Por Julyana Andrade

Apaixonada por praia, tatuagens, séries e home office. Meio nerd. Mãe de gato e calopsitas.

Publicado em 11/12/2020. | Atualizado em 09/12/2020


Já considerou ter um fundo de emergência? Ele pode te salvar de passar alguns perrengues financeiros bem sérios. Saiba o que é e como formá-lo neste artigo.

Quem tem um fundo de emergência sabe bem como é ter um pouco mais de tranquilidade ao lidar com situações imprevistas. É a ele que recorremos quando algum perrengue surge e precisamos de dinheiro para solucioná-lo (o que quase sempre acontece).

Você já ouviu falar dele? Sabe da relevância que ele tem para o controle financeiro? Neste artigo, explicaremos o conceito, como você pode formar a sua reserva, por que contar com ela e por que a organização do orçamento é importante para freelancers. Vamos lá?

O que é um fundo de emergência

Também chamado de reserva de emergência, o fundo é uma quantia que fica guardada para situações imprevisíveis. Dessa forma, você pode lidar com eles sem ter que comprometer o seu orçamento ou criar uma dívida grande.

Então, se entrou menos dinheiro do que esperava em determinado período, é ao fundo de emergência que você vai recorrer, em vez de estourar o limite de cartão de crédito ou pegar um empréstimo, por exemplo.

Entre as situações em que a reserva pode ser utilizada, estão:

  • quando há perda da renda ou parte dela (desemprego, diminuição de clientes, baixa produtividade etc.);
  • se surgirem problemas de saúde que precisam ser resolvidos rapidamente;
  • se o seu computador (ou qualquer outra ferramenta de trabalho) estragar;
  • quando surge alguma crise e seus efeitos negativos (como a pandemia);
  • quando o seu pet adoece e precisa de tratamento veterinário.

Dito isso, é importante reforçar que o fundo não deve ser usado em qualquer ocasião, principalmente aquelas que podem ser planejadas com calma. Então, nada de comprar brusinhas na promoção ou aproveitar o lançamento de um novo modelo de celular, combinado?

Qual deve ser a composição dessa reserva

Não há uma regra a respeito de qual é o valor exato que um fundo de emergência deve ter, apesar de existir um certo consenso sobre a formação da reserva. Para profissionais com uma renda fixa e “garantida” (como quem trabalha em regime CLT), o ideal é que ela seja o equivalente a 6 meses do custo de vida total.

Já para freelancers e qualquer outro profissional independente, o ideal é que o fundo tenha um valor total de 12 meses do custo de vida total. Sendo assim, se você precisa de R$2.000 mensais para pagar as contas e ficar confortável, a sua reserva deve ser de R$24.000.

Em resumo, podemos dizer que quanto mais estável for a sua situação profissional, menor pode ser o seu fundo de emergência.

Por que contar com a reserva de emergência

Se você não tem dinheiro suficiente para parar de trabalhar hoje e se manter para o resto da vida, acho verdadeiro afirmar que as finanças são uma das maiores insegurança que temos. Afinal, quer perrengue pior do que não saber se vamos conseguir pagar todas as contas no mês seguinte?

Só por aí, já dá para ter uma ótima ideia da importância que um fundo de emergência tem para todos, especialmente para quem trabalha por conta própria e não tem muito controle sobre a renda — que pode ser bem variável.

Por isso, podemos dizer que a reserva é uma maneira de garantir certo conforto e um pouco mais de tranquilidade, ao mesmo tempo em que protege o seu orçamento de problemas.

Dicas para formar um fundo de emergência

A princípio, criar um fundo de emergência parece uma tarefa difícil ou até impossível para quem não tem o hábito de economizar. Contudo, existem alguns passos que podem ajudar a tornar o processo um pouco mais fácil. Veja as dicas a seguir.

Entenda suas finanças

Antes de pensar em fazer qualquer mudança, é fundamental entender a situação das suas finanças. Para que isso seja possível, é necessário contar com uma planilha, um aplicativo ou um caderno. Escolha o método que funciona melhor para você e comece a anotar tudo.

Identifique quais gastos são fixos (como aluguel) ou variáveis (como alimentação e cuidados pessoais). Essa divisão vai ajudar bastante na hora de analisar seu orçamento e tomar decisões a respeito das mudanças que devem ser feitas.

Não deixe de registrar até mesmo aquelas pequenas compras, que muitas vezes consideramos insignificantes. Sabe aquele ditado “de grão em grão, a galinha enche o papo”? É muito comum que esses gastos sejam grandes vilões do nosso orçamento, dando a sensação de que o dinheiro simplesmente sumiu.

Faça mudanças no seu orçamento

Agora que você já entende melhor como o seu dinheiro vai embora, é o momento desfazer algumas mudanças. Que tal começar por reduzir custos e economizar mensalmente? Analise suas anotações, estude os gastos e veja quais ações podem ser adotadas para reduzi-los.

Além de ajudar a economizar para formar o seu fundo de emergência, adotar novos hábitos também contribui para deixar o seu orçamento mais enxuto. É aí que você consegue se organizar para conquistar objetivos pessoais.

Algumas pequenas mudanças já podem fazer certa diferença no seu orçamento. Aqui vão algumas ideias que podem ajudar:

  • tente reduzir o plano de TV a cabo;
  • troque o plano de celular para um mais barato e que atenda suas necessidades;
  • entre em contato com o banco e solicite a conta de serviços essenciais, que é gratuita (de acordo com a resolução 3919 do Banco Central, as instituições não podem se recusar a fazer a mudança);
  • opte por utilizar bancos digitais, que têm muitas funcionalidades gratuitas;
  • avalie a possibilidade de comprar produtos que oferecem melhor custo-benefício (em vez de priorizar a marca).

Supondo que com todas as mudanças você consiga reduzir seus gastos em R$150 por mês, já terá uma economia de R$1.800 por ano. É algo a se considerar, não acha?

Trace metas

Definir metas é fundamental para ajudar na organização do orçamento. É como se elas dessem um propósito para todas as suas mudanças e não deixam a sensação de que as economias são em vão.

Isso vale para viagens, compra de bens materiais, algum curso ou qualquer outro objetivo que se queira alcançar. Como estamos falando de criar o seu fundo de emergência, vale a pena estabelecer as metas de economia mensal e em quanto tempo você quer alcançar o montante necessário.

Quite suas dívidas

Não faz muito sentido ter dinheiro guardado se você ainda tem dívidas pendentes, não acha? Aqui, vale lembrar que tudo aquilo que você paga parcelado, mesmo que em dia e sob controle, é considerado uma dívida.

Resolver essas pendências é fundamental para manter as suas finanças em dia e garantir que o fundo de emergência seja realmente utilizado para esse fim. Já pensou se você precisa usar a sua reserva para pagar a fatura de um cartão na hora do aperto e na mesma época o seu bichinho adoece?

Provavelmente você teria que fazer um empréstimo ou utilizar o cartão mais uma vez, aumentando as suas dívidas e correndo o risco de a situação fugir totalmente do controle — o que envolve perder a capacidade de honrar todos os compromissos e, na pior das hipóteses, ficar com o “nome sujo”.

Comece a poupar e investir

Agora que você já tem o orçamento mais organizado e conseguiu resolver a questão das dívidas, é o momento de começar a poupar e investir o dinheiro que será usado para formar o seu fundo de emergência.

Nessa hora, as metas continuam sendo muito importantes. Defina em quanto tempo quer ter a sua reserva formada e quanto precisará poupar todos os meses para alcançar esse objetivo.

A partir daí, já fica mais fácil saber quais ajustes precisam ser feitos e se será necessário reduzir mais algum gasto no seu orçamento ou conseguir mais trabalhos para que a meta seja alcançada.

Feito isso, basta escolher um investimento para guardar as economias. Tome a decisão com cuidado, pois com a SELIC baixa, algumas opções podem fazer você perder dinheiro para a inflação, como é o caso da poupança.

Isso significa que, com o passar do tempo, o seu dinheiro desvaloriza e você perder poder de compra.

Por outro lado, reserva de emergência não é algo feito com o objetivo de rentabilizar. Lembra que a proposta é trazer segurança para momentos complicados? Então, nada de colocar essa grana em ações ou em qualquer outro investimento de renda variável, ok?

CDB

Existe um ativo chamado CDB. Para não alongar demais em questões técnicas, vamos resumir o conceito dizendo que ele é um empréstimo que você faz para o banco e ele devolve depois com juros.

Ele é bem seguro (tanto quanto a poupança) e tem garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para investimentos de até R$250 mil. Então, mesmo se o banco quebrar, você tem a segurança de saber que vai receber o dinheiro que estava investido nele.

A principal dica é: estude um pouquinho sobre o assunto e fuja dos bancões. Eles oferecem taxas muito baixas, que podem ser piores até que a poupança. Sempre escolha um CDB que pague, pelo menos, 100% do CDI.

Também não se esqueça de escolher um investimento que ofereça liquidez diária, afinal, você pode precisar do dinheiro a qualquer momento, não é mesmo? Portanto, tome cuidado na hora de se decidir e verifique se o prazo para resgate é mesmo rápido assim — já que existem opções com vencimento para 3, 6 e 12 meses (ou até mais). Nesses casos, o resgate só pode ser feito no fim do período contratado.

Aqui vai outra dica que pode ajudar bastante no dia a dia: deixe uma pequena parte da reserva em um lugar de fácil acesso (mas sem se misturar com o dinheiro que você usa no dia a dia). Pode ser em uma conta do Nubank, por exemplo.

Como o expediente para aportes e resgates em investimentos costuma ser de segunda a sexta, se você precisar de um dinheiro de urgência no final de semana, ficará na mão. Por isso, vale a pena ter algum valor disponível assim (mesmo que seja em espécie).

Tenha disciplina

Por fim, a disciplina é um dos aspectos mais importantes quando se trata do nosso dinheiro. No caso do fundo de emergência, lembre-se de guardar um valor todos os meses (mesmo quando não for possível alcançar a meta) até que você tenha a reserva totalmente formada.

Além disso, vale reforçar que ele deve ficar lá quietinho, investido adequadamente até que seja necessário, ou seja, quando alguma emergência surgir e precisar ser resolvida com rapidez.

Então, você terá que resistir a algumas promoções, a uma viagenzinha de fim de semana para descansar e a qualquer outra tentação de gastar o dinheiro que está guardado. Lembre-se sempre de que ele é o que vai te salvar na hora dos perrengues.

A importância do controle financeiro para o freelancer

A renda de freelancers costuma ser bem variável, já que depende da disponibilidade de trabalhos e da nossa capacidade produtiva. Só por aí já dá para perceber a importância de ter um bom controle sobre as finanças.

É essa organização que permite entender qual é o nosso limite de gastos mensal, baseado em um valor médio que recebemos. Na hora de fazer as contas, vale a pena sempre pensar em um cenário mais pessimista, ou seja “jogar os ganhos para menos”.

Na pior das hipóteses, se você adoecer ou perder um cliente, por exemplo, qual é o valor que vai conseguir faturar no mês? Pensando nesse cenário e no seu custo de vida atual, seria tranquilo ou te deixaria em apuros? Com base na resposta, fica mais fácil saber o quanto você precisa de um controle financeiro.

Faça o registro do seu orçamento — por meio de planilha, aplicativo ou o método que achar melhor — e acompanhe todos os gastos, até mesmo os pequenos. Planeje sua reserva de emergência, evite gastos por impulso e pesquise bastante antes de fazer qualquer compra. Esssas medidas já vão ajudar bastante.

Mas, qual é o objetivo?

A ideia é que se tenha uma vida mais controlada, sem que seja necessário recorrer a empréstimos o ao cartão de crédito sempre que algum imprevisto surgir, o que pode piorar bastante a situação das suas finanças.

Como você pôde ver, o fundo de emergência é um aspecto muito importante das finanças pessoais e ajuda a trazer um pouco mais de estabilidade, principalmente nos momentos de imprevistos, em que somos pegos totalmente desprevenidos — que geralmente chegam justamente quando já estamos em uma situação delicada (o pobre não tem um dia de sossego, não é mesmo?).

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