Por Amanda Gusmão

Amante do homeoffice, geek old school e mãe de dois pequenos padawans.

Publicado em 24/05/2018. | Atualizado em 09/01/2020


Essa, sem dúvidas, é uma conversa interessante e pode começar até mesmo no entendimento da proposta de "criar bons hábitos", afinal de contas, na fase adulta, seria mais o caso de corrigir ou melhorar aqueles que já possui.

Parte-se do princípio de que na natureza — e no nosso comportamento, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Lavoisier provavelmente não tinha problemas com maus hábitos, mas certamente deu uma boa explicação do que é possível fazer com eles: transformá-los em bons.

Isso porque no caso do comportamento humano, lembrar das consequências ruins que antigos hábitos causavam é um ótimo estímulo para não voltar a tê-los, certo?

Mas, como transformá-los? Temos algumas boas dicas para você neste post. E não se preocupe, não será uma aula de ciências, vamos falar até mesmo sobre hackear o sistema (do seu cérebro, calma). Vamos lá?

Por que criar bons hábitos

O cérebro é uma máquina perfeita: processa ao mesmo tempo racionalidades, emoções e outras tantas coisas diferentes que em determinado momento, começa a criar regras de programação.

É aí que aparecem os hábitos. Toda vez que alguém experimenta algo novo, faz uma série de avaliações, processa o aprendizado e internaliza aquilo que será valioso para situações seguintes.

Com aquela informação internalizada, sempre que revive algo semelhante, ativa aquele conhecimento já adquirido. A grande questão é que, com o tempo, o cérebro tem tanto domínio das variáveis daquela ação, que coloca sua execução no módulo automático, para poupar energia e esforço mesmo.

Se fosse apenas processos, tudo estaria lindo, alinhado e funcionamento muito bem, obrigada. Mas a questão é que junto das execuções, vem as sensações que aquela ação causa — antes, durante e depois.

Muitas pessoas tem o hábito de roer unha quando estão nervosas, por exemplo. Momentaneamente sua atenção é desviada para o ato de picotar o resto de alguma coisa que um dia foi chamado de unha na sua mão, e aquilo até dá prazer, mas, não resolve a fonte do nervosismo.

E aí entram dois pontos interessantes que justificam por que é necessário modificar hábitos ruins:

  • eles sempre têm como raiz um problema a ser resolvido; e
  • se já existe um hábito ruim que é executado de forma automática tão brilhantemente, o mesmo pode acontecer com uma atitude boa.

Certo, mas como fazer isso? Bom, podemos hackear o cérebro com planejamento, mudanças de comportamento, pensamentos e rotinas.

O caminho para melhorar suas atitudes e ações de rotina

O termo hackear só ficou famoso mesmo quando milhares de ações maliciosas e golpes pela internet começaram a ser praticados, mas to hack em inglês significa fazer uma modificação, o que no caso dos hábitos e paradigmas, é ótimo.

Aliás, paradigmas também são adquiridos ao longo de nossas experiências, ou seja, junto com a formação dos nossos hábitos, só que elas ficam no campo das ideias. Nós simplesmente não refletimos sobre elas, apenas continuamos usando como verdades.

É o que acontece com a forma de aprender. O modelo tradicional de ensino é aquele onde o professor fala e o aluno escuta, certo? Mas quem disse que ele é o mais eficiente? Você também aceitou ele como uma verdade?

Bom, um grupo de pessoas muito bem representada por Logan Laplante resolveu questionar e adotar o hackschooling como modelo de aprendizado. A ideia foi discutida e amplamente conhecida depois que Logan, com 9 anos, fez uma apresentação no TED Talks sobre o assunto. Vale super a pena ver, aliás.

E o que isso tem haver com o caminho para melhorar as suas atitudes e rotinas? Bom, a linha de raciocínio que pode ser seguida (não como uma verdade ou paradigma, mas uma sugestão, ok?!)

Comece fazendo uma avaliação sobre suas fraquezas

Não é que somos cheios de fraquezas, mas essa avaliação costuma ser rápida. Tudo mundo sabe quais são os hábitos que prejudicam seu desempenho, seja na vida, seja no trabalho.

Para falar especificamente dos hábitos ruins no trabalho, quantas pessoas não se declaram procrastinadoras? Ou detalhistas?

Cada um desses pontos precisa ser identificado, anotado e usado como referências para objetivos de melhoria.

Estabeleça pequenos objetivos para vencê-las

Partindo dos hábitos ruins, avalie quais as ações que levam até eles. Alguns procrastinadores, por exemplo, retardam o início de suas atividades por acharem que são chatas ou que estão em um volume impossível de ser executado.

Então, em vez de estabelecer o objetivo de “deixar de ser procrastinador”, é melhor estabelecer metas intermediárias que levem até o resultado desejado.

É possível, por exemplo, determinar que as primeiras horas de trabalho serão destinadas à organização do dia. Tudo que precisará ser feito e a qual momento deve ser determinado.

Organizar a agenda não solucionará todo o problema, mas será uma pequena vitória que motivará a seguir no caminho.

Não crie grandes expectativas nem se cobre demais

E sim, é um caminho, e às vezes haverá progresso, estagnação ou até retrocesso. Por isso, não é recomendado criar grandes expectativas ou cobrar grandes desempenhos logo no início.

Apesar de ser uma estratégia para hackear seu cérebro, ele é uma máquina perfeita, não é mesmo? Por sua valiosa energia, a tendência é que ele boicote inicialmente toda tentativa de mudar a rotina.

Inverta seus hábitos

Esse é um passo e também uma dica bem prática. Por isso, vou voltar nas pessoas que roem as unhas por nervosismo.

E se, em vez de roer as unhas, elas quebrarem o protocolo conscientemente e pintá-las? Não será um curto-circuito (#bugada) propriamente, mas o cérebro sairá no módulo automático para prestar atenção no que está acontecendo, certo?

Assim, se um freelancer precisa revisar um texto, por exemplo, mas está desatento e procurando os memes do momento na internet, pode parar tudo e começar a jogar sudoku. Ele ativará outra parte do cérebro que novamente sairá do hábito ruim.

Avalie e reconheça seu progresso

É possível propor inversão de hábitos para cada uma das atitudes que são danosas para a produtividade e atenção de um profissional e assim, depois de insistir, errar e recomeçar quantas vezes for necessário, é preciso revisar o progresso.

Nem sempre as medidas adotadas serão eficientes e outras estratégias podem ser tomadas. Porém, para todas aquelas que forem superadas, é preciso reconhecer e valorizar a vitória.

Isso fará com que a sensação de vitória também seja internalizada e que o hábito atual tem muito mais valor do que o antigo para você.

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3 gatilhos e dicas simples que você deveria considerar

Em posse dos seus bons hábitos, use essas dicas para que eles fortaleçam seu modus operandis, adquira novos e ainda influencie as pessoas que estão a sua volta.

1. Tenha em quem se inspirar

Mentores e referências profissionais são ótimas ferramentas para adquirir e manter bons hábitos. Não é preciso agir como eles, mas usá-los como referência de que, com sua melhoria, resultados serão colhidos.

Alguns escritores famosos têm o hábito de escrever madrugada afora, por exemplo. Você não precisa ligar o computador de madrugada para ver a inspiração aparecer. Em vez disso, entenda que cada profissional possui um período criativo e produtivo específico e busque o seu.

2. Mude seus hábitos pelos motivos certos

Nada de seguir a dieta da moda para ficar magro ou fazer um curso de datilografia (oi?) porque todo mundo está fazendo. Mudar seus hábitos e estratégias para melhorar seu comportamento, pessoal ou profissional, deve ser uma atitude tomada com o propósito certo.

Nada de seguir padrões de beleza ou ser só mais um profissional como os demais. É preciso investir na melhoria dos hábitos para ter um prazer pessoal e único, ou aquilo passará a ser um martírio e rapidamente será boicotado.

3. Pense no longo prazo

É o princípio dos pequenos objetivos. Não existem resultados milagrosos e imediatos, principalmente quando o assunto é comportamental.

Para resolver sua necessidade de retorno rápido, divida seu caminho em etapas e comemora a conquista de cada uma delas. Porém, tenha em mente que grandes evoluções precisam de tempo e que, se tudo for realizado com empenho, elas também serão conquistadas.

Então, considere hackear seu cérebro, criar bons hábitos ou melhor: transformá-los em uma nova rotina de ações automáticas de alta performance. Assim você viverá em paz com seu cérebro e usufruirá do benefício que é tê-lo agindo a seu favor.

Mas lógico que você também não pode deixar tudo por conta dele também, né? Você pode utilizar algumas ferramentas e recursos para deixar as rotinas mais organizadas, por exemplo. E nessa a Rock Content pode ajudar!

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