Por Autor Convidado

pelo blog da Comunidade Rock Content.

Publicado em 05/03/2019. | Atualizado em 28/02/2019


Qualquer tipo de leitura ajuda quem pretende viver de escrita. Ficção, não-ficção, autoajuda, texto técnico. Não há regras. Também não há regras quanto à fonte: pode ser jornal, revista, livro, internet.

Se você perguntar a qualquer escritor de sucesso qual é o principal segredo da boa escrita, ele responderá que não existe segredo – o que existe é outra coisa, chamada técnica. Uma coisa que, se você parar pra pensar, o médico de sucesso também deve ter, o medalhista olímpico certamente tem, o melhor jogador de futebol do mundo demonstra ao vivo e a cores.

O que muda é só a forma de adquirir esse conhecimento. O médico vai para a universidade, o atleta olímpico treina, o jogador joga. E o escritor? O escritor lê. A ferramenta de desenvolvimento técnico do escritor é a leitura. Quanto mais, melhor.

Você pode não querer escrever um romance, um roteiro, uma novela. Tudo bem. Mas, se é redator, você escreve – e, por isso, precisa ler. Se quer ser redator profissional, copywriter ou storyteller, ler é sua primeira tarefa do dia. E, se tiver foco, também será a última.

Mas o que ler? Aí vai depender do que você gosta.

Qualquer tipo de leitura ajuda quem pretende viver de escrita. Ficção, não-ficção, autoajuda, texto técnico. Não há regras. Também não há regras quanto à fonte: pode ser jornal, revista, livro, internet. Desde que pouse os olhos em orações ordenadas dentro de um esquema com início, meio e fim, você estará fazendo bem seu trabalho de redator e/ou escritor.

O ato da leitura gera repertório. Quando vira um hábito, você não só aprende novas palavras, e como encaixá-las em diversos contextos, mas também como usar corretamente as propriedades da língua em que escreve. Ler muito te faz notar, por exemplo, se eu estou utilizando um gerúndio desnecessário para falar uma coisa óbvia ou se gente mas o que é isso alguém esqueceu uma vírgula aqui ou várias.

Se não doer muito, como um derrepente, ou fritar o cérebro por não fazer sentido, os erros podem nem ser notados por alguém que não lê, embora essa pessoa consiga sacar que algo não está certo, embora não saiba explicar muito bem o que. Mas, para quem lê, não passa nada: o texto vira um pente de impressões que serão revisadas, reclamadas, ditas.

E sabe qual é a principal diferença entre um texto bem escrito e um em que você percebe, de cara, que não foi feito por um bom redator? A intenção de leitura. Quando um texto ruim para nas mãos de alguém, a pessoa pode até começar a lê-lo, mas para, fecha a aba e esquece para sempre o que estavam lendo. Tudo bem para quem só escreve para se divertir, tudo mal para quem precisa vender pelo blog post.

Essa é a importância que a leitura em demasia tem para quem escreve.

Se o que você quer é um futuro onde cheques possam ser descontados porque seu trabalho de redator foi bem feito, comece, desde já, a adquirir o hábito de ler muito. Se você já faz isso, leia mais! Não há limites para a excelência. Quanto mais leitura, mais repertório.

3 obras para escrever melhor

Diferentemente de outras áreas, em que o conhecimento técnico pode ser pesado e tedioso, o mundo de quem vive das palavras tem opções excelentes de “métodos de ensino”. Além de blogs como esse, que podem te ajudar a absorver novas ideias e buscar o brilhantismo do seu trabalho, muitos autores consagrados resolveram nos mentorar pelo preço de capa de seus livros.

Separei para você os que mais me ajudaram a trilhar o caminho da escrita nos últimos anos. Dá pra fingir que nunca se deparou com esse post de blog e sair de fininho, para não ler nenhuma das sugestões? Dá. Sua vida vai ser melhor desse jeito? Aposto que não.

Sobre a escrita (Stephen King)

Um dos romancistas mais famosos de todos os tempos relutou em escrever um livro chamado Sobre a escrita porque não sabia como poderia ajudar alguém a escrever. Quando fechar a última página dessa obra de arte, verá que trata-se de modéstia descarada.

King é, na essência da palavra, um rei. Ele passa pelo seu próprio histórico para explicar como gerar valor no escrito, ensina técnicas gramaticais (para quem escreve em inglês, são certeiras) e demonstra, na prática, como escrever melhor. Leitura obrigatória para todo mundo que ousa abrir o Word.

Você aprende que…

“Para escrever com o máximo de suas habilidades, convém construir sua própria caixa de ferramentas e depois trabalhar a musculatura para carregá-la com você. Assim, em vez de topar com um trabalho difícil e desanimar, talvez você saiba pegar a ferramenta certa e partir para o trabalho imediatamente.

(…)

As ferramentas mais comuns ficam em cima. A ferramenta mais comum, o pão da escrita, é o vocabulário. Nesse caso, você pode guardar alegremente o que tem sem qualquer traço de culpa ou inferioridade. É como a puta disse ao marinheiro tímido: ‘não é o que você tem, amorzinho, é como você usa’”.

Roube como um artista (Austin Kleon)

Austin Kleon aparece na sua frente para te fazer enxergar que não há nada errado em beber de várias referências, apoderando-se de ferramentas de estilo para criar o seu próprio. Desde que, claro, você crie o seu próprio.

Em Roube como um artista, que pode ser lido no intervalo do almoço, o escritor e designer estabelece as diferenças entre os tipos de roubo – o bom é aquele que se torna quase uma homenagem a quem te inspirou a “roubar” – e plágio. Ele também mostra como a tecnologia pode atrapalhar a criatividade e expõe as melhores maneiras de não deixar que isso aconteça.

Lembre-se: um bom redator é aquele que escreve textos criativos e envolventes. A imaginação é sua principal ferramenta de trabalho.

Você vai aprender que…

“Uma vez escutei um colega de trabalho dizer: ‘quando fico ocupado, fico idiota’. Totalmente de acordo. Pessoas criativas precisam de tempo para sentar e não fazer nada”.

Magia e Técnica, Arte e Política (Walter Benjamin)

Você vai ver esse autor muitas vezes em contexto acadêmico, uma vez que ele é importante para a compreensão da comunicação contemporânea. E, se der uma chance ao bom e velho Benjamin, ele te ajudará a entender melhor o contexto de mundo para o qual você escreve.

A criatividade e a boa escrita são fundamentais, mas um profissional excelente também se dedica a estudar – no amplo sentido do termo – o impacto que sua comunicação tem no público que quer atingir. O título entrega exatamente o que promete: insights sobre magia, técnica, arte e política, tudo isso relacionado ao ato de comunicar.

Às vezes o texto fica muito específico, como quando Benjamin fala da reprodutibilidade técnica nas obras de arte, mas você não precisa ler o livro de cabo a rabo. Separe os capítulos que vão ao encontro do seu interesse e mergulhe neles.

Posso te contar um segredo? Parece chato, mas o livro é ótimo.

Você vai aprender que…

“O texto literal da escrita é o único e exclusivo fundamento sobre o qual pode formar-se o quebra-cabeça. O contexto significativo contido nos sons da frase é o fundo do qual emerge o semelhante, num instante, com a velocidade do relâmpago. Mas, como essa semelhança extrassensível está presente em todo ato de leitura, abre-se nessa camada profunda o acesso ao extraordinário duplo sentido da palavra leitura, em sua significação profana e mágica”.

Estão aí minhas dicas de hoje, mas tem muito mais de onde essas três saíram. ;p

Para falar mais sobre escrita criativa, literatura e como juntar as duas coisas, visite o Literama. Lá eu falo, de segunda a sexta, sobre essas duas paixões que, além de me fazerem muito feliz, também pagam minhas contas.

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