Por Isabela Sartor

Psicóloga por formação. Perita em Hogwarts por diversão.

Publicado em 21/10/2019. | Atualizado em 18/10/2019


Você estuda e não consegue reter o conteúdo? Costuma ter “brancos” na hora da prova ou de uma apresentação oral super importante? Então, você precisa de dicas de como melhorar sua memória!

Talvez você já tenha passado por uma situação parecida: você lê e estuda bastante, mas na hora de uma prova ou naquela apresentação oral super importante, seu cérebro bloqueia. Acontece o famoso “branco” e você não se lembra de nada.

Por outro lado, aquele momento especial, que aconteceu há alguns anos, como o seu primeiro beijo, ainda é fácil de ser lembrado. Por que isso acontece?

Bem, nosso cérebro é tão especial e tem questões tão interessantes, que mesmo não sendo o maior entre os dos outros mamíferos, nós temos capacidades mais complexas. Há anos, o órgão intriga muitos cientistas.

Nas centenas de pesquisas já realizadas sobre a prática de memorização, os estudiosos descobriram o processo pelo qual as informações passam até serem guardadas. Também perceberam que quando não seguimos alguns passos corretamente durante o estudo ou a leitura, grande parte do conteúdo cai na chamada “curva do esquecimento”.

Isso os levou a encontrar não só respostas para a nossa pergunta inicial, mas também a entender truques e hábitos que ajudam a melhorar todo o processo.

Quer entender melhor essa questão e pegar dicas valiosas de como melhorar sua memória? Então, é só seguir as próximas linhas!

1. Entenda as etapas da memorização

Grande parte dos estudiosos divide o processo de memorização em 3 etapas:

  • aquisição — é quando entramos em contato com a informação e aprendemos algo com ela. A plena atenção é muito importante aqui, para maior absorção;
  • consolidação — é quando ocorre o armazenamento, que pode ficar na memória de curto ou de longo prazo;
  • recuperação — é quando conseguimos evocar as informações, que podem vir de forma espontânea ou por esforço mental.

De forma resumida, o conteúdo — que pode ser tanto uma experiência pessoal quanto a leitura da Constituição, por exemplo —, quando chega ao cérebro, ativa neurônios e ligações sinápticas. Dependendo de algumas circunstâncias, isso pode ficar retido por segundos ou por anos.

Se durante a etapa de aquisição não estivermos muito atentos, todas as outras ficam prejudicadas. Já o fato de repetirmos várias vezes a leitura de um único trecho, por exemplo, faz com que o mesmo circuito neural seja ativado, o que ajuda na consolidação do conteúdo.

Outro fato que contribui para a consolidação e facilita a recuperação é quando a informação está associada a algo emocional. É por isso que lembramos mais facilmente de situações como o primeiro beijo.

2. Crie acrônimos ou frases

Acrônimos são palavras criadas a partir das iniciais de outras palavras. Por exemplo, o termo LIMPE pode ser usado para você se lembrar dos Princípios da Administração Pública expressos na Constituição Federal: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Frases também são legais. Se você é da época em que toda a comunidade científica ainda concordava que Plutão era um planeta, talvez já tenha ouvido alguma variação da seguinte frase, para se lembrar a ordem dos planetas em relação à distância do sol:

“Minha vó tem muitas joias, só usa na primavera.”

Nesse caso, cada palavra representa um planeta com a mesma inicial: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno, Plutão.

3. Construa uma “palácio da memória”

Não apenas as emoções podem ser associadas a uma informação, mas outros estímulos e contextos também. A técnica “palácio da memória”, também chamada de método Loci, consiste em associar os cômodos de um lugar que você conheça com itens que precisam ser memorizados.

Na prática, você se visualiza entrando nesse local e, ao visitar cada cômodo, imagina uma situação ligada ao termo que precisa ser lembrado. Se conseguir usar a criatividade, dá até para formar uma pequena história. Um dos segredos está justamente em criar imagens memoráveis, que podem ser exageradas ou bem-humoradas.

Quer um exemplo? Imagine que você precisa decorar a lista de compras no mercado: leite, tomates e café. Agora, visualize você entrando em casa.

Você passa pela cozinha e se depara com um leite no fogão. Ele olha para você e agradece por ter chegado bem na hora de desligá-lo, pois ele estava prestes a derramar.

Depois, você passa pela sala e vê um grupo de tomates lutando com espadas e um monte de molho espalhado pelo chão. No banheiro, tem uma grande bacia cheia de café quente preparada para seu banho especial.

Repasse essa visualização na cabeça e verá como os itens surgirão facilmente em sua memória.

4. Utilize post its

Outra dica de como melhorar sua memória é usar post-its. Você lembra que falamos, agora pouco, que a repetição costuma ativar o mesmo circuito neural e isso aumenta o armazenamento de informações? Então! Aqueles papeizinhos coloridos são um grande aliado para ajudar nesse sentido.

O ato de escrever pequenas frases ou termos nos post-its e lê-los sempre que puder contribui para os processos de consolidação e recuperação da memória. Mas atenção! Escreva neles só o necessário, já que o objetivo desses papeizinhos é ajudar a lembrar de uma informação sucinta.

Depois, deixe-os em um lugar estratégico, como a parede do quarto ou a cabeceira da cama. Leia os post-its mais de uma vez ao dia.

5. Ensine alguém ou ensaie o discurso

A leitura é uma etapa importante para a aquisição do conteúdo, mas ficar só nela pode não ser tão eficiente para reter informações mais complexas. Uma ideia é se envolver em processos mais ativos, como o ato de tentar ensinar alguém.

Você pode fazer uma simulação da situação também. Depois de estudar a matéria da prova ou de ler o material da apresentação, faça uma filmagem ou grave um áudio pelo celular de você explicando o assunto. Isso, além de ajudar seu cérebro a reter o conteúdo, faz com que você perceba os pontos da matéria a serem revisados.

6. Escreva pequenos resumos

Quando acabamos de ler uma informação com atenção e concentração, ela ainda está fresquinha na nossa cabeça. Esse fato pode nos levar ao equívoco de acharmos que estamos 100% dentro da matéria. No entanto, depois de algumas horas, nossa lembrança já não está tão perfeita assim.

Isso acontece porque naquele primeiro momento a matéria ficou retida na memória de curto prazo. O que precisamos fazer é apenas favorecer o armazenamento dela para a memória de longo prazo.

Uma ideia é escrever um resumo com suas próprias palavras. Faça isso a cada término de um capítulo ou página. Depois, use esses resumos como seu material de revisão.

7. Faça gráficos ou diagramas

Aqui você pede uma mãozinha para sua memória fotográfica. Por meio de gráficos e diagramas, é possível ligar termos e pequenas frases. Isso possibilita que você tenha uma visão mais ampla de como as informações se encadeiam. Utilizar canetas coloridas e símbolos também colabora na construção.

Mas atenção! Para que a aquisição e a consolidação do conteúdo sejam mais efetivas, é recomendado que você mesmo crie o seu material. Comprar algo já pronto pode não dar um resultado tão expressivo.

8. Seja saudável

Serotonina e acetilcolina são dois neurotransmissores que influenciam no processo de aprendizagem e retenção da memória. Para mantê-los em níveis adequados, é importante termos uma rotina saudável.

Isso significa:

  • fazer exercícios físicos — além de promover o equilíbrio hormonal, eles melhoram o fluxo sanguíneo no cérebro;
  • dormir adequadamente — enquanto dormimos, ocorre a síntese das proteínas responsáveis pela promoção das ligações sinápticas, o que é importante para aprimorar a memória;
  • ter alimentação saudável — o excesso de açúcar, por exemplo, libera adenosina, uma substância que inibe a ação da acetilcolina.

9. Cuide da ansiedade

Estresse e ansiedade são inimigos da memória. Eles produzem uma proteína chamada quinase C, que prejudica o processo de aquisição e consolidação da informação na memória de curto prazo.

Eles também ativam o cortisol, provocando um bloqueio no resgate da informação. Por isso, muitas vezes esquecemos um conteúdo justamente na hora da prova ou apresentação. A solução é investir em atividades que nos ajudem a relaxar, como meditação ou yoga.

Nossa capacidade cognitiva é um assunto que rende horas de conversa. Até hoje, os pesquisadores elaboram exames complexos para nos ajudar a ter mais proveitos na vida. Com todas essas dicas de como melhorar sua memória, você acha que já consegue colocar alguma em prática? Depois, não deixe de nos contar seus resultados!

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