o que mudou na profissão de jornalista

O que mudou na profissão de jornalista — segundo uma profissional da área

Não é novidade que o jornalismo está mudando. Confira o que uma produtora de conteúdo diz sobre a profissão de jornalista, as mudanças do mercado e as oportunidades que surgem com a tecnologia!

Quando eu me formei, o Orkut ainda era o queridinho dos brasileiros. Instagram era aplicativo para pessoas que tinham Iphone, o Whatsapp não era nem de longe o jeito mais popular de trocar mensagens e o Twitter estava começando a se tornar febre entre os usuários.

Você deve estar pensando que terminei o curso de jornalismo na década de 90, certo? Está enganado: vesti a beca em fevereiro de 2012, ou seja, há menos de 10 anos.

Tudo isso para constatar o seguinte: a profissão de jornalista mudou tanto ao longo dos anos que chegamos ao ponto de duvidar se realmente ela permaneceria. Durante a época dos meus estudos, por exemplo, o diploma deixou de ser algo obrigatório para exercer o ofício.

Se fiquei com vontade de desistir? Claro! Mas outras questões me mostraram que a mudança também trouxe pontos positivos e me fizeram persistir na área, aliadas ao meu imenso gosto por escrever. Quer saber mais sobre essas transformações na profissão? Então, continue a leitura!

Redações enxutas e seus prazos de validade

Em minha trajetória no jornalismo não tive experiência em redações de jornais ou revistas de grande circulação. Ainda assim, a falta de contato não impediu que eu enxergasse a crise permanente pelas quais os veículos nacionais passaram nas últimas décadas (e ainda estão passando).

O impresso, a televisão e o rádio ainda não conseguem acompanhar com a mesma velocidade o jornalismo online. Em contrapartida, os portais precisam sempre lutar por credibilidade em um cenário recheado de fake news.

As redações, antes com grande quantidade de profissionais, hoje são pequenas e exigem que se produza mais e gaste menos recursos. A desvalorização dos jornalistas só aumentou, refletindo nos baixos salários pagos à classe.

Fato é que o jornalismo enfrenta uma crise permanente, pois a produção da informação está cada vez mais na mão do público, mudando toda a lógica da redação tradicional. Além disso, a forma de apurar, redigir e divulgar notícias está diferente, mas a maneira de captar recursos dos anunciantes continua o mesmo. Enfim, no final do mês a conta não fecha.

Prova disso foi o encerramento de seis publicações do Grupo Abril, em agosto de 2018 e a demissão de jornalistas. A informação é encarada como uma mercadoria que deve ser vendida de acordo com o volume de circulação, audiência e números de pageviews. Contudo, essa maneira de fazer negócios com o jornalismo está com os dias contados.

Apesar do cenário assustador, existe luz no fim do túnel. Talvez só não esteja nos veículos tradicionais, mas nas novas tecnologias e nas pessoas. Eu mesma, nunca trabalhei em grandes redações, mas ainda sigo na carreira de jornalista. Estudar mais e me adaptar às novidades do mercado foram fundamentais para seguir na profissão.

As novas carreiras para a profissão de jornalista

O desenvolvimento tecnológico forçou o jornalista a incorporar habilidades diversas. Se antes, bastava gostar de escrever para se tornar repórter, hoje é preciso ter noções de fotografia e vídeo.

Para quem atua com redes sociais é essencial ter conhecimento de programas de edição de imagem e saber interpretar métricas. Os números invadiram o mundo de quem sempre lidou com palavras.

O jornalista atual precisa ser multitarefa e multiplataforma. Para alcançar essas características é fundamental se especializar sempre. Se por um lado o mercado está exigente e é desafiador estar atualizado, por outro, temos a oportunidade de realizar trabalhos diferentes dos quais a faculdade nos prepara.

Eu, por exemplo, já trabalhei em um jornal e portal específico para a área de comunicação e marketing. Depois, fui redatora em uma agência de publicidade, na qual realizei trabalhos de comunicação corporativa e redes sociais. Por fim, trabalhei durante um ano como produtora de conteúdo na maior startup da América Latina de marketing de conteúdo. Viu como há caminhos diferentes para serem seguidos?

Por isso, listo abaixo algumas das novas carreiras que os jornalistas podem investir:

Repórter

Sim, o bom e velho cargo de repórter continua à disposição. O que mudou é a sua atuação. Hoje, mais que escrever ou narrar boas histórias, o repórter precisa saber se comunicar de maneira apropriada com as peculiaridades de públicos distintos: quem lê uma matéria na internet tem perfil diferente de quem assiste TV e isso deve ser considerado na hora de produzir notícias.

Comunicação corporativa

As empresas sempre precisaram de profissionais de comunicação, mas agora ele deve fazer muito mais do que jornal mural. Saber mais sobre estratégia e planejamento para o ambiente digital é fundamental para o jornalista que deseja trabalhar nesse ramo. Mais que fazer a comunicação interna, é necessário cuidar da imagem da empresa no cenário online.

Freelancer

Os baixos salários e horas de plantão são desanimadores na carreira jornalística. É por isso que vários profissionais se tornam freelancers. Assim, eles podem trabalhar sem sair de casa, com horários mais flexíveis, atendendo tanto grandes redações, portais da internet, agências de publicidade e até mesmo tendo seus próprios clientes, escrevendo para blogs e redes sociais.

Redator de Marketing de Conteúdo

Já pensou em ir para a área do marketing? O segmento está aproveitando muito da formação e técnicas do jornalista, que podem produzir textos para blogs corporativos e materiais informativos que são pagos.

O mais interessante nesse segmento é que o jornalista aprende sobre experiência do usuário, persona e SEO, aliando a boa escrita com estratégias para o texto ser encontrado nos sites de buscas.

Jornalista de dados

Em um mundo com volume gigante de dados, é essencial saber separar o joio do trigo para divulgar a informação mais relevante para a sociedade. Quem quiser seguir uma carreira mais científica e investigativa, pode se tornar um jornalista de dados.

Dentre as habilidades necessárias para atuar na profissão estão: conhecimento profundo de Excel, programação para extrair e interpretar dados, além de pesquisa avançada em sites de busca.

Checador

É a versão mais aprimorada da essência do jornalismo, que é a apuração. O checador é a pessoa responsável por conferir e apurar declarações, números e outros dados fornecidos em entrevistas ou nas redes sociais para combater as notícias falsas. Duas agências no Brasil são focadas nesse modelo de trabalho: a Agência Lupa e Aos Fatos.

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Os novos caminhos da profissão de jornalista são muitos e devem ser mais explorados. Claro, para isso, é preciso mudar a mentalidade de que informação não deve ser pautada em número, mas sim em engajamento. Jornalistas de renome na área já perceberam isso e estão mudando a forma de contar histórias e impulsionando suas carreiras.

Viu como é possível sobreviver a essas transformações? Comece hoje mesmo a investir na sua carreira e desbravar novas oportunidades, como a de redator freelancer. Neste e-book tem algumas dicas sobre essa profissão. Confira!