Por Mateus Pimenta

Redator e revisor web, leitor profissional e aspirante a Jedi consular.

Publicado em 14/06/2019. | Atualizado em 07/06/2019


Toda semana, elegemos um freela para escrever para a gente com pauta livre. Assim, conhecemos melhor a nossa Comunidade e você também. Essa é a história do Mateus!

Você já conseguiu realizar o sonho de passar a trabalhar com o que ama? Ou ainda está perseguindo esse objetivo? Pois eu acabei de encerrar um longo período de 78+12 meses que, agora, olhando para trás, tenho a impressão de que passou voando.

Trabalhando do sofá de casa, ainda tenho a sensação de que estou de férias e que vou voltar para o serviço “normal” no mês que vem, quando se passarem 30 dias. Mas não vou! Afinal, minha nova realidade é o trabalho freela full-time! 😌

Como entrei nos Correios

Em dezembro de 2002, ao terminar o ensino médio, prestei dois concursos: um para ser atendente nos Correios e outro para estudar na Escola Técnica de Furnas — ETEF. Pouco depois, comecei a trabalhar em uma assistência técnica de computadores (isso foi na época do Pentium 4).

Em janeiro de 2003, recebi a notícia de que eu havia sido aprovado para estudar eletrotécnica em Furnas e logo as aulas começaram. Na metade do primeiro período, a francesa Air Liquide, fabricante de gases industriais, foi buscar um estagiário lá na ETEF e quem se saiu melhor no processo seletivo? Aquele que vos escreve.

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Então começou uma fase difícil. Eu morava em Passos, estudava em Furnas e trabalhava em Fortaleza de Minas, onde ficava a fábrica da Air Liquide. Foi quando eu comecei a concluir que minha mente não era capaz de lidar com uma rotina puxada desse jeito e a depressão chegou pela primeira vez.

Mas em pouco mais de um ano meu curso chegou ao fim e eu me formei como eletrotécnico. O estágio também acabou e eu não consegui me efetivar na empresa. Afinal, embora eu amasse a teoria, manutenção não era a minha praia.

No último dia de estágio, eu estava meio desanimado porque não sabia o que faria dali em diante. Cheguei em casa e havia um telegrama me convocando para me apresentar em Belo Horizonte para ser contratado pelos Correios!

Começou uma ótima fase

Fui contratado em 1º de julho de 2004 e comecei a trabalhar em uma cidadezinha próxima de onde eu morava. Logo meu coordenador passou a gostar do meu trabalho e passou a me enviar para outras agências da região para cobrir ausências de funcionários. Estar cada semana em uma cidade, sempre em bons hotéis, não era nada mau.

Depois de algum tempo, o chefe decidiu me dar uma nova função: gerente de agência. Em 2007 eu me casei com minha amiga Ana Paula — amor, te amo! — e nós decidimos nos mudar para aquela cidade para facilitar a vida. As coisas iam muito bem!

O primeiro dos 78 meses

No final de 2011 eu passei por um assalto enquanto trabalhava. Então passei a trabalhar com medo, sempre esperando que aquilo fosse acontecer de novo. Na verdade, a palavra certa não é medo; é ansiedade.

Afinal, o medo tem a ver com uma ameça real que já está diante de você. A ansiedade, por outro lado, tem a ver com a possibilidade, mesmo que remota, de que alguma tragédia ocorra.

Você sabe o que acontece com a mente de quem sente ansiedade diariamente, né? Os primeiros sinais de depressão começaram a aparecer, mas na época eu não entendia isso.

Eu sentia uma exaustão tão intensa que, quando eu me sentava na cadeira do serviço, não tinha nem a disposição de me levantar para organizar papéis. Mas não era o corpo que estava cansado; era a mente que não estava bem. Aí eu decidi: quero ter um trabalho em que eu não fique tão exposto a bandidos.

Além disso, eu já estava meio cansado da cobrança para atingir metas de vendas. Afinal, eu nunca levei tanto jeito para isso mesmo. O problema é que a pressão para vender muito aumentava a cada dia.

Um período interminável até descobrir a Rock Content

A partir do momento em que decidi sair dos Correios, passei a tentar desenvolver uma profissão em que eu me desse bem.

Tentei, por exemplo, aproveitar meus conhecimentos em eletrotécnica, fiz curso de chaveiro, experimentei dar aulas de violão, pensei em ser marido de aluguel — aqueles homens que fazem diversos consertos na casa dos clientes, tá certo? —, além de várias outras coisas sem noção.

Iniciei uma graduação em análise de sistemas e a depressão veio mostrar a cara mais de perto, como que dizendo para mim: “é muito pra você. Você precisa descansar. Descanse umas 24 horas por dia, certo?”

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Larguei o curso e entrei numa época de estagnação, em que o tempo ia passando e eu ia cada vez mais desistindo da vida. Depois de muitos anos, comecei a entender minha exaustão inexplicável: a mente estava péssima.

Então conheci a Dra. Amanda — Dra. Amanda, te amo! —, que me ajudou a ter forças para voltar a ter projetos na vida. Assim, eu e a Ana Paula passamos a trabalhar com artesanato e eu comecei a pensar em formas de vender a nossa produção via internet.

Descobri que a melhor forma de fazer isso era o marketing de conteúdo e passei a produzir artigos para o site do nosso ateliê. E como eu gostava dessa parte do serviço! Até que veio o seguinte em minha mente: “Peraí! Deve ter gente precisando produzir conteúdo e com disposição pra pagar alguém pra fazer isso!”

O 78º mês

Adivinhe o que aconteceu quando eu decidi pesquisar “redator freelancer” no Google? Descobri a Rock, claro! Por isso, quando os amigos me perguntam sobre como descobri a Rock Content, eu digo: “eu supus que ela existia. 😏”. Eu só não imaginava que o clima organizacional lá fosse tão bom!

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12 meses de contato com a Rock

Então, em maio de 2018, comecei a fazer o curso de produção de conteúdo e pensei: “Agora vai! Dessa vez eu abandono o emprego mesmo!”. É por isso que eu encaro esse novo período como algo diferente dos 78 meses anteriores. Tipo A.R. (antes da Rock) e D.R. (depois da Rock), entende?

Dali em diante, comecei a falar para todo mundo que eu sairia dos Correios em junho de 2019. Nessa época de crise, dá pra imaginar como minha ideia foi recebida pelos outros, certo?

“Você está louco?”, “você vai largar algo garantido?”, “muita gente queria estar no seu lugar e ser um empregado concursado!”

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Esses comentários deram uma baqueada em mim, mas continuei estudando, fiz minha primeira candidatura que, a propósito, só foi aprovada na terceira tentativa.

Em dezembro escrevi minha primeira redação e exercitei bastante a paciência para conseguir entrar em outros projetos. Cheguei a um ponto em que eu ia de manhã para o serviço e ficava pensando: “eu podia ficar trabalhando em casa. Que delícia que seria!”

Então os Correios lançaram um PDV — Programa de Desligamento Voluntário, e ofereceram uma indenização para os empregados que pedissem demissão. A oportunidade que eu esperava! Resultado: eu dizia que abandonaria o emprego em junho e fiz isso em maio. 😌

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Minha esposa diz que minha alegria a está irritando. Ainda bem que ela diz isso dando risadas. Então não deve estar falando tão sério. 🤷

Tornar-me um redator freela full-time é a conclusão de um projeto que foi estabelecido há muitos anos: trabalhar com algo que gosto muito. Além disso, é a porta para novos projetos empolgantes!

E você, freela? Tem alguma história para contar para nós? Tenho certeza que sim! Então acesse este formulário e escreva para a Coluna Freela também!

Mateus Pimenta

Redator e revisor web, fã do WordPress, da língua alemã e da cultura japonesa, músico amador, leitor profissional e aspirante a Jedi consular.

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