Por Mariana Cervi Soares

Revisora e redatora freelancer e Analista de Conteúdo na Rock Content.

Publicado em 09/11/2020. | Atualizado em 13/11/2020


Você já ouviu falar de controle de qualidade na tradução? Esse é o conjunto de recursos conceituais e ferramentais que dá segurança ao tradutor para alcançar os melhores resultados. Neste conteúdo, mostro a você os principais cuidados.

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A tradução acontece quando decodificamos um texto de um idioma original para um de destino e, assim, estabelecemos uma mesma mensagem entre falantes de línguas diversas.

Definição simples, concorda? O que é complexo mesmo é o processo. Não quero dizer que é algo de outro mundo, não. Mas é que alguns pontos demandam bastante atenção, e é sobre isso que vamos conversar neste post.

Compilei aqui alguns dos principais recursos para você saber como fazer o controle de qualidade na tradução e dar entregas de alto nível. O passo a passo é este aqui:

    Construção de glossário

    Um glossário é uma lista alfabética de termos conceituais usados em um texto. Cada item é acompanhado por definições e referências que confirmam as aplicações.

    Para que uma tradução tenha alto nível de confiabilidade, é basico elaborar um glossário e usá-lo no dia a dia. É um trabalho que traz os benefícios de otimizar a transposição entre línguas e garantir que o texto final tenha consistência terminológica.

    Quer ver um exemplo prático? Pense num texto técnico sobre inteligência artificial, um campo amplo e que impacta diversos modelos de negócios.

    A tradução de um manual precisará dar conta de palavras como algorithm, muito conhecida pela correspondência direta — algoritmo. Mas também deverá usar do jeito certo termos como backpropagation through time (BPTT), que no Brasil é usualmente aplicado em inglês. Orientações como essas devem ser sinalizadas no glossário, aumentando a margem de confiança do controle de qualidade na tradução.

    Leitura criteriosa

    Double check. O termo popular da língua inglesa ajuda um tanto no argumento que quero desenvolver aqui.

    É que fazer uma leitura criteriosa passa literalmente por checar duas vezes um texto. Esse processo detalhado e atento é compreendido por uma dupla de importantes vertentes que você vai conhecer nas próximas linhas.

    Leitura por comparação

    Especialmente no contexto de marketing digital, o texto a ser transposto entre línguas deve ser editado com base no mindset de localização — se esse termo ainda é estranho para você, não deixe de ler o nosso conteúdo sobre revisão de tradução!

    Localizar é crucial para que uma mesma mensagem seja entendida em diferentes contextos linguísticos. E a eficácia disso depende totalmente das variantes culturais. Um trabalho que tem o objetivo de garantir naturalidade à comunicação.

    As sutilezas e peculiaridades são observadas na leitura comparada, que exige senso crítico, uma espécie de olhar de águia, sabe?

    O tipo de atenção certeira que vai fazer com que o profissional reconheça que potayto, potahto não significa “batata, batata”, mas “tanto faz como tanto fez”, a expressão idiomática do português brasileiro que indica o mesmo sentido que o do jogo de palavras do inglês.

    Deu para pegar bem a ideia, né?

    Leitura contrastiva

    O complemento da comparação é a leitura focada no alinhamento da natureza gramatical entre as línguas. Aqui, preciso apertar uma tecla já batida em vários conteúdos sobre tradução do nosso blog:

    Mandar bem em uma língua estrangeira não é garantia de boa tradução.

    Os tradutores profissionais vão além do conhecimento operativo, isto é, o uso funcional de um idioma não nativo. Eles compreendem a fundo a lógica do par de idiomas envolvido e, assim, dão vida ao processo de decodificação dos textos.

    Por meio do contraste, analisam os elementos que aproximam e distanciam as línguas. Identificam, portanto, além das questões culturais, elementos linguísticos que garantem o movimento natural de cada idioma.

    Revisão de fontes e referências

    Quem traduz precisa estar disposto a arregaçar as mangas e estudar os assuntos com os quais trabalha. Dizer isso é repetitivo a essa altura do campeonato, né? Mas faço questão de deixar bem claro.

    Acontece que o esforço de pesquisa — que deve acontecer de ponta a ponta do processo, tendo relevância ainda maior no início da tradução — é o norte da elaboração de um glossário confiável e da realização de uma leitura eficiente.

    Para você ter uma ideia, compilei uma lista com vários exemplos de materiais que são aliados dos especialistas em tradução, seja qual for a modalidade:

  • glossários;
  • bases de dados;
  • dicionários e gramáticas;
  • fóruns sobre idiomas;
  • manuais técnicos;
  • jornais e revistas;
  • blogs especializados;
  • publicações científicas.

A listagem poderia seguir, com certeza. O que não falta no contexto atual de amplo acesso às redes e intensa comunicação são fontes para checar palavras, dados e conceitos.

É importante estabelecer uma checklist de critérios para validar os achados. Algo que faz toda a diferença no trabalho com termos consagrados, jargões e convenções idiomáticas.

Em longo prazo, esse cuidado será a chave para criar memórias de tradução. Ainda mais quando contamos com o suporte de ferramentas de tradução assistida, as CAT tools — no conteúdo completo sobre tradução, mostramos a você as principais tecnologias desse tipo.

Uso de corretores automáticos

Para finalizar, quero falar com você sobre recursos de tradução automática. É o caso do Google Tradutor, que é a primeira referência para muita gente quando a tradução é o assunto.

O sistema oferece resultados automatizados a partir de machine learning e Neural Machine Translation (respectivamente, aprendizado de máquina e tradução automática neural, para elucidar os termos consagrados em português). O Google indexa altos volumes de dados e guarda memórias validadas pelas pessoas e, assim, gera traduções na hora para praticamente qualquer assunto.

Ainda há muita polêmica sobre o uso desse recurso, já que as traduções automáticas foram por muito tempo conhecidas pelas incosistências. É o caso icônico de easter eggs, que significa “ovos de Páscoa”.

Acontece que a expressão, dependendo do contexto, também pode indicar referências engraçadas ou de bônus que são ocultas em filmes, jogos, livros e séries. O Google Tradutor apresenta a definição do conceito no glossário da pesquisa, porém, o termo é traduzido na forma literal. Assim, mesmo que a informação esteja na página, é uma análise que pode passar despercebida pelo usuário comum, concorda?

Agora, quando falamos de tradução profissional, a bagagem não permite que um termo desses passe sem verificação. E é justamente aí que está o pulo do gato!

Para fazer o controle de qualidade na tradução, o retorno automático da ferramenta ajuda a otimizar o trabalho. E também dá um suporte e tanto para traduzir trechos curtos sem a necessidade de que a digitação no idioma de destino seja feita totalmente do zero.

Então, guarde bem esta dica: a tradução automática é uma boa aliada, sim, mas o refinamento do especialista é indispensável.

Para concluir

Fazer o controle de qualidade na tradução é um trabalho de vários passos, e eu mostrei aqui alguns dos principais cuidados necessários.

Como você pôde ver, ferramentas e conhecimentos específicos são os segredos de uma entrega qualificada. Quanto mais recursos o tradutor tiver à sua disposição, melhor será o desempenho, pensando tanto em questão de otimização de prazos quanto de eficácia da mensagem.

E são justamente pessoas que trabalham com essa abordagem cuidadosa que buscamos aqui na Rock Content. Se você tem experiência em produção de conteúdo para inglês e espanhol e quer colocar a mão na massa, apresente sua história para a gente: inscreva-se agora na nossa base!

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