Por Amanda Gusmão

Amante do homeoffice, geek old school e mãe de dois pequenos padawans.

Publicado em 10/03/2018. | Atualizado em 07/01/2019


Você certamente já ouviu falar em revisão de textos, mas talvez o copidesque seja ainda um relativo mistério.

Você certamente já ouviu falar em revisão de textos, mas talvez o copidesque seja um desconhecido que, no primeiro momento, só lhe faz pensar que seu nome rima com o ultrapassado disquete.

Será que ele também já ficou no passado? Com certeza, não.

É bem verdade, porém, que as diferenças entre as competências e responsabilidades dessas duas etapas no fluxo editorial também podem estar obscuras, e você deve já deve estar se perguntando qual a razão de querermos tanto que nossos leitores as conheçam.

A razão é simples: são duas etapas da produção editorial incríveis, que além de trazer exatidão ao texto, também podem otimizar seu conteúdo para os leitores e mecanismos de buscas.

Então, vamos começar com algumas informações básicas e importantes. Quem sabe não seja essa uma boa oportunidade de conhecer novas áreas profissionais a serem exploradas. Vamos lá!

Copidesque e mão na massa

O copidesque é uma etapa da produção editorial que já foi muito comum em redações jornalísticas. A palavra é emprestada do inglês “copy desk”, que quase saiu de circulação depois que os jornais brasileiros, ainda no século XX, foram dispensando esse trabalho especializado e agregando suas tarefas às responsabilidades do redator.

Na redação web, o trabalho de copidesque reaparece com força total. Se é seu objetivo ser um bom copidesque, saiba que você vai atuar para que os textos estejam adequados à estratégia de marketing de conteúdo, além dos cuidados com a linguagem, propriamente.

O trabalho de copidesque inclui as preocupações de um revisor com gramática, mas é mais amplo. Sendo um copidesque, você tem permissão para reescrever boa parte do texto, se necessário.

Muito além da ortografia, o copidesque atua adicionando conteúdo relevante à redação, ajustando a estrutura, adequando a linguagem à persona, além de otimizar o texto para SEO.

Embora você também deva se preocupar com a finalização do material, isto é, acabamentos, formatação, gramática etc., seu foco é a reescrita, principalmente considerando aspectos como coesão, coerência e a estrutura textual proposta pelo marketing de conteúdo: abertura, texto com intertítulos e CTA (call to action).

Nota do editor:
Para se tornar um especialista, acesse o Guia de produção de conteúdo para web!

Guia Completo de Produção de Conteúdo

É como se o copidesque se preocupasse com a experiência da leitura, e no mundo que vivemos a economia da atenção, isso pode ser determinante para que o conteúdo atraia ou espante o leitor.

Opa, interessante não é mesmo? Mas vamos entender melhor essa “experiência de leitura” e a “economia da atenção” com algumas dicas para um bom copidesque.

As 3 melhores práticas de copidesque

Para que o leitor tenha prazer na leitura e perceba o valor do seu conteúdo, a dinâmica do texto deve prender sua atenção, e o copidesque, alinhado com as estratégias de redação web, tem recursos super interessantes.

1. Desenvolver constantemente suas habilidades e conhecimentos

O profissional que executará a etapa de copidesque precisa ter, além de habilidades de escrita apuradas, cultura geral bem desenvolvida e conhecimento para otimizar o texto, como tornar sua leitura mais escaneável por meio de intertítulos certos ou usar técnicas como o storytelling.

Não existe uma formação específica para o copidesque, e sim um perfil que se encaixa melhor a ele, pois, uma de suas premissas é aperfeiçoar textos, o que exige que o profissional esteja sempre fazendo cursos relacionados, como aqueles oferecidos pela Universidade Rock, por exemplo.

Ainda assim, para que ele possa fazer intervenções no conteúdo, é importante que tenha conhecimento, e em alguns casos, até domínio do tema.

2.  Zelar pela experiência de leitura

Chegamos ao ponto da economia da atenção. A oferta de conteúdos e estímulos ao leitor crescem a cada dia, e com toda essa variedade, o copidesque deve atuar no conteúdo fazendo com que seja irresistível lê-lo.

O storytelling, por exemplo, é uma técnica que utiliza a contação de uma história para que o conteúdo se aproxime da persona. Ela poderá se identificar com os dilemas do personagem, com o contexto que ele vive e assim, sentir-se atraído pelo texto enquanto o escritor, ou empresa, passa seu recado.

Quer ver um exemplo legal? Então lá vai: Pode ser Pepsi?

Quantas pessoas já pediram uma Coca-cola por aí e escutaram na sequencia essa pergunta, não é mesmo? Quando a campanha foi lançada, o objetivo era tirar a imagem negativa que essa contraproposta tinha, e por retratar uma situação que a maioria dos consumidores de refrigerante já viveu, houve uma conexão e receptividade enorme.

É provável que muitos consumidores ainda prefiram Coca-cola, mas ao ouvir o garçom oferecer a Pepsi, não enxergam mais a situação como a troca por um produto de segunda linha. Para falar a verdade, eles até dão um sorrisinho quando respondem: “Pode ser.”

Frases curtas, sem cacofonia e vícios de linguagem também tornam a leitura mais agradável e são artifícios para tornar a experiência com o conteúdo irresistível a ponto de roubar toda a atenção do leitor.

3. Conhecer bem quem são as personas

Para chegar à linguagem mais adequada e densidade do conteúdo, o copidesque deve conhecer muito bem os leitores-alvo, ou melhor, as personas.

Isso porque, ainda que o texto original tenha sido escrito pelo melhor especialista em termodinâmica, se as personas forem cidadãos incomodados com o asfalto que está recorrentemente despedaçando, os termos e explicações devem ser traduzidos conforme um grau de entendimento aceitável.

Se o copidesque se preocupa com a experiência, podemos dizer que o revisor é mais focado nas correções da língua, na eficiência do uso das palavras. Sentiu uma forte pegada de preciosismo?

Revisão de textos

O revisor de textos tem um perfil profissional mais detalhista do que o copidesque. Se esta é a etapa em que você pretende atuar, saiba que seu trabalho ficará no fim do fluxo editorial.

Assim, um revisor tradicional pode, por exemplo, revisar um texto que já foi verificado por um copidesque e até mesmo diagramado, pois em alguns casos, nessa última etapa podem ocorrer translineação, erros de hifenização e recuos incorretos.

Portanto, esse profissional deve se preocupar menos com questões de conteúdo. Seu objetivo, na verdade, é fazer corretamente as verificações ortográficas, sintáticas, gramaticais de toda ordem.

Isso não significa, porém, que ele não precisa ter conhecimento sobre o conteúdo que ele está lendo. Você sabe que nossa língua mãe prega peças com seus pontos, vírgulas e Cia. Ltda.

É muito provável, aliás, que esse seja o fator pelo qual temos uma relação de amor e ódio com a língua portuguesa. Ao mesmo tempo em que ela nos dá tantos recursos, também pede que saibamos usar sabiamente, ou, tenhamos um revisor fantástico para nos salvar.

Aliás, se me permite uma intervenção de copidesque, aqui vai um storytelling sobre o poder da vírgula.

Alguns livros de história relatam que a czarina russa Maria Fyodorovna certa vez mudou a sentença de morte emitida por seu marido, pois não concordava com a pena tão rigorosa.

Então, na frase original de seu marido “Perdão impossível, enviar para Sibéria”, ela ordenou que a vírgula fosse reposicionada, ficando:

“Perdão, impossível enviar para Sibéria”

Seria Sra. Fyodoroyna a padroeira dos revisores? Deste feliz prisioneiro, com certeza.

Mas, voltando aos dias atuais, basicamente, o revisor torna o texto livre de erros de linguagem, e em sua rotina, acaba desenvolvendo sua habilidade de descobrir referências e formulações gramaticais difíceis de serem notadas.

É claro que aspectos da formatação ou elementos como coesão e coerência não devem passar batidos pelo revisor. No entanto, este é um profissional que prima pela correção, isto é, por dar ao texto uma composição adequada aos melhores padrões da língua portuguesa. Nesta etapa, você filtra ainda mais o que porventura tenha passado pelas lentes do copidesque.

Então segue algumas dicas básicas para o revisor:

As 3 melhores práticas do revisor

Revisor que é um bom revisor tem bem mais que 3 melhores práticas, mas a ideia é também auxiliar no comparativo com o copidesque, então vamos lá.

1. Keep walking, revisor

Calma! Algumas publicações atribuem a Ernest Hemingway a orientação “Write drunk, edit sober”. Ainda que ele realmente tenha dito isso, a ideia seria escrever sob efeito do álcool, mas revisar sóbrio.

E é isso mesmo. Para trabalhar com o nível de detalhe necessário, o revisor precisa de uma boa dose (opa? De novo?) de atenção, e claro, estar constantemente atualizado com as normas da língua, padronização de texto e demais formatações protocolares.

Sendo assim, além de praticar regularmente, o revisor precisa estar sempre se atualizando, buscando novos recursos e materiais de apoio.

2. Não confie nos corretores automáticos

Lógico que eles ajudam, mas, infelizmente, também atrapalham! Talvez minha parcela revisora quisesse deletar essa frase, mas a copidesque que me habita diria que ela transmite perfeitamente a ideia! Então, seguimos.

Os corretores automáticos funcionam com um vasto banco de dados, então, aquilo que está fora das regras que ele compreende é sinalizado no arquivo. O problema está quando duas ou mais condições entram em conflito em seu banco de dados, ou ele faz uma análise por blocos errada.

Então, em uma frase como “Esposa, possso ir no jogo com os amigos?”, o corretor sinalizaria que a grafia da palavra continha um “s” a mais e que a preposição “em+o = no” é incorreta nesse caso.

Na resposta da esposa, porém, poderia deixar passar batido outro erro, como: “Bem que a vaca tussa”, quando em vez de “B”, o correto seria “N” na palavra inicial. Isso porque “bem” é uma palavra certa, mas não no contexto da frase.

3. Leia em voz alta

Imagine você em uma agência de publicidade ou redação de um jornal lendo seus artigos em voz alta. E se, melhor ainda, todos estivessem fazendo isso ao mesmo tempo?

Seria, no mínimo, engraçado, mas ao mesmo tempo, muito eficaz. Isso porque a leitura em voz alta combina a técnica de escrita com a sonoridade das frases e palavras. Aquilo que soa estranho, no contexto ou individualmente em cada letra usada será muito mais facilmente identificado.

Essa é uma técnica, aliás, que não fará de um revisor freelancer um ser esquisito, porque afinal de contas, ele estará trabalhando no conforto de seu lar, não é mesmo?

Com essas e outras tantas dicas, o revisor pode perceber sua forma de trabalhar e criar seu método único de revisão, mas sempre atuando em sua frente mais relevante, a compatibilidade do texto com a norma formal de escrita.

Então, revisor é mais comprometido com a gramática e com aspectos formais do que o copidesque, mas não se preocupe: não é preciso decorar tudinho de ortografia ou regência. Os livros de referência e de consulta estão aí para ajudar. Quer ver?

Do dicionário ao planejador de palavras-chave

Tanto o revisor tradicional quanto o profissional de copidesque atuam de maneira discreta, sempre pensando no melhor texto que podem oferecer ao leitor. A escrita para web, por exemplo, em muitos casos utiliza o método de ghost writing, tornando irrelevante ao público quem redigiu ou revisou o texto.

Paralelamente, em textos jornalísticos o revisor precisa tomar cuidado para não interferir na construção do conteúdo. Portanto, se você for atuar como copidesque ou como revisor, saiba que vai trabalhar com muito mais do que sua memória, sendo constante o uso de ferramentas específicas.

No caso do copidesque, é comum o uso de recursos como um dicionário de sinônimos, ideal para corrigir repetições. Além disso, também são utilizados mecanismos de pesquisa de referências e palavras-chave.

Desses, além da busca de motores como Google e Bing, também são válidas ferramentas como o SEMRush ou Keyword Planner. Também é normal que profissionais de copidesque visitem páginas com dicas de redação para web, como o nosso blog da Comunidade Rock Content!

Revisores, em contrapartida, costumam usar dicionários de significados e manuais de redação, além do vocabulário de sinônimos.

Em ambos os casos é fundamental ser um bom pesquisador, conhecer e usar materiais diversos, como dicionários, enciclopédias, manuais de regência, vocabulários etc. Nós, do blog da Comunidade Rock Content, produzimos uma Cartilha de Nova Ortografia para auxiliar tanto revisores quanto copidesques, confira!

Ademais, é essencial ter espírito de equipe, pois revisores, redatores, tradutores, copidesques e demais profissionais de produção de conteúdo trabalham juntos em prol do leitor, das personas para as quais escrevem e das empresas que solicitam os textos. Embora seja normal que um interfira no trabalho do outro, esta é uma forma de oposição criativa, que agrega valor ao produto.

Encontre seu perfil profissional e mãos à obra

Como vimos até aqui, embora pareçam funções semelhantes, na prática cada etapa da criação do conteúdo requer talentos e habilidades diferentes. Nem todo bom revisor é bom copidesque e vice-versa, é preciso encontrar seu estilo ou sua etapa de atuação preferida.

Como em toda profissão, copidesques e revisores dependem de suas reputações e as constroem a cada trabalho aprovado. Afinal, escrevendo ou não para o funil de vendas, textos têm a função de oferecer conteúdo relevante, que esclareça dúvidas e curiosidades do leitor.

Como você viu, o profissional que atua de maneira mais ampla, mais próxima da redação, é o copidesque. Os freelancers que trabalham com a Rock Content nessa parte posterior à redação são profissionais de copidesque e se dão muito bem, tanto no desenvolvimento de suas carreiras, como também no faturamento!

Se você está procurando uma oportunidade para colocar suas habilidades de revisão à prova e aprender diariamente com profissionais do setor, cadastre-se agora mesmo na Plataforma Rock Content! Qualquer dúvida, não se esqueça de voltar aqui no texto, ok?

Um redator rock content!

Posts populares com esse assunto