Por Luis Carlos Herrera

Editor do Blog Comunidade – Linguista e Tradutor

Publicado em 21/09/2020. | Atualizado em 21/09/2020


No dia internacional do freelancer, queremos dedicar algumas palavras para os profissionais que trabalham conosco no dia a dia e que nos deixam ser parte de um pedacinho da sua vida. Conteúdo preparado com carinho pelo time de Comunidade 🙂

O mundo está cada vez mais conectado, isso é uma realidade que não podemos ignorar mais. Afirmação completamente seca e muito óbvia, porém vocês entenderão por que escolhi começar este artigo com ela.  Da mesma forma, eu tenho visto bastante a seguinte afirmação: estamos mais conectados, mas nos comunicamos menos.

No entanto, essa nem sempre essa é a realidade. Hoje, queremos dedicar algumas palavras para nossos freelancers, esses profissionais que vemos só pelo ambiente virtual e que fazem parte do nosso dia a dia e, claro, da nossa vida também!

Entendeu o porquê do parágrafo inicial? Mas para tirar toda dúvida, considero justo explicar por que a primeira afirmação não se aplica no nosso caso. Curiosidade? Acompanhe a leitura!

Geração de vínculos reais que vão além da tela

O ano era 1994, eu estava na segunda série do ensino fundamental (ou segundo básico como chamamos na minha terra fininha e bem longa) e a rotina era sempre a mesma: tirar o uniforme escolar, fazer os deveres para casa (se não tinha nada para fazer, minha mãe me mandava para estudar, obrigado mãe!) e, só depois disso, era televisão.

Eu lembro que o primeiro programa que eu e minha irmã víamos era Os Jetsons. Vocês já imaginam para onde estou indo, certo? Com sete anos eu achava surreal que uma casa pudesse preparar até o café da manhã simplesmente recebendo uma ordem, ter um mini computador no pulso, um assistente virtual que falava com a família e, o mais louco: ver como se comunicavam com outras pessoas pela televisão. E é sobre essa comunicação e como trabalhamos com ela para criar laços mais humanos que eu vou continuar escrevendo. No final do dia, o que era para ser em 2062 chegou bem antes, não é?

Pulamos para 2020…

Quero chamar a atenção para a origem etimológica de duas palavras: comunicação e companheirismo. A primeira vem do latim, e quer dizer “ação de participar [em algo em comum]” e a segunda também vem do latim, e está composta por duas palavras, comedere e panis, que tem a interpretação de “comer do mesmo pão”, bonito, né?

Gerar vínculos com nossos colegas de trabalho é algo inevitável, afinal nossa convivência com eles é maior do que com nossa família, particularmente a minha está a 2 países de distância. Quando temos projetos com mais pessoas, nós comemos do mesmo pão e participamos de algo em comum, e, independentemente da modalidade de trabalho, isso é algo que sempre acontecerá. Nesse sentido, a comunicação é fundamental

Atualmente, em nosso tempo de hiperconectividade estes conceitos ganham relevância e, na verdade, é que se ao vivo e em cores gerar vínculos com as outras pessoas não é algo simples, já podem imaginar quando o espaço é completamente virtual. E os freelancers entendem disso. Mas, por que? Muitos aspectos da comunicação não verbal se perdem na interfaz de plataforma, e como bem sabemos, eles são importantes na forma em que recebemos a mensagem por parte do nosso interlocutor. Não é invento meu: a teoria da comunicação explica.

No entanto, não é algo impossível. Uma vez que vencemos a timidez e mandamos a primeira mensagem para nosso colega freelancer, ou inclusive para o analista da empresa para a qual prestamos serviço, a comunicação pode fluir de forma natural e a troca tem potencial para ser verdadeira de verdade. Não acredita? Olhe o exemplo que trago para você!

Os freelancers são fonte de inspiração…

Coragem. Sete letras. Poucos caracteres que têm uma potência enorme. Quem vem de famílias cujos pais nasceram entre as décadas de 1950 e 1960 com certeza tem escutado deles a importância de termos um trabalho estável, e se possível fazer igual eles: entrar em uma empresa e aposentar na mesma ou, pelo menos, esse é meu caso e o do meu pai, que tem mais de trinta anos em mineração e no mesmo lugar. Agora, imaginemos o seguinte cenário: “pai, mãe: vou largar meu emprego fixo porque quero investir na carreira freelancer”. É uma quebra de paradigma total, um ato de rebeldia e uma aposta de altíssimo risco. Mas já sabemos: quanto mais risco tomamos, a vitória é muito mais significativa.

Acredito que o mais inspirador do mundo freelancer, e consequentemente de quem faz carreira nessa modalidade não vem dos clichés de foi lá e fez. Até porque largar o emprego e fazer algo diferente qualquer um pode. O que faz a diferença e me faz sentir uma admiração enorme vem de um verbo potente também: perseverar. O interessante é que se formos mais uma vez para sua origem latina, temos duas palavras per e severus, que seria algo como “manter-se totalmente sério [pensando em um propósito]”. Por que acredito que vai além dos clichés romantizados? Para perseverar é necessário comprometimento, disciplina, foco, tenacidade, ambição e principalmente resiliência. Todas elas no mesmo campo semântico, todas elas difíceis de executar. Isso não é para qualquer um e vocês as dominam com maestria. 

O foi lá e fez e meio sem graça. Fez como? Fez acontecer, e depois? Todos felices para siempre?

… e de aprendizado

Eu sou uma pessoa que acredita fortemente que ensinar e aprender não é exclusivo da relação professores e estudantes. Aprendemos coisas novas todos os dias, sejam elas úteis para nossa vida doméstica, para nosso trabalho e, inclusive, aprendemos sobre nossos limites pessoais também. Ainda mais neste contexto tão particular no qual estamos levando nossa capacidade até o limite.

Certamente, o trabalho freelancer exige o desenvolvimento de várias habilidades comportamentais: organização, ótima comunicação, aprender a recusar, ter um controle do próprio trabalho e produtividade e, principalmente, equilibrar a vida laboral e pessoal. Se pensamos com calma, o último ponto é uma dor para grande parte dos profissionais, independentemente da modalidade de trabalho: aprender a desligar a chavinha é complexo.

Porém, eu tenho uma proposta: que tal conversar com algum amigo ou amiga freelancer e pedir algumas dicas? Estou certo de que você aprenderá uma coisa ou duas, no final do dia o freelancer é uma empresa de uma pessoa só, certo? E para ela ser saudável, todas suas peças devem funcionar bem. Considere essa possibilidade, eu garanto que não se arrependerá!

Os melhores presentes ficam conosco para o resto da vida

Uma das frases que achei mais curiosas quando mudei para o Brasil é o aniversariante é você, mas o presente é nosso. Confesso que isso me causava muito estranhamento, ao ponto de achá-la até meio fora de lugar. Em teoria, é o aniversariante quem recebe o presente e os convidados estão aí para prestigiar a pessoa (outra construção que acho estranha, porém muito bonita hahahaha). Então, por que deveriam receber presentes? 

No entanto, depois de um tempo para mim fez sentido: o presente é nosso porque você compartilha parte da sua vida conosco. Eu nunca tinha pensado nisso. E realmente não é diferente no relacionamento que temos com nossa base freelancer.

Eu comemoro cada vitória dos membros da nossa base freelancer como se fosse própria: querendo ou não eu conheço o nome, vejo uma carinha e, claro, também nos comunicamos. Sabe, aquele vínculo que falei no início? Pois é! Com o passar do tempo interagimos mais, e nos conhecemos mais também. Enfim, a humanidade.

Neste dia, queremos agradecer o fato de você compartilhar sua caminhada na sua carreira freelancer conosco! E saiba também: nosso compromisso é com seu desenvolvimento!

Grande abraço!

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