Por Luiza Caetano

Publicado em 17/10/2014. | Atualizado em 16/06/2017


Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o poder de persuasão dos discursos nunca esteve mais em voga no Brasil. Desde a Grécia Antiga, com a Retórica de Aristóteles, sabemos que não se trata de o que se diz, mas sim de como se diz. Os discursos de Hitler são a prova mais extrema […]

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o poder de persuasão dos discursos nunca esteve mais em voga no Brasil. Desde a Grécia Antiga, com a Retórica de Aristóteles, sabemos que não se trata de o que se diz, mas sim de como se diz. Os discursos de Hitler são a prova mais extrema disso. Mas como diabos (falando nele) organizar suas ideias para ter esse poder todo?

Calma, você não vai ter que ler os calhamaços do nosso amigo grego, não vai ter nem mesmo que procurar por ele na Wikipédia. Para humilhar os candidatos e seus debates na Globo, basta ler nosso post, seguir o passo a passo e descobrir o mestre da eloquência que existe em você!

Tenha ideias

É. Esqueci de avisar que, sem elas, não dá nem para começar. Mas não se preocupe, se você é daqueles que dão branco na hora de pensar no que falar, existem algumas estratégias para contornar esse problema.

  • Faça um brainstorming: pegue um papel, escreva no meio o tema sobre o qual você tem que falar e saia atacando toda a área branca em volta com tudo o que te vier à cabeça a respeito do assunto.
  • Leia sobre o tópico: obviamente, não vale plagiar o trabalho de outra pessoa, mas você pode marcar pontos interessantes em um texto sobre o seu tema e anotar possíveis ideias a serem exploradas.
  • Converse com alguém: todo mundo sabe que duas cabeças pensam melhor do que uma. Se precisar, envolva ainda mais cabeças e esteja com lápis e papel a postos para anotar tudo o que possa ser relevante.
  • Ande com um caderninho no bolso: sempre útil para não correr o risco de perder aquela ideia brilhante que você teve no meio da noite, no ônibus, ou, quem sabe, até no banheiro?

Em todos os casos, para assegurar que a ideia não escape enquanto você pensa sobre a sua caligrafia, é aconselhável escrever em tópicos ou palavras-chave. Assim você não perde tempo pensando em uma frase inteira e consegue, mais tarde, se lembrar facilmente do seu raciocínio.

Filtre as ideias

Agora que você já tem milhares de ideias sobre o seu tópico, parabéns! É hora de separar o que realmente vai para o texto. Circule os itens que você acha mais importantes, talvez seja interessante marcar com cores diferentes as ideias principais e as “sub-ideias” que podem complementá-las. Também é bom fazer uma checklist com o que não pode faltar no seu texto para conferir, no final, se você realmente atendeu aos seus objetivos.

Mas não corte os itens que não for usar nem jogue seu brainstorming no lixo! Nos dias atuais, com a ecologia em alta, seria um crime não reciclar suas ideias. Principalmente em textos para a web, elas podem sim ser reutilizadas caso você venha a ter que escrever um post com um assunto semelhante no futuro ou mesmo abordar o mesmo tema sob uma luz diferente.

Relacione as ideias

Chegou a hora! Você finalmente vai botar para quebrar nos recursos retóricos e impressionar todos os seus amigos (pelo menos os nerds, mas, se você está lendo esse texto, com certeza tem alguns)!

Libere o neurótico compulsivo que existe em você e estabeleça uma ordem lógica entre as suas ideias. Pensar em como você mesmo chegou ao seu raciocínio pode ajudar nesse momento. Ligue os itens com conectores e conjunções como “mas”, “por isso”, ou “ou seja” para saber qual é a relação entre eles, montando uma espécie de “esqueleto” do seu texto.

Dá-lhe Aristóteles nas ideias

Se o seu texto for do tipo dissertativo, você pode aplicar o argumento clássico (oooh!). Para isso, monte seu texto na ordem abaixo. Não se assuste com as palavras em itálico, com a explicação que vem depois delas, você vai ver que não é tão complicado se tornar um mestre da palavra:

  1. Exordium: as primeiras linhas do seu texto são dedicadas a atrair a atenção do seu leitor, usando informações relevantes para o seu público em específico e atiçando sua curiosidade. É aqui que você vai convencer a pessoa de que ler o seu texto vai ser muito proveitoso para ela. Em textos para a web, essa parte é crucial para que o internauta não saia da sua página.
  2. Narratio: suscintamente, coloque o leitor à parte do seu tema, dando a ele os pré-requisitos para entender o assunto. Essa é a introdução propriamente dita. No caso das pessoas escrevendo para a web, no finalzinho dessa parte é que você tem que colocar o Call-to-Action incitando o leitor a clicar no seu artigo e continuar lendo.
  3. Partitio: é agora que você vai falar a sua “tese”. Esse momento do texto é como uma promessa ao leitor de que, até o final, você irá convencê-lo do que está explicitando aqui.
  4. Confirmatio: aqui começa a parte mais longa do texto. Exponha os argumentos que confirmam a ideia que você abordou na Partitio. Dependendo do tamanho do seu texto, dois ou três argumentos podem ser suficientes.
  5. Refutatio: parece arriscado, mas depois de argumentar a favor da sua tese, é essencial que você também dê argumentos válidos contra ela! No próximo passo, você vai entender por quê.
  6. Peroratio: para realmente deixar o seu público de queixo caído, você tem que concluir anulando, ou pelo menos diminuindo a importância dos argumentos da Refutatio. Se você só apresentar argumentos a favor do que você está defendendo, seu texto vai ter muito menos poder do que se você conseguir pelo menos mostrar que, apesar de seus pontos fracos, sua ideia ainda é válida.

Lembre-se ainda de que Aristóteles não vai se remexer no túmulo se você adaptar a ordem dos argumentos para o seu texto: o importante é seguir uma lógica que faça com que o leitor acompanhe seu pensamento.

Revise as ideias

Com seu esqueleto pronto, se você conseguiu fazer seu texto virar um ser de carne e osso transformando as palavras-chave do seu brainstorming em frases, você já está quase lá, mas ainda não acabou: dê uma espairecida, beba um café ou, se possível, deixe seu texto de molho da noite para o dia. Passado esse tempo, pegue aquela checklist que você fez no começo e veja se tudo o que você queria dizer está lá, cheque sua gramática e ortografia e confira se está tudo realmente fazendo sentido.

Depois de corrigir possíveis equívocos e verificar que está tudo certo, comemore: você (provavelmente) venceu a batalha épica da redação e escreveu uma obra-prima em língua portuguesa! Não se esqueça de contar para a gente aqui nos comentários qual foi a reação do seu público.

Posts populares com esse assunto

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *