Por Isabela Sartor

Psicóloga por formação. Perita em Hogwarts por diversão.

Publicado em 30/12/2020. | Atualizado em 30/12/2020


Resoluções de ano novo focadas no seu bem-estar emocional: ajudaremos você a construir uma vida mais prazerosa!

Natal, Réveillon, comidas deliciosas e a música da Simone ecoando em nosso cérebro, perguntando o que a gente fez (já bateu, até, uma bad vibe pensando nela, né?).

Mas encerramentos de ciclos, como esse que marca a virada de ano, também nos deixam mais reflexivos. Sentimos uma aflição pelos objetivos ainda não conquistados, mas, ao mesmo tempo, uma esperança em poder fazer diferente. Mudanças. Melhorar é sempre bom, né? E é com esse pensamento que as pessoas criam as famosas resoluções de ano novo.

A essa altura do campeonato, você já deve ter pensado em algumas coisas. No entanto, as que eu venho propor são um tanto diferentes, pois estão focadas no nosso bem-estar emocional. Já percebeu o quanto ele influencia diversas áreas da nossa vida?

Conquistar coisas, aproveitar oportunidades no trabalho, ter produtividade, construir boas relações, sentir que a vida vale a pena: tudo depende da nossa boa saúde mental. Acho que isso ficou ainda mais claro no caótico e desafiador 2020, que exigiu de nós muitas mudanças e uma tonelada de resiliência.

Estas 6 resoluções de ano novo, então, têm esse viés de bem-estar mental. A ideia é ajudar a fortalecer a sua estrutura emocional e, assim, influenciar positivamente seu lado profissional.

Mas, antes de começarmos, vale frisar: tenha essas dicas como inspirações. Tente não estipular metas irrealistas, nem ter cobranças excessivas, combinado?

Agora, vamos lá!

1. Olhar mais para dentro

Essa é muito importante, pois é a base para as próximas resoluções de ano novo. Fazendo uma retrospectiva dos últimos meses, analise: você tem gostado de quem tem sido? Em uma escala de 0 a 10, o quanto você se sente feliz com o que você vive diariamente?

Os sentimentos de frustração e descontentamento podem ter relação com um futuro que havíamos imaginado, mas não se concretizou. Quanto mais distantes nos enxergamos daquilo que tínhamos sonhado, maior a angústia.

Respostas negativas a esses questionamentos também dizem muito sobre a maneira como alguém se relaciona com os próprios objetivos e valores. Sentir-se para baixo pode ser sinal de estar vivendo no piloto automático, sem muita consciência das escolhas feitas no dia a dia.

Autoconhecimento é fundamental se quisermos mais felicidade e mais conquistas. É ele que nos dá mais consciência de quem somos de verdade, nos ajuda a entender aonde queremos chegar e do que precisamos para isso.

Como melhorar esse aspecto?

Somos aquilo que fazemos todos os dias. Não somos (pelo menos ainda) o que admiramos e estimamos, se deixamos essas aspirações apenas no campo da imaginação. Não adianta, por exemplo, ter o objetivo de crescer profissionalmente, e, no dia a dia, não fazer nada para alcançar isso.

Uma forma de começar é identificar os próprios valores e objetivos. Tê-los em mente facilita quando for necessário fazer escolhas importantes, a exemplo de:

  • guardar o dinheiro ou gastá-lo na primeira promoção que aparecer;
  • arriscar-se a uma oportunidade na vida ou preferir não sentir o frio na barriga e continuar na zona de conforto.

O próximo passo é se imaginar em 5 ou 10 anos. Como você quer estar? Fazendo o quê? Em que lugar? Então, cada vez que surgir uma situação difícil, pergunte-se: “minha ação está congruente com esse meu eu do futuro? Ou ela está me afastando dele?”.

Andar de acordo com nossos objetivos requer enfrentar medos. Nem sempre as decisões são fáceis, mas quando nos sentimos na direção certa, a vida se torna mais significativa.

2. Ter mais autorresponsabilidade

Sabe algo comum na maioria de nós, mas que quase ninguém tem o costume de admitir? Carregamos dores.

São situações que aconteceram na infância, na adolescência ou mesmo em um passado recente. E não importa o tempo que passe, se alguns sentimentos ficaram, é sinal de que isso ainda nos incomoda. Não é raro, inclusive, que influenciem nossas atitudes e a interpretação que damos a fatos atuais.

Algumas vezes até temos consciência do que acontece. Por exemplo, percebemos em nós uma inabilidade com determinado comportamento e sabemos ser fruto de uma ferida de quando éramos crianças. Então, justificamos a nós mesmos que agimos de determinada maneira por culpa do que nos fizeram.

O problema é que agir assim nos leva a um looping de ressentimentos que não nos deixa evoluir. Continuamos presos ao que nos causou dor e, sem querer, nos machucamos de forma contínua.

Como melhorar esse aspecto?

Culpar nossa professora da 4ª série ou um ex-amor pelo nosso estado atual nos deixa engessados em um pensamento de vitimização. Ainda que tenhamos sido vítimas naquela circunstância, continuar nesse papel não nos ajudará.

Então, seguindo com nossas resoluções de ano novo, a prática mais saudável é nos responsabilizarmos pelo que sentimos. Não temos o poder de mudar o que aconteceu, mas podemos tomar consciência de que somos responsáveis por nós, inclusive pelo nosso sofrimento. Assumir essa responsabilidade não altera o passado, mas muda o presente e o futuro.

Para seguir de forma leve, provavelmente, será necessário perdoar alguma pessoa. Que tal começar esse processo já?

3. Praticar a autoaceitação

Ter objetivos e querer mudar algo em si pode ser positivo, pois nos tira da inércia de deixar que as coisas simplesmente aconteçam.

Ao mesmo tempo, existem momentos nos quais precisamos da autoaceitação. Isso significa aceitar-nos com todas nossas falhas, tendo a consciência de que, apesar delas, ainda temos valor.

E, por mais contraditório que pareça, a autoaceitação é, também, fundamental para um processo de mudança, já que, quando negamos ou não encaramos nossas imperfeições, isso nos impede de melhorar, o que atrapalha nosso desenvolvimento pessoal.

A autoaceitação também nos coloca em uma atitude positiva em relação a nós mesmos e, com isso, não caímos na tentação de nos comparar com outras pessoas e as conquistas alheias, pois sabemos que cada um de nós tem um próprio caminho.

E sabe uma curiosidade? A autocrítica, que é quando fazemos repetidas críticas mentais a nós, diante de um erro, costuma ativar em nosso organismo o sistema de ameaça-defesa.

Nosso cérebro entende nossas críticas como uma ameaça e libera cortisol e adrenalina, substâncias que nos preparam para lutar, fugir ou congelar. Isso pode funcionar bem diante de uma ameaça física real, mas não de algo inexistente. Esse sistema provoca estresse e, quando de forma crônica, pode resultar em ansiedade e depressão.

Como melhorar esse aspecto?

Se você gostou dessa ideia como uma das resoluções de ano novo, um passo importante é praticar a autocompaixão, que significa nos tratar da mesma forma que agiríamos com um amigo querido, diante de uma falha dele. Se isso acontecesse e ele viesse desabafar, buscaríamos formas de ele se sentir menos mal, não é mesmo?

A autoaceitação também envolve praticar a humanidade compartilhada, um conceito que se refere a reconhecer que todas as pessoas são seres em evolução, por isso erram. E nós, claro, fazemos parte. É preciso acolher nossas falhas, sabendo que estamos vivendo nosso processo.

4. Cuidar mais dos pensamentos

Todos temos um padrão de pensamentos, que influencia como levamos a vida.

Imagine a situação: você está de carro, a caminho de uma reunião importante. De repente, percebe o pneu furado. Qual o primeiro pensamento que ocorreria? É engraçado, mas cada um de nós teria reações diferentes, que poderiam ser:

  • “Eu sabia que isso ia dar errado.”;
  • “Só podia ser comigo! Essas coisas sempre me acontecem.”;
  • “Nossa! Vou precisar cancelar a reunião. Certeza que dessa vez vão me tirar do projeto.”;
  • “Preciso encostar o carro e ver se consigo ajuda.”.

A questão é que cada um desses pensamentos faz surgir diferentes sentimentos, que influenciam nossos comportamentos e direcionam a forma como interpretamos outras situações.

Pensar que vamos ser tirados do projeto, com certeza, nos faz sentir mais ansiedade e mau-humor, já que nos deixa presos a uma teia de acontecimentos imaginários e negativos. Podemos, inclusive, ser levados a brigar com pessoas que não têm nada a ver com a situação.

Por outro lado, pensar em formas de resolver o problema, como a do último exemplo, nos ajuda a encarar a adversidade, de forma saudável.

Como melhorar esse aspecto?

Nosso estilo de pensar e de interpretar das situações depende da nossa bagagem de vida, mas ele pode ser mudado.

Muitos se enganam aqui, tendo a ideia de que é só “pensar positivo” que dá certo. Na verdade, essa forma não é efetiva, pois não nos ajuda a planejar, nem a lidar com a situação concreta.

Então, como fazer? Primeiro, ter consciência dos pensamentos e de como eles influenciam o que você sente. Uma dica é tentar fazer isso cada vez que você se sentir triste ou com raiva. Identifique o pensamento que surgiu na mente e o que ele te leva a fazer.

Depois, é só se perguntar: “pensar dessa forma vai piorar ou melhorar a situação? E quais evidências eu tenho de que o que eu penso é a verdade ou acontecerá? Existe um modo mais efetivo de pensar e que pode me ajudar a resolver o problema?”.

5. Não invalidar sua experiência emocional

Muitas vezes, vivemos dia após dia, ano após ano, sem consciência das nossas emoções ou de como lidar com elas. Sem perceber, não validamos nossos sentimentos e, principalmente com os desagradáveis, temos a tendência de tentar camuflá-los.

Fazemos isso com comportamentos que, a princípio, parecem inocentes, como tomar aquela cerveja ou comprar uma roupa cada vez que surge alguma angústia. Damo-nos um prazer momentâneo para escapar de algo que traz sofrimento.

A questão é que agir assim não corrige o problema. O sentimento continuará ali escondido e uma hora surge com tudo, seja em uma crise de ansiedade, seja em uma depressão.

Como melhorar esse aspecto?

Ao ter essa como uma das suas resoluções de ano novo, é importante ter em mente que as emoções existem para nos lembrar de nossas necessidades. Da mesma forma que uma dor física indica que devemos dar atenção a determinada parte do corpo, a emoção tem seu significado.

Querer viver experiências prazerosas cada vez que sentimos algo desagradável pode ser interessante. Mas apenas isso não resolverá nosso problema pela raiz. É como se tomássemos um analgésico a cada dor de cabeça, mas sem procurar entender por que ela nos incomoda tanto.

O que se deve fazer é descobrir o porquê dos sentimentos, analisando o que eles querem dizer. A raiva, por exemplo, vem em momentos nos quais nos sentimentos injustiçados. A tristeza surge quando nos decepcionamos ou perdemos algo importante. A culpa vem quando fazemos algo que, depois, avaliamos ter sido inapropriado.

Depois, analise: “quais de minhas necessidades não foram atendidas? De que forma eu posso atendê-las e como posso resolver a situação, para ficar em paz?”

Validar o que você sente também é, simplesmente, se permitir vivenciar a emoção. Chorar, por exemplo, pode fazer parte do processo, e não significa que esse sentimento durará para sempre.

6. Parar de querer agradar todo mundo

Agradadores compulsivos. Já ouviu a expressão? São pessoas que fazem um esforço grande para agradar aos outros, deixando as próprias necessidades de lado. E, quando não conseguem agradar, ou em situações nas quais se sentem rejeitados, ficam ruminando, tentando repassar a situação várias vezes na cabeça, para conseguir descobrir o que fizeram de errado. Isso acontece por várias razões:

  • porque existe um pensamento de que é importante se esforçar para agradar todo mundo e, então, a pessoa mede a própria autoestima pelo tanto que pode fazer pelos outros;
  • porque há uma dificuldade em dizer “não” e em delegar tarefas, o que faz alguém assumir compromissos em excesso;
  • porque essa pessoa faz de tudo para evitar sentimentos desagradáveis nos outros, chegando a sentir ansiedade pela simples possibilidade de gerar conflitos. É uma forma de querer se proteger da raiva ou da rejeição alheia.

A questão é que quanto mais nos esforçamos para agradar e nos sentirmos aceitos, mais reforçamos esse ciclo, já que as necessidades dos outros nunca acabam. Com isso, nosso receio de rejeição aumenta e a tendência é nos sentirmos inadequados e fracassados. Alimentamos o que mais temos medo e, no fundo, não nos sentimos felizes.

Como melhorar esse aspecto?

Para essa resolução de ano novo, o primeiro passo é entender que o comportamento de querer agradar, enquanto se passa por cima das próprias necessidades, não terá o efeito da intenção inicial, já que a tendência é precisar fazer isso cada vez mais. Não significa que, a partir de agora, você não mais ajudará ou dará carinho, mas é importante pensar até que ponto fazendo isso você se deixa de lado.

O segundo passo é saber que você só conseguirá dar o seu melhor, de forma saudável, a quem você gosta, quando você cuidar mais de si. Então, a proposta é: agrade-se mais. Que tal fazer uma lista de 20 ou 30 atividades prazerosas? Podem ser coisas simples, como ler um livro, ou mesmo algo que exige mais preparo, como fazer um dia spa em casa. Comprometa-se a fazer pelo menos 1 delas diariamente.

Finalizando, fica mais uma reflexão: mudar é difícil. Contudo, nunca conheci ninguém que tenha dito que mudar a si não tenha valido a pena. Comprometer-se com resoluções de ano novo em prol da saúde mental, certamente, contribuirá com transformações que colocarão você no caminho de um desenvolvimento pessoal e, consequentemente, no seu crescimento profissional, já que esses dois aspectos sempre se relacionam.

E então? Por qual dessas resoluções de ano novo você vai começar? Aproveitando que estamos falando em se desenvolver, que tal um material completo que ensina como profissionalizar sua carreira freelancer? É só clicar para acessar!

Powered by Rock Convert

Nota do editor: este artigo forma parte da Coluna dos Embaixadores, espaço no qual os embaixadores da Comunidade Rock Content compartilham seu conhecimento com o mundo. Atualmente o programa de embaixadores está sendo reformulado. Em breve teremos novidades!

Pauta: Katiuscia Couto
Redação: Isabela Sartor
Revisão: Viviane Tessaroto

Posts populares com esse assunto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *