Por Mariana González

redatora e revisora freelancer na Rock Content, crítica de cinema e apaixonada por histórias em todas as suas formas.

Publicado em 26/08/2017. | Atualizado em 07/02/2018


Quem lida com redações frequentemente se depara com erros tão grosseiros que dão até vergonha! E, quando cometemos erros sem perceber, nos tornamos o motivo das risadas. Aprenda como evitar isso neste artigo hilário!

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Quem nunca morreu de rir ao passar na frente de algum negócio e se deparar com uma placa contendo um erro absurdo de português? Ninguém está imune a eles, mas não tem jeito: demonstrações públicas da falta de domínio das regras de nosso idioma rendem pérolas gramaticais tão hilárias quanto preocupantes.

Falta de concordância, má aplicação de vocábulos, confusão no uso da crase e até mesmo os bons e velhos erros de grafia podem ser cometidos por qualquer um. Assim, você pode encontrá-los tanto na placa da padaria da esquina como na fala de uma celebridade ou, em uma situação ainda mais absurda, em uma reportagem publicada por um veículo de respeito.

Já que qualquer um pode ser vítima dos erros de português, que tal conhecer — ou relembrar — algumas das melhores que circularam pela internet? Depois de divertir-se com elas, aproveite para conferir nossas dicas para evitar que você caia na mesma armadilha! Vamos lá?

1. “Eu me esponho demais”

Como você bem sabe, as redes sociais e a internet de modo geral possuem uma certa flexibilidade quanto às regras gramaticais. É comum, por exemplo, deixar as letras maiúsculas e a pontuação de lado, algo que acaba criando uma fluidez e um senso de humor peculiares.

Mesmo assim, não dá para chutar o pau da barraca e cometer erros básicos como fez a modelo e a atriz Nana Gouveia! No Twitter, ela demonstrou ser uma entre tantos brasileiros que se embaralham com as letras S e X. Veja o que ela escreveu:

“Levei 1 bronca ferrada d minha empresária(Anna Cristina Pires d SP) p/ causa d Twitter, ela disse q eu me esponho demais falando aqui, q tal”

Há uma série de abreviações para deixar a frase dentro do limite de 140 caracteres, mas a grafia incorreta da palavra “esponho” é realmente motivada pela confusão bastante comum entre o uso de S, X e, ocasionalmente, Z. Isso acontece porque o som dessas letras varia bastante e, com frequência, é parecido.

Como não há uma regra específica que possamos decorar para garantir que não nos confundiremos com esse trio imbatível, o segredo é ficar de olho na origem das palavras. “Exponho” vem de “expor”, que é com X — portanto, todas as palavras derivadas dela também serão escritas com X. Já “Português”, por exemplo, que é com S, dá origem a termos que também contêm a letra, como na própria “língua portuguesa”.

2. “Vítima sobrevive a acidente fatal”

Foi assim que um telejornal decidiu contar a história de um homem que sobreviveu após ser atropelado por um trem. Trata-se de um erro semântico bastante comum, mas ainda condenável: se a vítima sobreviveu, então, o acidente obviamente não foi fatal!

Aqui, o importante é ficar ciente dos vícios de linguagem. Existem, é claro, grafias ou usos tão recorrentes e antigos que acabam se tornando parte integrante da língua, mesmo estando originalmente errados. Mesmo assim, erros semânticos podem não ser tão problemáticos em uma conversa cotidiana, mas cometê-los em um ambiente profissional é bastante grave.

3. “As escolas (…), apresentaram redução”

Sim, ainda cometemos com frequência o crime de separar sujeito e predicado! Mas se prepare, pois a situação fica ainda pior. Confira a frase inteira de onde tiramos esse erro:

“As escolas que não contam com a infraestrutura necessária para oferecer o tempo integral, poderão participar do programa (…).”

Ela faz parte de um texto publicado no site do… Ministério da Educação! Quer mais? A notícia é sobre novos programas para aprimoramento do ensino de português! Está aí a prova de que os mais corriqueiros dos enganos tornam-se imperdoáveis ao aparecer em situações profissionais.

Para não repetir o erro do MEC, em caso de dúvida, releia sua frase com atenção e verifique cuidadosamente quem é o sujeito — e nada de separá-lo do predicado!

4. “Educação no Brasil melhora, mais ainda é uma das piores em ranking internacional”

Depois de ver essa manchete em um telejornal, a notícia não surpreende ninguém, não é mesmo?

Esse é um caso clássico de palavra escrita da maneira como a pronunciamos no dia a dia — porque, sim, muitas pessoas não conseguem ver uma vogal seguida de um S sem colocar o I no meio. Isso pode acontecer por causa do sotaque de algumas regiões, mas muitas vezes trata-se de uma pérola gramatical mesmo.

Aqui, a solução é lembrar-se de que o português que falamos é um pouco mais flexível do que aquele que escrevemos, e que precisamos abandonar os vícios de linguagem na hora de produzir textos.

5. “Muitos mim seguem, mas só Deus mim acompanha”

A frase original é ainda pior, mas vamos focar na gravíssima — e muito recorrente — confusão entre os pronomes oblíquos “mim” e “me”. O erro aparece com muita frequência na fala, mas também dá o ar da graça na escrita.

“Mim” é um pronome pessoal oblíquo tônico, obrigatoriamente regido por uma preposição. Sendo assim, na frase, ele assume a função de objeto indireto. Talvez você já tenha ouvido a máxima de que mim não faz nada e, portanto, não pode conjugar verbo! Já o “me”, que é um pronome pessoal oblíquo átono, pode atuar tanto como objeto direto quanto indireto.

6. “Vendo filhotes de poldo”

Opa, será que essa pessoa está anunciando algum bichinho recém-descoberto? Não, os filhotes em questão são de poodle mesmo. Enquanto palavras estrangeiras fizerem parte do nosso dia a dia, haverá aqueles que simplesmente não conseguem escrevê-las (a pronúncia desses termos renderia um outro texto).

Para evitar que isso aconteça com você, não tem muito jeito: você tem que se familiarizar com a palavra original. Enquanto isso, o Google é seu melhor amigo! Na dúvida, jogue o termo no buscador e verifique a grafia correta. Melhor do que passar vergonha, não é?

7. “Eu estou afim dele”

Não! Você está a fim dele, ou seja, tem interesse naquela pessoa. “Afim”, palavra que pode aparecer tanto como adjetivo quanto como substantivo, sempre tem o significado de “parecido”, “semelhante” ou “similar”. Você pode, por exemplo, falar que você e seu irmão “têm interesses afins”, ou seja, parecidos.

Já a locução prepositiva “a fim” demonstra intenção, interesse ou finalidade, como em “estou muito a fim de viajar” ou “vou à festa do trabalho a fim de fazer novas amizades”.

8. “Eu nasci há 10 mil anos atrás”

Para encerrar, um clássico da música brasileira que, em seu título e em sua letra, traz uma confusão gramatical muito comum! Erros não são raros no mundo da música e, muitas vezes, aparecem para realçar o significado da canção ou simplesmente para deixá-la mais sonoramente agradável.

Mas, Raul Seixas, perdoe-nos: licença poética à parte, “há 10 mil anos atrás” é uma redundância. O correto é dizer apenas “eu nasci há 10 mil anos” ou “nasci 10 mil anos atrás”. Portanto, fique bastante atento quando for usar expressões para indicar eventos ocorridos no passado, e sempre revise seus textos com atenção para certificar-se de que não deixou nenhum “atrás” sobrando.

Gostou de conhecer essas pérolas gramaticais e como evitá-las? Então, aproveite para deixar seu comentário no post e dividir com a gente outras gafes da língua portuguesa que você já viu por aí!

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