Por Dafne Braga

Produtora de Conteúdo na Rock Content.

Publicado em 10/02/2018. | Atualizado em 27/03/2019


Gramática normativa é o que conhecemos como norma culta. As regras da gramática normativa ditam a forma como o português deve ser falado: regência verbal e nominal, flexões de gênero, número e pessoa, colocações das palavras nas frases, pronúncia e acentuação.

Apesar de ser adotada como o dialeto padrão, a gramática normativa é baseada na língua escrita, e, por isso, não é o único conjunto de normas reconhecido para o nosso português.

O que é Gramática Normativa?

A gramática normativa é o que conhecemos como “norma culta”. As regras da gramática normativa ditam a forma como o português deve ser falado. São elas que estabelecem as normas de concordância e regência verbal e nominal, estabelecem as flexões de gênero, número e pessoa, as colocações das palavras nas frases e até a pronúncia e acentuação.

Existem outros dois tipos de gramática: a descritiva, que se refere às normas que nós seguimos sem necessariamente saber que são regras, e a internalizada, que são as situações de fala mais cotidianas, variando conforme a região do país, por exemplo.

A gramática normativa é reconhecida como a expressão mais correta da língua, por isso é extremamente valorizada como a “boa linguagem”. Assim, a pessoa que domina a norma culta é considerada uma boa falante, e a sua produção textual é mais valorizada por esse motivo.

A gramática normativa é o “certo”?

A resposta para essa pergunta é relativa. As demais variantes do português não são consideradas totalmente incorretas, mas algumas expressões e palavras fogem às regras da gramática normativa, portanto, são erradas em relação a ela.

Regionalismos e neologismos são celebrados em algumas circunstâncias, já que possuem valor cultural e até literário. Alguns autores brasileiros são conhecidos e celebrados justamente por criar termos novos em suas obras, como Carlos Drummond de Andrade, Ariano Suassuna e Guimarães Rosa.

O que são erros?

Situações de avaliação — como provas do ENEM, vestibulares e concursos públicos — e vários tipos de interação formal, como comunicação corporativa, contratos, redação jornalística e ofícios governamentais, precisam de um padrão de linguagem. Por isso, adotamos a gramática normativa como a regra oficial, e segui-la passou a ser sinônimo de falar e escrever corretamente o português.

Veja só alguns dos erros que são mais comuns:

Conjugação verbal

Conjugar incorretamente os verbos em “a gente vamos” e “nós vai” é considerado um erro gramatical, assim como “O prefeito não interviu a tempo de evitar a greve dos servidores”, em que o correto seria “O prefeito não interveio a tempo de evitar a greve dos servidores”.

Pessoas e tempos verbais

Da mesma forma, é incorreto misturar diferentes pessoas verbais na mesma frase, como em “Deixe de preguiça, vem para a festa”: a frase começa com a pessoa você (deixe) e termina com a pessoa tu (vem). Apesar de ser gramaticalmente incorreta, a frase é comum na nossa língua. Para adequar a frase existem duas possibilidades:

  • Você: Deixe de preguiça, venha para a festa!
  • Tu: Deixa de preguiça, vem para a festa!

Uma frase que mistura de tempos verbais é “Não acredito que essa solução satisfaz a todos os interessados”, no presente do indicativo. A frase correta seria “Não acredito que essa solução satisfaça a todos os interessados”, presente do subjuntivo.

Flexões de número

Um erro muito repetido é flexionar impropriamente em plural e singular, como “As pessoas tem dificuldade de entender as normas da língua portuguesa”, em que o correto seria “têm”, com acento circunflexo, indicando o plural.

Substantivos compostos sofrem flexões erradas a todo momento, e vale a pena estudar um pouco as regras! Mais de um guarda-chuva são vários guarda-chuvas, mas um terrorista pode explodir bombas-relógio ou bombas-relógios, que o prejuízo será o mesmo!

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Pronomes

As regras para os pronomes também são bastante confundidas, principalmente o posicionamento deles nas frases — ênclise, mesóclise e próclise. “Dê-me um exemplo?” é a forma correta, com o pronome em ênclise, mas o que mais usamos é “Me dê um exemplo”, em próclise. A gramática normativa proíbe o início de frases com pronomes oblíquos como o me.

Frases como “Peguei várias atividades para mim fazer” são bem comuns também, em que o correto seria “Peguei várias atividades para eu fazer”. Da mesma forma, “Comprei um carro para eu” está errado, e o correto é “Comprei um carro para mim”.

Regência

A regência verbal é uma das partes mais complexas do ensino do português nas escolas, justamente pelas inúmeras normas. Verbos como assistir, visar e aspirar assumem diferentes significados dependendo da regência, e podem deixar um diálogo simples bastante complicado.

A frase “Ela trabalhava visando o mercado internacional” fala sobre uma mulher que trabalhava enxergando o mercado internacional. Se a intenção é dizer que o objetivo dela era alcançar sucesso e ir para o mercado internacional, a regência correta é “Ela visava ao mercado internacional”.

Sílabas tônicas

Erros de acentuação gráfica e pronúncia de sílabas tônicas são desvios clássicos da gramática normativa. Palavras como “rubrica”, “fluido”, “gratuito” são vítimas recorrentes, acentuadas impropriamente tanto na escrita quanto na fala. Rúbrica, fluído e gratuíto são erros gramaticais!

Usos impróprios

O verbo há, no sentido de existir, é impessoal. Isso significa que ele só é conjugado em uma pessoa, a terceira do singular, mesmo que a frase esteja no plural. “Houveram várias festas de Natal no bairro” é um erro, e o correto seria “Houve várias festas de Natal”. Ainda sobre esse verbo, se o sentido é sinônimo de fazer e indica tempo, o verbo deve ser empregado, como “Eu a conheci há 15 dias”.

Em tempo: o verbo fazer indicando tempo também não flexiona para o plural no passado. “Fazem três anos que não tiro férias” é incorreto, apesar de parecer a flexão mais adequada.

Outra dificuldade enfrentada pelos brasileiros é diferenciar os usos de mau e mal, respectivamente os opostos de bom e bem. Da mesma forma, onde e aonde aparecem colocados de forma incorreta com muita frequência. Aonde é utilizado com verbos que pedem a preposição a, como em “Aonde vocês foram nas últimas férias?”, pois quem vai, vai a algum lugar.

Onde se aplica aos demais usos, referindo-se a verbos que pedem a preposição em, como “Onde você estava ontem à noite?”, pois quem estava, estava em algum lugar. Ainda no caso dessas duas palavras, ambas devem ser usadas apenas para referenciar lugares físicos! A frase “Escrevi um livro onde falo sobre a minha experiência como redator freelancer” é incorreta, e pode ser corrigida empregando as expressões no qual ou em que.

A expressão a fim de é muito confundida com a palavra afim. São usos corretos:

  • “A cidade de Belo Horizonte e municípios afins foram inundados pela forte chuva” — refere-se a municípios próximos, nas redondezas;
  • “A fim de compreender melhor a gramática normativa, comprei um livro especializado no assunto” — expressão sinônima de com a finalidade de;
  • “A seleção brasileira de vôlei já está treinando, a fim de que estejam prontos para o próximo campeonato” — expressão sinônima de para que.

Curiosidade: A expressão com o significado de “ter interesse romântico” é estar a fim de alguém!

Pontuação

Um dos desvios da gramática normativa mais comum é o uso incorreto da pontuação, que, a depender do erro, pode mudar completamente o sentido de uma frase. Confira alguns exemplos que podem comprometer o entendimento e a credibilidade dos seus textos:

Vírgula

Uma regrinha muito difundida nas escolas é que a vírgula pode ser usada sempre que você for respirar ao ler a frase em voz alta. Mas não é assim que funciona! Na verdade, a vírgula é utilizada para separar “blocos de sentido”, organizando seu texto e ajudando o leitor a entendê-lo melhor.

Um dos erros mais graves ao usar a vírgula é separar o sujeito do verbo, como em:

“Quem quiser aprender sobre Marketing de Conteúdo (sujeito), precisa fazer (verbo) o Curso de Marketing de Conteúdo da Rock Content.”

O correto seria:

“Quem quiser aprender sobre Marketing de Conteúdo precisa fazer o Curso de Marketing de Conteúdo da Rock Content.”

Para não errar, use a vírgula sempre que:

  • explicar algo: “João, que gosta de Marketing de Conteúdo, fez sua candidatura de freelancer na Rock Content.”;
  • listar: “Gosto de escrever, revisar, planejar pautas e diagramar e-books.”;
  • encadear ideias: “Hoje vou ficar em casa, quero terminar minha Certificação em Produção de Conteúdo.”;
  • usar um vocativo: “Bom dia, Luiza!”;
  • antes de “mas”, “entretanto”, “portanto”: “Passei na minha candidatura em revisão, mas ainda não peguei nenhuma tarefa.”.

Para aprender mais sobre a vírgula, encontrar mais exemplos e descobrir mais erros que você pode estar cometendo, confira este guia completo.

Travessão, hífen e meia-risca

Outro erro bem comum é não saber qual sinal certo usar na hora de substituir a vírgula. Pode parecer um detalhe, mas que não passa despercebido por revisores e recrutadores.

O uso do hífen (-) é o mais comum, mas é inadequado! O hífen serve apenas para ligar os elementos de palavras compostas. O correto é usar o travessão (—) para pontuar suas orações, como no exemplo:

“Comecei hoje a estudar Marketing de Conteúdo — estou fazendo a certificação do Peçanha —, gostei bastante do tema, quero aprender mais!”.

O uso da meia-risca é tão incorreto quanto o do hífen, o sinal serve para indicar o começo e o final de uma série, como “A–Z” e “1–100”, ou demonstrar um trajeto “Peguei a ponte aérea Rio–São Paulo”.

Pronomes demonstrativos

“Esse”, “este”, “isto”, “isso”, todas essas palavras são pronomes demonstrativos, usadas para demonstrar a relação entre um termo (ou objeto) e o texto, o tempo e o espaço. Um erro muito comum é confundí-los, especialmente ao escrever. Veja:

“Só digo isso: preciso fazer freelas”

A oração está incorreta porque “isso”, “esse”, “essa” só podem ser usados para retomar algo que já foi dito na oração. Para apresentar novas ideias, o ideal é “isto”, “este”, “esta”.

O correto então seria:

“Só digo isto: preciso fazer freelas.”

Crase

Esse sinal de acentuação gera muitas dúvidas e, às vezes, pode parecer um bicho de sete cabeças. Mas não tem nada de muito complicado! A crase indica a junção de duas letras “a”, como no caso do encontro entre a preposição “a” e os artigos definidos femininos “a” ou “as”, os pronomes demonstrativos “aquilo”, “aquela”, “aquele” e os pronomes relativo “a qual”, “as quais”.

Um erro muito comum é incluir a crase antes de palavras masculinas, como no exemplo:

“Gostaria de saber mais à respeito da Certificação de Produção de Conteúdo”

Por não conter um pronome definido feminino, essa frase não faz sentido gramaticalmente, sendo mais adequado:

“Gostaria de saber mais a respeito da Certificação de Produção de Conteúdo”

Veja exemplos de uso correta do crase:

  • “Você quer me encontrar à noite?”;
  • “Estou à procura de um novo amigo!”;
  • “Eu gosto de sair para correr às vezes”;
  • “Pode ficar à vontade, a casa é sua!”;
  • “Essa roupa é igual àquela que você usou ontem”.

Para aprender todos os usos da crase e entender melhor como ela funciona, confira o guia avançadoque preparamos sobre o assunto!

“Porquês”

Confundir os “porquês” é um dos erros mais recorrentes nas redações e conteúdos. Você pode aprender como usá-los corretamente seguindo as regras a seguir:

Por que

Grafado separado e sem acento, o “por que” é usado sempre que você puder substituí-lo por “por qual motivo?”.

Veja os exemplos:

  • “Por que você não foi à excursão?”;
  • “Me diga por que você não gosta de espinafre!”.

Por quê

O “por quê” separado e com acento também é usado quando puder ser substituído por “por qual motivo”, mas sempre que estiver no final da frase.

Exemplos:

  • “Eu não quero ir à excursão, mas pare de perguntar por quê”;
  • “Nunca gostei de espinafre. Quer saber por quê?”.

Porque

O “porque” grafado junto e sem acento é um sinônimo de “pois”, usado sempre que for preciso explicar algo.

  • “Não gosto de espinafre porque tem um gosto muito ruim”.

Porquê

Quanto escrito junto e com o acento circunflexo, o “porquê” é um substantivo, que indica motivo ou causa. Quer um exemplo? Veja:

  • “Me diga o porquê de você não querer ir à excursão”.

“O mesmo”

Você certamente já deve ter visto uma placa como esta:

Aviso aos passageiros: antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar

Apesar de ser um uso muito comum, “o mesmo” nunca pode ser usado como substituto de um pronome ou substantivo. O correto seria:

  • “Antes de entrar no elevador, verifique se ele encontra-se parado neste andar”.

Através

Por fim, outro erro comum é utilizar o “através” como sinônimo de “por intermédio”, “por meio de”, fora do seu sentido inicial, que é de atravessamento. Você encontra até mesmo textos jornalísticos com esse desvio da gramática normativa.

Ainda está na dúvida? Vamos explicar melhor. Por exemplo, a frase a seguir está incorreta:

  • “Aprendi muito através do curso de Produção de Conteúdo”.

Nesses casos, é mais correto usar “por meio de”, “por intermédio de”. Veja:

  • “Aprendi muito por meio do curso de Produção de Conteúdo”.

O “através” é usado corretamente quando a frase indica “por dentro de”, “ao longo”. Conforme o exemplo:

  • “Senti o calor da sua pele através do lençol”;
  • “Consegui ver você indo embora através da janela”.

Por que é importante dominar a gramática normativa?

Um conteúdo produzido por um redator com domínio da gramática normativa é valioso em vários sentidos! Para o cliente, que receberá um texto em total acordo com as normas da língua portuguesa, é uma vantagem enorme. A qualidade do conteúdo vai passar uma ótima impressão para os leitores, que, por sua vez, poderão entender melhor o que está escrito e aprender mais com o conteúdo.

Além dessas vantagens, um conteúdo que segue os padrões da norma culta pode ser lido por qualquer pessoa que compreende a língua, já que neologismos e expressões regionais não serão empregadas no texto. Isso aumenta o alcance da produção, e, em tempos de globalização, alcance é tudo!

A gramática normativa é sinônimo de alta qualidade e conhecimento, e textos que cometem deslizes gramaticais são extremamente malvistos. Além de trazer questionamentos sobre o conhecimento e a qualidade do trabalho do redator, a empresa que assina o blog pode ter a sua própria qualidade e credibilidade questionadas. Esse é um risco que nenhuma empresa quer correr, certo?

Em todo caso, você sempre pode contar com ajuda! Existem várias ferramentas que podem facilitar a revisão e se certificar de que não há nenhum deslize no seu texto.

Ainda assim, vale a pena estudar as regras da norma culta. Apesar de serem muitas e um pouco complicadas de entender, essas diretrizes existem para, em última instância, uniformizar a comunicação entre os falantes do português, e um redator de qualidade precisa ser capaz de produzir conteúdo para qualquer pessoa entender.

Fique atento também às reformas ortográficas; recentemente, o Brasil passou por uma reforma que alterou diversas regras de ortografia, a fim de deixar o português brasileiro mais parecido com o falado em outros países da comunidade lusófona, e até hoje alguns redatores ainda se sentem inseguros e em dúvida em algumas questões. Não deixe de estudar a Nova Ortografia!

E, para te ajudar a aperfeiçoar o seu domínio gramatical, você pode ler mais sobre erros de ortografia e regras da gramática normativa atual na nossa Cartilha de Nova Ortografia. Bons estudos!

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