Por Marc Tawil

Jornalista, radialista e escritor. É head da Tawil Comunicação, agência que fundou em 2010, em São Paulo. É comentarista da Rádio Globo (94,1 FM), SAP Marketing Influencer e diretor de Comunicação do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Atua como coordenador na Câmara de Comércio França-Brasil e participa ativamente de instituições, como conselheiro e embaixador, ligadas às causas do Refúgio, Educação, Igualdade Racial e Comunicação.

Publicado em 20/09/2018. | Atualizado em 09/01/2019


A vida costuma nos revelar tarde demais um de seus maiores mistérios: a única comparação realmente válida é a de nós com nós mesmos. Soa óbvio? Reflita e verá que não é.

A vida costuma nos revelar tarde demais um de seus maiores mistérios: a única comparação realmente válida é a de nós com nós mesmos. Soa óbvio? Reflita e verá que não é. Passamos décadas tentando burramente entender por que os nossos colegas de escola mais retraídos e, não raro, mais “vagais”, para usar um termo da minha geração, chegaram tão longe.

Pior: lamentamos, em vez de aplaudir.

Com meros conhecidos, o cenário é o mesmo: “Ah aquela lá! Não dava nada por ela. Hoje dirige uma multi e/ou bomba como empreendedora!” Pessoas públicas não escapam igualmente ao nosso ácido julgamento, quando nos lembrarmos de seus “passados condenáveis” – como se nenhum de nós tivesse.

Sim, invariavelmente, gastamos nossos dias analisando, condenando e nos equiparando a terceiros.

Tirando a única comparação saudável, aquela que busca extrair as melhores práticas e exemplos positivos para a vida e a carreira, todas geram frustração. E por um motivo: nós não somos o outro.

Ainda que tenhamos estudado juntos, uma trajetória profissional quase idêntica ou até convivido na mesma casa como irmãos, comparar-se é querer respostas inexistentes.

Ao procurarmos ser fulano, esquecemos de uma pergunta que faz toda a diferença: “O que o outro fez, que eu não fiz, para merecer estar lá?”

Ah sim, deixemos de lado os carreiristas, os enganadores, os oportunistas, os bajuladores e os puxadores de tapete (com esses, espero que você não se compare sob nenhuma hipótese).

Mesmo que a semelhança desejada tenha por objetivo o seu aprimoramento, é fundamental ter maturidade para analisar o outro em perspectiva, discernindo sobre o que é realmente inspiração e o que é julgamento ou, pior, inveja.

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Redes sociais

Com as chegada das redes sociais, um novo ingrediente foi adicionado a essa receita: “aquilo que nós gostaríamos que os outros pensem que somos”.

59% das pessoas “se sentiram infelizes” quando viram um post de um amigo numa festa para a qual não foram convidadas, mostra estudo da Kaspersky

E o perigo reside justamente aí: como receptores, nossa missão é filtrar conscientemente tudo aquilo que nos é trazido pelo emissor. Só que vivemos tempos em que seres humanos produzem e são a sua própria fake news – personagens de si mesmos, carregados de tristeza e frustração e que, graças a filtros, likes e parabéns de gente que nunca conhecerão, são percebidos como bem-sucedidos e exemplos a serem seguidos.

Ilógico.

Um estudo do Kaspersky Lab com 16.750 pessoas (2017) revelou que 59% das pessoas “se sentiram infelizes” quando viram um post de um amigo numa festa para a qual não foram convidadas e 45% confessaram que “os posts felizes dos seus amigos de férias tiveram uma influência negativa neles”.

Bizarro.

O tempo presente nos mostra que até os astros mais galáticos da TV, do esporte, da gastronomia e do empreendedorismo, os mais midiáticos e amados por todos, aqueles que ganham dinheiro dormindo, têm seus tombos diários e frustrações.

Inocente da nossa parte, então, é imaginar que aquele que faz sucesso ou conquistou a independência o fez da noite para o dia – e que não transpire para mante-los.

O mérito dele é que, enquanto uns sofrem olhando para a grama, ele está preocupado em regar o próprio jardim.

Este artigo também pode ser lido aqui.

roda da vida

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