Figuras de Linguagem

Figuras de linguagem: entenda as 15 figuras mais comuns e saiba como colocá-las em conteúdos da web!

Símile, analogia, metáfora, metonímia, perífrase... Essas e muitas outras são as figuras de linguagem. Quer aprender a utilizá-las corretamente? Confira o nosso post na íntegra!

Escrever bem não é questão de inspiração, e sim de muito trabalho. Para redigir um bom texto, é preciso, principalmente, ter uma boa frequência de leitura, um vocabulário vasto e o hábito de rascunhar bastante. Ainda assim, é muito diferente escrever textos profissionais e escrever literatura.

Porém, como estamos falando de escrita para a web, existe uma interseção interessante entre essas duas modalidades textuais que pode te ajudar a melhorar e a subir o nível da sua produção: as figuras de linguagem!

No post a seguir, apresentamos tudo o que você precisa saber sobre esse recurso e a sua importância em uma estratégia de Marketing. Além disso, trazemos ainda dicas incríveis para que você acerte em cheio na hora de utilizar as figuras de linguagem na sua produção de conteúdo. Continue a leitura!

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A subjetividade do texto literário

Antes de discorrer propriamente sobre as figuras de linguagem, é interessante definir alguns conceitos.

O texto literário se caracteriza e se difere dos outros pela sua subjetividade, ou seja, sua parcialidade, já que ele é uma expressão humana e artística, embasada na emoção e nos sentimentos.

Portanto, para chegar nessa manifestação única do subjetivo, o escritor possui várias artimanhas estéticas; dentre elas, as famosas figuras de linguagem — ainda que elas não sejam exclusivas da literatura, já que podem também aperfeiçoar e desenvolver mais o seu texto para a web.

Signos Linguísticos

Bom, antes de começar a falar de fato sobre as figuras de linguagem, precisamos explicar como as palavras podem variar e o que significa cada variação para o sentido da frase e para a ideia transmitida.

Signos linguísticos são as combinações entre os significantes e os significados. Enquanto os significantes são letras e sons, que formam palavras, os significados passam a ser o conceito e a ideia transmitida pelas palavras.

O que acontece é que a variação dos signos linguísticos causam a mudança de conceito nas mesmas palavras, por exemplo. E é, nesse contexto, que a conotação e a denotação entram.

Conotação e denotação

A denotação é o sentido literal da palavra, o que está no dicionário. Por exemplo: na frase “esta rua está cheia de pedras”, o termo “pedras” está colocado literalmente, fazendo referência ao ser inanimado.

Agora, a conotação é o que aborda os sentidos figurados das palavras. Aqui, a palavra ganha sentidos figurados e subjetivos.

Na sentença “você tem um coração de pedra”, o mesmo termo que na primeira frase denotava os minerais que estão na rua, na segunda, traz o significado de “uma pessoa que não se deixa levar pelos sentimentos”.

Portanto, a mesma palavra pode adquirir duas significações, dependendo do contexto em que ela está imersa, entendeu?

O que é figura de linguagem?

Agora que você sabe o que é conotação e o que é denotação, ficou mais fácil entender: as figuras de linguagem são expressões conotativas da língua, pautadas no sentido figurado.

A linguagem é o sistema por meio do qual os humanos conseguem se comunicar, sendo flexível e possuindo expressões tanto verbais quanto não-verbais.

As figuras de linguagem são estratégias que o nosso código linguístico permite pela sua flexibilidade. A ambiguidade de algumas palavras e a ironia, que é dizer uma coisa querendo dizer outra, são alguns exemplos da versatilidade.

E são essas artimanhas que podem enriquecer o seu texto para a web! 

Considerando que elas podem ser relacionadas com aspectos semânticos, fonológicos ou sintáticos da língua, existem muitos tipos de figuras de linguagem.

Elas também são classificadas em grupos para facilitar a compreensão do papel de cada uma. Geralmente, as categorias são figuras de construção, figuras sonoras, figuras semânticas (ou de palavras) e figuras de pensamento.

Pensando nisso, listamos as mais utilizadas e que são úteis para quem escreve para a web — nesse caso, não exploraremos os recursos voltados à fonologia, uma vez que eles são mais pertinentes em textos literários, devendo, inclusive, ser evitados nos textos para a web!

Figuras semânticas

1. Metáfora

“Deixe a meta do poeta, não discuta / Deixe a sua meta fora da disputa / Meta dentro e fora, lata absoluta / Deixe-a simplesmente metáfora”.(Metáfora — Gilberto Gil)

metáfora é, provavelmente, a figura de linguagem que mais utilizamos no nosso dia a dia. Ela se baseia em uma comparação implícita, sem o elemento comparativo (‘como’ ou ‘tal qual’, por exemplo), onde uma característica de determinada coisa é atribuída ao elemento metaforizado.

É usar a palavra referente a essa coisa no lugar da característica propriamente dita, depreendendo uma relação de semelhança que, por termos uma linguagem flexível e complexa, conseguimos entender.

Por exemplo, se dizemos que “Maria Rita é uma flor”, nosso cérebro já possui mecanismos para compreender que o que queremos dizer é que ela é delicada, perfumada, bonita, etc; e não que seja literalmente uma flor.

Para textos na web, é interessante utilizar algumas metáforas para validar seus argumentos e enriquecer linguisticamente o seu texto.

Se você está fazendo um texto sobre novas tecnologias, por que não recheá-lo com metáforas referentes a objetivos tecnológicos? Dessa forma, seu leitor ficará mais preso ao tema proposto e sua produção lhe parecerá mais atraente e bem escrita.

Mas, tenha cuidado, pois há mais de uma possibilidade de interpretação da metáfora, sendo que a característica em comum entre os dois elementos pode ficar por conta do leitor, então, procure esclarecer ao máximo o que você quer dizer quando usar desse recurso.

2. Símile

“Te ver e não te querer (…) / É como mergulhar no rio / E não se molhar / É como não morrer de frio / No gelo polar.”(Te ver — Samuel Rosa, Lelo Zanetti, Chico Amaral)

símile é, assim como a metáfora, uma figura de comparação — mas, dessa vez, explícita. Como assim?

Ela acontece quando existe o elemento comparativo (“como”, “que nem”, “assim como”, “tal qual”). A metáfora é mais subjetiva, pois aborda uma relação de ‘ser’ por meio de características, enquanto a símile apenas aponta que existe uma semelhança específica entre os dois elementos comparados.

Por exemplo, seguindo a linha da metáfora, uma símile equivalente seria “Maria Rita é bela como uma flor” ou “Maria Rita é cheirosa assim como uma flor”, pois, dessa forma, ressaltamos o determinado atributo que queremos comparar.

Quando se escreve para a web, fazer comparações explícitas pode te ajudar a ressaltar um argumento ou contrastar opções com mais propriedade e clareza.

Como a símile é mais objetiva que a metáfora, ela é mais acertada para se utilizar em textos com uma linguagem mais séria e menos descontraída.

Além disso, a relação de similaridade (daí o nome ‘símile’!) entre os vocábulos pode ser uma carta na manga na hora de convencer o leitor do seu ponto de vista.

3. Analogia

analogia também é uma espécie de comparação, feita por meio de uma correspondência entre duas distintas entidades. O termo também é utilizado no Direito e na Biologia. Na escrita, a analogia pode ocorrer quando o autor quer estabelecer uma aproximação equivalente entre elementos, se utilizando do sentido figurado e dos conectivos de comparação.

Por exemplo, em um trecho do romance “A Redoma de Vidro”, a autora Sylvia Plath faz uma analogia entre a abundância de opções que temos para escolher o que faremos da vida e uma árvore cheia de figos:

“Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poeta famosa, outro, uma professora brilhante, outro era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar. Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.”

Para a web, usar analogias pode ser eficiente quando você quer simplificar o assunto abordado. Caso ele seja muito complexo, é só fazer uma analogia com algo mais simples que o leitor entenderá mais facilmente e seu texto se enriquecerá.

4. Metonímia

“E no Nordeste tudo em paz / Só mesmo morto eu descanso / Mas o sangue anda solto / (…) / Terceiro mundo, se for / Piada no exterior / Mas o Brasil vai ficar rico”(Que país é esse? — Renato Russo)

A metonímia é mais uma figura de linguagem que tem a ver com semelhanças. Ela ocorre quando um único nome é citado para representar um todo referente a ele. Por exemplo, é comum dizermos frases como “Adoro ler Clarice Lispector” ou mais cotidiano ainda: “bebi um copo de leite”.

No primeiro caso, o que eu adoro ler são os livros escritos pela autora brasileira Clarice Lispector, e não a pessoa dela, em si. No segundo caso, ocorre a mesma coisa: o que eu bebi foi o conteúdo (leite) que estava dentro do copo, e não o objeto copo propriamente dito.

Ao se escrever para a web, a metonímia é muito útil e, muitas vezes, usada sem nem percebermos.

Quando substituímos uma marca por um tipo específico de produto, por exemplo, Durex substituindo fita adesiva, Toddy substituindo achocolatado em pó e Maizena substituindo amido de milho.

Ela permite maior fluidez na escrita, além de provocar identificação com o texto por parte do leitor.

5. Perífrase

“Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil”(Cidade Maravilhosa — André Filho)

A perífrase acontece quando um nome ou termo é substituído por alguma característica marcante do mesmo ou por algum fato que o tenha celebrizado — no caso de pessoas, essa função tem o nome de antonomásia.

Por exemplo, quando falamos “Rei do futebol”, no Brasil, nos referimos ao jogador Pelé. Essa figura de linguagem se difere da metáfora, uma vez que a expressão que substitui é especificamente do termo original, de modo que ele é facilmente identificado.

Na web, elas podem ser utilizadas para evitar repetir algum nome, dando maior riqueza ao seu texto sem precisar estender o número de palavras. Atenção apenas para não usar codinomes que não sejam populares. Isso pode dificultar o entendimento do leitor.

6. Sinestesia

“Palavras não são más / palavras não são quentes / palavras são iguais / sendo diferentes”(Palavras — Sérgio Britto e Marcelo Fromer)

É uma figura de linguagem bastante utilizada na arte, ou seja, textos literários — música e poesias, principalmente —, uma vez que ela trabalha com a mistura de dois ou mais sentidos do humano (olfato, paladar, audição, visão e tato).

Na frase “Um silêncio amargo invadiu a sala”, há um tipo de gosto (paladar) servindo de adjetivo para o silêncio (audição), por exemplo.

Mesmo na web, é possível utilizar essa figura quando a pauta permitir: moda, culinária, fotografia, por exemplo, são categorias em que, dependendo do foco desejado, a metonímia cai muito bem, intensificando as sensações que o texto eventualmente pode querer passar ao leitor.

7. Hipérbole

“Por você eu largo tudo / Vou mendigar, roubar, matar / Até nas coisas mais banais / Pra mim é tudo ou nunca mais”(Exagerado — Cazuza)

Ao contrário do eufemismo, a hipérbole serve para exaltar uma ideia, com o objetivo de causar maior impacto e entusiasmo. Ela é muito usada em nosso cotidiano, como na expressão “Estou morta de fome”, em que a intenção é enfatizar propositalmente o quanto estamos precisando comer.

Para a web esse recurso é maravilhoso, pois, se a intenção é convencer o leitor do que estamos dizendo, nada melhor que chamar a atenção dele para o que queremos, apenas usando termos exagerados.

Figuras sintáticas (ou de construção)

De um modo geral, esses recursos são utilizados em textos da web para dar maior fluidez ao texto, ao mesmo tempo que realçam a informação passada, deixando a escrita levemente mais rebuscada, mas sem perder a informalidade necessária nessas situações.

8. Elipse — Zeugma

“A tarde talvez fosse azul, / não houvesse tantos desejos”(Carlos Drummond de Andrade)

A elipse consiste na omissão de um termo sem que a frase tenha seu sentido alterado. Como na frase “(eu) Quero (receber) mais respeito”, na qual os termos em parênteses podem ser omitidos sem alterar os sentido da frase.

O zeugma é basicamente a mesma coisa, com a diferença que ele é específico para omitir nomes ou verbos citados anteriormente, por exemplo, quando dizemos “Eu prefiro literatura, ele, linguística”, e deixamos de repetir o termo “preferir”.

9. Silepse

“Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos, os modernos”.(Machado de Assis)

A silepse é quando há concordância com uma ideia ao invés de ser com uma palavra. Ela pode ocorrer nos seguintes âmbitos: de gênero, de número e de pessoa.

No exemplo “O casal se atrasou, estavam se arrumando”, temos uma silepse de número. A princípio a frase parece estar errada, mas não se preocupe, essa construção é permitida.

10. Hipérbato ou Inversão

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante.”(Hino Nacional — Joaquim Osório Duque Estrada)

O hipérbato é um recurso de inversão da ordem direta da frase (sujeito – verbo – objeto / complementos). Por exemplo na frase “Dorme tranquila a menina”, enquanto a ordem natural seria “A menina dorme tranquila”.

Quando a inversão é muito violenta, recebe o nome de sínquise e, quando a inversão é especificamente da posição do adjetivo, se chama hipálage.

11. Polissíndeto

“ E o olhar estaria ansioso esperando / E a cabeça ao sabor da mágoa balançada / E o coração fugindo e o coração voltando / E os minutos passando e os minutos passando…”. (Olhar para trás — Vinícius de Morais)

Essa figura de linguagem é a repetição de conectivos ligando termos da oração ou períodos. Normalmente, as conjunções coordenativas são repetidas, entre elas, o “e” é a mais comum.

Bom, nem sempre, esse pode ser um recurso utilizado na redação para web, considerando que a repetição desnecessária pode deixar o texto cansativo.

Figuras de pensamento

12. Antítese

“ Não existiria som se não /  Houvesse o silêncio / Não haveria luz se não / Fosse a escuridão / A vida é mesmo assim / Dia e noite, não e sim…”. (Certas Coisas — Lulu Santos)

O uso de palavras com sentidos opostos é outro possível recurso para fortalecer o discurso e deixar ainda mais claro um ponto de vista. A antítese é, justamente, o contraste que ocorre quando os termos estão bem próximos e acentuam a expressividade do período.

Curiosamente, a antítese é marco da escrita Barroca, tida como a arte do contraste, mas ainda tem espaço na escrita atual, principalmente no contexto digital. O contraste, além de enfatizar o sentido das duas palavras, esclarece que a divergência entre eles é o que garante, de certa forma, o argumento colocado.

13. Paradoxo

“Se você quiser me prender, vai ter que saber me soltar”(Tiranizar — Caetano Veloso)

O termo, formado pelo prefixo “para”, que indica contrário a e o sufixo “doxa”, quer dizer opinião, é consagrado pelos filósofos e seus sentidos vão além do uso na escrita.

Apesar de parecido com a antítese, o paradoxo é outra forma de figuras de linguagem e é usada para transmitir sentidos opostos em uma mesma construção sintática. As duas ideias devem estar na mesma frase para expressar essa contradição lógica e, geralmente, estão lado a lado. No exemplo, o paradoxo é produzido pela oposição lógica das palavras “prender” e “soltar”.

Outros bons exemplos são: “O riso é uma coisa séria”, “O melhor improviso é aquele que é melhor preparado” e “(O amor) é ferida que dói e não se sente”, de Luís de Camões.

14. Gradação ou Clímax

“Mais dez, mais cem, mais mil e mais um bilião, uns cingidos de luz, outros ensanguentados.” (Ocidentais — Machado de Assis)

Na hora de pensarmos a apresentação de ideias, a gradação é uma figura de linguagem que propõe a organização das palavras de acordo com a progressão ascendente ou descendente dos conceitos. O clímax é obtido com a gradação ascendente, enquanto o anticlímax é a organização de forma contrária.

15. Personificação ou Prosopopeia

“As casas espiam os homens / Que correm atrás das mulheres.” (Poema das Setes Faces — Carlos Drummond de Andrade)

Personificar é atribuir características humanas e qualidades a objetos inanimados e irracionais. Também parece pouco usual, mas acontece mais do que imaginamos.  O comum é conceder sentimentos, ações, sensações, gestos físicos e de fala a esses objetos.

O trecho do poema aponta figuras de linguagem logo no começo, a prosopopeia é percebida no ato de dar ação à “casa”, que, no caso, teria a qualidade de “espiar” os homens.

Figuras sonoras

A título de curiosidade, a assonância é um exemplo de recursos sonoros e figuras de linguagens, junto da aliteração, da onomatopeia e da paronomásia.

A assonância é usada em casos que a repetição da vogal tônica ou de palavras com as mesmas consoantes e vogais distintas. Como no exemplo a seguir, em que há repetição das mesmas consoantes com vogais diferentes:

“É a moda / da menina muda / da menina trombuda / que muda de modos / e dá medo”. (Moda da menina trombuda — Cecília Meireles)

Apesar de não estarem restritas à oralidade, quando pensamos no meio digital, a interpretação de recursos sonoros pode complicar um pouco mais a compreensão do texto, por isso, não são tão aproveitadas.

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Agora que você conheceu mais afundo acerca das figuras de linguagem e já sabe a diferença entre elas, é hora de utilizá-las para melhorar seus textos para a web! Vamos ver como?

Como e quando usar as figuras de linguagem 

1. Em textos técnicos para leigos

Como vimos, as figuras de linguagem baseiam-se, entre outras coisas, na comparação, nas metáforas, na personificação e em outros elementos capazes de trazer novas maneiras de explicar algo. Por causa disso, elas são excelentes para ajudar o leitor a compreender melhor as informações que você deseja passar a ele.

Portanto, uma das melhores utilidades das figuras de linguagem é em textos técnicos para leigos. Por meio delas, você poderá transmitir todo o conteúdo necessário sem simplificá-lo, já que as figuras de linguagem vão auxiliar o leitor a fazer conexões, a descobrir padrões e a perceber as implicações de determinada informação em seu dia a dia de maneira dinâmica e interessante. Outro resultado disso é que seu público-alvo vai se sentir mais engajado e envolvido com o que leu.

Já, se você for apresentar uma determinada ideia nova em um texto voltado para quem já entende do assunto de forma mais ampla, o mais recomendado é empregar as figuras de linguagem apenas para explicar esse conceito inovador, por exemplo. Caso contrário, você pode passar a impressão de não confiar no conhecimento do leitor, o que atrapalha a experiência dele com seu conteúdo.

2. Ao empregar um tom mais descontraído

Dentro da produção de conteúdo, de maneira geral, textos excessivamente formais não combinam com as figuras de linguagem. Mas, especialmente se você escreve para a web, o recurso pode ser usado para construir um tom mais descontraído e, consequentemente, próximo do leitor.

Afinal, como vimos, as figuras de linguagem têm a capacidade de pegar uma ideia abstrata ou não tão conhecida para o leitor e “repaginá-la”, imprimindo novos sentidos a ela. Com isso, ele não apenas compreenderá melhor o conteúdo, mas também se sentirá mais próximo dele.

Apesar de essa descontração ser bem-vinda na maior parte dos textos produzidos para web, muitas empresas adotam um estilo formal ou mais impessoal. Portanto, lembre-se de ficar atento para não exagerar no uso das figuras de linguagem — como na dica anterior, em que as recomendamos na produção de textos técnicos, exclusivamente quando o intuito for esclarecer informações para leigos.

Muitos dos tipos de figuras de linguagem, como a sinestesia, o polissíndeto (que, lembre-se, não costuma ser adequado para a redação web) e a própria metáfora, também têm a capacidade de revelar um olhar mais pessoal do escritor sobre o que ele está falando. Portanto, pode ser uma boa ideia utilizar as figuras de linguagem quando a proposta for justamente a de bater um papo mais próximo do leitor ou contar histórias de vida, por exemplo.

3. Quando você quer chamar a atenção do leitor de forma diferenciada

Uma boa metáfora ou hipérbole, usada de forma certeira no início de um texto, pode ser uma maneira incrível de fisgar a atenção do leitor logo de cara. O mesmo princípio vale para o restante do conteúdo: quando uma figura de linguagem aparece na hora e no lugar certos, o foco e o envolvimento do receptor com a mensagem são reenergizados.

Com isso, ele chegará até o final do texto com um aproveitamento máximo de tudo o que você tinha para falar. Por outro lado, como consequência, a estratégia não vai funcionar caso você utilize-as sem parcimônia. Então, escolha as figuras de linguagem certas para conquistar seu leitor!

4. Para estabelecer seu estilo

Em textos que pedem um estilo mais livre ou mesmo uma escrita mais pessoal, nos quais o redator tem uma possibilidade de demonstrar e desenvolver seu estilo, as figuras de linguagem são muito bem-vindas.

Elas são capazes de imprimir ritmo, profundidade e atmosfera à escrita. Além disso, metáforas originais e que fujam dos clichês, personificações criativas e hipérboles repletas de sentimento demonstram o talento do profissional. O recurso indica que você tem domínio sobre a língua portuguesa e seus mecanismos linguísticos, o que o torna um redator mais bem capacitado.

Fique atento, apenas, para saber em quais tipos de conteúdo essa liberdade de estilo é interessante ou pode ser utilizada — o objetivo principal deve ser sempre o de alcançar o leitor da maneira desejada. Preste atenção no estilo da empresa para a qual você está escrevendo e siga a deixa deles para orientar a sua escrita, já que a habilidade de navegar por diferentes estilos é uma das mais importantes para um redator web.

5. Para fortalecer seus argumentos

Para a redação web, produzir conteúdos cujas informações sejam embasadas por argumentos concretos é fundamental. Mas como convencer o leitor de que aquilo que você está falando é verdade? As figuras de linguagem podem ajudar nesse objetivo.

Isso acontece porque utilizar esse recurso exige que você saiba “brincar” com as informações, já que precisará descobrir palavras, formas, estruturas e explicações diferenciadas para elas. Ou seja, você precisa entender a informação original para poder explicá-la de outra forma por meio de uma figura de linguagem.

Além disso, as figuras de linguagem reduzem também a repetição de palavras e de construções semelhantes para falar a mesma coisa. Dessa maneira, você pode relembrar informações importantes para o leitor ao longo do texto sempre que for necessário, sem que isso torne-se cansativo ou repetitivo para ele — com as figuras de linguagem, ele vai absorver melhor essa informação complicada que foi reapresentada outras vezes sem nem perceber.

E quando demonstramos ter propriedade sobre nossos argumentos, eles são fortalecidos e o leitor tende a confiar mais neles. Com isso, o texto tem maiores chances de alcançar seus objetivos finais.

Viu só? Dominar as figuras de linguagem e saber utilizá-las vai enriquecer muito a sua produção de conteúdo. Quer continuar se especializando cada vez mais? Então, aproveite também para baixar o nosso Guia prático de português e gramática para web e aprimore ainda mais os seus conhecimentos!

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