Grey's Anatomy

Grey’s Anatomy e por que segue fazendo sucesso mesmo depois de 15 temporadas

Como uma história pode se reinventar 15 temporadas depois? Neste texto, dissecamos o storytelling de Grey’s Anatomy para entender por que a série continua sendo um sucesso mesmo depois de tanto tempo.

Se você não esteve em um coma pelos últimos 14 anos, certamente já ouviu falar de Grey’s Anatomy — infelizmente não pude evitar o trocadilho médico. O drama mundialmente famoso estreou em março de 2005 na ABC americana e sempre arrastou uma legião de espectadores.

Mais de 300 episódios depois, o que faz Grey’s Anatomy continuar sendo um sucesso mundial? A ida e vinda de diferentes personagens ajudou a garantir o fôlego da série, mas outros elementos do storytelling empregado também merecem crédito. Continue a leitura deste texto e descubra alguns deles.

É storytelling que chama?

O storytelling nada mais é que a técnica empregada para contar e desenvolver histórias. Ele pode ser utilizado tanto em livros, séries e filmes, como em conteúdos de marketing digital e outros produtos publicitários.

Algumas boas práticas precisam ser consideradas para termos um storytelling bem-sucedido. Entre elas, podemos citar a apresentação de um conflito (e sua posterior solução) e a presença de personagens bens construídos para garantir a identificação do público.

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O jeito que ela escreve um drama médico é diferente

Dramas médicos e séries que se sustentam por mais de uma década são muito comuns nos Estados Unidos. Entretanto, é importante considerar que Grey’s Anatomy trouxe desde muito cedo temáticas que até hoje ganham mais e mais importância.

Cativar uma audiência tem muito a ver com conhecer o seu público para criar histórias relevantes. Como mulher negra, Shonda Rhimes — criadora da série e de outros shows de sucesso, como How To Get Away With Murder e Scandal — sempre enxergou a questão da representatividade de forma muito peculiar.

Desde muito cedo, ela adotou o chamado “casting aberto”. Trata-se de uma técnica em que os personagens não são apresentados com características físicas específicas, o que permite que diferentes atores façam o teste para o papel.

Em seu livro, “O Ano Em Que Disse Sim”, a roteirista explica a sua abordagem e o por que de dispensar o termo “diversidade” e substituí-lo pela palavra “normalização”:

“Estou fazendo com que a TV se pareça muito mais com o mundo real. Mulheres, pessoas de cor, LGTQ equivalem a MUITO mais do que 50% da população. O que significa que isso não é fora do comum. Estou fazendo o mundo da televisão parecer NORMAL”

Rainha, não é mesmo?

Achou que Grey’s Anatomy não ia durar? Achou errado!

Contar histórias marcantes e que geram identificação são uma forma de aproximar e encantar o público. Essas ferramentas passam uma mensagem de forma mais fácil e natural e Shonda Rhimes é campeã nisso.

A ABC confirmou um pedido de três episódios extras para a 15ª temporada de Grey’s Anatomy, atualmente em exibição. Com isso, a série vai ultrapassar o seriado ER em número de episódios. Portanto, é oficial: Shonda criou a série médica com maior tempo de exibição nos Estados Unidos.

O que ela faz para seguir evitando o code blue da série quinze anos depois? Tenho alguns palpites!

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Novas pautas

As séries de Shonda Rhimes abordaram temas relevantes à sociedade desde muito cedo. Virou modinha falar sobre a representatividade feminina e/ou negra na televisão? Enquanto muita gente tenta lacrar, a toda poderosa já começa a trazer pautas ainda pouco abordadas.

As últimas temporadas trouxeram diversas questões sobre legalização da posse de armas, violência doméstica e perseguição da população negra por policiais. Recentemente, fomos apresentados a uma personagem muçulmana e também a um personagem transgênero — tudo sempre de forma muito natural.

Assim como os demais personagens médicos, conhecemos Dr. Casey Parker como um dos novos internos no quarto episódio da temporada 14. Somente cinco episódios depois a informação sobre seu passado médico é revelada.


A evolução dos personagens

Mais de uma década depois, é impossível não se apegar aos personagens e querer acompanhar como eles evoluem. É só com todo esse tempo que alguns aspectos de suas personalidades e de suas histórias passadas podem ser reveladas em maiores detalhes.

Os personagens Alex Karev e April Kepner podem ser bons exemplos disso. Desde o começo da série sabemos da infância conturbada de Alex, especialmente por conta da relação com seus pais. Porém, esses personagens foram trazidos para a trama somente muito tempo depois.

April Kepner superou a perda de um filho, uma guerra e um divórcio durante uma gravidez. Ainda assim, a personagem que sempre foi muito religiosa, passou ainda por uma crise de fé em sua última temporada na série — o que ao meu ver foi um excelente arco de despedida.


A relação médico-paciente

Ainda falando sobre April Kepner, ela tratou um rabino no meio de sua crise de fé, o que rendeu ótimas cenas e um comovente diálogo. Essa é uma técnica de storytelling muito recorrente em Grey’s Anatomy, em que algum tipo de ligação entre pacientes e médicos é estabelecida.

Ainda na primeira temporada, por exemplo, Meredith Grey passa por momentos reflexivos quando uma paciente, vítima de estupro, chega ao hospital com sapatos iguais aos seus. Esses são só alguns exemplos de algo que ajuda a criar uma ligação entre série e espectador muito semelhante àquela mostrada na tela entre médico e paciente. 

Os personagens secundários

Logo no começo deste texto, falei sobre a importância de personagens bem construídos para garantir a identificação do público. Outra vantagem de Grey’s Anatomy é fazer isso até mesmo com personagens secundários (saudades, Denny Duquette).

Vale citar uma recente e emocionante entrevista de Ellen Pompeo à Ellen DeGeneres em que ela relata a importância dos personagens secundários não só à trama, como aos espectadores. Em tradução livre (e com lágrimas nos olhos), ela diz:

“Tinha um jovem no episódio que dirigi. Ele é gay e interpretou um personagem gay e me disse: ‘a vida toda eu assisti essa série com meus pais e foi uma forma de contar a eles que sou gay e que tudo bem ser gay. Grey’s realmente ajudou meus pais a entender o que significa ter um filho gay, que isso não é algo ruim. E agora eles podem me assistir como ator tendo um papel nessa série! Isso é tudo pra mim’. Sabe? Eu preciso continuar fazendo isso. Estamos tocando as pessoas e fazendo a diferença”

(Dá vontade de ficar em posição fetal no chão do banheiro, vestido de formatura e tudo, não é?).


O poder do streaming

Este último tópico talvez não esteja tão diretamente ligado ao poder do storytelling que Grey’s Anatomy carrega. Porém, os serviços de streaming ajudaram a mantê-la até hoje.

A série consta entre uma das mais maratonadas na Netflix, o que significa que essa narrativa está chegando às novas gerações, permitindo que mais e mais pessoas se identifiquem com esse conteúdo e fazendo a roda — ou melhor, o carrossel, nunca para de girar. 

Depois de tanto tempo, Grey’s Anatomy é praticamente uma graduação em construção narrativa, produção audiovisual e, claro, como fazer você se apegar a personagens que não existem. O enredo sempre cativante e as novas gerações trazidas pelos streamings mantêm a série relevante, para delírios dos fãs mais antigos (eu incluída). 

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