Por Raphael Saavedra

Jornalista, produtor de conteúdo e apaixonado por todo o tipo de informação.

Publicado em 17/10/2018. | Atualizado em 22/08/2019


Os investimentos financeiros são produtos que servem para financiar as atividades de uma empresa. Em troca desse dinheiro, ela garante uma rentabilidade (retorno financeiro) e pode oferecer outros benefícios, como a participação societária ou o recebimento de lucros pelos seus resultados positivos.

Apesar dos seus benefícios, os investimentos são uma atividade pouco explorada pelos brasileiros. O motivo principal é a dificuldade de poupar — 62,7% das famílias estão endividadas e 56% das pessoas não têm dinheiro guardado para a velhice.

Para o freelancer, que não tem um salário fixo, encontrar formas de aumentar a sua renda é essencial. O mercado financeiro oferece dezenas de produtos para multiplicar o seu patrimônio, mesmo para quem não é especialista. O desafio é organizar as contas e separar um percentual para investir.

Preparamos um material com passos práticos para você entender como funcionam os investimentos e aprender a fazer as suas primeiras aplicações. Confira!

O que é investimento?

Quando uma empresa quer construir uma estrada, mas não tem capital suficiente para custear a obra, ela precisa pegar um empréstimo. A opção principal é procurar um banco, que cobra altas taxas e não oferece as melhores condições de pagamento. Porém, ela pode ir ao mercado e captar esses recursos de outra forma.

Os investimentos financeiros são produtos que servem para financiar as atividades de uma empresa. Em troca desse dinheiro, ela garante uma rentabilidade (retorno financeiro) e pode oferecer outros benefícios, como a participação societária ou o recebimento de lucros pelos seus resultados positivos.

Na concepção mais ampla da palavra, que também serve para explicar o contexto do mercado financeiro, o investimento é uma aplicação que visa um retorno futuro. Por exemplo: se você paga quatro anos de faculdade, sua intenção é sair com uma formação suficiente para conseguir um emprego e ganhar um ótimo salário.

Na prática, o investidor vira o credor de uma instituição ou empresa, que lhe “deve” dinheiro. Pelo efeito dos juros compostos, que é a acumulação de juros sobre juros, esse valor cresce com o passar do tempo e a remuneração se torna vantajosa, porque o seu patrimônio fica maior em relação ao seu montante inicial.

Por que começar a investir?

Segundo dados da Anbima, apenas 8% da população economicamente ativa do Brasil poupou alguma quantia para investir em 2018. Por outro lado, 158 milhões de pessoas têm uma caderneta de poupança, que é considerada o investimento menos rentável do mercado.

O principal objetivo dos investimentos é ter um bom retorno, que vem da remuneração pelo empréstimo à instituição. O melhor é que esses ganhos não necessitam de suor e esforço — é daí que vem a expressão “deixar o dinheiro trabalhar para você”.

Em um país com economia vacilante, ter um dinheiro disponível para investir garante uma segurança para a sobrevivência e também é uma forma de acumular patrimônio, o que permite conquistar os seus objetivos de vida.

Separamos alguns motivos para você montar uma carteira de investimentos!

Retorno financeiro

O benefício mais simples de investir é ter um aumento de patrimônio acima da inflação, que é o aumento na média dos preços. Ao aplicar em um produto financeiro, você ganha um retorno maior do que se deixá-lo na conta-corrente, o que possibilita alcançar os seus objetivos.

Independência financeira

Quem nunca sonhou em não precisar se preocupar com dinheiro no fim do mês? Como é uma forma de aumentar o seu patrimônio, os investimentos contribuem para a independência financeira e podem, além de garantir uma renda extra, se transformar em uma fonte consistente de lucros.

Realização dos sonhos

Ao montar um plano de carreira sendo freelancer, você define objetivos, como comprar uma casa ou viajar para outro país. Realizar esses sonhos será mais fácil com uma estratégia de investimentos! Com o seu desenvolvimento profissional, o dinheiro disponível para aplicar será maior e, consequentemente, o retorno também.

Aposentadoria

Para um profissional que não tem carteira assinada, pensar na aposentadoria é fundamental. Além dos planos de previdência privada, é possível fazer um planejamento e investir em produtos financeiros de longo prazo, que rendam uma boa quantia daqui a algumas décadas.

Quais são os tipos de investimentos disponíveis no mercado?

No mercado financeiro, existem duas classificações de investimentos: renda fixa e renda variável. As suas concepções são completamente diferentes, mas isso não significa que eles disputam entre si: um portfólio pode conter ativos dos dois tipos e ter uma rentabilidade consistente.

Antes de saber como ganhar dinheiro, é importante conhecer as diferenças entre esses dois tipos para adaptar os investimentos aos seus objetivos financeiros. Lembre-se de que, quanto maior for o risco, maior será o potencial de recompensa, então, é necessário medir as suas expectativas para alocar os recursos de forma inteligente.

Renda fixa

Na renda fixa, o investimento tem uma rentabilidade predefinida — a taxa oferecida pelo empréstimo — e um prazo de vencimento. Seus rendimentos são mais previsíveis e a sua segurança é maior. O único risco é a inadimplência das instituições, o que pode ser contornado com algumas garantias.

Conheça os principais produtos de renda fixa!

  • Tesouro Direto: é um programa do Governo Federal que emite títulos públicos voltados para o pagamento de dívidas ou para a captação de recursos. É um dos investimentos mais fáceis e tem valor inicial baixo (R$ 30).
  • CDB: o Certificado de Depósito Bancário funciona como um empréstimo, no qual o investidor transfere os recursos para a instituição e ganha uma remuneração. Esses títulos têm taxas de rentabilidade e vencimento variadas.
  • LCI e LCA: as letras de crédito servem para financiar as atividades imobiliárias (LCI) e do agronegócio (LCA). O funcionamento para o investidor é similar ao do CDB, mas não há cobrança de IR.
  • Debêntures: são emitidas por empresas para financiar um projeto ou gerar fluxo de caixa. O investidor que compra esses títulos recebe uma remuneração prevista no contrato, que pode ser semestral ou no vencimento.

Renda variável

Na renda variável, o investidor funciona como um sócio das empresas e não tem garantias de recebimento. A sua principal vantagem é a possibilidade de ganhar acima da média do mercado, mas os altos riscos afastam os mais conservadores ou aqueles que não têm tanto conhecimento.

Conheça os principais produtos de renda variável.

  • Ações: são os investimentos mais conhecidos, em que a pessoa se torna sócia de uma empresa listada na bolsa de valores. Os lucros vêm da variação dos preços das ações, além da distribuição de dividendos (algumas companhias dividem os lucros com os acionistas).
  • Fundo de ações: em vez de investir diretamente na bolsa, é possível comprar cotas em fundos, em que um gestor com experiência no mercado faz as aplicações e recebe uma taxa de administração por isso.
  • ETF: são os fundos de índice (sigla para Exchange Traded Funds), que buscam seguir uma referência. Um exemplo é o BOVA11, que se espelha no Índice Bovespa (que contém as ações mais negociadas na bolsa).
  • Fundo imobiliário: o investidor dos FIIs não compra diretamente os imóveis, mas participa de um fundo que tem empreendimentos. É possível lucrar com a valorização das cotas ou com o aluguel recebido pelos inquilinos.

Quais são os melhores tipos de investimentos para iniciantes?

Investir dinheiro sendo freelancer é fundamental para aumentar o seu patrimônio e pensar em objetivos de médio e longo prazo, como uma renda extra ou uma aposentadoria. Para aqueles que nunca se aventuraram nesse mercado, a dica principal é começar pela renda fixa, que tem uma segurança maior.

O Tesouro Direto permite aplicações a partir de R$ 30 e oferece opções com prazos e rentabilidades diferentes, inclusive com resgate no mesmo dia. Como é gerenciado pelo Governo Federal, é considerado o investimento mais seguro do mercado, já que as chances de não receber os rendimentos são mínimas (só se o país “falir”).

Entre os títulos privados, as letras de crédito são uma alternativa para quem tem um valor inicial mais alto e objetivos mais longos. Apesar de a sua aplicação inicial ser acima de R$ 1 mil, essa modalidade não tem incidência do Imposto de Renda, o que possibilita ganhos interessantes na renda fixa.

Para aqueles que desejam experimentar a renda variável, os fundos de investimento são uma excelente porta de entrada. Nesse caso, o investidor não precisa conhecer a fundo a bolsa de valores; ele apenas compra as cotas do fundo preferido. A decisão sobre onde colocar os recursos fica a cargo de um gestor.

O que é preciso para começar a investir?

O primeiro passo é realizar um controle de gastos pessoais. Se você tem dificuldades para guardar dinheiro no fim do mês ou está atolado em dívidas, é necessário um planejamento financeiro para colocar o orçamento em dia. A recomendação é deixar pelo menos 10% da sua renda separada para os investimentos.

O investidor iniciante não precisa se tornar um expert em mercado financeiro, mas o conhecimento é um diferencial para encontrar as melhores oportunidades. Busque materiais de qualidade que ensinem os conceitos básicos e informe-se sobre os rumos da economia em sites especializados.

O último passo é ter uma conta aberta em uma instituição financeira. Os grandes bancos têm a sua área de investimento, mas a dica é procurar as corretoras, que oferecem taxas menores e um cardápio mais extenso de produtos. O processo é rápido e necessita apenas da confirmação de identidade. 

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Como começar a investir?

Está com as finanças organizadas, sem dívidas no banco e abriu a conta na corretora? Então, você está pronto para investir! Todas as suas aplicações podem ser feitas pela internet, sem a obrigação de se dirigir a uma agência para falar com o gerente. Os produtos disponíveis estão no site, junto com as informações.

Não existe um valor ideal para começar a investir dinheiro, mas isso impacta o alcance dos objetivos. O primeiro deles é construir uma reserva de emergência, que é o dinheiro necessário para você se sustentar por seis meses sem fonte de renda. As aplicações iniciais devem buscar esse objetivo.

Com a reserva montada, é hora de criar uma carteira de investimentos. Para o iniciante, a dica é colocar um bom percentual em produtos de renda fixa e aplicar uma pequena parte em fundos. Os prazos devem variar conforme os seus objetivos — para viajar daqui a um ano, compre títulos com 12 meses de vencimento.

Pelo site da corretora, você tem uma visão geral do seu dinheiro e pode acompanhar a rentabilidade dos produtos. Um erro comum é não analisar periodicamente a carteira, pois alguns ativos podem não ter a performance esperada e precisam ser trocados. A cada seis meses, veja se está tudo no caminho certo.

Quais são os principais termos que você deve conhecer?

Para aqueles que nunca investiram, alguns termos podem assustar. O mercado financeiro tem uma linguagem técnica, com muitos indicadores e conceitos, o que deixa os marinheiros de primeira viagem com receio de confundir alguma palavra e arriscar o seu dinheiro.

Porém, não é necessário ter medo. Algumas expressões básicas ajudam a entender todo o contexto e facilitam os seus primeiros passos dentro do site da corretora. Separamos 10 termos para você ficar de olho!

  • Portfólio ou carteira de investimentos: são as aplicações financeiras de um investidor. Depois de separar o dinheiro disponível para investimentos, ele faz a divisão em diversos produtos, que constituem a sua carteira.
  • Selic: é a taxa básica de juros do Brasil, definida a cada 45 dias pelo Banco Central. Seu valor impacta a concessão de crédito e a variação da inflação.
  • CDI: é o Certificado de Depósito Interbancário, que é o índice de referência das aplicações de renda fixa (seu valor é próximo à Selic).
  • IPCA: é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação do país. Seu percentual corresponde à variação nos preços dos produtos e pode ser medido em meses e anos.
  • Liquidez: é a possibilidade de aquela aplicação se transformar em dinheiro, sem que isso signifique uma queda de valor. O Tesouro Selic tem alta liquidez porque o capital fica disponível no mesmo dia, enquanto um CDB com vencimento de dois anos tem baixíssima liquidez, já que não pode ser resgatado a qualquer momento.
  • Rentabilidade: é o retorno do investimento realizado, que geralmente é medido em porcentagem (6% ao ano, por exemplo). Ela pode se basear em um preço fixo, ser atrelada a um índice ou variar com o preço dos ativos, como ocorre na bolsa de valores.
  • Volatilidade: é a variação no preço de um ativo, que pode ser medida diariamente ou em um período específico. Uma ação que custava R$ 10,00, teve alta para R$ 11,00 e depois caiu para R$ 9,50 é um exemplo de um produto volátil.
  • FGC: é o Fundo Garantidor de Créditos, uma instituição sem fins lucrativos que protege algumas modalidades de renda fixa (como poupança e títulos privados) em até R$ 1 milhão por CPF, respeitando o teto de R$ 250 mil por instituição, no intervalo de quatro anos.
  • Home broker: é a plataforma de negociação de ações, que pode ser acessada de qualquer dispositivo eletrônico.
  • Lastro: é a garantia de que a empresa que vendeu o título tem aquele dinheiro em caixa, para dar mais segurança à operação.

Qual é o seu perfil de investidor?

Para conseguir melhores resultados nos seus investimentos, é importante conhecer o seu perfil de investidor. Esse teste analisa quesitos como o tempo pelo qual você pretende manter as aplicações e sua disposição para correr riscos, a fim de entender quais produtos são mais indicados para o seu planejamento.

Existem três tipos de perfis: conservador, moderado e arrojado. A grande diferença é o percentual de patrimônio investido em renda fixa e em renda variável, como você verá a seguir.

Conservador

Preza pela segurança do seu dinheiro, por isso reserva a maior parte da sua carteira para os produtos de renda fixa, como o Tesouro Direto e os títulos privados. Em geral, são pessoas mais velhas que construíram patrimônio ou iniciantes no mercado que têm pouca experiência e preferem fugir dos riscos.

Moderado

É o meio-termo entre o conservador e o arrojado. Esse investidor também busca segurança nas aplicações, mas está disposto a correr alguns riscos para ter uma rentabilidade melhor. Essa pessoa já tem um conhecimento maior sobre as finanças e monta uma carteira mais versátil, com uma parcela de renda variável.

Arrojado

O investidor arrojado busca multiplicar o seu patrimônio de forma mais rápida e aceita correr riscos maiores, mesmo que isso acarrete perdas momentâneas. É uma pessoa com maior experiência no mercado e que investe em produtos financeiros mais complexos, mas também mantém uma pequena parte na renda fixa como segurança.

E aí, aprendeu o que é investimento? O mercado financeiro pode ser assustador no início, mas tem um número infinito de opções para você melhorar a sua condição de vida. Com disciplina e persistência, você será capaz de tirar uma boa renda com as aplicações sem esforços (apenas alguns cliques).

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