Por Isabela Sartor

Psicóloga por formação. Perita em Hogwarts por diversão.

Publicado em 26/09/2019. | Atualizado em 12/09/2019


Não é de hoje que as pessoas procuram dicas de como ser mais inteligente. De fato, podemos aprimorar nossas habilidades, adquirir outras e aumentar nossa plasticidade cerebral por meio de atividades práticas. Confira as dicas que separamos aqui!

Até uns bons anos atrás, acreditava-se ser a inteligência inata. Ou seja, nascíamos com ela e nada mais poderia ser feito. Com o tempo, pesquisadores e cientistas, entre eles neurologistas e psicólogos, descobriram que podíamos aprimorar diversas das nossas habilidades e competências, além de adquirir outras, o que nos tornava pessoas mais brilhantes.

Com isso, a curiosidade sobre a inteligência humana e a sua formação foi crescendo. Hoje, sabemos que existem diversos tipos de inteligências e que toda pessoa nasce com predisposição a algumas e pode treiná-las ou conquistar outras ao longo da vida. 

A partir disso, começaram os questionamentos os quais perduram até hoje: “como ser mais inteligente?”. A resposta está em buscar, constantemente, desenvolver conhecimentos e se engajar em hábitos saudáveis. Isso ajuda a trabalhar a neuroplasticidade do cérebro, isso é, a regeneração de neurônios e a criação de novas ligações sinápticas.

Mas como conseguir isso? Bem, separamos, a seguir, 15 dicas incríveis e práticas para você adotar no dia a dia. Confira!

1. Seja questionador

Não aceite fórmulas prontas, não confie em todas as notícias vistas nas redes sociais, não se acomode com os seus conhecimentos conquistados até aqui. Questione aquilo que você lê, pergunte-se em quais critérios o dono da informação se baseou para propagá-la. Interrogue-se até que ponto algum texto ou alguma fala — seja sua, seja do outro — são influenciados por opiniões decorrentes de bolhas ideológicas. 

Desse modo, saiba, também, ouvir o outro lado e aceite a possibilidade de mudar de opinião. Modificar o ponto de vista pode significar crescimento, transformação pessoal e alcance de mais maturidade.

Também seja curioso com as coisas ao seu redor, não apenas com aquelas relacionadas à sua área de trabalho. Pessoas curiosas costumam ter iniciativa para descobrir e aprender assuntos novos, expandindo a mente para outras habilidades.

2. Leia e assista a notícias

Estar por dentro dos acontecimentos no mundo é saudável, evita a alienação e torna nossas conversas e argumentos mais ricos. Fazendo isso, temos mais contexto ao defender uma ideia. No entanto, saiba onde encontrar boas e confiáveis fontes de informação, escritas ou em vídeos.

O hábito de ler e escutar notícias também ajuda a exercitar nosso cérebro. Segundo a neurociência, ao nos depararmos com uma informação ou novidade, nós costumamos criar associações entre o que acabamos de assimilar e os nossos conhecimentos antigos. 

Por exemplo, ao acompanhar os últimos acontecimentos na política, relacionamos eles com eventos históricos passados. Essa conexão de conhecimentos nos ajuda a solidificar certas concepções e a questionar outras. 

3. Anote coisas

Uma maneira prática de reter conhecimento é fazer anotações no papel ou no bloco de notas do celular. O hábito nos ajuda a memorizar conteúdos importantes, sendo ainda muito útil para a memória de curto prazo. Ao escrever pequenos comentários sobre aquilo que absorvemos na mente, liberamos espaço para outras informações serem processadas. 

Além do mais, ao fazer isso, conseguimos organizar melhor o pensamento e construir uma linha de raciocínio mais objetiva.

Esses registros ainda nos ajudam a enxergar padrões de ideias, relacioná-las, tirar conclusões e fazer inferências. Podemos descobrir lacunas em alguns raciocínios, o que nos leva a procurar respostas para questões as quais ainda não havíamos percebido.

4. Medite

A meditação é uma velha conhecida por reduzir estresse e tensão, ajudar no combate da ansiedade, regular a pressão sanguínea e aumentar nossa capacidade de concentração. 

Segundo Sara Lazar, neurocientista de Harvard e pesquisadora do assunto, meditar provoca regenerações no cérebro. Em uma das suas análises, ela observou que meditadores de 50 anos tinham a região do córtex pré-frontal com a mesma quantidade de massa que pessoas de 25 anos.

Em outro estudo, ela reuniu pessoas as quais nunca haviam meditado antes e, após 8 semanas de prática, observou mudanças em regiões distintas do cérebro. As principais foram:

  • no giro cingulado posterior: houve expansão. É a área associada a lembranças e autorregulação (processo de gerir comportamentos, sentimentos, pensamentos);
  • no hipocampo: houve expansão. É a parte associada a aprendizado, memória, cognição e regulação emocional;
  • na junção temporo-parietal: houve expansão. É a parte associada à tomada de decisões, empatia e compaixão;
  • na ponte: houve expansão. É o local em que muitos neurotransmissores são produzidos;
  • amígdala: houve redução. É a parte responsável por instintos relacionados à estresse, medo e ansiedade. 

5. Crie listas

Outra dica de como ser mais inteligente é adotar listas para o dia a dia. As famosas to do lists nos ajudam a ter uma visão mais clara de todas nossas obrigações e a organizar melhor nosso tempo, para podermos cumprir tarefas e objetivos estipulados. Também evitamos esquecer compromissos importantes, livrando-nos daquela impressão de desleixo.

Com isso, diminuímos momentos de procrastinação, que, cá entre nós, é um desafio e tanto nessa vida freelancer, né?

Além do mais, esse hábito nutre um sentimento agradável de dever cumprido e satisfação, cada vez que riscamos um item da lista.

6. Cuide da saúde

Manter nosso corpo funcionando bem é essencial para o cérebro fazer seu trabalho de forma a termos produtividade ao longo do dia. Essa questão de saúde envolve sono, alimentação e atividades físicas.

Dormir adequadamente aumenta o desempenho no cérebro, se tivermos os ciclos completos de sono. É durante eles que ocorre a restauração do sistema nervoso central para os neurônios conseguirem passar mais informações entre si. Nesse momento, o cérebro organiza o que foi processado durante o dia.

A alimentação é fundamental, pois é a partir dela que tiramos a energia para nosso organismo trabalhar. São várias as pesquisas que mostram o quanto o consumo de alimentos não saudáveis, como o excesso de açúcar refinado, afetam negativamente áreas cognitivas, como as da aprendizagem e memória, e diminuem a plasticidade neuronal. 

Já alimentos nutritivos colaboram positivamente. O ômega 3, por exemplo, atua na formação da bainha de mielina, um componente dos neurônios.

Exercícios físicos são benéficos por aumentarem a circulação sanguínea, regularem as taxas hormonais e promoverem a neurogênese em principais áreas do cérebro.

7. Aproxime-se de pessoas inteligentes

Sabe aquele ditado popularsomos a média das pessoas com as quais mais convivemos”? É a mais pura verdade. Estar rodeado de gente pessimista, com habilidade de desanimar todas as nossas ideias nos torna pessoas mais críticas também, além de colaborar para um ânimo mais negativo.

Estar próximo daqueles os quais admiramos e consideramos inteligentes nos motiva a buscar mais conhecimentos e nos influencia a ter comportamentos parecidos com os deles. Além do mais, como pessoas inteligentes têm coisas interessantes para falar, sempre aprendemos com suas considerações.

8. Ensine e compartilhe informações

Uma prática que ajuda a sedimentar o conhecimento é tentar explicar um assunto para alguém. Isso colabora para o armazenamento de informações e estimula diferentes áreas cognitivas, pois precisamos organizar o pensamento, para traduzi-lo em palavras claras e, assim, fazer com que a outra parte compreenda nossa linha de raciocínio.

Aliás, não tem uma maneira melhor de comprovar para nós mesmos o nosso domínio em um assunto quando somos capazes de explicá-lo a outras pessoas, concorda? É, inclusive, uma maneira de descobrirmos possíveis dúvidas sobre as quais ainda não tínhamos nos dado conta.

Uma sugestão legal, nesse sentido, caso você tenha um conhecimento específico, é criar um curso online, com videoaulas. Além de exercitar a mente, dará uma grana no fim do mês.

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9. Assista a TED Talks

Sabe aqueles minutinhos perdidos, ao longo de todo um dia, nas redes sociais, com assuntos que não trazem benefício algum? Que tal separar esse tempo para assistir a palestras de TED Talks?

São conteúdos educacionais, com temas diversos e interessantes (como saúde, comportamento, tecnologia, inteligência artificial), e em uma linguagem superacessível. O tempo de duração é em média 18 minutos e o objetivo maior desses vídeos é transmitir ideias e conhecimentos sobre algo relevante do momento.

É sempre possível aprender algo novo, tirar insights, aumentar inspiração ou descobrir interesses por meio dessas palestras. 

10. Leia o máximo que puder

Ler ajuda a alimentar nosso cérebro com informações importantes e a construir mais conexões neurais. Ao olhar palavras, precisamos decodificar símbolos abstratos, formar imagens, interpretar o conteúdo e sintetizá-lo em ideias. Além disso, não são raros os estudos que afirmam que estimular o cérebro com leituras diminui risco de demência na velhice.

Nessa prática, diversas áreas do cérebro são ativadas ao mesmo tempo e temos muitas vantagens, como:

  • aumento do mindset criativo: temos mais conteúdos para serem relacionados e passarem por processos de analogias. Isso também estimula nossa imaginação, ao criarmos encenações na mente;
  • melhoria do raciocínio fluido: ele é a capacidade de entender coisas, resolver problemas e detectar padrões;
  • otimização da concentração: o aumento da conectividade ajuda a melhor atenção, concentração e foco;
  • estímulo do senso crítico: a partir da leitura, passamos a enxergar outros lados da mesma moeda. Histórias nos levam a realidades diferentes e provocam novas reflexões.

Depois de já estar habituado com a prática, não se esqueça de aprimorar a técnica, buscando orientações de como ler mais e melhor. Elas ajudarão a tornar a atividade mais rápida, fazendo com que você absorva mais conteúdo em menos tempo. 

11. Experimente coisas novas e aleatórias

Segundo a neurociência, quando nosso cérebro se acostuma com a rotina, ele entra no piloto automático para economizar energia. Isso é evolutivo e, por um lado, benéfico, pois, por exemplo, ao decorar o caminho de sempre na volta para casa, podemos guardar a energia para utilizá-la em outras situações, como as de perigo.

Porém, quando nossos hábitos são realizados da mesma forma, todos os dias, nosso cérebro diminui a atividade de novas ligações sinápticas, as responsáveis pela regeneração cerebral.

Um modo de agir a favor da neuroplasticidade, ou seja, da capacidade de o cérebro se reestruturar é mudar a realização de certos costumes. Essa ótica é defendida pela neuróbica, um conceito da neurociência, cuja finalidade é exercitar o cérebro por meio de atividades simples

A lógica é que, ao realizarmos ações diferentes ou ao mudarmos o modo como são feitas, estimulamos diferentes áreas do cérebro, obrigando-as a sofrerem mais ligações. Alguns exemplos de exercícios são:

  • abrir um pote de vidro com a outra mão;
  • ler um texto com a folha de cabeça para baixo;
  • selecionar uma frase de um livro e tentar formar diferentes sentenças, usando as mesmas palavras;
  • encontrar uma foto em revista e tentar dar a ela o máximo de adjetivos possíveis.

12. Aprenda a memorizar

A memória é uma das funções cognitivas mais importantes, fazendo parte do processo de aprendizagem. Ela é necessária para nossa saúde mental, pois é a partir dela que, por exemplo, sabemos quem somos, onde moramos, qual é nosso trabalho, quem é nossa família, tomamos decisões e por aí vai.

Alguns conteúdos, ao passar por nossa memória, permanecem pouco tempo e logo são descartados, pois o cérebro entende não serem úteis. Um exemplo simples é quando precisamos procurar um número de telefone e discá-lo. A menos que seja alguém muito importante, nossa mente apaga a informação segundos depois. 

No entanto, há aquelas necessárias, mas difíceis de serem memorizadas. Para elas, existem diversas técnicas, capazes de estimular a área cognitiva responsável, deixando-a mais “malhada” e ativa para criar novas redes neurais e reter conteúdos

13. Saiba lidar com suas emoções

Outra dica de como ser mais inteligente é saber lidar com os próprios sentimentos e com as reações dos outros ao nosso redor. A inteligência emocional é uma das mais importantes a serem aprimoradas. É por meio de um bom coeficiente que conseguimos construir relações positivas, ter sucesso profissional, ter motivação e nos comunicarmos melhor

É com ela que gerimos nossos sentimentos e evitamos comportamentos impulsivos, agressividade e o perfeccionismo exagerado.

Um exemplo prático é não descontar em colegas de trabalho problemas com os quais lidamos em casa. Criar conflitos com quem não tem nada a ver com a situação faz com que as pessoas nos enxerguem como imaturos ou descontrolados. 

14. Estimule o cérebro com jogos

Jogos são técnicas lúdicas de aumentar nossa inteligência, já que trabalham várias condições, como foco, memória, linguagem, agilidade, pensamento crítico, criatividade, além de habilidades de coordenação motora, matemática, espacial e lógica.

Aqui valem tanto os tradicionais quanto os mais modernos. Então, palavras-cruzadas, sudoku, xadrez, jogo da memória, 7 erros, videogames e jogos de aplicativos de celular são úteis. Os games eletrônicos, por exemplo, ajudam na capacidade de resolução de problemas, tomada de decisões e elaboração de estratégias.

15. Ouça podcasts no trânsito

Em vez de focarmos no estresse e ficar nos lamentando sobre todas as outras atividades que poderíamos realizar enquanto dirigimos ou quando ficamos parados naquele engarrafamento caótico, será que não é melhor fazer algo mais benéfico para o humor e a inteligência?

Ouvir podcasts é uma maneira de alimentar o cérebro com informações relevantes, conhecimento e novidades. Com isso, podemos aumentar nosso desempenho profissional e pessoal, além de obter insights por meio de notícias e opiniões interessantes.

Concluindo, então, pudemos ver que existem diversas maneiras e dicas de como ser mais inteligente. Todas as listadas aqui são práticas e realistas, só é preciso um pouco de planejamento para implementá-las na rotina, de acordo com o perfil de cada um.

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