lewis) foi meu único público. Apenas a partir dele tive noção de que meu ‘material’ poderia ser mais que um passatempo particular. Se não fosse por seu interesse e avidez incessante por mais, eu jamais teria concluído o Senhor dos Anéis. (J. R. R. Tolkien)”

2. Abrace tanto as críticas quanto os elogios

Quando recebemos feedbacks, o que costuma acontecer é não nos apegarmos tanto aos elogios, mas às críticas sim — por mais que ocorram mais retornos positivos.

Afinal, como fraudes que somos, os elogios e o sucesso são resultados da sorte — não do nosso esforço e talento. Enquanto as críticas, essas sim, dizem respeito ao nosso trabalho.

Então, aprenda a escutar os dois lados. Por mais motivacional que possa soar, suas pequenas vitórias e elogios recebidos são méritos seus, sim — às vezes até mais que os comentários negativos.

Lembre-se também de que os críticos acertam tanto quanto erram. Como exemplo, basta se lembrar da seguinte afirmação feita na aclamada revista Rolling Stone:

“As músicas do Led Zeppelin são tão efêmeras quanto os quadrinhos da Marvel.” (Rolling Stone, Lester Bangs, 1970)

3. Esqueça o perfeccionismo

Quando nos sentamos diante do teclado e do monitor ostentando uma página em branco, nosso objetivo é nos posicionarmos como especialistas. Então, a pesquisa precisa ser a mais completa e extensa o possível.

Uma única lacuna nas informações é o suficiente para um possível leitor surgir com uma dúvida ou informação capaz de nos desmascarar.

Mas, na verdade, a grande maioria dos leitores estão interessados unicamente no que você sabe e tem a compartilhar, para que possam aprender.

Ou seja, não costuma ter ninguém investigando os detalhes para encontrar possíveis deslizes seus. Bom, ninguém além de você mesmo.

4. Deixe de ser egoísta

Cada vez que você se censura, adia ou evita fazer uma publicação por causa da Síndrome do Impostor, você não está apenas escapando das críticas.

Também está privando pessoas que gostariam de conhecer suas ideias, seu trabalho e aprender com você. Vale mesmo abrir mão disso pelo medo irracional de ser desmascarado?

Aproveite então para sair da inércia e começar logo a escrever! Reunimos tudo o que você precisa saber para seguir escrevendo em um único ebook — seja você um “impostor” ou não, ele vai te ajudar.

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