Por Juliana Pires

Publicado em 06/10/2020. | Atualizado em 06/10/2020


Qualquer pessoa pode trabalhar na área de ghostwriting, mas escrever bem não é a única habilidade a ser desenvolvida. É preciso ser capaz de colocar-se no lugar dos clientes e ser a voz de cada um deles.

Ghostwriting — ou escrita fantasma, traduzindo para o português — é o trabalho em que o autor escreve de forma anônima e não recebe os créditos por suas obras. Essa definição pode soar negativa, mas existe uma grande demanda de pessoas e empresas que estão dispostas a pagar um escritor fantasma, para que ele transforme ideias em palavras.

Para começar nessa atuação, no entanto, não basta apenas saber escrever. Nós, ghostwriters, precisamos desenvolver a capacidade de expressar ideias a partir do ponto de vista do cliente, deixando de lado nossas crenças e opiniões sobre determinados assuntos.

Já adiantamos que esse é um processo desafiador, mas não impossível. Aplicando as técnicas certas é possível transformar o ghostwriting em uma profissão rentável e prazerosa. A seguir, explicaremos melhor cada uma dessas técnicas. Acompanhe!

Entenda as características de um texto de ghostwriting

Antes de mais nada, para começar um bom trabalho de ghostwriting é preciso entender o que ele é — e também o que não é. Para facilitar seu entendimento, imagine a coluna de opiniões dos jornais, onde o texto é mais opinativo e tem a visão do autor sobre determinado assunto. A escrita ghostwriting segue esse mesmo caminho.

Ela não é um blog post e não deve focar em explicar conceitos de forma aprofundada. É preciso reunir as experiências pessoais do autor — que vai receber os créditos pelo texto, ou seu contratante — e ter a habilidade de contextualizá-las no assunto abordado.

Ao falar sobre alimentação ayurvédica, por exemplo, é possível usar uma experiência pessoal do autor — que pode ser uma viagem à Índia ou a leitura de um livro antigo — para ilustrar ou reforçar o que é dito no texto, desde que essas experiências sejam reais.

Além disso, o texto deve auxiliar o “autor” a fortalecer seu branding pessoal e aumentar sua rede de contatos. Para isso, cada texto deve estar alinhado com as visões desse escritor e suas publicações precisam combinar insights, reflexões e perspectivas. Veja mais algumas características do texto ghostwriting:

  • o texto deve ser escrito em primeira pessoa;
  • atente-se para não colocar citações do “autor”, pois é como se ele mesmo estivesse escrevendo;
  • o texto precisa agregar valor e ser atrativo aos leitores.

Mergulhe na realidade do seu cliente

Expressar nossas próprias ideias nem sempre é simples, até mesmo quando já estamos habituados a escrever. Por isso, expressar claramente as ideias de outras pessoas é o desafio número 1 de qualquer ghostwriter.

Para alcançar o sucesso nesta etapa é preciso mergulhar na realidade do seu cliente e entender a fundo sua rotina. Nesse primeiro contato, é essencial criar um briefing e reunir todas as informações importantes, como:

  • o objetivo de cada texto que você vai escrever;
  • a história da empresa ou da pessoa que está contratando você;
  • detalhes sobre o mercado/nicho em que seu cliente atua;
  • o perfil do público que ele deseja atingir com esse trabalho;
  • a imagem que ele deseja passar para esse público;
  • acompanhar pessoas, perfis e autores que o cliente admira.

Lembre-se de que esse primeiro contato com o universo do cliente é que vai garantir o sucesso do projeto. Por isso, nunca inicie um trabalho antes de conhecer profundamente cada um desses pontos.

Escreva focando na persona do projeto

Depois de entrevistar seu cliente e colher as informações do projeto você vai descobrir a persona para quem está escrevendo. Embora pareça uma dica óbvia, é essencial manter o foco nessa persona, nas suas dores e objetivos, sem divergir para uma opinião pessoal.

Para ganhar destaque na área de ghostwriting, é importante aliar suas experiências pessoais ao conteúdo, desde que elas estejam alinhadas com o objetivo do seu cliente.

Imagine que, de acordo com sua experiência, calçados feitos de plástico são desconfortáveis. No entanto, um dos seus melhores clientes comercializa esse tipo de calçado e você precisa exaltar todas as qualidades desse produto. Dizer que esse tipo de calçado machuca os pés não é uma alternativa, certo?

Portanto, desapegar de determinados pontos de vista costuma ser o desafio número 2 para nós, ghostwriters. Analisar os fatos de diversos pontos de vista e ter uma mente aberta vai ajudar a superar essa dificuldade com mais facilidade.

Elabore um guia de estilo

Para trabalhar na área de ghostwriting, você pode escolher escrever sobre diversos assuntos ou focar em apenas um nicho (e isso também pode ser uma técnica, mas vamos explicar mais à frente). A questão é que, independente da forma como você trabalha, seus clientes têm diferentes perfis, preferências e particularidades.

Na hora de escrever é preciso pensar em cada cliente de forma individual, por isso, criar um guia de estilo é uma técnica que ajuda você a ser mais produtivo e eficiente. O guia de estilo é um documento em que você registra algumas particularidades sobre o projeto de cada cliente, como:

  • o tipo de linguagem que ele deseja adotar;
  • o tom de voz que deve ser usado;
  • a possibilidade de usar gírias para expressar ideias;
  • as melhores palavras-chave para o projeto;
  • como se comportar em diferentes canais de comunicação.

Esse guia é ainda mais importante quando o trabalho de escrita é desenvolvido por uma equipe, e não apenas por uma única pessoa. Por isso, se você tem o hábito de delegar algumas de suas tarefas quando o fluxo de trabalho aumenta, criar um guia vai ajudar a garantir um trabalho alinhado aos objetivos.

Escreva de acordo com cada canal digital

Seus clientes podem usar diversos canais digitais — e até mesmo canais não digitais — para se comunicar. Mesmo definindo todos os detalhes do projeto, é preciso escrever de acordo com as particularidades de cada canal.

A escrita ghostwriting é muito procurada por quem deseja escrever no LinkedIn, por isso, é importante entender como escrever para essa rede social. Veja algumas dicas:

  • lembre-se que todo texto deve ter um objetivo, portanto, defina o que o autor deseja alcançar a cada texto escrito;
  • a personalidade do autor deve estar ainda mais evidente nessa rede social, por isso, é essencial citar experiências pessoais que sejam reais;
  • faça uso da técnica de storytelling para deixar cada texto mais interessante;
  • tenha cuidado com opiniões polêmicas ou ideias extremistas.
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Tenha um registro com seus feedbacks

Se você atua na área de ghostwriting sem intermédio de uma agência, é essencial documentar todas as interações e feedbacks entre você e seus clientes. O hábito de criar um histórico para cada projeto vai ajudar a escrever de forma mais eficiente e personalizada, além de evitar o retrabalho.

Imagine que, há um mês, um dos seus clientes orientou você a trocar a palavra “funcionários” por “colaboradores”. Se essa informação não for documentada, é bem possível que você esqueça e cometa o erro novamente. Seu cliente vai ter a impressão de que você não lê o que ele envia e você vai ganhar mais retrabalho.

Aposte em um checklist para reunir as informações mais importantes e evitar que elas fiquem de fora dos próximos projetos. Isso também contribui com seu fluxo de pensamentos, liberando espaço na mente e permitindo que você seja mais criativo.

Por fim, a melhor técnica de ghostwriting que você pode aplicar é colocar-se no lugar dos seus clientes e correr lado a lado com eles em busca do sucesso. Apaixonar-se por cada projeto e trabalhar em direção a cada objetivo, vai colocar você no caminho certo para gerar resultados cada vez melhores!

Se você chegou até aqui é um sinal de que quer aprender mais sobre ghostwriting, certo? Então, que tal conferir mais um post e entender como trabalhar como escritor-fantasma?

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