Por Mateus Pimenta

Redator e revisor web, leitor profissional e aspirante a Jedi consular.

Publicado em 22/08/2019. | Atualizado em 23/08/2019


Um estudo da Universidade de Harvard, divulgado em agosto de 2019, mostrou que trabalhar de qualquer lugar aumenta a produtividade do empregado em comparação com o trabalho em home office.

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O trabalho remoto é uma tendência cada vez mais forte, tanto é que muitas empresas têm criado políticas para possibilitar que seus empregados trabalhem em casa.

Uma pesquisa realizada pela Gallup em 2017 revelou que, no ano anterior, 43% dos americanos passaram algum tempo trabalhando remotamente. Quanto aos que trabalham em home office em período integral, o censo dos Estados Unidos apontou que, em 2018, essas pessoas representavam 5,2% da força de trabalho do país.

Se você trabalha em home office, já deve ter comprovado por si próprio que essa modalidade oferece uma comodidade que acaba resultando em aumento na produtividade.

Entretanto, o que você talvez não saiba é que existe uma modalidade de trabalho ainda mais produtiva que o home office: trabalhar de qualquer lugar. Quem diz isso é a Universidade de Harvard, em um estudo divulgado em agosto de 2019.

Quer conhecer detalhes dessa pesquisa? Então, continue a leitura até o final. Mas, antes, é importante você ter em mente o quê, exatamente, é trabalhar de qualquer lugar.

Afinal, o que é trabalhar de qualquer lugar?

O trabalho remoto envolve uma empresa criar políticas que permitam a seus funcionários trabalharem fora do escritório. Como você já deve imaginar, o mais comum é que essas pessoas trabalhem em home office, em um cantinho montado em casa justamente com esse objetivo.

Acontece que o trabalho remoto pode assumir outras características bem interessantes, como a possibilidade de escolher trabalhar em um lugar realmente afastado. Assim, o funcionário talvez decida se mudar para bem longe, talvez até para outro país, desde que lá exista, pelo menos, uma boa conexão com a internet.

Veja que interessante: alguém que trabalha em home office pode ir tranquilamente buscar os filhos na escola ou passear com o cachorro no intervalo do serviço. Por outro lado, quem trabalha de qualquer lugar pode decidir viver onde o custo de vida é mais baixo ou ir morar perto dos pais, o que é ótimo se eles já estiverem com uma idade avançada.

Será que trabalho remoto realmente aumenta a produtividade?

Muitos empregadores se preocupam com a possibilidade de seus funcionários produzirem menos trabalhando fora do escritório.

Talvez imaginem que os colaboradores gastarão tempo do trabalho em outras atividades paralelas ou que haverá diminuição no aprendizado informal, aquele que normalmente ocorre quando os funcionários conversam no escritório. Mas estudos já mostraram que a produtividade realmente aumenta no home office.

Uma pesquisa envolvendo uma agência de viagens chinesa trouxe alguns dados referentes aos empregados que passaram a trabalhar em casa. A produtividade daquelas pessoas aumentou em uma média de 13%!

Isso se deve, provavelmente, à diminuição de pausas durante o expediente e à redução nos afastamentos médicos. Além disso, o ambiente mais confortável também deve ter contribuído para esse aumento na produtividade.

Os empregados gostam tanto da ideia de trabalhar em casa, que um estudo revelou algo muito interessante: um trabalhador americano teria a disposição de receber um salário 8% menor para atuar em home office. Afinal, a flexibilidade dessa modalidade de trabalho oferece uma satisfação que funciona como um aumento de salário.

Resumindo os dados desses estudos, podemos concluir que trabalhar em home office é bom para o empregado e também para a empresa. E quanto a trabalhar de qualquer lugar? Será que isso é bom para a produtividade? Vamos ver o que a Universidade de Harvard descobriu.

O que o estudo da Universidade de Harvard apontou?

Em 2012, a U.S. Patent & Trade Office (USPTO), que é o escritório de patentes americano, iniciou um programa para permitir que seus empregados trabalhassem de qualquer lugar. O que a Universidade de Harvard fez foi analisar os dados de produtividade daqueles trabalhadores.

Aqueles profissionais com alto nível de instrução saíram do modelo WFH (Working From Home) e adotaram o WFA (Working From Anywhere). Veja, a seguir, o que a universidade descobriu ao analisar o desempenho deles.

Aumento da produtividade

Depois de fazerem a transição do home office para o trabalho de qualquer lugar, a produtividade dos funcionários cresceu em 4,4% e não houve aumento significativo de retrabalho. Além disso, a qualidade do trabalho não diminuiu.

Embora, dependendo do ponto de vista, 4,4% de aumento na produtividade possa parecer pouco, uma comparação ajuda a ter uma dimensão do que isso representa. Por exemplo, um crescimento dessa proporção na economia dos Estados Unidos significaria um incremento de US$ 1,3 bilhão anual!

Aumento do poder aquisitivo

Vários daqueles empregados se mudaram para localidades com menor custo de vida. Por isso, embora a empresa não tenha aumentado os custos com salário, o resultado foi que os funcionários experimentaram uma diminuição em suas despesas pessoais, o que, na prática, funciona como um aumento de poder aquisitivo.

Prolongamento da carreira

Veja como é interessante esse ponto do estudo. Muitos trabalhadores, ao planejar a aposentadoria, têm a intenção de se mudar para localidades mais pacatas, onde possam, inclusive, ter mais contato com a da natureza.

Acontece que os empregados da USPTO que estavam mais próximos de se aposentar passaram a ter diante de si a possibilidade de adiantar essa etapa, podendo se mudar para uma localidade que oferecesse justamente esse benefício da aposentadoria.

O estudo mostrou que os funcionários mais velhos estavam mais inclinados que os mais jovens a se mudar, por exemplo, para o litoral da Flórida.

Essa possibilidade representa um benefício para os funcionários, que podem usufruir uma vida mais tranquila mesmo antes da aposentadoria, bem como prolongar sua carreira. Isso também é vantajoso para as empresas, que podem contar por mais tempo com a atuação de pessoas experientes na força de trabalho.

Aprendizado informal

Muitas empresas se preocupam com a possibilidade de seus funcionários se desenvolverem menos ao trabalhar em home office, em função de não terem contato presencial constante com seus colegas, como acontece em um escritório.

Mas o estudo indicou que os empregados que atuavam no mesmo setor e moravam a uma distância de cerca de 40 km um do outro mantinham bastante contato entre si, o que colaborava para a troca de conhecimentos e o aprendizado informal. Afinal, é natural que colegas de trabalho com funções similares tirem dúvidas entre si.

No caso dos empregados da USPTO, eles mantiveram o nível de aprendizado informal que ocorre no escritório.

Quais são as recomendações para os empregadores?

Esse estudo da Universidade de Harvard não significa que as empresas devem sair mandando seus empregados para trabalhar remotamente de qualquer jeito. Aliás, a instituição fez até algumas recomendações nesse sentido. Veja algumas delas.

Garanta autonomia ao empregado

A empresa não deve querer microgerenciar, ou controlar excessivamente, o trabalho do funcionário. Na verdade, é preciso conceder autonomia e flexibilidade para que ele desempenhe suas funções.

O estudo mostrou que oferecer maior autonomia no trabalho de qualquer lugar em comparação com o home office é um dos fatores responsáveis pelo aumento da produtividade.

Exija o uso de determinadas ferramentas

É necessário definir um conjunto de softwares que devem ser utilizadas no trabalho, como uma rede VPN, aplicativos de mensagens e assim por diante. Afinal, embora a autonomia seja importante, ter um bom direcionamento dos superiores pode aumentar a produtividade em cerca de 3%.

Incentive a interação entre os empregados

As empresas devem incentivar a interação entre os colaboradores, especialmente aqueles que realizam um trabalho similar. Vale a pena até mesmo custear encontros ocasionais, já que eles podem favorecer a troca de conhecimentos e outras experiências sociais.

Mantenha os recém-contratados no escritório

A pesquisa indicou que é melhor manter os empregados mais recentes no escritório, para que eles se beneficiem do aprendizado que acontece de forma orgânica naquele ambiente. Na verdade, ainda é preciso analisar a fundo se funcionários recém-contratados também poderiam se beneficiar de trabalhar em qualquer lugar.

Considere o tipo do serviço

É necessário considerar o serviço e analisar se ele pode ser realizado de forma independente, não exigindo a atuação de outros profissionais. Ainda é preciso fazer pesquisas adicionais para avaliar se a produtividade pode aumentar no trabalho de qualquer lugar quando as atividades do empregado dependem da atuação dos colegas.

Os freelancers que se tornaram nômades digitais têm muito a nos contar sobre os benefícios de trabalhar de qualquer lugar. Mas pelo que o estudo da Universidade de Harvard mostrou, as empresas também podem se beneficiar muito dessa modalidade de atuação de seus empregados.

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