Por Dimitri Vieira

Editor-chefe do blog Comunidade Rock Content.

Publicado em 03/04/2019. | Atualizado em 03/06/2019


A Jornada do Herói é uma estrutura para contar histórias que nasceu com Joseph Campbell, na obra O Herói de Mil Faces. Depois foi adaptada por Christopher Vogler, na obra A Jornada do Escritor, para chegar nas 12 etapas hoje conhecidas como a Jornada do Herói.

As 12 etapas da Jornada do Herói são: o mundo comum; o chamado à aventura; recusa do chamado; encontro com o mentor; a travessia do primeiro limiar; provas, aliados e inimigos; aproximação da caverna secreta; a provação; a recompensa; o caminho de volta; a ressurreição; e o retorno com o elixir.

Ela nasceu a partir de uma análise mais aprofundada feita por Joseph Campbell, em seu livro O Herói das Mil Faces.

Embora sua opção acadêmica tenha sido por assuntos relacionados à Biologia e Matemática, Joseph John Campbell foi um pesquisador com uma atração irresistível pela construção dos mitos, por religião e psicologia: importantes ingredientes na composição de uma história.

Ao longo da obra, ele analisa diversas histórias e encontra nelas uma espécie de técnica comum às lendas, mitos e fábulas antigas — o personagem passa por transformações sequenciais até se tornar um herói.

A análise original continha 17 etapas no total e, posteriormente, foi adaptada por Christopher Vogler, em sua obra A Jornada do Escritor, e condensada em 12 etapas para conduzir ao sucesso na construção de uma história. Vamos conhecê-las?

1. O mundo comum

É a ambientação inicial, que mostra quem é o personagem, como e onde ele vive, com quem se relaciona e como sua vida poderia ser monótona e bem parecida com a vida de qualquer outra pessoa comum.

Aqui, a natureza do personagem é exibida, assim como suas qualidades e defeitos, forças e fraquezas, e demais detalhes capazes de fazer com que o público encontre pontos de identificação com ele.

2. O chamado à aventura

A aventura começa quando o personagem se depara com o conflito, com o chamado para uma missão que o tira do seu mundinho comum, da sua zona de conforto. Não necessariamente precisa ser algo dramático como a morte — basta que seja um desafio que o obrigue a experimentar coisas novas.

Esse desafio está relacionado a coisas importantes para ele, como a manutenção da sua própria segurança ou da sua família, a preservação da comunidade onde vive, o destino da sua vida, ou qualquer outra coisa que ele queira muito conquistar ou manter.

3. Recusa do chamado

Diante de um grande desafio, é natural que surjam os medos, hesitações e muitos conflitos interiores. Por isso, em um primeiro momento, o personagem recusa o chamado que recebeu e tenta convencer a si mesmo de que não se importa com aquilo.

Mesmo que surja algum tipo de ansiedade para realizar a missão que recebeu, ele compara a segurança e conforto do seu lar com os caminhos tortuosos que poderá encontrar à sua frente e, consequentemente, prefere se manter onde está. Porém, o conflito não deixa de incomodá-lo.

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4. Encontro com o mentor

Diante do impasse em que se encontra, o nosso herói precisa de um empurrãozinho. É chegada a hora de ele encontrar seu mentor, que dará a ele o que for necessário para que ele enfrente o desafio que foi proposto.

Nesse ponto, é possível incluir até mesmo algum tipo de força sobrenatural, que dá ao personagem um objeto, um treinamento, conselhos, poderes ou qualquer outra coisa que faça com que ele encontre a autoconfiança necessária para resolver o seu conflito e aceitar o desafio.

5. A travessia do primeiro limiar

Finalmente, chegou o momento em que o nosso herói está pronto para cruzar o limite entre o mundo que ele conhece e com o qual está acostumado e o mundo novo para o qual ele deve ir.

Esse mundo não precisa ser um local físico, de fato, e sim algo desconhecido pelo personagem. Pode ser, por exemplo, a descoberta de um segredo, a aquisição de uma nova habilidade, ou até mesmo a mudança de lugar propriamente dita.

6. Provas, aliados e inimigos

Agora que o herói colocou o pé na estrada rumo ao seu objetivo maior, ele começa a se deparar com diversos desafios menores, contratempos e obstáculos que, gradativamente, vão testando suas habilidades e deixando-o mais preparado para as maiores provações que ainda estão por vir.

Aqui, é mostrada uma visão mais profunda do personagem e sua capacidade de descobrir quem são as pessoas com quem pode contar e quem são as que desejam prejudicar sua jornada, ou seja, seus aliados e inimigos. Nesse ponto, a identificação com o público se torna ainda maior.

7. Aproximação da caverna secreta

Sabe o recuo do mar antes do Tsunami? É nesse ponto que chegou o nosso herói. Aqui, ele faz uma espécie de pausa, se recolhe em um esconderijo — interior ou não — e retorna aos seus questionamentos iniciais e ao enfrentamento dos medos que o impediam de iniciar sua jornada.

Quando não há o conflito interior, ainda assim, essa pausa é necessária para mostrar ao público a magnitude do desafio que está por vir e, então, esse recuo é utilizado para que o nosso herói se prepare melhor para ele.

8. A provação

A provação é uma espécie de morte pela qual o nosso herói precisa passar para cumprir o seu destino. Para isso, ele passará por um teste físico de extrema dificuldade, enfrentará um inimigo letal ou passará por um conflito interior mortal.

Seja qual for a prova, para que ele seja capaz de enfrentá-la, precisará reunir todos os conhecimentos e experiências adquiridos durante a sua jornada até aquele momento. Essa provação tem um significado de transformação e, por isso, é comparada com a morte e ressurreição para uma nova vida.

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9. A recompensa

Depois que o nosso herói já passou por diversos desafios, como derrotar o inimigo e sobreviver à morte, ele merece uma recompensa, você não acha?

Essa recompensa simboliza a sua transformação em uma pessoa mais forte e pode ser representada por um objeto de grande valor, a reconciliação com alguém querido, um novo conhecimento ou habilidade, um tesouro ou o que mais a imaginação do autor permitir.

Metaforicamente, essa conquista é representada pela força do nosso herói para arrancar a espada da vitória enterrada em uma pedra. Mas vale lembrar: ele não deve se demorar muito em suas comemorações, pois sua jornada ainda não chegou ao fim. Ele precisa voltar para o ponto de onde veio como um vitorioso.

10. O caminho de volta

O caminho de volta para casa não oferece tantos perigos, mas sim um momento de reflexão, em que o nosso herói poderá ser exposto à necessidade de uma escolha entre a realização de um objetivo pessoal ou um bem coletivo maior.

De qualquer modo, a sensação de perigo iminente é substituída pelo sentimento de missão cumprida, de absolvição e de perdão, ou aceitação e reconhecimento pelos demais.

11. A ressurreição

Aqui é o ponto mais alto da história. É aquela última batalha em que o inimigo ressurge quando mais ninguém esperava por isso, nem mesmo o nosso herói. Esse desafio é algo que vai muito além da vida dele, representando perigo para as pessoas à sua volta, sua comunidade, família, enfim, seu mundo comum. Se ele perder, todos sofrem.

É nesse ponto que ele destrói o inimigo definitivamente — ou não — e pode, de fato, renascer para uma nova vida, totalmente transformada para todos.

12. O retorno com o elixir

Chegou o momento do reconhecimento efetivo do nosso herói. A chegada ao seu local de origem simboliza o seu sucesso, conquista e mudança. Aqueles que nunca acreditaram nele ou mesmo os que tentaram prejudicá-lo serão punidos, além de ficar muito claro para todos que as coisas nunca mais serão as mesmas por ali.

Como você pode ver, a Jornada do Herói é o “caminho das pedras”, que nos foi deixado por Campbell, para o sucesso de uma escrita capaz de prender a atenção de quem nos lê. A técnica pode ser aplicada até mesmo em textos comerciais, tornando-os muito mais interessantes e menos cansativos.

E, agora que você já conhece as 12 etapas da Jornada do Herói, temos um convite: comece por aqui mesmo o nosso minicurso de Storytelling e se torne ainda mais apto a criar textos incríveis!

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