Por Ana Maria Estevam

Redatora formada em RH, apaixonada por pessoas, inovação, plantas e pela escrita.

Publicado em 18/04/2016. | Atualizado em 12/05/2020


Metáfora significa algo (meta) sem sentido (phora) e é traduzida como transposição (no caso, de sentido). Ela é uma figura de linguagem de comparação subjetiva, que aproxima dois seres ou entidades diferentes partir de uma característica semelhante deles.

Figuras de linguagem são ferramentas de comunicação que facilitam a transmissão de uma ideia a outras pessoas. Um dos recursos mais usados é o da comparação, explícita ou não, com a qual se pode analisar diferenças e semelhanças.

No caso das comparações por semelhança, a metáfora é uma figura de linguagem muito utilizada em textos técnicos e literários, bem como em expressões cotidianas. Ela ajuda a conferir riqueza e personalidade aos conteúdos, sejam eles informativos ou humorísticos.

A seguir, entenda o que é metáfora e como nós aplicamos esse conceito nos textos e em nosso dia a dia. Vem com a gente!

Conceito de metáfora

Do latim, Metáfora significa algo (meta) sem sentido (phora) e é traduzida como transposição — no caso, transposição de sentido. Ela é uma das figuras de linguagem de comparação subjetiva, que preza pela aproximação de duas coisas, seres ou entidades diferentes a partir de uma característica semelhante entre elas.

De poetas e grandes romancistas a palestrantes e formadores de opinião, o uso da linguagem metafórica se mostra uma forma eficaz de aprimorar a fala e a escrita, evidenciando pontos, características e ideias, as quais se pretende fixar na mente dos ouvintes e dos leitores.

Apesar de ser uma comparação, esta não é explícita, pois não apresenta conectivo em sua construção. A metáfora se constrói com a escolha de dois termos, um em seu sentido literal (ao qual a referência é feita) e outro no sentido figurado (por meio do qual se refere ao primeiro). Assim, o que os une é uma característica do segundo termo sendo aplicada ao primeiro.

Há também a possibilidade de substituir o termo por seu semelhante figurado. Em um texto poético, por exemplo, poderia aparecer a seguinte frase: “Aqueles diamantes olhavam para mim fixamente.” Essa seria a chamada metáfora por excelência.

A linguagem metafórica é constituída por três elementos essenciais:

  • Teor — se refere ao termo literal da metáfora;
  • Veículo — se refere ao termo figurativo e à força expressiva da metáfora;
  • Fundação — a relação entre o teor e o veículo.

Uso da linguagem metafórica

A literatura atribui ao filósofo Aristóteles os primeiros estudos e a aplicação da metáfora em obras literárias. Seu significado mais reconhecido é como um tropo literário, um recurso estético relacionado à atração entre dois termos que produzem alguma tensão no significado de um poema.

A metáfora tem uma carga poética muito grande, uma vez que ela aumenta os possíveis significados das palavras. Por não sabermos como expressar o que queremos, nos voltamos às metáforas com bastante frequência no dia a dia, como na expressão “dar murro em ponta de faca”, que significa teimar com alguma coisa que você sabe que não vai dar certo.

Também como podemos perceber a metáfora em nomes como peixe-boi, em que a comparação deu nome à espécie de um peixe que tem características semelhantes às do boi.

Metáfora e comparação metafórica

Essas duas figuras de linguagem ocorrem com bastante frequência em textos literários. Elas provocam alterações semânticas na linguagem e também são conhecidas como tropo — emprego de palavra ou expressão no modo figurativo. 

A metáfora e a comparação metafórica são muito parecidas, já que ambas fazem uso das palavras por analogia. A diferença é que, na comparação, também conhecida como símile, há o uso do conectivo entre as entidades que são aproximadas — como, assim como, tal qual, feito, que nem, etc.

Além disso, muitas vezes o aspecto semelhante é colocado em evidência. Veja a diferença abaixo:

  • O menino é forte como um touro (comparação metafórica);
  • O menino é um touro (metáfora).

A comparação metafórica é um recurso importante para os profissionais de conteúdo, principalmente na produção de storytelling. Isso porque ela permite conceituar melhor os elementos e os personagens do texto, apresentando-os de forma mais contundente e interessante para o leitor.

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Exemplos de metáfora de uso cotidiano

Se prestarmos atenção, perceberemos que, em nosso cotidiano, certamente usamos metáforas ao transmitirmos ideias ou comunicar fatos. Aliás, isso acontece de forma tão natural que nem percebemos.

Por exemplo, quando estamos com pressa e dizemos: “vou voando para casa”, o que realmente queremos dizer é que chegaremos lá o mais rápido possível, seja a pé, dirigindo ou em um transporte coletivo.

Veja alguns exemplos bem comuns a seguir:

  • Seus olhos eram diamantes — o brilho do diamante está sendo atribuído ao brilho dos olhos;
  • A menina é uma flor — a delicadeza da flor está sendo atribuída à menina;
  • O homem é o lobo do próprio homem — a posição de predador do lobo está sendo atribuída ao homem;
  • Seu coração está pegando fogo — o coração está aquecido devido a emoções fortes como a paixão;
  • Marcelo se faz de cego para essa situação — ele se recusa a entender ou aceitar o que está acontecendo;
  • Meu tio é um poço de sabedoria — ele é muito inteligente, como uma fonte inesgotável;
  • O tempo é ouro — o tempo é valioso e raro como o ouro;
  • Paula tocou o céu com as mãos — ela se sentiu privilegiada, extremamente feliz;
  • Ele me iluminou com seu conselho — ele me ajudou a entender e decidir da melhor forma sobre como lidar com uma situação;
  • João perdeu o fio da meada — ele perdeu o contexto da conversa;
  • Essa empresa precisa de sangue novo — a empresa precisa de novos membros na equipe;
  • As notícias me atingiram como pedra — elas me afetaram fortemente;
  • Ele me roubou um sorriso — ele fez com que eu sorrisse;
  • Maria chegou de cara cheia — ela chegou tão bêbada que dava para perceber pela expressão do rosto;
  • Não gosto de brincar com fogo — não gosto de me envolver em situações de perigo;
  • Ele sempre gostou de cantar de galo — ele sempre gostou de mostrar que é ele quem manda;
  • Encontramos a raiz do problema — encontramos os motivos, os fatores que causaram o problema;
  • Amanda sentiu o doce sabor da liberdade — ela se sentiu feliz por estar livre;
  • Carlos me lançou um olhar de pedra — ele lançou um olhar rígido, demonstrando insatisfação e fúria.

Metáforas visuais

Uma imagem vale mais que mil palavras, certo? E da mesma forma como podemos usar metáforas para nos expressarmos na forma escrita ou oral, também podemos utilizá-las por meio de imagens.

Nas diversas artes visuais, como peças publicitárias, quadros, fotografias e principalmente charges e histórias em quadrinhos, é bem comum encontramos a linguagem metafórica expressa por imagens.

Por exemplo, a imagem de uma pessoa presa por correntes a uma pilha de notas ou barras de ouro representa a situação de quem vive apenas para ganhar dinheiro ou deixa que o dinheiro o escravize.

Nos quadrinhos é que as metáforas visuais ficam mais evidentes e são utilizadas com muita naturalidade. Se vemos uma lâmpada acesa, sabemos logo que se trata de alguém tendo uma ideia, um coração significa amor e, se estiver partido, separação, e ovelhas pulando a cerca significa que alguém está tentando dormir.

Variações da metáfora

Embora classificadas de forma distinta na nossa gramática, algumas figuras de linguagem, que também fazem uso de comparações, são consideradas como variações da metáfora, como veremos a seguir:

  • Hipérbole: uso de expressões para indicar exagero. Exemplo: “Já repeti isso mais de mil vezes!” — para expressar que já se cansou de dizer a mesma coisa;
  • Símbolo: uso de um termo para representar ideias abstratas. Exemplo: “Entre a cruz e a espada” — a cruz pode representar a religião e a espada, a guerra;
  • Sinestesia: uso de mais de um termo para expressar a mistura de diferentes percepções sensoriais. Exemplo: “Senti seu olhar doce e quente” — o doce (paladar) pode simbolizar a ternura, e o quente (tato) a paixão;
  • Catacrese: uso de termos substitutos, por não haver uma palavra apropriada para descrever um objeto ou situação. Exemplo: “O pé da mesa se partiu” — por não haver um nome específico para a peça que sustenta a mesa, usamos “pé” como termo substituto.

Devido à sua subjetividade, a interpretação da metáfora é mais flexível, por não definir explicitamente qual característica está sendo atribuída aos termos. Dessa maneira, é preciso ter bastante cuidado ao usar dessa figura de linguagem em textos para a web, que são mais objetivos, para que a intenção do autor seja colocada com maior clareza possível.

Esperamos, com este artigo, ter esclarecido para você o que é uma metáfora, quais são suas variações e a utilidade que ela tem em nossa tão complexa língua portuguesa. Sem dúvida, o uso de linguagem metafórica enriquece muito a narrativa e não devemos deixá-la de fora dos nossos conteúdos.

Agora que você já entende bem o que é a metáfora e quais são seus diferentes usos, que tal conferir nosso Guia Completo de Português e Gramática para ter um conhecimento mais aprofundado da nossa língua? Bons estudos!

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