Por Anelise Margotti

Mãe, mulher, amiga, dona de casa, empreendedora estudante, curiosa incansável e freelancer com orgulho.

Publicado em 08/10/2017. | Atualizado em 09/04/2020


O real objetivo do uso da linguagem coloquial é aproximar o discurso com a realidade do leitor. No entanto, é preciso equilibrar isso com a mensagem de profissionalismo e autoridade sobre o que está sendo dito. Difícil? Aprenda agora como fazer isso.

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Se você é como a maioria das pessoas, provavelmente, altera seu jeito de escrever dependendo do destino de seu conteúdo. Uma mensagem para um grupo do WhatsApp tem um aspecto muito diferente de um e-mail que você mandaria para um professor da faculdade, por exemplo. A linguagem usada nesta última situação poderia ser classificada como “formal”, enquanto a outra adquire um aspecto mais informal.

Com a redação online, não é diferente. Afinal, para garantir que a comunicação com seu leitor tenha sucesso, o ideal é falar a língua dele. Por isso, muitos blogs prezam por um estilo de escrita mais amigável e descontraído.

Ao contrário do que muita gente pensa, a linguagem coloquial não é gramaticalmente “errada” e pode ser utilizada sem nenhum problema, desde que seja aplicada da maneira correta em situações específicas. Neste post, você vai descobrir quais são elas!

Quais as diferenças entre linguagem coloquial e linguagem culta?

Alguns fatores, como a persona, o contexto e o objetivo da mensagem, influenciam diretamente na escolha da linguagem. Por isso, nenhuma variação linguística é certa ou errada. O que você deve pensar é se ela é adequada ou inadequada.

A linguagem coloquial, que anteriormente era indicada apenas para transmitir uma mensagem oral, atualmente pode ser usada sem medo na escrita, para atrair um público mais jovem, antenado e em busca de experiências mais customizadas. Apesar dessa liberdade de expressão da linguagem, é muito importante saber diferenciá-las, para evitar problemas na comunicação e na produção textual. Então, veja algumas características mais marcantes de cada uma delas:

Linguagem coloquial

  • Forma de linguagem mais espontânea;
  • Utilizada em situações informais, para se comunicar com personas jovens, se aproximar do leitor, ressaltar a variedade regional ou adequar o estilo ao contexto em que o texto será inserido;
  • Não segue as regras da gramática normativa;
  • Presença de expressões orais (coloquialismos);
  • Possibilidade de inclusão de gírias e estrangeirismos (“demos um rolê pela city essa tarde.”);
  • Uso de formas reduzidas ou contraídas (procê = para você)
  • Substituição de palavras (a gente = nós);
  • Uso de interjeições;
  • Articulação de ideias por meio de expressões e palavras (ai, então, etc.).
  • Exemplo: Como cê tá? Poxa vida! Tô atrasadaço.

Língua culta

  • Indicada para situações mais formais e na escrita de documentos oficiais;
  • Uso da norma culta e preocupação com a pronúncia correta das palavras;
  • Ausência de coloquialismo, gírias, palavras reduzidas, contraídas etc.
  • Variante prestigiada e padrão.
  • Exemplo: Como você está? Estou extremamente atrasado!

Quando usar a linguagem coloquial nos textos?

A linguagem coloquial é mais usada nas conversas e por isso faz parte da rotina de todas as pessoas, em todo o mundo. Passou a ser mais aceita nos textos com o uso da Internet, o crescimento das redes sociais e aplicativos de mensagens, além da necessidade de o leitor sentir maior familiaridade com o conteúdo recebido pelo e-mail ou acessado em sites. Em algumas situações a linguagem coloquial pode ser usada sem medo. Confira a seguir.

Sua persona é jovem

Alguns produtores de conteúdo experientes recomendam que você recorte a descrição da persona para a qual escreve e cole na parede. Essa brincadeira tem bastante sentido por causa de um fato simples: se você sabe quem a sua audiência é, então estará apto para redigir o que ela deseja ler.

Essa constante lembrança sobre o perfil do seu público pode ajudar você a encontrar a linguagem mais compatível para expressar (de forma direta e indireta) a personalidade da marca que disponibiliza aquele texto. Quando a comunicação de ambos é bem alinhada, seu conteúdo terá o poder de prender a atenção da persona.

Por isso, se o seu público-alvo for predominantemente jovem (de pré-adolescentes a jovens adultos) com uma personalidade mais moderna e “descolada”, pode não ser interessante utilizar uma linguagem cheia de termos técnicos e palavras rebuscadas, a não ser que você deseja que os leitores associem sua marca à ideia de profissionalismo e formalidade.

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Dica para escrever melhor

Se o perfil da sua persona e imagem da marca do cliente permitirem, o ideal é se comunicar da forma mais simples possível, reduzindo o uso desnecessário de frases complexas. Afinal, por que escrever “executar” se é possível usar a palavra “fazer” para transmitir o mesmo significado?

A personalidade de seu cliente é mais descontraída

“Conteúdo cria relacionamentos, relacionamentos são baseados em confiança. Confiança traz receita”. Essa frase de Andrew Davis retrata uma nova tendência de marketing, que convida o cliente a interagir com a marca como se estivesse se relacionando com um amigo próximo.

Alguns nomes conhecidos do mercado, como Enjoei, Imaginarium e Quem disse, berenice? inovam ao apostar na linguagem coloquial com uma abordagem mais despojada e espontânea, com o objetivo de criar uma aproximação mais descontraída com seus consumidores e potenciais clientes.

A tendência é que cada vez mais marcas se tornem adeptas a essa linguagem bem humorada, marcada pelas referências à cultura pop, ditados populares, estrangeirismos, gírias, boas sacadas e até trocadilhos. Ainda assim, é preciso conhecer bem o briefing de seu cliente para saber se o perfil daquela empresa condiz com essa postura ou não.

Dica para escrever melhor

Para aderir a linguagem coloquial desse tipo, você precisará de uma boa dose de criatividade. Inspire-se em bordões da Internet, frases engraçadas e situações que sejam parte do cotidiano de seus leitores. Além de humanizar a relação com eles, você ainda conquistará sua confiança ao fazer com que se identifiquem com aquela marca.

Piadas e trocadilhos podem aparecer, mas é importante ter bom senso. Lembre-se que seu objetivo é transmitir uma mensagem relevante e útil com seu conteúdo, não apenas entreter a sua persona.

O objetivo é gerar mais proximidade com o leitor

Alguns tipos de textos, principalmente os que falam sobre beleza, carreira, saúde e comportamento requerem um diálogo mais informal com o leitor para que ele se sinta familiarizado com o conteúdo e entenda que aquela marca é feita por pessoas, e não máquinas.

O mais recomendado para estes tipos de situações é utilizar um tom de conversa ao apresentar seus argumentos. Nesse contexto, a linguagem coloquial é uma boa aliada para despertar a empatia, capaz de suscitar uma reflexão mais humanizada do leitor sobre os temas propostos no seu conteúdo.

Dica para escrever melhor

Ainda que você utilize uma abordagem informal, é preciso eliminar a possibilidade de erros ortográficos ou gramaticais no seu texto. Afinal, a adoção da linguagem coloquial não deve contrariar as regras tradicionais da norma culta, e é bem diferente de escrever como se você estivesse falando (literalmente) com seu consumidor.

O texto permite a expressão de suas opiniões pessoais

É possível que algumas oportunidades de produção de conteúdo não apenas possibilitem como incentivem a inserção do ponto de vista pessoal de seu autor para que o texto não acabe com um caráter muito didático ou monótono.

Nesses casos, saiba que é possível ser informal e profissional ao mesmo tempo. A criação de um bom conteúdo opinativo pode funcionar como uma conversa imaginária, na qual o redator pensa nas questões que sua persona tem a fazer e as responde de forma simples e sucinta, sem deixar que a seriedade excessiva tome conta da credibilidade de suas informações.

Dica para escrever melhor

A parte mais divertida de escrever um texto usando a linguagem coloquial é ter liberdade para não permitir que o conteúdo acabe muito quadrado, ainda que esteja redigindo um texto instrutivo ou profissional. Toques sutis de humor e expressões de senso popular são bem-vindas, se o pitch do cliente assim o permitir. Na dúvida, sempre é melhor manter a moderação para que seu trabalho não perca o equilíbrio.

É necessário ressaltar a variedade regional

O regionalismo foi muito usado na literatura brasileira até o final do século 20 por escritores como Érico Veríssimo e Guimarães Rosa. A variação de pronúncia, vocabulário, sintaxe e morfologia, que evidenciam as particularidades de uma região geográfica, pode ser usada nos textos com o intuito de retratar características específicas e tornar a leitura mais agradável ao interlocutor daquela localidade.

Dica para escrever melhor

Utilize palavras próprias da região para substituir outras de mesmo significado. Também pode ser interessante escrever algumas partes do conteúdo conforme o dialeto local, por meio do uso de expressões comuns ao interlocutor. Por exemplo, optar por “bater a caçuleta” em substituição das variações da palavra “morte” ou “arretado” no lugar de “muito bom”.

Como usá-la da melhor maneira nos textos?

Redigir um conteúdo com a linguagem coloquial é mais difícil do que imaginamos. Isso, porque nunca sabemos o que pode ser usado sem causar estranheza, perder a coesão ou ferir as regras da gramática normativa. Isso também depende do veículo ou plataforma em que o texto será divulgado.

Escrever um texto para WhatsApp, por exemplo, certamente não gerará dúvidas quanto ao uso de palavras e expressões informais. Mas, ao escrever um blogpost é preciso atentar-se para outras questões, como a idade ou demanda da persona.

Além disso, as regras de gramática e ortografia são válidas da mesma forma, mesmo que o texto seja criado com o intuito coloquial, e o uso de regionalismos e gírias devem ser controlados de forma a não prejudicar aqueles que não entenderiam seu significado: na Internet o texto sempre deve ser abrangente, já que estará disponível para leitores do mundo todo!

Apesar disso, existem técnicas que ajudam a transformar qualquer texto sem prejudicar o entendimento e deixá-lo exagerado. Confira algumas a seguir.

Evite palavras de difícil entendimento

Algumas palavras são mais rebuscadas que outras e isso pode ser um grande empecilho para tornar seu conteúdo informal. Perceba como essa frase muda quando trocamos algumas dessas palavras:

Algumas palavras são mais “difíceis” que outras e isso pode ser um grande problema para tornar seu conteúdo informal.

Você percebe a diferença? Então, ao reler o texto, busque substituir todas as palavras e termos que podem confundir os leitores por outras mais simples, que além de serem mais fáceis de entender ainda deixam a leitura mais fluída.

Use frases que permitem maior interação

A interação aproxima o leitor, chama sua atenção e possibilita maior participação (o que aumenta a efetividade do CTA — Call to Action). Por esse motivo, textos informais na Internet podem converter o lead com mais facilidade que o conteúdo formal. Experimente saudar o leitor, sempre usar exemplos para facilitar o entendimento da ideia e fazer perguntas retóricas ao longo do texto.

Opte por um tom mais pessoal

Outra forma eficiente de aproximar o leitor é mudar o discurso para a 1ª pessoa (do plural ou do singular) ou se referir ao leitor pelo uso do pronome “você”.

Utilize expressões e intertítulos bem-humorados

A escrita criativa é um dom e essa liberdade de poder usar expressões bem-humoradas pode transformar o texto sem que você precise usar gírias e coloquialismos. Brincar com os intertítulos também é válido e isso pode ser feito por meio de metáforas, por exemplo. Além de descontrair e chamar a atenção, isso dá mais personalidade ao texto. Fique atento apenas com o volume de piadas: o humor deve ser usado com bom senso para evitar o constrangimento do leitor.

Como você pode perceber, a linguagem coloquial está longe de ser uma inconveniência na produção de conteúdo online. A verdade é que ela pode, inclusive, atuar como uma tendência em estilo de transmissão de ideias, para que elas promovam um maior engajamento com seu público e sejam fáceis de entender nesse ambiente.

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