Por Luiza Drubscky

Gerente de Marketing na Rock Content.

Publicado em 16/02/2018. | Atualizado em 29/07/2019


Conheça mais uma figura de linguagem: a símile. Aprenda a identificar e utilizá-la em seus conteúdos.

Se você tem o costume de escrever com frequência — seja redações, artigos teóricos, ficção ou para a web —, você bem sabe que essa é uma atividade que requer muito trabalho, afinal, organizar nosso pensamento de modo que ele fique claro não é nada simples, ainda mais se pensarmos que escrevemos para outras pessoas lerem.

Para ajudar nessa comunicação, é interessante usar alguns recursos, como as chamadas figuras de linguagem, que são estratégias para controlar o efeito de interpretação do texto.

No post de hoje, daremos ênfase a um tipo específico de figura de linguagem, explicando o que é símile, quando e como usá-la. Vamos lá?

Definição de Símile

Como a própria definição da palavra diz, símile é aquilo que é parecido. O substantivo masculino símile é definido como o que se semelha, é  análogo ou semelhante. Ou seja, ela se refere à comparação de dois objetos distintos, mas que possuem características comuns que os aproxima, por semelhança.

A símile enquanto figura de linguagem

No âmbito da linguagem, a símile é considerada a figura de comparação explícita — uma vez que existem outros tipos que comparam também, como a metáfora e a analogia, por exemplo.

Contudo, a símile se apresenta como um recurso mais objetivo, e, para isso, o que a caracteriza e a difere das outras é o uso de conectivos para ressaltar a comparação que está sendo feita.

Conectivos de comparação

Para estabelecer esta relação de comparação, a símile pode ser estabelecida por meio da utilização de alguns conectivos. Veja alguns deles:

Comoquantopareciatal qualfeitoassim comoque nemigual a

Confira os exemplos desses conectivos sendo usados em frases:

  • Os cabelos eram escuros como uma noite sem estrelas.
  • Pele tão branca quanto a neve.
  • A moça parada, parecia uma estátua.
  • A menina era delicada tal qual uma flor.
  • De alegria, a criança pulava feito um coelho.
  • Ele era bom assim como um santo.
  • Meu coração batia forte que nem um tambor.
  • A população sofria igual a uma criança que perde um brinquedo.

Uso da símile

As comparações explícitas podem ajudar a explicar melhor o seu argumento, de modo que ele passa a fazer parte do contexto e da realidade do leitor. Nesse ponto, conhecer bem para quem se escreve o texto é importante, de modo que a comparação tenha o seu objetivo alcançado. Dessa maneira, a comparação ajuda a dar clareza ao seu ponto de vista, aumentando a compreensão do que você quer dizer.

Pensando em uma situação prática: você escrever “Ler ensina como uma escola” o sentido de ensinar será reforçado, criando mais efeito do que se estiver escrito apenas “Ler ensina” — assim como será mais claro do que “Ler é uma escola”, que funciona como metáfora. Nesse caso, a comparação é subjetiva, ou seja, o leitor pode entender algo que quem escreveu não teve a intenção (suponhamos que, se o leitor não gosta da escola, ele pode interpretar que ler é uma coisa ruim).

Uma vez que a símile é mais objetiva, já que a comparação é explícita, ela é mais indicada para textos da web do que a metáfora, por exemplo, que é mais subjetiva. Essa objetividade da símile ajuda a deixar o tom do texto mais sério, além de auxiliar no papel de convencer o leitor daquilo que você que dizer.

Quer saber mais sobre Figuras de Linguagem?
👉 Confira as 15 Figuras de Linguagem mais comuns e aprenda a usá-las!

Quando usar as figuras de linguagem?

O principal desafio, com relação à símile e outras figuras de linguagem, é detectar o momento mais apropriado para utilizá-las na construção de um texto.

É que, por se tratarem de recursos que aumentam a expressividade das suas composições, as figuras de linguagem devem aparecer em momentos específicos, nos quais possam cumprir bem essa função.

Para que o uso adequado das figuras de linguagem possa acontecer é imprescindível que você conheça bem todas elas. Catacrese, metáfora, comparação, metonímia, onomatopeia, sinestesia, antítese, paradoxo, eufemismo, hipérbole, ironia, personificação, aliteração, anacoluto, anáfora, elipse, pleonasmo, polissíndeto, zeugma e silepse são as mais populares.

Elas se dividem entre figuras de pensamento (como a antítese), figuras de palavras (como a metáfora) e figuras de construção (como o pleonasmo).

Exemplos de figuras de linguagem

A partir do momento em que você consegue identificar bem cada uma delas, saberá quando recorrer a ela para melhorar o entendimento da ideia que deseja transmitir. No início pode parecer complicado, mas em pouco tempo você se acostumará a fazer isso. A lista abaixo pode ajudá-lo com os seus significados:

  • catacrese: é usar uma palavra no sentido figurado, especialmente quando não há um termo para se referir a alguma coisa;
  • metáfora: estabelece relação de semelhança sem o emprego de um comparativo, dando a entender um significado diferente do habitual para uma determinada palavra;
  • comparação: tem o mesmo efeito da metáfora, mas sempre emprega palavras como “parecia, tal ou qual”. Por isso, a relação de semelhança que define fica mais explícita;
  • metonímia: substituição de uma palavra por outra;
  • onomatopeia: imitação de uma determinada sonoridade;
  • perífrase: uso de uma expressão comum para identificar algo ou alguém;
  • sinestesia: mistura de diferentes sensações;
  • antítese: sobreposição de palavras com sentidos opostos;
  • paradoxo: inclusão de duas ideias contraditórias em um período ou parágrafo;
  • eufemismo: suavizar uma atitude escolhendo palavras atípicas para caracterizá-la;
  • hipérbole: exagero;
  • ironia: períodos que deixam subentendidos o contrário do que se escreveu;
  • personificação: atribuir características humanas a objetos;
  • aliteração: explorar repetitivamente uma determinada sonoridade;
  • anacoluto: alterar a ordem das palavras em uma frase propositadamente;
  • anáfora: repetir intencionalmente uma expressão para reforçá-la;
  • elipse: omitir um termo que já pode ser aferido contextualmente;
  • pleonasmo: repetir uma ideia de maneira redundante;
  • polissíndeto: repetir a conjunção ao longo de uma oração;
  • zeugma: omitir um termo que já foi referenciado; e
  • silepse: concordar com um termo oculto e não o objeto da frase.

Situações em que a símile funciona bem

A símile, como todas as figuras de linguagem supracitadas, funciona melhor em alguns contextos do que nos outros. Aqui você verá exemplos dessas situações:

1. Para caracterizar um personagem

Na escrita, muitas vezes precisamos recorrer a construções frasais capazes de caracterizar o sujeito de quem estamos falando. Por causa disso você verá, com frequência, o uso da símile. É que essa figura de linguagem torna a comparação mais direta do que a que encontramos nos períodos com comparação simples.

Então, se o eu-lírico sente a necessidade de mostrar para o leitor que é muito diferente do personagem que descreve ele tende a recorrer à símile. Como no exemplo abaixo:

  • Eu sempre tive muito capricho com as minhas coisas, o que fazia com que mamãe não tivesse que se preocupar. Meu quarto estava arrumado, minhas roupas dobradas e tudo em seu devido lugar. Já meu irmão sempre foi que nem um porco. Era impossível saber sequer onde estava sua cama em meio a tanto lixo. Mas essas diferenças equilibravam nossa relação.

2. Na descrição de atributos

A símile também funciona muito bem quando precisamos descrever um atributo e, ao mesmo tempo, referenciar algo. Por isso, ela pode ser encontrada em frases como:

  • Seus olhos eram bolinhas de gude.

3. Para construir uma narrativa

O autor pode usar a símile repetidamente para frisar os acontecimentos pelos quais passa o sujeito. Isso funciona mais ou menos assim:

  • “E flutuou no ar como se fosse um pássaro” (Chico Buarque)
  • “E se acabou no chão feito um pacote flácido.” (Chico Buarque)

4. Na hora de reforçar um argumento

A símile também funciona se você precisa reforçar um argumento com uma representação visual. O autor Lô Borges faz isso na canção “Como o machado”:

  • “Espero algo mais e aprendi/A ser como o machado/Que despreza o perfume do sândalo”

5. Para comparar metaforicamente

A diferença entre uma comparação metafórica e uma comparação tradicional é que a primeira compara entre dois elementos de universos diferentes. Essa é também uma das definições que damos a símile. Então sempre que você vir frases como:

  • Gabriel é forte como um touro.

Pode assumir que trata-se desse tipo de comparação metafórica.

Exemplos de uso da símile

Para terminar, vamos lhe mostrar outros exemplos de uso da símile. Eles o ajudarão a se familiarizar com o conceito e aplicá-lo em seus próprios textos.

  • “A Via Láctea se desenrolava como um jorro de lágrimas ardentes.” (Olavo Bilac)
  • “Meu coração tombou na vida tal qual uma estrela ferida pela flecha de um caçador.” (Cecília Meireles)
  • “És um senhor tão bonito quanto a cara do meu filho. Tempo, tempo, tempo, tempo…”. (Caetano Veloso)
  • “Te ver e não te querer (…)/ É como mergulhar no rio e não se molhar / É como não morrer de frio no gelo polar.” (Te Ver – Samuel Rosa, Chico Amaral e Lelo Zanetti)
  • “Para a florista, as flores são como beijos, são como filhas, são como fadas disfarçadas.” (Roseana Murray).

Como você pode ver, a símile é uma das figuras de linguagem favoritas do poetas, cantores e autores. É graças ao seu poder de transmitir ideias com clareza, utilizando do recurso da comparação, que ela ganhou este espaço. E, por isso mesmo, que ela pode vir a calhar na hora de escrever para a web.

Agora que você entendeu o que é símile e suas vantagens no texto, que tal conhecer mais sobre as outras figuras de linguagem que citamos lá em cima? Bons estudos e lembre-se de fazer o uso consciente das figuras de linguagem daqui pra frente!

E, se quiser aprender mais, baixe nosso Guia prático de português e gramática clicando aqui.

Guia de Português e Gramática para Produção de Conteúdo WebPowered by Rock Convert

Posts populares com esse assunto