jornada do idiota

Homem de ferro: jornada do herói ou do idiota?

A Jornada do Herói é conhecida por todos os amantes do Marketing e do Storytelling. Mas já ouviu falar na Jornada do Idiota? Veja como ela foi usada em Homem de Ferro!

Não é difícil chamar Tony Stark — ou, Homem de Ferro, se preferir — de um completo idiota. A lista de defeitos desse herói da Marvel é extensa.

Vamos lá, lista aqui comigo: ele é um vendedor de armas que nem sequer avalia quem são seus compradores, é um playboy americano que tem um vício por bebidas, ostentador, sarcástico, mulherengo e inconsequente.

Precisamos lembrar também que ele veio com aquele papo de Lei de Registros de Super-Humanos nos eventos da Guerra Civil do universo da Marvel, lembra? Pois é. Ainda bem que o Capitão América gritou “é cilada, Bino!” para a galera e conseguiu livrar alguns amigos da furada.

Por tudo isso e mais um pouco, Tony Stark poderia sentar no cantinho do pensamento eternamente com um looping do tempo do Dr. Estranho. Mas, ainda assim, não temos como negar que existe um carinho inexplicável por esse crush da Pepper Pots, não é mesmo?

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Isso tem uma explicação simples: empatia e identificação. Nós, recorrentemente, nos vemos fazendo besteiras, tomando decisões erradas, passando vergonha nas baladas entre outras coisinhas, né? Assim como ele.

E, adivinha só? Essa vida errante é uma baita estrutura de storytelling que pode ser chamada de jornada do idiota!

Se estava cansado de ler sobre a jornada do herói, se ligue neste post porque vou mostrar outra estrutura de storytelling e lhe contar qual o tempero que faz um personagem como o Tony Stark ser tão amado.

Estamos falando da versão dos quadrinhos ou cinema?

Aqui precisamos deixar as coisas claras, afinal de contas, as versões do cinema para as histórias dos heróis não são iguais as dos quadrinhos. Lá pelas tantas nas revistas do Homem-de-ferro, por exemplo, é relevado que ele é adotado. Oi? Você sabia disso?

Alguns fãs da Marvel não curtem essas adaptações, mas outros, como eu, acham que elas são necessárias para tornar as continuações possíveis. Além do mais, ver Robert Downey Jr. dando vida a Tony Stark não tem preço.

Então aqui, vamos de filme mesmo, ok?

Que papo é esse de chamar o Homem de ferro de idiota?

Já elenquei os motivos para chamar o personagem de idiota, mas a verdade é que o termo é melhor aplicado à jornada que ele vive para se tornar o Homem de ferro.

O início da história é um compacto de todos os vacilos do grande Tony Stark, começando por seu desprezo pelos compromissos que devia cumprir e deixando seus parceiros na mão.

Ao mesmo tempo, o filme intercala com flashes da ida do executivo ao deserto para uma demonstração do poder de suas armas. A cena que mostra Tony tomando uísque enquanto militares questionam sobre quais modelos de capa de revista ele já namorou é clássica.

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Nos primeiros minutos do filme, ele ainda contesta uma jornalista, depois tem um namorico com ela, e, por fim, se recolhe a sua oficina ultra moderna sem nem dar tchau para a mocinha.

Se não soubéssemos sobre quem era a história, é muito provável que não tivéssemos nenhuma simpatia por aquele personagem, só a conclusão óbvia de que ele era, sim, um idiota.

E é aí que entra o choque de realidade?

Sim, é bem ali, no deserto. Quando ele é sequestrado por terroristas que o obrigam a construir suas armas de destruição mais poderosas em troca de sua liberdade.

Na emboscada, inclusive, é onde sua vida fica por um fio, e o Reator Arc, aquele circuito no peito da sua armadura, é apresentado ao público.

Durante seu cativeiro, Tony descobre que suas armas também eram adquiridas por terroristas e, claro, que as razões e formas que eles as usavam não eram nem um pouco corretas.

Que choque de realidade, minha gente! Ter uma experiência de quase morte, estar nas mãos de bandidões que claramente não vão te soltar quando tiverem o que precisam e ainda descobrir que seus produtos tiram a vida de pessoas inocentes e indefesas?

Para arrematar o tour reflexivo, ainda entra na história o simpático Professor Yinsen que o ajuda na construção de sua primeira armadura sempre dando esperança ao dizer que, ao sair dali, encontraria sua amada família.

Ou seja, ele é o mentor, que também está presente na jornada do idiota. E, nessa passagem, se sacrifica por Tony dizendo que é justamente morrendo que encontrará sua família. Que exemplo de redenção, que homem, que injeção de ânimo!

E quando o idiota vira herói?

Saindo da caverna, Tony Stark está mais zangado que o zangado dos sete anões, então, detona todos os terroristas, coloca fogo em todos seus armamentos e ainda empodera os moradores locais ao permitir que eles ensinassem uma lição para um dos sequestradores.

Ele consegue fugir, ser resgatado, mas a partir daquela experiência, nunca mais volta a ser o mesmo. Agora, o ex-idiota se importa com a humanidade, e percebe que, mesmo com todos seus tropeços e vícios, precisa colocar sua inteligência, fortuna absurda e mais nova arma a serviço das pessoas de bem.

A partir daí, ele faz um upgrade supimpa na armadura, ainda dá umas tropeçadas deixando o exército americano maluco com seu voo na velocidade da luz, mas, agora, com um propósito de vida altruísta.

E por que amamos tanto esse idiota?

Como você e eu sabemos, a história não para por aí. Ele ainda enfrenta outros bandidos, descobre que o melhor amigo de seu pai estava por trás de seu sequestro, envolve a Pepper Pots na trama, tem um momento de crush com ela e tudo mais, certo?

Tudo isso é maravilhoso para duas explicações importantíssimas sobre o storytelling.

Existem várias histórias em uma só

É muito comum ao pensarmos em construir um storytelling de uma empresa ou cliente que ela precisa abordar todos os seus acontecimentos, e aí, fica difícil condensar em poucas palavras. Na verdade, quando fazemos isso, o enredo não passa de uma sequência de fatos.

Para que ela seja eficiente, precisa refletir um sentimento, valor ou problema solucionado, afinal de contas, existem muitas histórias dentro de outras.

No caso dessa jornada do idiota do Tony Stark, ela diz apenas sobre como ele se tocou que a vida é muito mais do que as coisas superficiais que ele vivia, e que ajudar as pessoas tinha muito mais valor e satisfação envolvidas.

Quando ele saiu daquela caverna para a vida, também se livrou de todos os seus pensamentos egoístas. Bonito isso, né?

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No storytelling, a história mais importante se passa dentro do personagem

Jornada do herói, do idiota e todas as outras estruturas de uma história servem apenas para criar cenários e situações que colocam o personagem em conflitos internos.

Ou seja, a verdadeira história, aquela que fará o público se identificar com a empresa, profissional ou marca, é a que o personagem vive em seus sentimentos e pensamentos.

Por isso amamos tanto o Homem de Ferro. Sim, ele tem todos seus defeitos e manias de grandeza, mas a construção do personagem no início da história é tão eficiente, que todos que assistem sabem que a grande batalha dele foi interna. E ele venceu e continua vencendo aos trancos e barrancos, gente como a gente.

E quem não tem batalhas internas que gostaria de vencer? Quem não tropeçou algumas vezes na vida e teve a satisfação de dar a volta por cima? Se o herói inspira, o idiota humaniza a jornada e faz com que todos acreditem que também podem mudar.

Legal, né? O storytelling tem muitas ferramentas interessantes, e se você também quer mudar a sua escrita, saber um pouco mais sobre elas é fundamental. Quer uma dica para isso? Confira o Minicurso de storytelling gratuito da Rock Content!

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