Por Fabíola Thibes

Publicado em 13/05/2020. | Atualizado em 13/05/2020


Ser tradutor e intérprete é possível? Quais as diferenças entre essas profissões? Acredite: fazer as duas coisas é bastante difícil, porque elas exigem diversas habilidades. Entenda mais sobre elas neste artigo!

Já pensou em ser ou em contratar um tradutor e intérprete?

Apesar de ambos os profissionais terem como objetivo transformar uma informação de um idioma para outro, o trabalho deles é bastante diferente — e entender isso é a chave par ter sucesso na sua empreitada.

Qualquer um das duas atividades é fundamental na atualidade.

No caso da tradução, a procura por profissionais vem de várias áreas, como a acadêmica, a de negócios e até a jurídica.

Por isso, requer especialistas, ou seja, profissionais verdadeiramente treinados e capacitados.

Por outro lado, a interpretação exige habilidades diferentes, já que o foco é fazer a tradução por meio da oralidade.

Aqui, também são necessários especialistas — e a Gloria, de Modern Family, explica o porquê:

Então, o que se encaixa mais no seu perfil? É o que vamos explicar neste artigo. Confira!

O que é tradução?

O tradutor é o profissional que usa a escrita para transformar um texto de um idioma para outro.

Seu principal objetivo é fazer esse processo mantendo o tom e o conteúdo original da mensagem.

Por isso, é mais difícil do que parece. Afinal, você precisa considerar diferenças regionais — e isso existe até no Brasil, né, gente?

Por exemplo, quem é do Nordeste talvez não entenda o que significa agora foi o boi com as cordas, expressão usada no Sul do Brasil.

Da mesma forma, talvez você não saiba que:

  • break a leg é uma expressão usada para desejar sorte em uma estreia;
  • under the weather significa sentir-se doente;
  • spill the beans é contar um segredo;
  • set on the fence sinaliza indecisão.

Se você entende inglês — e é provável que sim, já que deseja ser um tradutor —, sabe que a tradução literal é diferente do significado real. Outros idiomas têm situações semelhantes.

Portanto, fica claro que, para ser um tradutor ou intérprete, precisa mais do que dizer as palavras corretas. É preciso que elas façam sentido no contexto.

Habilidades necessárias para ser um tradutor

O profissional que segue essa carreira precisa entender o idioma e a cultura do país que originou o texto. É o caso da expressão agora foi o boi com as cordas.

Se ela estiver em um texto, o tradutor precisa entender que significa: agora foi, não tem mais o que fazer.

Da mesma forma, deve saber que break a leg não representa desejar que alguém quebre a perna. Já pensou?

Para ajudar no trabalho, o tradutor pode usar materiais de referência, como livros e dicionários. Assim, há mais precisão no resultado do texto.

Além disso, é importante ter habilidades de escrita, tanto no idioma nativo quanto no outro com o qual vai trabalhar. Sem isso, o fracasso se torna seu companheiro.

Mais do que isso, a principal diferença do tradutor para outros profissionais que trabalham com idiomas é a necessidade de ter um conhecimento técnico em gramática contrastiva.

Também conhecida por transferencial, ela prevê a análise de dois idiomas ao mesmo tempo. Daí a necessidade de conhecer a cultura de origem do texto.

Assim, se formos definir algumas competências necessárias ao tradutor, elas são:

  • Ampla cultura geral;
  • Organização;
  • Comunicação eficiente;
  • Foco na gramática contrastiva;
  • Capacidade de lidar com tecnologias;
  • Conhecimento de diferentes técnicas, porque o trabalho a ser realizado é diferente a depender do formato do texto;
  • Interesse por pesquisa, já que o profissional terá que fazer buscas dentre os recursos disponíveis.

O que é interpretação?

Por sua vez, a interpretação é uma modalidade de tradução focada na oralidade e que tem categorias específicas.

O objetivo é transformar a fala de uma pessoa em outro idioma, também usando as palavras e o corpo, em caso de LIBRAS.

Por isso, o profissional também tem o dever de manter o significado e a entonação usada no conteúdo original.

Por esse motivo, o intérprete precisa ter um conhecimento quase nativo de ambos os idiomas. Ele precisa de muita agilidade mental e algumas habilidades diferenciadas.

Habilidades necessárias para ser um intérprete

Para executar bem sua função, o profissional precisa ser capaz de traduzir dois idiomas de maneira imediata.

É necessário entender o idioma de quem fala e explicar ao ouvinte na outra língua sem usar materiais de apoio.

Além disso, existe quem faça a interpretação simultânea, como em congressos e palestras internacionais.

Outra modalidade é a consecutiva, que prevê a tradução assim que o comunicador faz uma pausa.

Por isso, é importante que o intérprete tenha habilidades de escuta e seja ágil para processar e memorizar o que é dito.

Também deve estudar e treinar mais, já que sua função é mais complicada por ser ao vivo.

Quais são as diferenças entre o trabalho do tradutor e do intérprete?

Entendeu o que caracteriza tradutor e intérprete? Ótimo! Chegamos à parte das diferenças.

Ué, vocês já não explicaram? É, até explicamos, mas ainda ficou pouco claro.

Por isso, listamos abaixo 5 diferenças de maneira bem didática. Acompanhe!

1. Formato

É responsabilidade do intérprete lidar com a linguagem em tempo real. Isso exige agilidade mental e habilidades recursivas que permitam que, por exemplo, corrija alguma informação on the fly.

O tradutor se baseia em textos e com qualquer interfaz escrita, sem importar o formato. Ele tem a possibilidade de pesquisar, questionar e tirar possíveis dúvidas em qualquer momento do seu trabalho.

2. Entrega

Precisa de uma tradução feita na hora mesmo e para um audiência? Contrate um intérprete.

O processo pode ocorrer ao vivo e a cores, por vídeo ou telefone. É valido para as modalidades simultânea e consecutiva.

Se você tem um texto que precisa ser veiculado por meio da língua falada, então a modalidade é translation at first sight, que é menos comum. Nesse caso, o profissional interpreta o que está em interfaz escrita, na hora e em voz alta, para a audiência. Neste caso, como leitura e fala ocorrem de forma paralela, é necessário conhecer muito bem a estrutura do idioma de origem para gerar um discurso natural na outra língua.

Um exemplo claro é que algumas frases em inglês terminam com preposição. Em português, elas fariam pouco sentido.

Quer ver? Vamos usar o exemplo: what are you talking about?

Na tradução literal, seria: o que você está falando sobre? Em português, sem sentido.

Por isso, o intérprete precisa dizer: sobre o que você está falando? ou qual é o assunto do qual você fala?

O tradutor, por sua vez, depende de prazo. Ele vai transformar o idioma do texto, mas isso leva algum tempo, previamente combinado.

3. Precisão

É uma vantagem do tradutor. Como ele tem tempo para fazer o trabalho, tem o dever de buscar a perfeição terminológica e de estilo — ou quase isso.

Por isso, estão inclusas na tradução tanto a edição quanto a revisão da tradução.

No que se refere ao intérprete, ele também quer a perfeição, mas é mais difícil de conseguir por ser ao vivo. Em geral, os intérpretes têm menos tempo para se documentar, por isso é tão importante a agilidade mental e a capacidade de absorver novas informações rapidamente.

Por isso, algumas coisas podem se perder na interpretação, o que é bem menos recorrente na tradução.

4. Direcionamento

É necessário ter fluência nos idiomas com os quais se está trabalhando. No entanto, isso é ainda mais importante para os intérpretes.

Eles devem saber tudo sobre os dois idiomas para evitar erros com aquelas expressões que já citamos. Afinal, aqui tem menos tempo de pesquisa e preparo.

Enquanto isso, os tradutores podem atuar somente com um viés. Por exemplo: você entende tudo de inglês, mas tem dificuldades com a escrita?

Pode ser um tradutor EN-PT. Simples assim e você ainda vai ser um tradutor.

A escolha do direcionamento do par linguístico vai condicionar diretamente o trabalho do tradutor. Geralmente, quando o trabalho é de língua materna para língua estrangeira ele demora mais, já que no formato escrito estruturas que não sejam naturais para a língua meta ficam mais evidentes que no caso da interpretação.

Grande parte dos tradutores trabalham de língua estrangeira para língua materna, o processo contrário recebe o nome de versão.

5. Intangíveis

Fazer analogias e metáforas é difícil para tradutor e intérprete. A diferença é que os primeiros podem pesquisar.

Os intérpretes também precisam cuidar mais da qualidade da voz, da entonação, das inflexões e outros detalhes que fazem parte da oralidade.

Caso contrário, algo pode se perder. Aqui no Brasil, podemos comparar ao capaz, do Sul do Brasil, e ao égua, do Pará, que têm sentidos diferentes a partir da entonação.

Entendeu o que representa ser tradutor e intérprete? Percebeu o que diferencia essas profissões e por que uma mesma pessoa dificilmente realiza os dois trabalhos?

Agora é a hora de você escolher o que está mais adequado às suas habilidades e começar a trabalhar!

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