Por Raphael Alves

Publicado em 27/01/2021. | Atualizado em 27/01/2021


Há mais e melhores oportunidades de trabalho para redatores que escrevem em inglês. Contudo, para manter a qualidade das produções na segunda língua, precisamos, além de acertar na gramática, escrever textos que prezem por uma linguagem clara e que soem “natural” para falantes do inglês.

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Se você tem dúvidas sobre como escrever em inglês, saiba que não está sozinho. Em um contexto de globalização e comunicações internacionais, muitos profissionais estão em busca de maneiras de melhorar suas habilidades em uma segunda língua, na maioria das vezes, a inglesa.

Espanhóis, brasileiros, franceses, entre outros povos aprendem inglês para se comunicarem não apenas com americanos e britânicos, mas com qualquer outra pessoa do mundo que conheça o idioma. É um contexto que torna o inglês a atual língua franca, lugar que já foi ocupado por muito tempo pela língua francesa.

Foi com o triunfo dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial que o francês deixou de ser a língua mais usada em relações diplomáticas e, aos poucos, foi substituída pelo inglês.

Em comparação ao francês, o inglês apresenta algumas vantagens em relação ao seu aprendizado como segunda língua, como a sintaxe mais simples para fazer flexão verbal, de gênero, modos verbais etc. Para quem deseja construir uma carreira internacional na área de copywriting, por exemplo, são detalhes que não podem passar despercebidos.

Neste post, separei estratégias para que você evite erros comuns no momento de escrever, revisar ou traduzir artigos em inglês. Sou Raphael Alves, tradutor, revisor e redator de conteúdos para SEO, convido você a me acompanhar nos próximos tópicos.

Conhecimentos envolvidos no momento de escrever em inglês

Escrever é uma das habilidades básicas na prática de uma língua, ao lado de falar, ler e escutar. As quatro se retroalimentam na medida em que nos expomos aos diferentes usos de determinada língua. Então, o nível de familiaridade com as outras habilidades interfere bastante no momento da escrita em inglês.

No entanto, existem particularidades para os falantes do português que merecem atenção no momento da escrita. É um conhecimento indispensável se você quer saber como escrever em inglês para seguir uma carreira profissional como redator bilíngue, que é uma alternativa comum para quem se formou em Letras, por exemplo, mas não quer dar aula.

Sabe aquela história de que o inglês deixou de ser um diferencial e se tornou um requisito básico para as melhores vagas? Então, é verdade. É de se esperar que cada vez mais empresas se adaptem ao contexto de internacionalização, aumento dos negócios digitais, programas de aceleração e outras oportunidades que requerem domínio da língua inglesa.

No mesmo ritmo, o Marketing de conteúdo se torna um pilar de empresas que exploram o mercado internacional, geram engajamento e leads qualificados para além das barreiras da língua de seus países.

A seguir, separei alguns pontos que freelancers e profissionais de redação podem desenvolver para escrever em inglês com maior segurança como segunda língua.

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Compreensão das diferenças entre expressão oral e escrita

Devemos considerar os contextos de formalidade e informalidade para diferenciar a expressão oral e escrita no inglês. Boa parte dos elementos que mudam entre as duas expressões está relacionada a traços que estão sendo perdidos no âmbito da oralidade, embora continuem sendo necessários na escrita.

Um caso interessante acontece com os verbos auxiliares, que são negligenciados como parte da fala, sem que o sentido das frases seja perdido por isso. O uso do verbo “be”, por exemplo, passa por um declínio entre os falantes contemporâneos do inglês, de acordo com pesquisa recente publicada na International Journal of Linguistics.

Esse e outros verbos auxiliares menos usados na oralidade, como “can” e “will”, continuam sendo importantes em conteúdos escritos. Lembre-se que os textos não são direcionados apenas para falantes do inglês, por isso, é indispensável seguir as regras gramaticais.

Conhecimento da gramática inglesa

É verdade que escrever textos de autoridade não envolve apenas o domínio de certas regras gramaticais — isso vale para o inglês e português. É a familiaridade com os diferentes usos da língua que garante o timing perfeito para envolver os leitores sentença por sentença.

Contudo, o bom domínio da gramática é o que garante a liberdade de usar a língua em diferentes níveis de formalidade. Você percebe não só quando o texto apresenta erros gramaticais, mas também quando ele não está no “tom” correto e o que fazer para deixá-lo mais adequado para os seus propósitos.

Um estudo recente, publicado na revista acadêmica australiana Reading and Writing, demonstra que estudantes com alguma habilidade com o inglês escrito são mais beneficiados quando estudam a gramática como um suporte da escrita, em vez de estudar regras gramaticais de maneira isolada.

Comparações entre português e inglês

O inglês tem raízes germânicas, como o alemão, enquanto o português é uma das línguas românicas, grupo do qual também faz parte o espanhol, francês e italiano. As diferentes origens do português e inglês ficam mais claras quando observamos no que elas diferem na prática:

  • alfabeto;
  • flexão de gênero;
  • pronúncia;
  • verbos auxiliares;
  • present perfect;
  • uso do gerúndio;
  • presença do sujeito;
  • posição dos adjetivos;
  • pronomes possessivos.

Também existem afinidades que podem confundir ou muitas vezes facilitar a vida de brasileiros que escrevem no idioma do Tio Sam. Uma semelhança que facilita a prática de escrita para nós, brasileiros, é a ordem comum: sujeito, complemento e verbo. Respeitá-la já é uma garantia de mais simplicidade para a leitura, em português e inglês.

As estruturas adjacentes a essa ordem no inglês não são tão flexíveis quanto no português. Os adjetivos, por exemplo, ficam sempre antes das palavras e os advérbios ficam em lugares fixos nas frases: no começo (antes do assunto principal), no fim (após o complemento do verbo) ou entre sujeito e verbo.

Uma semelhança que pode nos confundir bastante é o grupo de falsos cognatos. Talvez você se lembre dessas palavras das aulas de inglês na escola. Também chamados de falsos amigos, são palavras de diferentes idiomas com ortografia semelhante, mas significados diferentes.

Alguns exemplos de falsos amigos são “Enroll”, “Convict” e “Patron”, cujos significados em português se aproximam mais de “Matricular-se”, “Condenado e “Cliente”.

Domínio do registro escrito em diferentes níveis de formalidade

Cada projeto pode exigir um nível de formalidade na redação, o que nos orienta a usar ou não determinadas expressões marcadoras de uma área. Uma dica que pode ajudar a seguir essa orientação com eficácia é entender que a formalidade vai além das escolhas de léxico. É um fator que depende mais dos contextos de uso das palavras, expressões e textos.

Embora a escrita funcione em situações diferentes das quais foi produzida, nenhum texto é desprovido de um contexto ou totalmente “funcional”. Usamos marcadores que registram o texto em determinada época e para determinado público.

Quem explica essa noção de maneira mais aprofundada é o pesquisador Martin Nystrand, no ensaio “The Role of the Context in Written Communication”, publicado no volume 12 da revista NLC (Nottingham Linguistic Circular), da Universidade de Nottingham.

É uma reflexão útil para redatores que escrevem na sua segunda língua e para quem realiza serviços de tradução, já que é importante conhecer bem o público-alvo do texto traduzido. Pensamos que uma “linguagem instrumental” é o objetivo de um bom texto. De fato, quanto mais nos aproximamos desse arquétipo, mais clara pode ficar a nossa escrita.

Porém, é sempre bom lembrar que o texto é composto por marcadores capazes de dificultar ou facilitar a sua recepção por um grupo de leitores. Portanto, conhecer a persona ajuda bastante a integrar os textos aos contextos que são propostos em cada projeto.

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Erros comuns na escrita de artigos em inglês

Agora que você conhece os aspectos envolvidos na aquisição do registro escrito da língua inglesa, principalmente para nós, Brazilians, vamos examinar alguns erros comuns que devem ser evitados na produção de conteúdo para web em inglês. É claro, as dicas também são úteis para outros gêneros textuais além do blogpost, como artigos científicos. Confira!

Uso incorreto de vírgulas em inglês

A vírgula é uma ferramenta que guia os leitores. Quando não é empregada corretamente em um conteúdo, corre-se o risco de deixar o texto incompreensível. A boa notícia é que a vírgula em inglês funciona da mesma forma que em português — mas não é aí que mora o problema.

Na verdade, é importante ficar atento para identificar quando as frases demandam o uso excessivo de vírgula. Nesse caso, mesmo empregando as vírgulas corretamente, o texto ainda pode soar cansativo e difícil para os leitores. Isso acontece com frequência em frases muito longas, com sucessivas orações intercaladas.

Além disso, evite construções que poderiam ser simplificadas sem o uso da vírgula. Um bom exemplo são as question tags, perguntas rápidas que aparecem no final das frases para confirmar algo, como “You will introduce me your new friend, won’t you?”.

A vírgula no final serve apenas para inserir um trecho que não faria falta para a compreensão da frase. A estrutura das question tags não é recomendada para artigos por outro motivo: a contração no final da frase dificulta a leitura. Para usar o exemplo acima, em vez de “won’t you?” prefira a forma mais simples, “will do not you?”.

Padrões redundantes

Outro erro que acaba prejudicando a simplicidade dos seus artigos em inglês são padrões que só preenchem o número de palavras, mas não contribuem para o significado das frases. Alguns exemplos são As for [something], Not only A, but also B, On the other hand.

“As for” é um padrão similar ao nosso “Em relação à/ao” do português. Ele pode parecer uma maneira abrupta de mudar de assunto, como no caso As for large cities, disease incidence was high, and for smaller towns it was moderate”.

Uma maneira mais simples de formular a mesma frase é iniciá-la logo com o fato mais importante, “Disease incidence was high in large cities and moderate in smaller towns”.

O segundo padrão, “Not only, but also”, cria um forte contraste entre duas coisas, ao demonstrar que é natural obter A, mas não é natural obter B. Assim como “As for”, é um padrão que pode servir para algumas circunstâncias, mas não todas.

Na frase flu vaccination was effective in not only men, but also women”, entendemos que a eficiência da vacina para homens é algo esperado, já para as mulheres é uma surpresa. Quando os dois fatores têm o mesmo peso de importância, o simples “and” é suficiente. No exemplo acima, a frase ficaria “vaccination was effective in men and women”.

O terceiro padrão, “On the other hand”, é usado no início de uma frase para contrastá-la com a anterior. Se você usa com frequência essa expressão, experimente substituí-la por “However”, “Although” ou outra palavra similar que ocupe menos espaço no parágrafo.

Sinônimos em excesso ou contextos equivocados

O uso de sinônimos demanda cuidado porque, embora existam palavras com significados similares em determinados contextos, jamais elas se referem à mesma coisa, em inglês e português. Cada palavra tem o seu próprio significado. Por isso, quanto menos o escritor precisa recorrer aos sinônimos, mais fácil se torna a leitura de um texto.

Um parágrafo com diferentes sinônimos aumenta risco de o leitor perder a referência principal. Releia suas frases para se certificar de que consegue identificar com facilidade o termo para qual os sinônimos estão se referindo.

Também tenha cuidado com o uso de sinônimos em diferentes contextos. Por exemplo, as palavras “respond” e “answer” têm convencionalmente o mesmo significado, mas as particularidades de cada uma impedem que sejam substituídas sem critérios: a frase “respond to treatment” soa natural, mas não é o caso de “answer to treatment”.

Um nativo entende facilmente a frase “answer to treatment”, embora não seja uma combinação convencional de palavras em inglês. Entretanto, isso prejudica a credibilidade do seu argumento.

Padrões de frases descontextualizados

Frases que aparecem com frequência em determinada área ajudam redatores e tradutores a transmitir informações com mais autoridade e segurança em inglês. É um detalhe importante quando escrevemos e traduzimos para projetos cujos contextos são bastante específicos e/ou demandam um nível maior de formalidade nos conteúdos.

Existe o risco de usar padrões de áreas específicas e deixar o texto difícil para os leitores. Em conteúdos em inglês, os falantes nativos podem até compreender o que queremos dizer e, pior, perceber o erro cometido, o que prejudica qualidade e credibilidade do conteúdo.

Acredito que esses pontos podem ajudar quem tem dúvidas de como escrever em inglês. Evitar os erros comuns nesse momento garante ao redator não só a habilidade de escrever artigos “livres de erros gramaticais” em sua segunda língua, mas também a segurança de adotar uma linguagem clara, que soe “natural” na leitura de falantes do inglês.

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