Por Matheus de Souza

Nômade digital que escreve e empreende. Foi considerado pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016 – o mais jovem da lista, aos 27 anos.

Publicado em 08/05/2019. | Atualizado em 30/04/2019


Para se preparar para a primeira palestra de sua vida, Matheus de Souza recorreu ao livro "TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público". Neste artigo, ele reuniu as principais lições que o ajudaram. Todas testadas e aprovadas.

Embora eu não seja palestrante, volta e meia recebo convites para falar sobre produção de conteúdo em um ou outro evento. Devido ao meu estilo de vida nômade –– escrevo neste momento de Paris após passar os primeiros meses do ano entre Tel Aviv, São Paulo, Imbituba (SC) e Lisboa ––, geralmente, rejeito os convites que chegam pra mim. Geralmente. Aceitei falar no YouniqueXP, o maior evento de personal branding do Brasil que estreou no último dia 13 de abril em terras lusitanas.

A verdade é que eu nunca tinha dado uma palestra na vida. Digo, já falei em público algumas vezes para algumas dezenas de pessoas em apresentações na última empresa em que trabalhei como CLT, mas nunca as pessoas haviam pago para me ver. Era a primeira vez.

Na preparação para o evento, recorri a um livro que já havia lido há alguns anos, mas que naquele momento foi essencial na construção da minha apresentação. O livro é TED Talks: O guia oficial do TED para falar em público*, escrito por Chris Anderson, curador do TED. Neste artigo reuni as principais lições que me ajudaram. Tudo testado e aprovado.

Ted Talks

Faça a plateia rir –– mas não se contorcer!

Minha fala giraria em torno de dois grandes temas: marketing pessoal e produção de conteúdo, ambos focados, principalmente, na construção de autoridade no LinkedIn. São termos que em um primeiro momento assustam, mas meu objetivo era construir a ideia de que marketing pessoal não precisa ser algo chato e que produzir conteúdo no LinkedIn não quer dizer, necessariamente, que você deva se transformar num robô formal por se tratar de uma rede profissional.

Para atingir meus objetivos e vender minhas ideias, utilizei um recurso que une as pessoas em qualquer lugar do mundo: humor. Não, não transformei a palestra em um show de stand up comedy, mas utilizei elementos que geraram identificação com o público através de exemplos engraçados de experiências vividas por mim dentro do contexto apresentado.

De acordo com Chris, a obrigação número um de um palestrante é reconstruir na mente de seus ouvintes algo que lhe importa. Ganhar a simpatia do público logo no início da apresentação facilita esse processo. Para tal, além de apresentar ideias familiares de um jeito irreverente, utilizei recursos visuais como GIFs engraçadinhos nos slides. Com os ouvintes em sintonia comigo, transmitir minhas ideias ficou muito mais fácil.

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Mostre vulnerabilidade

Eu fui apresentado no material de divulgação do evento como “uma das maiores referências em produção de conteúdo no Brasil”. Essa credencial assusta e é comum pensarmos coisas como “pra ele(a) é fácil falar isso, mas e eu que estou começando?” quando ouvimos alguém bem-sucedido em sua área dando dicas sobre o que os profissionais devem ou não fazer.

Pois bem, para mostrar que meu começo foi igual ao de todo mundo, cheio de medos e incertezas, comecei a palestra falando dos medos e incertezas que eu tinha quando criei meus primeiros conteúdos. A ideia era desarmar a plateia.

Como Chris brinca no livro, é como o caubói durão que entra no salão e escancara a jaqueta para mostrar que não está armado.

Contei a história de quando criei meu blog, lá em 2013, e mantive a caixa de comentários fechada durante 1 ano. Eu tinha medo de alguém deixar uma opinião me criticando. Até que um belo dia recebi um e-mail de um leitor contando que adorava meus textos, lia todos, mas nunca tivera a oportunidade de comentar.

É neste momento que o caubói saca a arma e ganha o público com a sua jornada do herói.

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Refreie o ego

Se tem uma coisa que sempre me encheu o saco como ouvinte são palestrantes que gastam dois minutos da apresentação apenas para mostrar seu currículo. Portanto, decidi que eu começaria minha fala indo direto ao ponto, sem firulas, sem massagear meu próprio ego, sem “eu”, “eu”, “eu”.

Para Chris, nada prejudica mais as possibilidades de uma palestra do que a impressão de que o orador é um fanfarrão. E, quando isso acontece logo no começo… cuidado. Não há problema em falar sobre as suas conquistas, elas podem servir de inspiração para outras pessoas, mas você pode –– e deve –– encaixá-las em contextos dentro da apresentação.

Lidando com o nervosismo do palco

No palco do YouniqueXP. Foto: Colorama.

No palco do YouniqueXP. Foto: Colorama.

Ok, você criou uma apresentação incrível, está confiante com o conteúdo da sua palestra e aí… chega o grande dia. Você está lá prestes a ser anunciado no palco. Suas mãos suam. Seu nome é chamado. Não tem mais volta. Você se vê diante de centenas de pessoas.

Eu consegui me manter calmo durante os dias anteriores ao evento. Foquei em estruturar o conteúdo e não me preocupei com o palco. Até chegar ao local da palestra. Ver aquelas pessoas lá que pagaram ingresso para, entre outros profissionais, me assistirem num palco, me gerou certo desconforto. “E se eu frustrar a expectativa delas?“. “E se eu gaguejar?“. Essas foram algumas coisas que passaram pela minha cabeça.

Já no palco, segui um dica do Chris que funcionou muito bem. Segundo o autor, você deve procurar “amigos” na plateia. Rostos que lhe pareçam simpáticos. Se concentre em três ou quatro desses rostos e direcione sua fala para eles.

De fato, eu tinha alguns amigos na plateia e logo os procurei. Porém, antes mesmo de encontrá-los, percebi alguns rostos simpáticos e foquei neles. Isso realmente tirou o peso de estar falando para muitas pessoas. Era como se eu estivesse em uma conversa com amigos –– fiz até umas piadas. O resultado? O nervosismo foi embora e, aparentemente, não frustrei a expectativa de ninguém.

Nota do editor:
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Este texto também pode ser lido aqui e aqui.

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