Por Luis Carlos Herrera

Editor do Blog Comunidade – Linguista e Tradutor

Publicado em 13/04/2020. | Atualizado em 29/09/2020


Trabalhar como tradutor freelancer é um caminho que profissionais de diversas áreas veem como possibilidade para expandir seu escopo de atuação e conquistar clientes internacionais. Mas isso não é tão simples quanto parece: são muitas as variáveis que devem ser consideradas ao colocar o plano em ação. Neste post, vou contar a você sobre o que é tradução o que é necessário para trabalhar com isso. Vamos lá?

Ser tradutor freelancer nunca foi tão acessível quanto hoje. Estamos no ápice de fluidez de informações se pensarmos em toda a história da humanidade: com apenas alguns toques, podemos usar dispositivos para nos conectar com o mundo inteiro, em questão de segundos.

Processos que, há algumas décadas, tomavam muito tempo ou tinham custo financeiro elevado de execução estão ficando bem mais democráticos. Não precisamos investir uma quantidade de dinheiro enorme para entrar em contato com amigos e familiares que moram em outros estados ou países. Tudo isso é produto da revolução tecnológica pela qual estamos passando há quase 30 anos e que tende a se desenvolver com ainda mais velocidade, impactando significativamente o nosso cotidiano.

O mercado de trabalho também mudou e está mais globalizado, interligado e acessível, principalmente para os freelancers. Inúmeras agências conectam profissionais e empresas, as plataformas são ótimas parceiras de negócios, os blogs estão aí para as comunidades mostrarem sua autoridade sobre diversos assuntos e as oportunidades para escalar o escopo de trabalho além das fronteiras locais são fatos cada vez mais comuns.

Estamos em uma época incrível, no timing certo, para trabalhar como tradutores e fazer com que a comunicação se torne mais fluida entre pessoas de línguas e culturas diferentes. É só pensar nos aplicativos que usamos diariamente: vários deles já são multilíngues, e quem está por trás disso são justamente profissionais da tradução. Interessante, não é mesmo?

E agora que você chegou até este ponto, que tal se aprofundar no assunto? Com certeza você aprenderá uma coisa ou duas, eu garanto!

Neste post, você vai ler sobre:

    1. O que é tradução

    Tradução é um processo de decodificação de uma mensagem de uma língua de origem para uma língua de destino.

    Parece bastante simples, mas é uma atividade cognitiva e de alta complexidade, que tem como demanda central a negociação de significado entre línguas. Você já tinha pensado nisso? Muito provavelmente, não! E está tudo bem com isso — afinal, seguindo a linha do Lawrence Venuti, autor da obra The Translator’s Invisibility, os tradutores estão sempre às sombras.

    Outro ponto importante é que a tradução não é apenas meramente sintática ou lexical: é uma atividade entre culturas, sendo veiculada por meio da língua em seu registro escrito. Isto é, o que traduzimos para o português brasileiro deve ser relevante e próximo dos leitores do país. Afinal, é uma questão de identificação e empatia. A tradução serve para construir pontes e aproximar pessoas!

    2. Mitos sobre a tradução

    Vários de nós já escutamos coisas como: “ah, é só traduzir!”, “Google também faz”, “não entendo por que você demora tanto, é só ler e escrever”. Triste, né? Entretanto, é uma realidade que enfrentamos no trabalho com tradução, especialmente quando nosso interlocutor é leigo ou um potencial cliente que nunca teve contato com tradutores profissionais. A atividade tradutória está cheia de mitos que são próprios do segmento. No final do dia, traduzir é comunicar, e comunicar é inerente ao ser humano, então, não deveríamos nos surpreender com esses comentários.

    Entendo que a comunicação é uma atividade essencialmente inclusiva, diferente da engenharia, por exemplo, que é exclusiva. Vocês já viram um leigo dando opinião sobre como um engenheiro civil tem que construir uma ponte basculante? Com certeza, isso é menos usual que com a gente.

    Mas é claro que é importante estar preparado para vencer situações assim. Então, vou indicar um par de mitos e os argumentos que você pode usar para desvendá-los. Vamos lá?

    2.1 Qualquer um pode traduzir

    “Morei em [país], durante [tempo] e falo bem [língua], pode me passar o trabalho que eu o traduzo para você”. Sempre que eu escuto essa frase, o linguista e tradutor que carrego aqui dentro chora alto. Sério! Agora, vou explicar o porquê.

    Temos que entender que uma pessoa que tem nível operativo eficaz em língua estrangeira não está automaticamente habilitada para:

  • Ensinar uma língua;
  • Interpretar uma língua, seja em modalidade simultânea ou consecutiva;
  • Analisar uma língua;
  • Traduzir uma língua.

Vou desenvolver os pontos um a um, combinado? Acompanhe e entenda!

Ensinar uma língua

Ensinar uma língua exige formação em metodologia e didática específicas. Como podemos integrar a leitura e a escrita em línguas afonéticas (a pronúncia não tem nada a ver com a redação, como no caso do francês, por exemplo), sem saber os passos certos para fazer isso?

Só falar a língua estrangeira não garante as ferramentas necessárias para guiar e nutrir o processo de aprendizado de alguém que está no zero, ou de alguém que precisa melhorar um nível C2, por exemplo. Línguas diferentes pedem teorias e práticas diversas. Ensinar inglês como língua estrangeira é bem diferente de ensinar japonês como língua estrangeira. Um falante com domínio operativo eficaz, sinto dizer, não está preparado para isso.

Interpretar uma língua

Interpretar uma língua requer treinamento especial, muitas horas de prática, conhecimento quase nativo da língua de partida, agilidade mental, técnicas específicas para aumentar a capacidade de retenção e também desenvolvimento de um sistema de signos, quando a modalidade de interpretação é consecutiva longa.

Eu já vi muitos casos nos quais os intérpretes que moraram nos Estados Unidos por dois anos não tiveram bom desempenho na cabine justamente pela falta do preparo formal e da prática constante que a atividade demanda. Eu, particularmente, não trabalho mais como intérprete, porque, desde 2013, estou dedicado quase exclusivamente à tradução.

Analisar uma língua

Analisar uma língua é uma habilidade 100% técnica. A formação acadêmica na área é absolutamente necessária. Quem faz uma boa revisão é alguém que, além de compreender questões de estilo, conhece profundamente a gramática da língua de trabalho. É a ferramenta mais eficaz para garantir qualidade.

Traduzir uma língua

A tradução é umas das atividades mais complexas e técnicas no universo das Letras, pelo fato de ser aplicável a qualquer campo do conhecimento e do mercado. Arrisco-me a dizer, também, que é a mais prática e a que tem um campo de trabalho maior fora das salas de aulas de graduação na área.

Quem traduz é um especialista em linguística contrastiva nas línguas com as que trabalha. Não quero só me referir à gramática — indispensável, porém, é apenas uma parte do todo —, mas também ao ambiente cultural de origem de uma língua. Da mesma forma, quem traduz é especialista do ponto de vista técnico e estilístico da língua de destino e entende que o texto traduzido deve ser compreensível e relevante para o leitor final.

2.2 A máquina traduz tão bem quanto o ser humano

Este é um ponto bastante polêmico. Desde sua primeira concepção, no longínquo ano de 1954, o propósito da tradução feita pela máquina (machine translation) foi substituir o ser humano, com o objetivo de gerar textos da forma mais rápida possível. Isso, no contexto da Guerra Fria. Só de imaginar a quantidade enorme de informação que tinha que ser processada me dá arrepios.

Fast forward até hoje: passamos do Systran, primeiro tradutor web disponível para o público, a um dos projetos mais ambiciosos de inteligência artificial do Google: Neural Machine Translation. Sem dúvidas, o desenvolvimento da tecnologia e o equilíbrio cada vez maior entre sintaxe e semântica fizeram com que a tradução assistida por computador tenha se assemelhado mais ao trabalho desenvolvido pelo humano. Cada vez mais próxima, mas não tanto quanto seria o necessário. 

Mas, por quê? Bem, lá no começo eu falei algo sobre cultura e público-alvo. Justamente este é o ponto mais fraco das máquinas: elas ainda não são capazes de entender duplo sentido e temáticas mais sérias, como racismo, classismo ou sexismo velados, por exemplo. Da mesma forma, a máquina, se bem é um produto cultural, não entende práticas culturais como o ser humano. Um exemplo que gosto vem da religião: como seria a tradução da oração “Pai Nosso”, feita pela máquina, para o fuzhou (língua de matriz chinesa)? Sintaticamente deve ser ok, mas, culturalmente, tenho minhas dúvidas.

A máquina faz um ótimo e rápido trabalho sintático, mas de nada adianta deixá-la solta sem o olho do pós-editor, no caso, o ser humano.

Outro detalhe importante: todas as melhorias pelas quais a máquina passa são testadas primeiro no par inglês<>espanhol, duas das três línguas com mais produção na internet. Então, se você trabalha com línguas exóticas, como estoniano, o melhor é nem pensar na máquina.

3. Conhecimentos necessários para traduzir

No mundo acadêmico e também no círculo de tradutores, são presentes as discussões sobre as habilidades que precisamos cultivar para executar nosso trabalho da melhor forma possível. Há quem defenda que a formação acadêmica é extremamente necessária, já que a linguística aplicada entrega bases teóricas fortes para garantir que não estamos traindo a essência da nossa atividade. Já há outros que defendem que a tradução é uma arte, sendo que ela só melhora com o tempo de prática. Não é à toa que escritores, como Eco ou Saramago, também contribuíram em processos de tradução.

Pessoalmente, acredito que o conhecimento técnico é relevante em questões relacionadas ao limite de atuação (Quanto posso mudar daquele texto? Como posso expressar ‘X’ se a língua alvo não tem essa estrutura?). Mas também vejo que a tradução é uma arte, a qual só melhora com o exercício do trabalho.

Agora, existem certos conhecimentos que são fundamentais para se destacar no segmento, especialmente em um mercado competitivo e com tendência a crescer. Quer conhecê-los? Então, siga comigo!

3.1 Gramática contrastiva

Ter conhecimento técnico linguístico é fundamental. Na área de Letras, novamente, arrisco-me a dizer que a tradução é a mais diferente de todas, porque trabalha com dois sistemas em contraste e de forma paralela. A gramática contrastiva importa, porque oferece ferramentas para a previsão de diferenças estruturais entre línguas e também mostra a melhor forma de resolvê-las. Lembremos: as traduções precisam ser sempre naturais para nossos leitores-alvo, e a naturalidade também passa pela sintaxe.

Vamos pensar num exemplo? O futuro do subjuntivo é um tempo de alta incidência na língua portuguesa, porém, no espanhol, ele está em total desuso. Como passar a ideia de uma futura possibilidade incerta para uma língua que não entende a temporalidade dessa forma? A gramática contrastiva tem a resposta.

Agora extrapole essa ideia para línguas que são de matrizes diferentes. O assunto fica um tanto mais complicado, e se a pessoa não tiver conhecimento técnico qualificado em ambas as línguas, as probabilidades de ela entregar um texto traduzido que ninguém entenda são altas.

3.2 Consciência terminológica

Um dos primeiros ensinamentos da linguística aplicada à tradução é que nunca traduzimos para nós mesmos: o trabalho é direcionado sempre ao leitor. É algo que parece óbvio, porém, há tradutores que pecam nesse aspecto. A terminologia e o registro do texto que estamos traduzindo são, basicamente, as formas como nosso público se comunica e interage com o que está escrito e também reage ao conteúdo.

Suponhamos que você tem um texto de duas mil palavras para traduzir. Até aí, tudo bem. Mas o que acontece se o foco desse volume de informação é, por exemplo, sobre Direito Tributário? Pois é, o cenário se transforma completamente.

Um bom tradutor sempre dedica tempo para a criação de glossários, mapear sites de consulta confiáveis e fazer networking com especialistas que podem ser de muita utilidade no momento de trabalhar com conteúdos específicos. Afinal, quem vai ler essas palavras pode ser um advogado especialista na área e, como tal, essa pessoa tende a perceber erros imediatamente. Isso nunca deve acontecer. Nesse processo, os tradutores são invisíveis.

3.3 Webwriting, copywriting e UX writing: localização

Temos de entender que trabalhar com tradução é uma atividade que está em constante mudança — a mesma palavra em latim já explica muito, translatare ou “ir até o outro lado” —, movida justamente pela evolução de línguas e tecnologias.

Eu sempre falo que o mundo digital é um prato cheio para tradutores. Sejamos sinceros: muitos de nós entramos na profissão porque desejamos traduzir literatura ou estar dentro do mundo diplomático. Mas a realidade é bem diferente, por uma série de motivos que não vêm ao caso explicar aqui.

Mas, bem, trabalhar com tradução para conteúdos produzidos para a internet e produtos digitais, como plataformas ou aplicativos, é um campo rico e cheio de novas oportunidades. Para investir nisso, precisamos ter conhecimento de webwriting, copywriting e UX writing. O ambiente digital segue regras próprias para a criação de conteúdo, e no caso de plataformas e aplicativos, as melhores práticas de tradução devem funcionar pareadas com a usabilidade. Essa junção é uma parte do conceito de localização, que entende a harmonia textual, de interface e experiência de usuário, em aplicativos e plataformas multilíngues.

4. Ferramentas e tecnologia

Eu sempre digo: “gente, preciso de um prazo razoável para conseguir trabalhar, pelos seguintes motivos…” Então sigo com uma lista de vários itens. Mas aí entramos em um par de contradições: trabalho rápido e malfeito, ou trabalho que demora mais, porém executado corretamente? Se tenho que estudar a fundo o assunto, como sei que o meu texto não será estranho para o leitor-alvo, que pode ser um especialista na área?

Prazos apertados, porém, fazem parte do trabalho com tradução, é uma situação pela qual praticamente todos os profissionais da área vão passar e que gera um tanto de estresse.

Felizmente, temos a tecnologia do nosso lado! Lembra que comentei sobre como ela é importante? Então, o tradutor precisa adicionar uma pegada mais tecnológica às suas operações para garantir coerência terminológica e estilística em projetos de alto volume, como também para ter um controle maior sobre a própria produção. Já existem inúmeras ferramentas de tradução assistida, ou CATs (Computer Assisted Translation Tools), como são conhecidas no meio, e aplicações para monitorar a produtividade. A seguir, vou indicar recursos que podem ajudar você!

4.1 CATs

São programas que, usando inteligência artificial e algoritmos internos, “pré-traduzem” segmentos e também aprendem a forma como eles são traduzidos. Resumindo: se um texto tiver várias repetições e passagens com muita coincidência estrutural e lexical, basta você traduzir a primeira que o sistema já traduz, automaticamente, os trechos iguais ou sugere possíveis traduções para partes que não têm correspondência de 100%, porém ainda com uma margem alta, fazendo portanto a “pré-tradução”.

Da mesma forma, você tem a possibilidade de criar glossários e memórias de tradução, usar dicionários e gerenciar projetos inteiros, desde a fase de tradução até a de garantia de qualidade. Sem dúvidas, as CATs são necessárias para profissionalizar nossa atividade.

A seguir, separei ferramentas assistidas mais famosas do mercado de tradução para você. Confira!

OmegaT

Particularmente, usei essa ferramenta por um tanto de tempo, inclusive na minha época de faculdade. Os aspectos mais interessantes dela são que tem código aberto, compatível com todos os sistemas operacionais, e, o mais importante, foi desenvolvida por tradutores.

O que posso destacar do último ponto é que você tem todos os recursos necessários para trabalhar bem: pode carregar dicionários, carregar memórias de tradução, importar glossários e criar glossários on the fly. Como é uma ferramenta instalada no seu computador, é ótima para clientes com NDA.

O ponto baixo é a interface: ao não ter designers trabalhando ativamente no desenvolvimento do programa, a parte visual pode parecer um pouco confusa no início. Realmente o apelo visual dela não é dos melhores, porém, se esse não for um problema para você, com certeza o sistema do OmegaT é de grande ajuda.

Trados

Posso apostar que todos já vimos anúncios de vagas de emprego pedindo experiência com o Trados. A ferramenta é uma das mais usadas do mercado, principalmente por agências que têm volume altíssimo de trabalho e precisam gerenciar uma equipe com múltiplos tradutores por projeto.

Como é um software pago, têm um equipe de suporte disponível 24 horas por dia e muitíssimas funcionalidades (como alinhamento nativo de texto para criação de memórias de tradução, ferramentas de revisão de concordância e vários relatórios de controle de qualidade). Além, é claro, do que esperamos de uma ferramenta desse tipo, como geração de memórias de tradução, tradução automática de segmentos com alta coincidência e uso de fontes terminológicas integradas — dito isso, você tem como imaginar que a licença é bem cara.

SmartCat

Eu aposentei o OmegaT porque comecei a gerenciar todos os meus projetos no SmartCat. É uma ferramenta que, na sua versão gratuita, já atende bem freelancers que trabalham com um volume entre médio e alto. Ao mesmo tempo, você consegue delegar trabalho e designar funções específicas para cada membro da sua equipe, e a ferramenta gera relatórios simples de entender, em uma apresentação visual amigável.

A interface do SmartCat é intuitiva, fácil de usar e esteticamente limpa. Ela oferece várias opções de trabalho, que vão de tradução automatizada até tradução manual, além das funcionalidades clássicas de importação e criação de glossários, importação de memórias de tradução, tradução automática de segmentos de alta coincidência e por aí vai.

Ao trabalhar com inteligência artificial, a máquina aprende o estilo que o tradutor tem para escrever, então, o trabalho da máquina, conforme você a treina, é próximo do trabalho que você faria. Particularmente, eu recomendo!

Transifex

Transifex é uma ferramenta de tradução assistida também, orientada para processos de localização, porém, ela é específica para produtos digitais e plataformas. O funcionamento não é diferente das ferramentas que listei, porém, a particularidade é que pode ser integrada a plataformas populares, como WordPress, GitHub ou Zendesk. Basicamente, o que você traduzir usando a ferramenta já aparecerá no site ou na plataforma de destino. O processo é relativamente rápido e evita a necessidade de criar documentos com capturas de tela para traduzir os copies, por exemplo.

5. Passos para começar na carreira e fidelizar clientes

Agora que você sabe o que é tradução e conhece os aspectos fundamentais para se destacar neste trabalho, é a hora de pensar nisto: como posso entrar no mercado, estabelecer meu nome como referência e fidelizar meus clientes? Neste último tópico, vou contar algumas coisas que, para mim, fizeram uma diferença enorme quando entrei com tudo na minha carreira de tradutor freelancer.

5.1 Não espere a formatura para colocar a mão na massa

Eu me formei em 2010, porém, comecei a trabalhar como tradutor em 2007, exatamente na metade do curso. Como já expliquei anteriormente, a prática no campo de tradução é importantíssima para melhorar elementos como velocidade e precisão lexical e também encontrar a melhor forma com que cada um de nós consegue para trabalhar. As faculdades são ótimos lugares para fazer isso: muitos cursos usam artigos em línguas estrangeiras como parte dos materiais de estudo dos seus alunos, então, esse é uma ótima oportunidade para traduzir e, aos poucos, criar seu portfólio.

Não podemos esquecer que, para que o crescimento profissional aconteça, o networking é fundamental. Como exemplo, eu fui tradutor de uma empresa grande de mineração porque sempre me preocupei em fazer contatos já dentro da faculdade e usei esse meio para arrumar meu primeiro emprego como tradutor. Aproveite as oportunidades que aparecerem no caminho!

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5.2 Procure agências e plataformas

Outra alternativa é buscar oportunidades em agências e plataformas. Ambas as opções funcionam com dinâmicas diferentes, as quais vou explicar agora.

Agências

Com agências, você pode trabalhar como tradutor in-house ou freelancer. A vantagem de trabalhar como in-house é ter a oportunidade de entender como é a gestão de projetos de alto volume, desde padronizações terminológicas e uso de ferramentas de tradução e edição até relacionamento com o time de freelancers. O aprendizado é enorme e acontece em relativamente pouco tempo. E seu salário é fixo. Se você procura tranquilidade mês a mês, é uma boa opção!

Já como freelancer, a dinâmica é um pouco diferente: grande parte das agências vão pedir um teste de tradução (reparou por que é importante começar antes da formação?), que pode variar em extensão. Uma vez aprovado, você já pode participar nos projetos das agências, que normalmente pedem o uso de um software específico, ou que experiência com um deles. Agências geralmente pagam por palavra, mas podem existir variações, como, por exemplo, não contabilizar os segmentos repetidos.

Você, como freelancer, pode usar a tabela do Sintra (Sindicato dos Tradutores) para ter uma referência de quanto cobrar por palavra com clientes diretos ou no momento de negociar com agências.

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Plataformas

As plataformas são ótimas oportunidades para encontrar jobs. A vantagem é que você não precisa sair pesquisando potenciais clientes na internet, os quais possam se interessar pelos seus serviços, uma vez que, nas plataformas, os projetos já estão todos criados e disponíveis para os profissionais interessados no trabalho.

Saiba que, por cada trabalho publicado, são muitas as ofertas que os anunciantes recebem, então, seja paciente. Outra vantagem é que as plataformas oferecem soluções bem mais seguras para questões delicadas, como formas e prazos de pagamento. Em contrapartida, quando trabalhamos com clientes particulares, nem sempre temos garantias de quando receberemos por uma entrega.

5.3 Faça parcerias com startups

As startups são ótimas formas de você trabalhar com produtos digitais e com webwriting, ou, de modo mais preciso, com SEO internacional aplicado à tradução.

Pela mesma natureza dessas empresas, é comum que elas procurem escalabilidade internacional com rapidez, especialmente quando se trata de aplicativos ou plataformas digitais. Já fica claro que é uma ótima oportunidade para trabalhar como tradutor e, quem sabe, consolidar uma carreira como tradutor especialista em localização de plataformas.

Outro ponto interessante é que startups trabalham em ecossistemas de empreendedorismo que são formados com centenas de empresas da mesma natureza, portanto, as chances de criar uma rede de contatos profissionais sólida é enorme.

5.4 Dedique-se ao onboarding e ao pós-venda

O onboarding e o pós-venda são fundamentais para ter sucesso como freelancer. No caso de quem trabalha com tradução, não é diferente, porém, a forma de dar conta disso é particular.

Algumas boas práticas de onboarding com projetos da área são:

  • Explique como funciona seu processo de trabalho;
  • Tire todas as dúvidas que o cliente poderia ter em relação ao seu trabalho;
  • Deixe claro o que você precisa do cliente (por exemplo, aprovação de glossários ou revisão final da tradução);
  • Alinhe as expectativas que você tem do cliente como parte do processo de tradução;
  • Estabeleça os tipos de comunicações e quando e como elas vão acontecer (call via hangouts, solicitações via Whatsapp ou email etc.).

O pós-venda é uma das ações que mais fidelizam os clientes, já que mostra que você não apenas se preocupa com a execução do seu trabalho, mas também com a performance do material e os modos como você poderia melhorá-lo (dica: inclua o pós-venda no valor do seu trabalho). Um ótimo exemplo disso seria uma última revisão de prova em um material que já foi diagramado, para garantir que o texto que foi traduzido está correto do ponto de vista sintático e lexical e que não apresenta inconsistências visuais vindas da diagramação, como quebras de linha problemáticas (as famosas “viúvas” do mercado editorial).

Como você viu neste conteúdo sobre o que é tradução, trabalhar na área é interessante e pode abrir portas para mercados internacionais. Também é algo apaixonante para quem acredita que a comunicação está aí para unir culturas e proporcionar experiências únicas para públicos ainda não explorados.

Se você tem vontade de investir nessa área, temos vagas abertas para produtores de conteúdo! O processo funciona pelo nosso Banco de Talentos! Quem sabe, você pode ser a próxima referência em tradução e conteúdos multilíngues!

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