Por Andressa Amâncio

Redatora compulsiva, futura linguista apaixonada, mãe maluca.

Publicado em 24/02/2020. | Atualizado em 04/02/2020


Entender o que é empatia e como demonstrá-la em nossas interações é algo que traz grandes benefícios para o desenvolvimento pessoal e, principalmente, para as relações interpessoais.

Quando você discorda da opinião de alguém, qual é a sua reação? Você consegue deixar as suas convicções de lado e se colocar no lugar dessa outra pessoa por um momento? Se você não sabe o que é empatia, anote aí: é a capacidade de compreender emocionalmente o ponto de vista ou as ações do outro.

O problema é que a gente tem uma sintonia maior com nossos próprios sentimentos, interesses e/ou opiniões. Então, é mais fácil chegar à conclusão de que nós estamos certos e, os outros, errados. Mas é justamente aí que está o ponto que vamos abordar neste conteúdo.

Ser empático não significa anular os próprios sentimentos e opiniões, mas entender que eles não são os únicos em jogo. Essa postura pode trazer grandes benefícios para o nosso desenvolvimento pessoal e para as nossas relações interpessoais.

Neste post, você vai entender melhor o que é empatia e conferir as vantagens de desenvolver essa qualidade. Acompanhe!

O conceito de empatia

Como você já deve ter ouvido, “tudo é uma questão de perspectiva”. Ter empatia é saber enxergar os fatos a partir de outro ponto de vista, diferente daquele com o qual estamos acostumados ou até mesmo condicionados. Essencialmente, é validar os sentimentos e opiniões do outro tanto quanto você valida os seus próprios.

É exemplo de um comportamento empático se abrir para os argumentos do companheiro em uma discussão. Ou, então, ver uma pessoa em situação ruim e não ficar indiferente. Ainda, ser tolerante com a queda de produtividade de um colega de trabalho, pois as pressões que ele enfrenta podem ser diferentes das suas.

A grande dificuldade em praticar isso está na necessidade que sentimos de estarmos sempre certos ou de comparar os comportamentos dos outros com os que você teria na mesma situação, sem aceitar que cada pessoa é diferente. Muitas vezes, a gente se apega demais às nossas convicções e, assim, não resta abertura para a diversidade de opiniões, culturas, crenças e ideais.

A importância da empatia em nosso dia a dia

A empatia está na base de um comportamento que nos permite viver em sociedade, desde a resolução de conflitos dentro de casa até o estabelecimento de um ambiente de trabalho saudável.

Brasileiros, em especial, não se saem muito bem quando ao assunto é se colocar no lugar do outro. Pelo menos é isso o que sugere um levantamento realizado pela Michigan State University.

Os resultados mostram o Brasil como o 51º colocado em ordem de capacidade empática de seus habitantes, em uma lista com 63 países analisados. Mas por que será que é tão difícil desenvolver essa qualidade?

Quando lidamos com pessoas, estamos lidando com um turbilhão de sentimentos e opiniões. Todas as pessoas têm um acumulado de histórias, medos, batalhas, sonhos e crenças. Por causa dessa grande complexidade individual, pode ser difícil encarar a diversidade de pontos de vista.

A empatia como parte do ser humano

Imagine como seria o mundo se as pessoas nunca se colocassem no lugar do outro? Os noticiários servem para dar pequenas amostras de como seria uma sociedade sem qualquer tipo de interesse emocional por terceiros. Como a gente sabe, o ser humano pode ser bem egoísta e até cruel às vezes.

Mas a questão aqui é: por que não somos sempre assim? E por que podemos nos sentir tão comovidos com alguns casos que são noticiados, mesmo quando a vítima não tem nada a ver com a nossa vida? Segundo a Neurologia, a empatia é parte da fisiologia humana.

De acordo com a matéria do Jornal da PUC-SP, estudos mostram que algumas regiões do cérebro estão ligadas a componentes neurobiológicos que ativam a empatia. Os principais responsáveis são os chamados “neurônios espelho”, que auxiliam na nossa capacidade de espelhar e imitar respostas emocionais de outras pessoas.

Os tipos de empatia

De acordo com Paul Ekman, um psicólogo americano que é reconhecido mundialmente pelos seus estudos das emoções humanas, existem três tipos de empatia. Olha só!

Empatia cognitiva

A empatia cognitiva se refere à capacidade de entender o estado mental de outra pessoa. Ou seja, assimilar os motivos que levaram a determinada conclusão, formação de opinião ou tomada de atitude por parte do outro.

Empatia emocional

Já na empatia emocional, além de entender a perspectiva do outro, você consegue se sentir da mesma forma. Esse contágio emocional leva à preocupação com o bem-estar de outra pessoa e à certa angústia quando você imagina o sentimento dela.

Empatia compassiva

Por fim, a empatia compassiva é quando nos sentimos afetados pela perspectiva e pelas emoções do outro ao ponto de tomarmos atitudes. Ou seja, nos mobilizamos de forma prática em função da empatia.

Os benefícios da atitude empática

Há uma série de benefícios em ter um comportamento mais empático, não só para os outros, mas para a gente também. Veja alguns deles!

Ajuda a criar conexões

Com uma postura empática, fica mais fácil criar conexões emocionais com os outros. Isso ajuda a fortalecer a inteligência relacional, que diz respeito ao relacionamento intrapessoal e aos interpessoais, melhorando a convivência e contribuindo até com a vida profissional.

Auxilia na redução do estresse

Assumir um comportamento mais empático também ajuda a regular as próprias emoções — é a famosa inteligência emocional. Com isso, dá para gerenciar melhor as reações e as atitudes e solucionar conflitos da melhor forma, o que ajuda a reduzir o estresse em muitas situações.

Promove melhores relações interpessoais

Como você viu, o ser humano é fisiologicamente capaz de replicar os sentimentos dos outros. Dessa forma, sua postura empática pode gerar respostas também empáticas dos que estão à sua volta. O resultado? Relações interpessoais muito mais saudáveis, em todos os setores da sua vida.

O desenvolvimento da empatia

Para ter um comportamento mais empático em situações de discordância, algumas práticas podem ser adotadas no diálogo, como:

  • Ter uma escuta sensível, ou seja, um real interesse pelo que o outro tem a dizer;
  • Manter um diálogo empático, com frases como “entendo o seu ponto de vista” ou “compreendo o que você quer dizer”;
  • Ter uma abertura verdadeira para críticas construtivas;
  • Construir feedbacks humanizados na hora de apontar pontos de melhoria;
  • Fazer contato visual;
  • Saber interpretar a linguagem não-verbal do outro.

Além de saber compreender o outro, se posicionar de forma a ser compreendido é igualmente importante e difícil. Explicar o nosso ponto de vista de forma clara e coerente, sem imposições, é a chave para alcançar o outro no discurso. Enfim, é preciso saber argumentar, e não apenas levantar bandeiras.

Agora que você sabe o que é empatia e quais são seus impactos no nosso dia a dia, que tal focar no desenvolvimento dessa qualidade? Acredite: assim como muitas habilidades que nos ajudam a ser melhores nos relacionamentos pessoais e profissionais, ter um comportamento mais empático é questão de prática.

Gostou do conteúdo? Então, leia também sobre o que é o autodesenvolvimento e conheça outras qualidades que podem ajudar você a construir relações mais saudáveis, inclusive consigo mesmo!

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