Por Samanta Jovana

Redatora da Comunidade Rock Content.

Publicado em 09/03/2018. | Atualizado em 06/06/2018


A maneira de conectar o sujeito ao predicativo do sujeito ou ao predicado da oração é chamada de Predicação Verbal. Entenda como funciona!

A predicação verbal nada mais é do que a forma correta de ligar sujeito aos termos que representam o predicado da oração ou o predicativo do sujeito.

Por causa disso, o ponto mais importante quando a consideramos é entender a transitividade dos verbos. Em nosso idioma temos verbos transitivos, intransitivos e de ligação e esses são os termos que utilizamos para definir a predicação verbal.

Todavia, os métodos utilizados para identificá-la e garantir que sempre está adequada em uma frase geralmente giram em torno do sujeito. É conseguir apontar como o vínculo sintático estabelecido entre ele, o verbo e o predicado se estabelece que nos permite, de fato, classificar verbos quanto à sua predicação.

O predicado verbal se diferencia do predicado nominal porque estabelece relações diferentes. Enquanto o primeiro serve para indicar uma ação e é sempre formado pelo verbo + seus complementos (objeto direto ou indireto, por exemplo) o segundo é composto por características que são atribuídas ao sujeito. Por causa disso podemos diferenciar ambas as frases abaixo:

  • Esses óculos pertencem ao moço que veio aqui mais cedo. (predicação verbal, “pertencer” é verbo transitivo indireto, o predicativo na frase complementa seu sentido)
  • Antônio é bom de serviço. (predicação nominal, segue a estrutura “sujeito + verbo de ligação + predicativo do sujeito” e “bom de serviço” indica a qualidade de Antônio)

Há, todavia, outras formas de se conseguir identificar a predicação verbal e algumas delas podem ser utilizadas para ajudá-lo a escrever melhor. Hoje vamos lhe mostrar algumas dicas de como a predicação verbal funciona e exemplificar como ela acontece na Língua Portuguesa.

1. Descubra o sujeito e entenda a predicação verbal

O primeiro passo para dominarmos a predicação verbal é descobrir qual é o sujeito da oração. Isso acontece porque, em períodos compostos por mais de uma oração, podemos ter mais de uma predicação verbal. Identificar o sujeito nos permite observar a sua transitividade com um método simples, que é o de transformar em perguntas iniciadas por “quê” ou “quem”.

Sempre que ao fazer a pergunta o seu verbo precisar de um complemento não preposicionado para fazer sentido ele é transitivo e direto. Em algumas situações, verbos transitivos diretos podem ser preposicionados, com a adição dessa partícula ao objeto direto, mas é a não-obrigatoriedade que os define. Veja alguns exemplos:

  • Comprei jornais e revistas.
  • Cantei cantigas de ninar.

Ao fazer isso você perceberá, por exemplo, que alguns verbos só soam adequados quando preposições como “de”, “em”, “a”, “por” ou “com”. Quando este é o caso temos que o verbo que compõe a oração é indireto e precisa ser complementado necessariamente com uma preposição. Como em:

  • Eu ofereci um biscoito à minha avó
  • Interessei-me pelos discos.

No idioma temos ainda os verbos intransitivos que,por via de regra, não precisam de complemento. Quando verbos intransitivos são modificados por outros termos, em geral, tratam-se de advérbios. A diferença entre uma complementação não-obrigatória é a de que não fazemos a este verbo perguntas de “quê” ou “quem”, apenas aquelas de natureza circunstancial. Portanto, quando eu digo que “moro” e você me pergunta “onde?” a resposta adverbial oferecida é o nome do lugar.

Da mesma forma, a frase “Moro em um país tropical” é composta por verbo intransitivo e termos de natureza adverbial.

Se o sujeito em uma frase é quem pratica a ação, todos os demais complementos a partir do verbo são o que constituir sua predicação verbal. Por isso, identificá-lo é um passo importante para classificar as orações.

2. Entenda os verbos de ligação

Temos uma série de verbos no idioma que não indicam, necessariamente, uma ação. Eles são como o “é” utilizado no exemplo “Antônio é bom de serviço” e funcionam para evidenciar um estado. Ser, estar, andar, ficar, parecer, permanecer e continuar, por exemplo, são todos verbos de ligação.

Como verbos de ligação indicam uma característica do sujeito eles formam o predicado nominal. Verbos de ligação fazem isso porque são semanticamente valiosos e seu papel é de mediar a relação entre termos.

Em frases como “Patrícia está bonita”, bonita não é complemento de estar e sim uma característica de Patrícia.

3. Diferencie predicação completa e incompleta

Os verbos são classificados como de predicação completa quando eles não têm nenhuma necessidade de complemento, ou seja, quando são intransitivos. Já as predicações incompletas acontecem quando complementos são indispensáveis para que uma frase faça sentido completo.

É comum o uso dos termos predicação completa e incompleta em muitas gramáticas. Tenha em mente essa definição para identificá-los e use os termos intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto e transitivo direto e indireto para classificar um verbo quanto a sua predicação.

4. Não se confunda com objeto indireto e objeto direto preposicionado

Quando for classificar os verbos nunca cometa o erro de se orientar pelo objeto. É que, ao fazer isso, você pode cair na cilada de acreditar que a presença de um objeto direto preposicionado indica um verbo indireto.

Ao averiguar a transitividade de um verbo, utilize sempre o método das perguntas. Ele evidenciará quando um verbo é transitivo direto, mesmo que ele apareça na frase preposicionado.

Como via de regra fique sempre atento para verbos como “amar” utilizados no contexto religioso, por exemplo. A frase “Amamos a Deus” tem como complemento um objeto direto, que é preposicionado para denotar respeito e admiração.

5. Conheça os demais predicados

Além do predicado verbal, que tem um verbo como núcleo, temos o predicado nominal que já foi citado aqui e o predicado verbo-nominal. Cada um deles têm como diferencial suas partículas mais significantes.

O nominal dá características ao sujeito, o verbal indica a ação do verbo e o verbo-nominal possui dois núcleos, um verbo significativo que indica ação e um nome com função de predicativo do sujeito ou do objeto.

São exemplos de predicativo verbo-nominal:

  • Eu terminei a prova contente.
  • Todos acusaram-no de adúltero.
  • Nós consideramos esses funcionários indispensáveis.

A predicação verbal é apenas um de muitos pontos que devem ser considerados por um redator ao longo do seu trabalho. Tanto ele quanto revisores precisam estar atentos a maneira como os verbos interagem com os outros termos da oração, não apenas porque as palavras são seus instrumentos de trabalho, mas porque a relação estabelecida entre elas é o que dá sentido às suas produções.

Há muitos outros pontos importantes na Língua Portuguesa que podem ajudá-lo a se tornar um profissional de Produção de Conteúdo para a Internet ainda mais eficiente. Agora que você já sabe tudo sobre predicação verbal, aproveite a oportunidade para conferir o Guia de Português e Gramática Para Web.

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