Figuras de Linguagem

Figuras de linguagem: conheça mais sobre as mais usadas!

Símile, analogia, metáfora, metonímia, perífrase... Essas e muitas outras são as figuras de linguagem. Quer aprender a utilizá-las corretamente? Confira o nosso post na íntegra!

Escrever bem não é questão de inspiração, e sim de muito trabalho. Para redigir um bom texto, é preciso, principalmente, ter uma boa frequência de leitura, um vocabulário vasto e o hábito de rascunhar bastante. Ainda assim, é muito diferente escrever textos profissionais e escrever literatura.

Porém, como estamos falando de escrita para a web, existe uma interseção interessante entre essas duas modalidades textuais, que pode te ajudar a melhorar e a subir o nível de linguagem da sua produção: as figuras de linguagem!

Conheça um pouco mais sobre este recurso neste post a seguir. Confira:

A subjetividade do texto literário

Antes de discorrer propriamente sobre as figuras de linguagem, é interessante definir alguns conceitos.

O texto literário se caracteriza e se difere dos outros pela sua subjetividade, ou seja, sua parcialidade, já que ele é uma expressão humana e artística, embasada na emoção e nos sentimentos.

Portanto, para chegar nessa manifestação única do subjetivo, o escritor possui várias artimanhas estéticas; dentre elas, as famosas figuras de linguagem — ainda que elas não sejam exclusivas da literatura, já que podem aperfeiçoar e desenvolver mais o seu texto para a web.

Conotação e denotação

Para absorver essas figuras, é interessante entender a diferença entre conotação e denotação. Veja só:

A denotação é o sentido literal da palavra, o que está no dicionário. Por exemplo: na frase “esta rua está cheia de pedras”, o termo “pedras” está colocado literalmente, fazendo referência ao ser inanimado.

Agora, a conotação é o que aborda os sentidos figurados das palavras. Na sentença “você tem um coração de pedra”, o mesmo termo que na primeira frase denotava a os minerais que estão na rua, nessa segunda trazem o significado de “uma pessoa que não se deixa levar pelos sentimentos”.

Portanto, a mesma palavra pode adquirir duas significações, dependendo do contexto em que ela está imersa, entendeu?

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O que é figura de linguagem?

Agora que você sabe o que é conotação e o que é denotação, ficou mais fácil entender: as figuras de linguagem são expressões conotativas da língua, pautadas no sentido figurado.

A linguagem é o sistema por meio do qual os humanos conseguem se comunicar, sendo flexível e possuindo expressões tanto verbais quanto não-verbais. As figuras de linguagem são estratégias que o nosso código linguístico permite, pela sua flexibilidade — a ambiguidade de algumas palavras, por exemplo; ou a ironia, que é dizer uma coisa querendo dizer outra. E são essas artimanhas que podem enriquecer o seu texto para a web!

Considerando que elas podem ser relacionadas com aspectos semânticos, fonológicos ou sintáticos da língua, existem muitos tipos de figuras de linguagem. Pensando nisso, listamos as mais utilizadas e que são úteis para quem escreve para a web — nesse caso, não exploraremos os recursos voltados à fonologia, uma vez que eles são mais pertinentes em textos literários, devendo, inclusive, ser evitados nos textos para a web!

Recursos semânticos

Metáfora

“Deixe a meta do poeta, não discuta / Deixe a sua meta fora da disputa / Meta dentro e fora, lata absoluta / Deixe-a simplesmente metáfora”

(Metáfora – Gilberto Gil)

A metáfora é, provavelmente, a figura de linguagem que mais utilizamos no nosso dia a dia. Ela se baseia em uma comparação implícita, sem o elemento comparativo (‘como’ ou ‘tal qual’, por exemplo), onde uma característica de determinada coisa é atribuída ao elemento metaforizado.

É usar a palavra referente a essa coisa no lugar da característica propriamente dita, depreendendo uma relação de semelhança que, por termos uma linguagem flexível e complexa, conseguimos entender. Por exemplo, se dizemos que “Maria Rita é uma flor”, nosso cérebro já possui mecanismos para compreender que o que queremos dizer é que ela é delicada, perfumada, bonita, etc; e não que seja literalmente uma flor.

Para textos na web, é interessante se utilizar de algumas metáforas para validar seus argumentos e enriquecer linguisticamente o seu texto. Por exemplo, se você está fazendo um texto sobre novas tecnologias, por que não recheá-lo com metáforas referentes a objetivos tecnológicos? Dessa forma, seu leitor ficará mais preso ao tema proposto e sua produção lhe parecerá mais atraente e bem escrita.

Mas, tenha cuidado, pois há mais possibilidades de interpretação da metáfora, sendo que a característica em comum entre os dois elementos pode ficar por conta do leitor, então procure esclarecer ao máximo o que você quer dizer quando usar desse recurso.

Símile

“Te ver e não te querer (…) / É como mergulhar no rio / E não se molhar / É como não morrer de frio / No gelo polar.”

(Te ver — Samuel Rosa, Lelo Zanetti, Chico Amaral)

A símile é, assim como a metáfora, uma figura de comparação  mas, dessa vez, explícita. Como assim?

Ela acontece quando existe o elemento comparativo (‘como’, ‘que nem’, ‘assim como’, ‘tal qual’). A metáfora é mais subjetiva, pois aborda uma relação de ‘ser’ por meio de características, enquanto a símile apenas aponta que existe uma semelhança específica entre os dois elementos comparados.

Por exemplo, seguindo a linha da metáfora, uma símile equivalente seria “Maria Rita é bela como uma flor” ou “Maria Rita é cheirosa assim como uma flor”, pois, dessa forma, ressaltamos o determinado atributo que queremos comparar.

Quando se escreve para a web, fazer comparações explícitas pode te ajudar a ressaltar um argumento ou contrastar opções com mais propriedade e clareza. Como a símile é mais objetiva que a metáfora, ela é mais acertada para se utilizar em textos com uma linguagem mais séria e menos descontraída.

Além disso, a relação de similaridade (daí o nome ‘símile’!) entre os vocábulos pode ser uma carta na manga na hora de convencer o leitor do seu ponto de vista.

Analogia

A analogia também é uma espécie de comparação, feita por meio de uma correspondência entre duas distintas entidades. Termo utilizado no direito e na biologia, a analogia pode ocorrer quando o autor quer estabelecer uma aproximação equivalente entre elementos, se utilizando do sentido figurado e dos conectivos de comparação.

Por exemplo, em um trecho do romance “A Redoma de Vidro”, a autora Sylvia Plath faz uma analogia entre a abundância de opções que temos para escolher o que faremos da vida e uma árvore cheia de figos:

“Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poeta famosa, outro, uma professora brilhante, outro era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar. Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.”

Para a web, usar analogias pode ser eficiente quando você quer simplificar o assunto abordado, caso ele seja muito complexo — é só fazer uma analogia com algo mais simples, que o leitor entenderá mais facilmente e seu texto se enriquecerá.

Metonímia

“E no Nordeste tudo em paz / Só mesmo morto eu descanso / Mas o sangue anda solto / (…) / Terceiro mundo, se for / Piada no exterior / Mas o Brasil vai ficar rico”

(Que país é esse? — Renato Russo)

A metonímia é mais uma figura de linguagem que tem a ver com semelhanças. Ela ocorre quando um único nome é citado para representar um todo referente a ele.

Por exemplo, é comum dizermos frases como “Adoro ler Clarice Lispector” ou, mais cotidiano ainda: “bebi um copo de leite”. No primeiro caso, o que eu adoro ler são os livros escritos pela autora brasileira Clarice Lispector, e não a pessoa dela, em si. No segundo caso, ocorre a mesma coisa: o que eu bebi foi o conteúdo (leite) que estava dentro do copo, e não o objeto copo propriamente dito.

Ao se escrever para a web, assim como no nosso dia a dia, a metonímia é muito útil e, muitas vezes, usada sem nem percebermos — como quando substituímos uma marca por um tipo específico de produto, por exemplo (Durex substituindo fita adesiva; Toddy substituindo achocolatado em pó; Maizena substituindo amido de milho, entre vários outros). Ela permite maior fluidez na escrita, além de provocar identificação com o texto, por parte do leitor.

Perífrase

“Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade maravilhosa / Coração do meu Brasil”

(Cidade Maravilhosa — André Filho)

A perífrase acontece quando um nome ou termo é substituído por alguma característica marcante do mesmo, ou por algum fato que o tenha celebrizado — no caso de pessoas, essa função tem o nome de antonomásia.

Por exemplo, quando falamos “Rei do futebol”, no Brasil, nos referimos ao jogador Pelé. Essa figura de linguagem se difere da metáfora uma vez que a expressão que substitui é especificamente do termo original, de modo que ele é facilmente identificado.

Na web, elas podem ser utilizadas para evitar repetir algum nome, dando maior riqueza ao seu texto sem precisar estender o número de palavras. Atenção apenas para não usar codinomes que não sejam populares, ou isso pode dificultar o entendimento do leitor.

Sinestesia

“Palavras não são más / palavras não são quentes / palavras são iguais / sendo diferentes”

(Palavras Sérgio Britto e Marcelo Fromer)

É uma figura de linguagem bastante utilizada na arte, ou seja, textos literários — música e poesias, principalmente —, uma vez que ela trabalha com a mistura de dois ou mais sentidos do humano (olfato, paladar, audição, visão e tato).

Na frase “Um silêncio amargo invadiu a sala”, há um tipo de gosto (paladar) servindo de adjetivo para o silêncio (audição), por exemplo.

Mesmo na web, é possível utilizar essa figura quando a pauta permitir: moda, culinária, fotografia, por exemplo, são categorias em que, dependendo do foco desejado, a metonímia cai muito bem, intensificando as sensações que o texto eventualmente pode querer passar ao leitor.

Eufemismo 

“Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas / Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas / Quandos eles embarcam, soldados / Elas tecem longos bordados / (…) /E quando eles voltam sedentos / Querem arrancar violentos / Carícias plenas / Obscenas

(Mulheres de Atenas — Chico Buarque)

O eufemismo consiste na suavização da linguagem, diminuindo a agressividade no sentido de algumas palavras ou expressões possivelmente desagradáveis, tanto para quem enuncia quanto para quem recebe o texto. Uma maneira de dizer que alguém mentiu sobre um determinado assunto, mas sem acusar diretamente, por exemplo, pode ser: “Você faltou com a verdade”.

Em textos para a web esse recurso é bastante interessante, quando for preciso amenizar algum ponto negativo do tema que está sendo promovido no post, ou mesmo quando algum assunto mais complicado tiver de ser citado, é possível usar o eufemismo para manter o texto mais descontraído.

Hipérbole

“Por você eu largo tudo / Vou mendigar, roubar, matar / Até nas coisas mais banais / Pra mim é tudo ou nunca mais”

(Exagerado — Cazuza)

Ao contrário do eufemismo, a hipérbole serve para exaltar uma ideia, com o objetivo de causar maior impacto e entusiasmo. Ela é muito usada em nosso cotidiano, como na expressão “Estou morta de fome”, em que a intenção é enfatizar propositalmente o quanto estamos precisando comer.

Para a web esse recurso é maravilhoso, pois, se a intenção é convencer o leitor do que estamos dizendo, nada melhor que chamar a atenção dele para o que queremos, apenas usando termos exagerados.

Recursos sintáticos

De um modo geral, esses recursos são utilizados em textos da web para dar maior fluidez ao texto, ao mesmo tempo que realçam a informação passada, deixando a escrita levemente mais rebuscada, mas sem perder a informalidade necessária nessas situações.

Elipse — Zeugma

“A tarde talvez fosse azul, / não houvesse tantos desejos”

(Carlos Drummond de Andrade)

A elipse consiste na omissão de um termo sem que a frase tenha seu sentido alterado. Como na frase “(eu) Quero (receber) mais respeito”, na qual os termos em parênteses podem ser omitidos sem alterar os sentido da frase.

O zeugma é basicamente a mesma coisa, com a diferença que ele é específico para omitir nomes ou verbos citados anteriormente, por exemplo, quando dizemos “Eu prefiro literatura, ele, linguística”, e deixamos de repetir o termo “preferir”.

Silepse

Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos, os modernos”.

(Machado de Assis)

A silepse é quando há concordância com uma ideia ao invés de ser com uma palavra. Ela pode ocorrer nos seguintes âmbitos: de gênero, de número e de pessoa. No exemplo “O casal se atrasou, estavam se arrumando”, temos uma silepse de número. A princípio a frase parece estar errada, mas não se preocupe, essa construção é permitida.

Hipérbato

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante.”

(Hino Nacional — Joaquim Osório Duque Estrada)

O hipérbato é um recurso de inversão da ordem direta da frase (sujeito – verbo – objeto / complementos). Por exemplo na frase “Dorme tranquila a menina”, enquanto a ordem natural seria “A menina dorme tranquila”. Quando a inversão e muito violenta, recebe o nome de sínquise e quando a inversão é especificamente da posição do adjetivo, se chama hipálage.

Agora que você conheceu mais afundo acerca das figuras de linguagem e já sabe a diferença entre elas, é hora de utilizá-las para melhorar seus textos para a web! Aproveite também para baixar o nosso e-book gratuito — “Guia prático de português e gramática para redatores web” — e aprimore ainda mais os seus conhecimentos!

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