Por Guilherme Pimenta

Designer e escritor, percebi que era melhor desenhando com palavras.

Publicado em 05/10/2020. | Atualizado em 24/09/2020


A paleta de cores de uma marca é a voz que comunica imediatamente com seu público. Neste post, vamos conversar sobre a importância de saber usar os tons adequados e como você pode tomar decisões tão importantes para seus clientes sem errar.

Você já parou para pensar por que as suas marcas favoritas têm as cores que elas têm? Ou por que grandes marcas algumas vezes gastam dezenas de milhares de reais apenas para fazer uma pequena mudança na sua paleta de cores?

O que a princípio pode passar despercebido pelo grande público é um trabalho fundamental para o designer de sucesso. Saber como e onde utilizar os tons certos no gerenciamento de uma marca pode fazer muita diferença no seu posicionamento de mercado.

Quer entender mais sobre o assunto e descobrir como trabalhar com cores de maneira profissional e objetiva? Então vem comigo!

Qual a importância das cores nas marcas?

Quando se contratam designers para fazer o redesign de uma marca, geralmente o cliente tem algumas pré-concepções errôneas sobre o que isso significa. É responsabilidade sua tratar sobre o assunto com profissionalismo.

O rebranding é muito mais do que uma fonte diferente para o logotipo, uma repaginada nos símbolos ou novas maneiras de aplicação.

O conceito total desse reposicionamento é chamado de identidade visual. É o conjunto de tipografia, design gráfico e escolha de cores institucionais que, em conjunto, criam uma cara e uma voz para a empresa.

São características que imprimem sensações e expectativas dentro do público mesmo que ele não tenha consciência disso. O conceito de psicologia das cores é um dos que causa o maior impacto nessa relação.

Mas isso faz tanta diferença? Existem diversos estudos que apontam essa influência direta do poder das cores de evocar sentimentos e instigar ações específicas.

Neste artigo, por exemplo, vemos um exemplo clássico: quando um botão para call to action foi mudado do verde para o vermelho, os cliques aumentaram em 21%. Um número que deixa claro como essa cor instiga urgência e ação.

Ou seja, designers que sabem trabalhar bem com paleta de cores podem transformar a brand persona de clientes somente com uma escolha certa de tons.

É mais uma das armas que as empresas têm para buscar a identificação com nichos de mercado ou influenciar as decisões de compra. Até para se tornarem mais atrativas on-line e conseguirem mais seguidores.

A própria paleta de cores faz parte da experiência cliente/marca. Por isso ela deve ser uma preocupação e motivação para estudo de quem está começando uma carreira de freelancer na área.

Como trabalhar a paleta de cores?

É claro que o bom uso da combinação de cores pensando na comunicação imediata com o público é questão de experiência. Testar, comparar e validar. 

Entretanto, existe uma base para que você consiga utilizar corretamente as paletas de cores e até para explicar suas escolhas ao cliente. Existem 3 pontos de atenção que vão simplificar o seu trabalho e torná-lo mais objetivo. Veja quais são eles!

O significado das cores

Existe uma camada mais aparente da teoria das cores que todo mundo aprende desde criança. Vermelho é a cor da raiva, verde da natureza, azul da calma etc.

Mas designers precisam ir além. Existe todo um setor de pesquisas envolvendo respostas psicológicas e tons de cores que vão mais a fundo na relação entre humanos e a sensação que temos ao nos deparar com esses tons.

Nesse sentido, cores quentes sempre significam um chamado para ação, energia, enquanto as cores frias vão para o lado da solidez e confiança.

Esses significados mais proeminentes estão nas cores primárias, como azul, vermelho e amarelo. Ao misturar duas delas (cores secundárias) ou secundárias e primárias (cores terciárias), é possível dar nuance a essas ideias sob o olhar do público.

A escolha da paleta de cores

Uma coisa que é muito importante deixar claro: não existem cores negativas ou ruins, apenas as que são mal aplicadas.

A paleta de cores ideal atende a dois pré-requisitos: a imagem que a empresa quer passar e a harmonia entre os tons.

Existem diversas formas dentro da teoria das cores de combiná-las de maneira agradável e com a intenção que você quer dar para a marca: cores análogas, complementares, tríade e tétrade, monocromáticas etc.

É interessante estudar mais não só o significado dos tons, mas os segundos e terceiros significados provenientes dessas misturas. Uma ideia interessante é definir a cor principal da marca e, a partir daí, encontrar a harmonia perfeita para a expectativa do cliente.

O local ideal para usar as cores

Algo que você pode reparar estudando identidades visuais é que nem sempre as cores do manual estão presentes o tempo todo.

Muitas marcas têm tons de apoio para campanhas específicas e tipos de comunicação variados. É uma ideia interessante para expandir a identidade visual em diversos meios.

Um exemplo que todo designer tem que ter em mente é a diferença entre mídias digitais e impressas. Muitas vezes, as cores que são aplicadas em um panfleto não ficam tão atraentes na tela de um celular e vice-versa.

Portanto, coloque isso também no seu manual de identidade para cada cliente. Variações para diferentes usos garantem que a mesma mensagem visual seja transmitida independentemente do meio.

Quais são os melhores exemplos do uso de cores das marcas?

Uma dica que eu sempre dou para quem está começando uma carreira de design é pesquisar os manuais de identidade visual de empresas que conseguiram fazer essa virada na sua brand persona apenas com um rebranding.

Neles, além do resultado final, você conhece um pouco do processo de concepção e das razões por trás de cada escolha de tons e combinações. Sites como o Brand New também são excelentes para entender melhor essas aplicações.

Mas que tal um gostinho de como isso funciona? Deixa eu mostrar alguns exemplos de uso de cores das marcas que fazem diferença no mercado.

O azul da tecnologia

Uma concepção que muita gente tem de primeira é assumir que o azul seria uma cor a ser evitada, por sua relação direta com a tristeza.

No entanto, a verdade é que as características que mais associamos sem perceber ao tom são a confiança, a estabilidade e a inovação.

É por isso que empresas como Microsoft, Facebook, Twitter e Dell usam azul na aplicação de sua marca e seus produtos.

Até os anos 1980, era muito comum usar tons mais próximos do azul primário, mas isso mudou nos últimos anos. Opções secundárias e até terciárias da cor dão mais energia e impulsividade à comunicação.

O vermelho da alimentação

Basta uma silhueta branca de garrafa em um fundo vermelho para que você reconheça a marca da Coca-Cola. Esse é um dos grandes exemplos de cor aplicada na comunicação, deixando que ela fale mais alto até mesmo que a forma.

A verdade é que empresas do setor alimentício adoram usar o vermelho em suas marcas e campanhas. O senso de urgência aliado à comida é a fórmula certa para dar fome nos clientes.

O dourado da exclusividade

Aqui temos um exemplo de aplicação de cor que não vem diretamente da nossa psicologia, mas da nossa cultura. O ouro há muito tempo é considerado um produto de luxo, e essa mesma noção passa para empresas como Ferrero Rocher, que querem o mesmo senso de exclusividade em seus produtos.

É uma dica interessante quando você for escolher as cores da marca do cliente: buscar no público-alvo produtos e ideias que trazem valor e que já têm um significado acima da psicologia natural desses tons.

Os tons pastéis do artesanato

Existe um porquê de marketplaces de artesanato como Elo7, Etsy e Colab55 usarem tons mais pastéis ou abertos em suas marcas — e que os produtos vendidos lá façam a mesma coisa.

Existe uma percepção de que cores mais terrosas e lavadas fazem uma conexão maior com a ação humana artesanal, sem linha de produção. Também deixam a impressão de um produto mais próximo da natureza — tons muito usados em embalagens de comida natural, por exemplo.

Não é à toa que existem essas tendências de uso de cores em cada setor. Já que o uso de texto é limitado a uma primeira impressão de uma marca, a paleta de cores da empresa é a linguagem que ela usa para conversar com seu público. Com essa percepção, sua carreira já começa com um diferencial no mercado.

Que tal iniciar essa jornada com um preparo ainda maior? Veja este guia especial sobre como profissionalizar sua carreira de freelancer!

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