Por Willian Porto

Redator e animador de vídeos que encontrou esperança na vida de freela.

Publicado em 12/07/2019. | Atualizado em 15/07/2019


Toda semana, elegemos um freela para escrever para a gente com pauta livre. Assim, conhecemos melhor a nossa Comunidade e você também. Essa é a história do Willian!

Willian tem 26 anos, é casado e tem uma filha. Aparentemente, está na flor da idade. Tem forças para fazer tudo quanto deseja e ajudar sua família, certo? Não!

Willian sofre de Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) e há dias em que não consegue realizar nem mesmo atividades básicas.

Talvez você nunca tenha ouvido falar nessa síndrome. Mas ele não está sozinho. Milhares de pessoas sofrem com os mais diversos problemas debilitantes no Brasil e em todo o mundo. Em vários casos, essa gente precisa parar de trabalhar e viver com a ajuda de familiares.

A história de Willian, porém, é um pouco diferente. Neste post, você verá como a vida de freelancer é útil para todos que sofrem com doenças crônicas. Boa leitura!

A Síndrome da Fadiga Crônica

Não se sabe como nem por que, mas alguns indivíduos apresentam cansaço físico e mental (também chamado de nevoeiro cerebral), mesmo quando realizam atividades aparentemente normais para muita gente. Ou seja, não há justificativa plausível para a fadiga. Além disso, essas pessoas apresentam constantemente sintomas parecidos com os da gripe.

Um dos grandes problemas da síndrome é o desconhecimento. Além de não se saber as causas, faltam modelos de tratamentos seguros. Nesse sentido, cada um tenta descobrir o que funciona para si. É comum encontrar pessoas que, depois de décadas, se encontram piores do que estavam no início.

O diagnóstico é obtido por exclusão. Não há um exame que revele exatamente que a pessoa tem a SFC. Nesse caminho, médicos podem suspeitar de burnout à esclerose múltipla. Outros, nem acreditam que a Síndrome realmente exista, embora a ciência já a tenha como um fato.

Você é muito mole

Antes de descobrir a existência de problemas crônicos, é muito comum que a própria pessoa se culpe por sua falta de desempenho — profissional, familiar etc.

No caso do Willian, embora já fosse freelancer antes do diagnóstico, vivia em altos e baixos, desde uma produção extraordinária até o marasmo de escrever meia dúzia de textos durante um mês. Detalhe: ele vive como freelancer. Não tem outra fonte de renda além dos serviços que realiza.

A culpa se torna uma grande inimiga. Em vão, a pessoa tenta aumentar sua produção. Mas o próprio corpo diz que não. A mente responde:

“Você é muito mole!”

“Quem pagará as contas?”

O processo é angustiante e continua até que a condição dê alguma trégua.

Doenças crônicas: a libertação

O primeiro passo depois do diagnóstico é se ver como alguém inferior que nunca conseguirá desempenhar as funções que as outras pessoas conseguem. Como trabalhar 8 horas por dia se há dias que não se consegue nem mesmo sair da cama?

Entretanto, com o tempo, vem a compaixão de si mesmo. Ao entender-se melhor, é possível saber como ser produtivo sem trazer ainda mais danos ao próprio corpo. Embora saiba que dificilmente conseguirá trabalhar em regimes tradicionais, também sabe que ainda tem muito a contribuir nas áreas em que trabalha.

A vida de freelancer

Willian provavelmente sempre foi freelancer por não suportar a pressão e o cansaço que a vida na CLT geraria a ele. Com a piora do quadro — que aconteceu há um ano —, precisava viver um dia de cada vez. Afinal, ele não sabe como estará amanhã.

A plataforma da Rock Content se tornou uma grande amiga. Poderia pegar as tarefas nos dias em que estava relativamente bem para trabalhar. Quando não estivesse, o descanso seria seu trabalho sem maiores complicações.

Entretanto, as coisas não seriam tão fáceis assim. Quem dera que os sintomas dessem um aviso claro de quando fossem aparecer! Não raro, eles vêm para uma visita no meio de um texto. Por isso, além de ter uma plataforma freelancer como aliada, é necessário ter uma equipe que consiga entender quando as coisas não funcionam.

As respostas que não se sabe dar

Essa vida não tem final feliz. Não há o viveram felizes para sempre. Willian controla os sintomas com medicação não prescrita. Não considera isso adequado, mas os médicos não conseguem traçar um tratamento minimamente adequado.

Atualmente, tem conseguido voltar a uma produção interessante de textos — a meta sempre foi escrever mais de 2000 palavras por dia. Continuará assim? Não se sabe! Várias pessoas pioram durante os anos. Algumas nem conseguem sair da cama. O remédio continuará fazendo efeito? Não se sabe! Diversos casos relatam que o problema volta após algum tempo.

Mas Willian sabe que poderá contar com uma equipe que entenderá os problemas que carrega. Este texto foi escrito dois meses depois do planejado. O motivo: uma crise. Depois do atual medicamento, não as teve mais. Até quando? Só Deus sabe!

Mesmo os filmes baseados em histórias reais são fantasiados. Nesse caso, não há romance. Willian não foi um personagem criado para ilustrar a você um argumento. Eu sou o próprio argumento. Espero ser, também, uma esperança para todos que também sofrem de problemas crônicos.

Sim, é possível conviver com eles. Não digo que como amigos. Mas sim, é possível trabalhar sentado lado a lado com eles.

Não se sabe por quanto tempo a Rock existirá. Espero que por muito tempo! A quantidade de textos que faço pode não ser a mesma que a sua. Mas trabalhar de acordo com minhas limitações é libertador. Além do dinheiro necessário que preciso para tentar colocar as contas em dia ao final do mês, é uma forma de dizer a mim mesmo que ainda sou útil.

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Para saber mais

Como alguém que escreve sobre marketing de conteúdo, pretendo começar a montar, em breve, um site só sobre a Síndrome da Fadiga Crônica. Até lá, há algumas fontes de informação das quais você pode gostar:

Se quiser fazer alguma pergunta, envie um e-mail para webcodigo@yahoo.com.br.

O diagnóstico de doenças crônicas não são o fim da vida. Talvez sejam o início de uma vida mais tranquila e com menos culpas. Você provavelmente não quis tê-las nem está inventado sintomas. Encontrar pessoas que também tenham problemas é uma forma de sair da solidão que é provocada, muitas vezes, pela própria família e a equipe médica.

Todo freela tem uma história ou algo interessante a dizer. Queremos ouvir você! Seja o próximo da Coluna Freela.

Willian Porto

Willian Porto

Alguém que encontrou conforto e esperança na vida de freela. Redator. Animador de vídeos.

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