Por Luís Cunha

Redator freelancer na Rock Content.

Publicado em 31/01/2018. | Atualizado em 29/07/2019


Expressões idiomáticas são recursos da fala e da escrita, que ganham novos sentidos conotativos e ultrapassam seus significados literais quando aplicados em contextos específicos. Como por exemplo "dar uma mãozinha" com o sentido de ajudar.

Você sente que o seu texto precisa de algo para encher os olhos do leitor, mas não consegue identificar o que tanto falta exatamente?

Talvez a resposta esteja nas expressões idiomáticas, um recurso linguístico essencial no Marketing que pode ajudar qualquer conteúdo fraquinho a dar a volta por cima.

Se você não quer abrir mão do seu material, leia este post. Nas próximas linhas, nós vamos explicar o que são as expressões idiomáticas e mostrar de que maneira você pode adotá-las em sua redação (assim como fizemos muitas vezes nesses 2 parágrafos!).

Chegou a hora de arregaçar as mangas, partir para a leitura e botar para quebrar! Vamos lá?

O que são expressões idiomáticas

Expressões idiomáticas são recursos da fala e da escrita, que ganham novos sentidos conotativos e ultrapassam seus significados literais quando aplicados em contextos específicos. Como por exemplo “estar com a cabeça nas nuvens” com o sentido de estar distraído e outras 168 que veremos neste post.

Por isso, a sua interpretação deve ser feita de maneira geral, sem ter que observar cada elemento que compõe a sentença. Muitas vezes, essas expressões não podem ser traduzidas e só podemos compreendê-las avaliando o contexto em que foram utilizadas.

Você pode até não perceber, mas usamos as expressões idiomáticas a todo instante: nas conversas, nos jornais, nas revistas, nos programas de rádio e de televisão, nas propagandas, nos livros, nas músicas, nos filmes…

Isso quer dizer que elas não se restringem a situações específicas, muito menos a grupos sociais. As expressões idiomáticas são uma parte muito importante da comunicação escrita e falada, tanto formal quanto informal.

Quando pensamos na escrita e em questões gramaticais, elas exercem papéis variados e podem assumir função de orações completas, adjetivos, substantivos, verbos e interjeições.

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Expressões idiomáticas ou Idiomatismo

Bom, os dois termos fazem referência ao mesmo recurso, que conta com a vivência cultural e com valores conotativos para construir um novo sentido para a frase.

Eles são o contrário das expressões composicionais, que são montadas e só têm significado quando cada palavra é analisada individualmente e os sentidos usuais são combinados para mostrar o todo.

Por que usar expressões idiomáticas

O motivo que nos leva a usar expressões idiomáticas é o desejo de acrescentar algo nas mensagens, um elemento que a linguagem “convencional” nem sempre é capaz de oferecer.

Acontece que, na prática, as expressões idiomáticas têm diversas funções, como você verá a seguir.

Dar força uma frase

As expressões idiomáticas são também um recurso literário, e como tal têm a função de aumentar o impacto do que foi dito. Veja os exemplos a seguir:

  • O deputado ficou furioso e começou a desferir ofensas diretas ao seu adversário.
  • Em um ataque de fúria, o deputado perdeu a linha e vociferou contra o seu adversário.

Percebe que no segundo caso há muito mais potência do que no primeiro? Pois é, assim é possível chamar a atenção do leitor e acrescentar um estímulo à frase.

Acrescentar sutileza a uma sentença

Muitas vezes, as palavras podem ser muito duras. As expressões idiomáticas podem ter um efeito eufemista em diversas circunstâncias. Veja:

  • O jogador percebeu que estava na hora de se aposentar.
  • O jogador percebeu que estava na hora de pendurar as chuteiras.

Não apenas nos textos, mas em situações cotidianas, o uso desse recurso pode trazer sutileza e evitar ofensas, minimizar um fato ou diminuir a intensidade da interpretação.

Enfatizar a intensidade dos nossos sentimentos

Outra função das expressões idiomáticas é enfatizar um sentimento. Pense nos exemplos a seguir:

  • Meu pai não merece meu perdão. Quando criança, ele me abandonou.
  • Meu pai não merece meu perdão. Quando criança, ele me deixou a ver navios.

Na segunda frase, há um choque mais profundo para o ouvinte/leitor. Ou seja, o sentimento foi exaltado.

Adicionar humor ou ironia ao que escrevemos ou dizemos

O humor é um recurso muito importante em qualquer situação em que exista a comunicação. Usar as expressões idiomáticas para tornar um discurso mais engraçado é uma ótima forma de entreter o receptor. Por exemplo:

  • Lúcia estava muito animada na última festa da empresa.
  • Lúcia soltou a franga na última festa da empresa.

Pobre Lúcia. Provavelmente teve uma ressaca daquelas no dia seguinte.

Reforçar um bom domínio do idioma

Certamente, a utilização desse recurso revela que o autor tem muito mais conhecimento acerca da língua na qual o texto foi proclamado (seja ele verbal ou não verbal). Veja os exemplos a seguir:

  • João Paulo presenciou o crime, mas estava disposto a não denunciá-lo.
  • João Paulo presenciou o crime, mas estava disposto a fazer vista grossa.

JP, aliás, seria enquadrado como cúmplice.

Ironizar

A ironia é um valioso recurso linguístico. Muitas vezes, ela pode ser valiosa e tornar o texto mais rico. Esse é um recurso muito utilizado por colunistas, como Diogo Mainardi e Arnaldo Jabor, por exemplo.

  • Você agiu bem. Beijar os pés de quem o apunhalou pelas costas é uma ótima saída.

Quem nunca, né?

Insinuar

Palavras entreditas são aquelas modificadas propositalmente para terem duplo sentido. Elas servem para evitar situações constrangedoras ou fazer sugestões indiretas.

  • É claro que eu posso ajudá-lo. Mas sabe como é, uma mão lava a outra.

Aproximar do leitor

Por fim, as expressões idiomáticas também podem ser um recurso valioso para aproximar-se da sua persona. A partir do momento em que você as conhece bem, é possível utilizá-las para uma comunicação direcionada.

  • Graças às dívidas, minha tia está em uma situação muito complicada.
  • Graças às dívidas, minha tia está pisando em ovos.

Como usar as expressões idiomáticas

O segredo para usar essas expressões em seus conteúdos é conseguir adequar a expressão à linguagem utilizada e às caraterísticas da sua persona. Os termos devem ser incluídos de forma natural e genuína, sem ser de maneira forçada ou informal demais para o assunto do conteúdo.

Por se tratar de expressões que dizem sobre a cultura de uma região ou de um país, por exemplo, é sempre bom ter cuidado. Saber se seu público consegue identificar sem grandes esforços o sentido da frase é o primeiro passo.

Outra boa dica é conferir se já são expressões cristalizadas, ou seja, se o sentido entendido é o mesmo para todos. Evite usar expressões muito recentes ou restritas dos meios digitais e aposte em termos mais comuns da fala, alguns mais antigos e com sentidos fáceis de serem compreendidos. Nós utilizamos alguns nesse post, como: encher os olhos, dar a volta por cima e botar para quebrar. Esses são bem famosos, não é mesmo?


Dicas para usar expressões idiomáticas

Sendo um recurso linguístico avançado, as expressões idiomáticas podem ser desastrosas quando mal utilizadas. Afinal, a característica principal de uma boa comunicação é que haja compreensão. E você não quer que o seu leitor fique confuso, não é mesmo?

Por isso, a seguir veja algumas dicas para evitar ruídos no processo comunicacional com o receptor:

1. Use-as com moderação

Um texto recheado de expressões idiomáticas pode acabar embaralhando a mente do leitor. Por isso, é preciso utilizá-las com sabedoria e em momentos específicos. Seu uso deve ser moderado e, claro, cumprir o objetivo esperado.

2. Adeque-se à sua persona

Nem todos os seus leitores estão familiarizados com todas as expressões idiomáticas. Se a sua audiência é composta por um conjunto de jovens, por exemplo, dificilmente entenderão frases como “dar jarjão” ou “apanhar a pata”, muito utilizadas antigamente.

O mesmo vale para segmentações geográficas e demográficas. Saber se comunicar com o seu público é essencial em uma estratégia de marketing.

3. Contextualize

Ao utilizar esse recurso, há um elemento muito importante a ser considerado: o contexto. Pense duas vezes ao usar ironias, principalmente. Na linguagem textual, especialmente, esse é um mecanismo que pode ser mal interpretado e ter o resultado contrário.

Leve em consideração também o seu público fiel. Muitas vezes, seus leitores já compreendem o seu estilo de texto e sabe exatamente o que você quer dizer. Porém, várias pessoas estarão lendo o seu conteúdo pela primeira vez e podem ter uma má impressão sobre o que você escreve.

4. Escolha bem os canais onde utilizá-las

A internet é um ambiente vasto. Saber onde e quando utilizar as expressões idiomáticas é muito importante para que elas atinjam o seu máximo potencial.

Em redes sociais de caráter informal, elas são muito bem-vistas. Facebook, Instagram e YouTube, por exemplo. Em outros, como o LinkedIn ou grupos profissionais na rede social de Zuckerberg, é preciso mensurar a utilização.

O mesmo vale para o tema. Em textos de entretenimento você pode observar uma grande quantidade de expressões, enquanto em assuntos mais sérios, elas são mais escassas.

Materiais recomendados para escrever textos impecáveis:
Guia definitivo do texto perfeito: do brainstorm às técnicas de persuasão
Guia de produção de conteúdo para web 2.0
Glossário de Produção de Conteúdo para Web
Cartilha de escrita humanizada
Guia prático de português e gramática para web atualizado
Checklist interativa de revisão
ABC do Copywriting

Exemplos de expressões idiomáticas

Agora que você já sabe o que é são as expressões idiomáticas e para o que elas servem, pode, finalmente, conhecer as principais frases desse tipo que são usadas em nossa língua. Confira, a seguir, uma lista com 169 expressões bastante recorrentes no português:

  1. A céu aberto: ao ar livre
  2. Abandonar o barco: desistir de uma situação difícil
  3. Abotoar o paletó: morrer
  4. Abrir mão de alguma coisa: renunciar alguma coisa
  5. Abrir o coração: desabafar, declarar-se sinceramente
  6. Abrir o jogo: denunciar ou revelar detalhes
  7. Abrir os olhos a alguém: alertar ou convencer alguém de alguma coisa
  8. Acabar em pizza: quando uma situação não resolvida acaba encerrada (especialmente em casos de corrupção, quando ninguém é punido)
  9. Acertar na lata: acertar com precisão, adivinhar de primeira
  10. Acertar na mosca: acertar com precisão, adivinhar de primeira
  11. Adoçar a boca: conseguir um favor de alguém com elogios
  12. Agarrar com unhas e dentes: agir de forma extrema para não perder algo ou alguém
  13. Agora é que são elas: momento em que começa a dificuldade
  14. Água que passarinho não bebe: pinga ou bebida alcoólica
  15. Amarrar o burro: descansar ou se comprometer romanticamente com alguém
  16. Amigo da onça: amigo falso, interesseiro ou traidor
  17. Andar feito barata tonta: estar distraído
  18. Andar na linha: estar elegante ou agir corretamente
  19. Andar nas nuvens: estar distraído
  20. Ao deus dará: abandonado ou sem rumo
  21. Ao pé da letra: literalmente
  22. Aos trancos e barrancos: de forma desajeitada
  23. Armar um barraco: discutir ou brigar em público
  24. Armar-se até aos dentes: estar preparado para qualquer situação
  25. Arrancar cabelos: desesperar-se
  26. Arrastar as asas: insinuar-se romanticamente para alguém
  27. Arregaçar as mangas: começar uma atividade ou um trabalho com afinco
  28. Arrumar sarna para se coçar: procurar problemas
  29. Até debaixo d’água: em todas as circunstâncias
  30. Babar ovo: idolatrar alguém incondicionalmente
  31. Baixar a bola: acalmar-se ou ser mais comedido
  32. Banho de gato: lavar superficialmente as partes do corpo
  33. Banho de água fria: desiludir ou quebrar as expectativas de alguém
  34. Barata tonta: perdido, desorientado, sem saber o que fazer
  35. Barra pesada: situação difícil ou pessoa violenta
  36. Bate e volta: ir e voltar de um evento ou de um lugar rapidamente
  37. Bater as botas: morrer
  38. Bater na mesma tecla: insistir no mesmo assunto
  39. Bater papo: conversar informalmente
  40. Bode expiatório: aquele que leva a culpa no lugar de outro
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  42. Bola para frente: expressão de encorajamento, para se seguir em frente mesmo frente a adversidades
  43. Bom de bico: galanteador ou alguém que tenta convencer os outros com conversa
  44. Botar a boca no trombone: revelar um segredo ou tornar algo público
  45. Botar o carro na frente dos bois: pular etapas de forma inapropriada, geralmente atrapalhando o andamento de uma situação
  46. Botar para quebrar: fazer algo com extrema intensidade, em geral em sentido positivo
  47. Briga de cachorro grande: embate entre grandes forças
  48. Cair a ficha: dar-se conta de algo ou entender um assunto tardiamente
  49. Cara de pau: descarado ou sem-vergonha
  50. Chutar o balde: agir irresponsavelmente em relação a um problema
  51. Chutar o pau da barraca: agir irresponsavelmente em relação a um problema
  52. Colocar melancia na cabeça: exibir-se ou querer chamar a atenção dos outros
  53. Comer cru e quente: ser apressado
  54. Comprar gato por lebre: ser enganado
  55. Conversa fiada: falar uma mentira ou inventar uma desculpa
  56. Cutucar a onça com vara curta: provocar alguém indevidamente
  57. Dar a volta por cima: recuperar-se
  58. Dar bola: insinuar-se romanticamente para alguém
  59. Dar com a cara na porta: receber um “não” como resposta ou procurar algo e não encontrar
  60. Dar com a língua nos dentes: dizer algo que não podia ter sido dito
  61. Dar mancada: cometer um deslize ou descumprir uma promessa
  62. Dar o braço a torcer: retomar uma decisão ou deixar o orgulho de lado
  63. Dar uma de João sem braço: fazer-se de desentendido
  64. Dar uma mãozinha: dar uma pequena ajuda
  65. De uma forma ou de outra: quando tem certeza de que algo vai acontecer
  66. Deixar na mão: abandonar ou não ajudar
  67. Descascar o abacaxi: resolver um problema complicado
  68. Dormir no ponto: perder uma oportunidade
  69. Encher linguiça: enrolar ou preencher espaço com embromação
  70. Enfiar o pé na jaca: cometer excessos
  71. Engolir sapo: fazer algo contrariado, ser alvo de insultos ou acumular ressentimentos
  72. Entornar o caneco: beber muito
  73. Entrar numa fria: se dar mal
  74. Entrar pelo cano: se dar mal ou ficar encrencado
  75. Enxugar gelo: fazer um trabalho inútil
  76. Estar com a bola murcha: estar sem ânimo
  77. Estar com a cabeça nas nuvens: estar distraído
  78. Estar com a cabeça quente: estar muito irritado
  79. Estar com a corda no pescoço: estar ameaçado, sob pressão ou com problemas financeiros
  80. Estar com a corda toda: estar animado ou empolgado
  81. Estar com a faca e o queijo na mão: estar com poder ou condições para resolver algo
  82. Estar com a pulga atrás da orelha: estar desconfiado
  83. Estar com aperto no coração: estar angustiado
  84. Estar com dor de cotovelo: ter uma decepção amorosa ou estar com ciúmes
  85. Estar com um pé atrás: estar desconfiado
  86. Estar com o pé na cova: estar para morrer
  87. Estar com uma pedra no sapato: ter um problema por resolver
  88. Estar dando sopa: estar inadvertidamente vulnerável
  89. Estar de mãos abanando: não conseguir o que pretendia
  90. Estar de mãos atadas: não poder fazer nada
  91. Estar na aba de alguém: usar algo emprestado ou de graça
  92. Fazer boca de siri: manter segredo sobre algum assunto
  93. Fazer de olhos fechados: fazer com muita facilidade
  94. Fazer nas coxas: fazer sem cuidado
  95. Fazer tempestade em copo d’água: transformar uma banalidade em tragédia
  96. Fazer um negócio da China: aproveitar uma grande oportunidade
  97. Fazer vista grossa: fingir que não viu, relevar ou negligenciar
  98. Feito cego em tiroteio: desorientado ou perdido
  99. Ficar a ver navios: ficar sem nada ou sem coisa alguma
  100. Gritar a plenos pulmões: gritar com toda a força
  101. Ir catar coquinho: pedir para alguém ir fazer outra coisa ou para não se intrometer no assunto
  102. Ir desta para melhor: morrer
  103. Ir para o espaço: não funcionar, falhar ou dar errado
  104. Ir pentear macaco: pedir para alguém ir fazer outra coisa ou para não se intrometer no assunto
  105. Ir tomar banho: pedir para alguém ir fazer outra coisa ou para não se intrometer no assunto
  106. Jogado para escanteio: posto de lado, descartado ou ignorado
  107. Lavar a roupa suja: acertar as diferenças com alguém
  108. Lavar as mãos: não se envolver
  109. Levado da breca: pessoa difícil ou que faz coisas impensáveis
  110. Levantar com o pé esquerdo: ter um dia ruim
  111. Levar ferro: fracassar ou se dar mal
  112. Levar toco: ser dispensado romanticamente
  113. Levar um fora: ser dispensado ou desprezado romanticamente
  114. Mandar ver: fazer algo com extrema intensidade, em geral em sentido positivo
  115. Matar a cobra e mostrar o pau: assumir um ato com fervor
  116. Meter o dedo na ferida: insistir em uma situação problemática
  117. Meter o rabo entre as pernas: submeter-se ou se acovardar
  118. Meter os pés pelas mãos: confundir-se no raciocínio ou agir com pressa ou desajeitadamente
  119. Mudar da água para o vinho: mudar totalmente ou radicalmente
  120. O gato comeu a língua: pessoa calada
  121. Onde Judas perdeu as botas: lugar muito distante
  122. Pagar o pato: ser responsabilizado por algo que não cometeu
  123. Pendurar as chuteiras: aposentar-se ou desistir
  124. Pensar na morte da bezerra: distrair-se
  125. Perder a linha: perder a educação ou a elegância
  126. Perder as estribeiras: desnortear-se
  127. Pirar na batatinha: pensar ou propor uma coisa improvável ou impossível de acontecer
  128. Pisar na bola: cometer um deslize
  129. Plantar bananeira: colocar-se de cabeça para baixo
  130. Procurar chifre em cabeça de cavalo: procurar significados ou imaginar problemas que não existem
  131. Procurar sarna para se coçar: envolver-se em problemas sem necessidade
  132. Procurar uma agulha num palheiro: tentar algo quase impossível
  133. Prometer mundos e fundos: fazer promessas exageradas
  134. Pôr as barbas de molho: precaver-se
  135. Pôr as cartas na mesa: expor os fatos
  136. Pôr minhoca na cabeça: criar ou refletir sobre problemas inexistentes
  137. Pôr mãos à obra: trabalhar com afinco
  138. Pôr os pingos nos “is”: esclarecer uma situação detalhadamente
  139. Puxar saco: idolatrar alguém incondicionalmente
  140. Quebrar o galho: improvisar ou dar uma solução precária
  141. Receber um balde de água fria: situação inesperada que transforma entusiasmo em desilusão
  142. Resolver um pepino: solucionar um problema
  143. Riscar do mapa: fazer desaparecer
  144. Segurar vela: acompanhar um casal ou ser o único solteiro numa roda de casais
  145. Sem eira nem beira: destituído de tudo
  146. Sem pés nem cabeça: sem lógica ou sem sentido
  147. Sentir dor de corno: sentir despeito amoroso
  148. Sentir dor de cotovelo: sentir inveja
  149. Ser um barbeiro: motorista descuidado
  150. Ser um chato de galocha: ser uma pessoa desagradável
  151. Ser um joão-ninguém: ser uma pessoa sem importância ou sem dinheiro
  152. Ser um maria-vai-com-as-outras: não ter personalidade própria ou deixar se influenciar facilmente pelos outros
  153. Ser uma mala sem alça: ser uma pessoa desagradável ou difícil de ser tolerada
  154. Ser uma mão na roda: ser prestativo
  155. Ser uma pedra no sapato: ser uma pessoa desagradável
  156. Soltar a franga: desinibir-se
  157. Subir pelas paredes: desesperar-se
  158. Tempestade em copo d’água: dar importância muito grande a uma coisa muito pequena
  159. Tirar de letra: fazer algo com muita facilidade
  160. Tirar o cavalo (ou cavalinho) da chuva: desistir com relutância por motivo de força maior
  161. Tirar onda: brincar ou sacanear
  162. Tirar água do joelho: urinar
  163. Tomar um chega para lá: ser descartado
  164. Trocar alhos por bugalhos: confundir fatos
  165. Trocar as bolas: atrapalhar-se
  166. Trocar seis por meia dúzia: trocar uma coisa por outra que não vai fazer a menor diferença
  167. Uma mão lava a outra: trabalhar em equipe ou para o mesmo fim
  168. Viajar na maionese: não entender alguma coisa ou dizer um absurdo ou algo sem sentido
  169. Virar a casaca: mudar de ideia facilmente
  170. Voltar à vaca fria: retornar a um assunto inicial da discussão depois de uma divagação

Essas são algumas das expressões linguísticas mais usadas no português. Há, sim, centenas de outras, mas nem todas elas são tão conhecidas, já que são usadas em apenas algumas regiões do país.

Por isso, ao criar o seu conteúdo, é importante pensar se a frase será entendida por leitores que vivem fora dos nossos limites geográficos. Por exemplo: alguém que vive no sul do Brasil pode não fazer ideia do que é “quebrar a tripa gaiteira”. Por outro lado, boa parte dos nordestinos vai entender que essa expressão é o mesmo que gargalhar sem controle.

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