Por Monique Gomes

Jornalista certificada em marketing, feminista, cinéfila e livre de glúten.

Publicado em 09/12/2019. | Atualizado em 04/12/2019


Estudos afirmam que música e criatividade são os ingredientes certos para manter a mente focada e produtiva. Para entender como isso acontece, conheça os tipos de criatividade, saiba como a música afeta o cérebro, entre outras dicas úteis para a sua carreira.

Sabia que o gênio Albert Einstein usava a magia da música para aumentar a eficiência da resolução de problemas? Ele via isso como parte do processo de trabalho. Hoje, sabemos que música e criatividade é uma mistura que dá muito certo.

Afinal, existem várias razões possíveis pelas quais a performance musical resulta em avanços criativos. Algumas estão relacionadas a estudos sobre o ruído e a audição musical: distração construtiva, incentivo à descontração e excitação positiva do humor.

Neste post, vamos falar dos 4 tipos de criatividade, segundo o neurocientista Arne Dietrich, como a música afeta o cérebro, qual o tipo musical adequado para estimular a produtividade e outras dicas. Boa leitura!

De qual criatividade estamos falando? 

A criatividade exerce diferentes papéis com características únicas, como você vai ver a seguir.

1. Deliberado e cognitivo

É o tipo de criatividade que vem do trabalho sustentado em uma disciplina. Por exemplo: Thomas Edison, o inventor da lâmpada elétrica, foi criador deliberado e cognitivo. Executou um experimento após o outro antes de produzir a invenção. 

Além da lâmpada, ele também inventou o fonógrafo e a câmera cinematográfica. Uma de suas citações mais conhecidas é: “Eu não falhei. Acabei de encontrar 10.000 maneiras que não funcionam.”

A criatividade deliberada e cognitiva vem do córtex pré-frontal (PFC) no cérebro. O PFC permite que você faça duas coisas: prestar atenção e criar conexões entre as informações armazenadas.

Ou seja, para que a cognitiva deliberada aconteça, é preciso ter um acervo de conhecimento sobre um ou mais tópicos específicos. 

2. Deliberado e emocional

Se você já teve uma crise pessoal, motivada por término de relacionamento (quem nunca?), demissão, falência ou outras situações e depois recebeu um turbilhão de insights sobre si mesmo, sucedido por uma avalanche de decisões, pode ter experimentado a criatividade emocional deliberada. 

Esse tipo também envolve a participação do córtex pré-frontal. Mas, em vez de focar a atenção em uma área específica de conhecimento ou experiência, as pessoas envolvidas têm momentos de descoberta no estilo “a-ha!” relacionados a sentimentos e emoções. 

3. Espontâneo e cognitivo

Você já trabalhou em um problema que parecia não ter saída? Muitas vezes, estamos tão focados em resolver algo que não visualizamos as soluções mais simples. Aí, na volta do almoço ou depois de uma pausa, de repente, temos uma ideia incrível.

A história sobre Isaac Newton pensando em gravidade enquanto assistia uma maçã cair é um exemplo de criatividade espontânea e cognitiva. Observe que é preciso ter um certo conhecimento acumulado, pois ele tinha informações prévias acerca da gravidade quando a fruta caiu. Essa é a parte cognitiva.

4. Espontâneo e emocional

A amígdala é um aglomerado heterogêneo de núcleos neurais localizados no lobo temporal onde as emoções básicas são processadas. Ela desempenha um papel importante no planejamento comportamental, incluindo memória, atenção e interpretação dos estímulos sensoriais. Quando o cérebro consciente e o PFC estão descansando, é possível que surjam criações espontâneas. 

Esse é o tipo de criatividade que você tem quando pensa em grandes artistas e músicos. Muitas vezes, esse momento é bastante poderoso, como uma epifania ou experiência religiosa. Não há conhecimento específico necessário (não é cognitivo), mas existem habilidades (escrita, artística, musical) necessárias para a criação.

Como a música afeta o cérebro?

Um estudo de 2017 na revista Plos One descobriu que ouvir música “feliz” ajudou as pessoas a se saírem melhor em tarefas que envolviam pensamento “divergente”, que é um componente essencial da criatividade. 

Mas, afinal, o que quer dizer música “feliz”? Podemos até pensar que é aquela canção que nos deixa alegres, mas não é exatamente assim. A definição se aproxima de algo mais otimista ou estimulante.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram 5 grupos. Um deles trabalhou com música de alta valência e excitação positiva, definida como feliz. O segundo usou efeito negativo e de baixa excitação, enquanto o terceiro experimentou som de baixa excitação positiva, definido como calmo.

O quarto grupo explorou a música de baixa excitação negativa, mais conhecida como triste. O último estava no controle e foi composta por pessoas que permaneceram em total silêncio. 

Todos passaram por testes para comprovar os pensamentos convergente e divergente. O ponto convergente foca no que existe em comum ao usar informações existentes para encontrar a resposta. Já o divergente é quando uma pessoa gera novas ideias ou apresenta diversas soluções para um problema.

Pois bem. As pessoas que ouviram música alegre tiveram notas mais altas nos testes de pensamento divergente, mas não no pensamento convergente, que tem uma relação mais forte com a criatividade cognitiva. 

É difícil afirmar se a música estimula o poder criativo de todos, pois vai depender do tipo de trabalho executado. No entanto, geralmente a otimista funciona bem para quem precisa produzir coisas criativas.

Existem outras teorias. Pesquisas mostraram que ouvir música pode diminuir a ansiedade e melhorar o humor. Essas mudanças, claro, ajudam a alimentar as ideias criativas. Manter o bom humor no dia a dia sempre traz algo positivo, não é mesmo?

Mas, posso usar qualquer estilo musical para estimular a criatividade?

A música mais animadinha é ideal, mas cuidado para não abusar. Se você ouvir um som pra lá de alegre, vai acabar afastando os móveis do escritório e começar a dançar como se não houvesse amanhã. Assim, em vez de criação o que vai acontecer é a procrastinação

Muitos efeitos benéficos da música no cérebro não se limitam a nenhum gênero. Se você está ouvindo o estilo suave de jazz de Billie Holiday em vinil, os clássicos de Paul McCartney no YouTube ou sons instrumentais no Spotify, saiba que estilos diferentes podem produzir os mesmos resultados, desde que estejam alinhados com suas preferências.

Por fim, cada pessoa pode desenvolver uma abordagem para trabalhar e adotar o estilo mais agradável.  

Então, como fazer a mágica acontecer entre música e criatividade? 

Aqui estão algumas sugestões para você montar a sua lista de reprodução de criatividade.

Procure melodias familiares 

Ouvir músicas de gêneros ou artistas conhecidos relaxa porque representa pouca estranheza ao desconhecido. Caso contrário, a mente é desafiada a entender o que o cantor está interpretando. 

Emoções positivas facilitam a formação de ideias, enquanto as negativas favorecem o pensamento analítico. Portanto, encontre músicas que deixem você de bom humor. 

Escolha o ritmo ideal para você 

Descubra o que é mais eficiente: música instrumental, sons da natureza, jazz, ópera em outros idiomas, MPB ou outro tipo. Tudo vai depender das suas preferências pessoais, se está usando música para iniciar uma sessão criativa ou como segundo plano da atividade em andamento.

Use o volume com moderação

Os pesquisadores que descobriram a influência positiva do ruído na criatividade afirmaram que os participantes aumentaram suas notas nos testes apenas quando a trilha sonora tocava em 70 decibéis. As trilhas sonoras mais altas interferiram no funcionamento cognitivo básico. Então, modere o volume do som.

Viu como música e criatividade são a combinação perfeita para produzir trabalhos incríveis? O que está esperando para criar uma playlist especial para trabalhar, hein?

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