Por Guilherme Pimenta

Designer e escritor, percebi que era melhor desenhando com palavras.

Publicado em 14/06/2021. | Atualizado em 23/07/2021


Saber como combinar tipografias é uma arte que exige atenção aos detalhes e muita prática. É preciso uma diferenciação entre elas, ao mesmo tempo que apresentem coesão e familiaridade entre si. Esse conhecimento é muito importante para o motion designer.

Trabalhar como motion designer é uma oportunidade que vem crescendo bastante para quem quer ser freelancer. Principalmente no Marketing Digital, a demanda por vídeo que seja, ao mesmo tempo, informativo, atrativo e engajante recompensa muito quem investe na carreira.

Mas muitos profissionais ingressando nesse mercado têm mais dificuldade com uma parte bem específica da qualidade do seu trabalho: como combinar tipografias de maneira objetiva, elegante e eficiente.

Se você quer se diferenciar e conquistar seu espaço no motion graphics, preste atenção nestas dicas para aprimorar ainda mais seu olhar de designer. Acompanhe!

Qual é a importância de uma boa combinação tipográfica no motion graphics

O próprio nome, motion graphics, demonstra a importância que a comunicação tem em um projeto de vídeo na área. Gráficos em movimento têm a função de explicar, informar, cativar e apresentar uma marca ou um produto para seu público-alvo — isso, dentro de um universo de Marketing Digital.

Podem ser motions puros, como animações 2D, ou como letterings e outros elementos de apoio a vídeo. Mesmo a informação sendo o centro do trabalho de um motion designer, muitos se preocupam tanto com cores, formas e movimentos que se esquecem dessa raiz essencial da peça que produz.

Deixam de lado a ideia de que, além de encantar, é preciso criar uma conexão com as pessoas através de storytelling e dados relevantes. Ou seja, o papel do texto no motion graphics é muito importante para que sua forma não se sobreponha demais à função. O equilíbrio entre estética com identidade e legibilidade é fundamental.

Para isso, é preciso escolher os pareamentos mais adequados de tipografia no seu trabalho. Usar fontes diferentes em conjunto cria dinamismo e movimento para a peça, ao mesmo tempo em que consegue hierarquizar o seu conteúdo e facilitar o entendimento.

Lyric Videos são exemplos interessantes do equilíbrio entre legibilidade, identidade visual e storytelling com uso de tipografia

Fonte: httpss://www.youtube.com/watch?v=3x2ABSAMVno

É um trabalho que, quando bem feito, permite que o espectador retire o máximo de informação no mínimo de tempo, e engaje na sua peça publicitária em menos de um segundo.

Quando pensamos nas oportunidades de atração dos vídeos, como o tempo de uma propaganda antes de o vídeo começar no Youtube, ou um Ad no Twitter, ter essa velocidade de comunicação é tão importante quando a beleza do motion que você produz.

Como combinar tipografias no motion design

Por todas as informações do tópico acima, dá para afirmar que o trabalho de freelancers de motion nunca atinge seu maior potencial sem saber como escolher a tipografia certa.

Para ajudar a começar esse aprendizado e esse exercício que torne seu portfólio mais atraente para clientes de Marketing Digital, separamos algumas dicas muito importantes de quem quer combinar tipos do jeito certo. Confira!

Domine a informação no seu trabalho

Além da questão estética, a combinação de typefaces e fontes em um motion design serve para hierarquizar o texto, distinguir blocos de informação diferentes e guiar o olhar do espectador. Nesse sentido, boa parte do seu trabalho começa antes mesmo de abrir o programa de edição.

Freelancers que despontam são aqueles que dominam o briefing do cliente e sabem de cor a informação que vai entrar em cada vídeo. Conhecendo o conteúdo a ser inserido e a intenção da peça (seus objetivos de marketing), você consegue determinar com mais precisão quantas fontes vai precisar, o nível de diferenciação delas e o estilo que precisa para cada caso.

Isso inclui dar uma boa olhada no manual de identidade da marca que está contratando você. Muitas delas já têm diretrizes, como cores, formas e até as fontes que podem ser usadas em peças de divulgação.

Isso se torna um desafio extra para o designer que, além de combinar bem as fontes obrigatórias, ainda tem essa limitação de uma referência fixa para escolher famílias auxiliares que enriqueçam o vídeo.

Trabalhe com o melhor equilíbrio entre diferenciação e similaridade

Aqui está o maior segredo de parear tipografias com sucesso: é preciso escolher fontes que são, ao mesmo tempo, distintas entre si e que tenham elementos de familiaridade entre elas.

Como assim? Quando você quer equilibrar forma e função na tipografia, precisa pensar tanto no lado de identidade visual, que aproxime as formas em um conjunto coeso e agradável, quanto na diferenciação suficiente para que a informação não fique confusa na tela.

É essencial que cada elemento tenha seu papel bem demonstrado, mas que ainda assim seja percebido pelo cérebro como uma coisa só. Um exemplo disso vem da tipografia tradicional: os livros.

A escolha da fonte de título e de corpo de texto, geralmente, é de famílias diferentes, não apenas o seu peso. Isso faz com que fique claro o que é o quê, e essa noção guie o olhar do leitor.

Se você coloca duas tipografias que não combinam, acontece uma quebra de interpretação. Até mesmo o estilo do conteúdo do texto se torna estranho na nossa mente. Se você as coloca muito similares, o leitor pode demorar a perceber que se trata de outro capítulo. Isso acontece, também, no motion graphics.

Mas como escolher fontes que sejam similares, mas diferentes?

O segredo para esse pareamento está na sua capacidade de encontrar pontos de conexão entre duas tipografias, em seus elementos visuais, sem que eles sejam necessariamente os mesmos.O mais comum de ser feito, geralmente também é o mais óbvio: combinar fonte serifada com sans serif, ou uma tipografia com mais peso para títulos e com menos peso para textos.

Porém, apoiar-se só nesses componentes pode causar problemas que você talvez nem consiga identificar exatamente. Fica apenas aquela sensação de que algo esteticamente está desequilibrado no vídeo.

Por isso é seu trabalho ir mais a fundo e identificar alguns detalhes das fontes que, mesmo que não tenham nada a ver à primeira vista, combinam muito bem em conjunto e em movimento. Alguns desses elementos são:

  • estilos similares de serifas;
  • ângulos dos terminais e nas extremidades das hastes;
  • o espaço em branco dos bojos;
  • a proporção e o tamanho de ascendentes e descendentes;
  • o eixo da letra (visto, principalmente, no “O”, sendo mais vertical ou diagonal);
  • detalhes ainda menores, como os ângulos em encontros de linhas e curvas que visualmente criem uma unidade entre as duas fontes.
Exemplo do pareamento de uma fonte display e uma de texto, com similaridades no movimento de elementos que criam uma unidade

Prestando atenção a esses detalhes, você pode encontrar um pareamento incrível, até mesmo, em tipografias muito diferentes em estilo. O resultado disso é um trabalho que parece mais ousado e chamativo, sem perder sua função principal, que é de comunicação clara, rápida e direta.

Entenda a diferença entre as finalidades de uma fonte

Existem três grandes grupos que categorizam as finalidades de fontes para uso tipográfico: fonte de texto, fonte script e fonte display. É importante entender essa diferença para saber quando usar cada uma delas.

Fonte de texto

É basicamente para conjuntos maiores e blocos consolidados de palavras — como livros e descrições. Elas podem ser usadas de maneiras criativas e destacadas, mas geralmente priorizam a legibilidade.

Se você tem textos maiores a serem apresentados no motion, como legendas e frases mais extensas, é ideal ir por esse caminho — porém, nunca obrigatório!

Fonte script

É aquele tipo de fonte que imita a escrita a mão cursiva, de diversas maneiras e estilos. Costumam ser utilizadas para elementos que precisam ser humanizados e criar uma conexão emotiva mais rápida no espectador.

Fonte display

São aquelas feitas para se destacar na multidão! Muito utilizadas por motion designers, são letras que se preocupam menos com a legibilidade e mais com a estética que combine com a identidade proposta. Por isso, são melhor utilizadas em textos curtos, na maioria das vezes, entre uma a três palavras.

Teste como essas fontes se combinam em movimento

A importância de conhecer esses três tipos de fontes acima é entender como você pode combiná-las, dando dinâmica e movimento ao motion, sem que fique uma bagunça ininteligível para quem assiste.

Então, encontre os elementos similares que citei em famílias das três categorias e, assim, você vai ter mais flexibilidade. Foque, também, como elas se comportam em movimento, e se é possível manter uma coesão de identidade sem perder legibilidade.

Busque fontes com a mesma inspiração

Uma dica interessante para facilitar esse pareamento é encontrar famílias de fontes que, mesmo não tendo muito em comum à primeira vista, têm a mesma origem. Você pode ter, por exemplo, um tipo display super-rebuscado e um corpo de texto bem sóbrio, mas que, por terem derivado do mesmo estilo de fonte, combinam muito bem.

Não tenha medo de experimentar

Se você já trabalha com design ou outras áreas criativas há algum tempo, sabe bem o que vamos falar: nós aprendemos as regras para saber como quebrá-las. Por isso, leve todas essas dicas em conta, mas nunca pare de experimentar.

Quanto mais à vontade você estiver em combinar fontes diferentes, em situações e com objetivos diferentes, mais preparo você tem para impressionar seus clientes. Esse tipo de atenção aos detalhes faz toda a diferença no mercado.

Onde encontrar fontes de qualidade

Por fim, uma última dica para você. Sabemos que é muito tentador baixar aqueles pacotes com mil fontes diferentes, mas tome mais cuidado com a qualidade das typefaces que você utiliza.

É melhor escolher a dedo as que se encaixam em cada projeto do que ir testando centenas de fontes incompletas, até achar uma que bate mais ou menos com o que você quer.

Para quem está começando, existem sites que oferecem bastante qualidade para fontes grátis — como o Font Squirrel ou até o próprio Google Fonts. Se quiser investir mais na carreira, o MyFonts e o FontShop são algumas opções pagas, com ainda mais alternativas de padrão alto.

Com opções variadas e de qualidade, seguindo essas dicas e treinando bastante o seu olhar em como combinar tipografias, você pode transformar esse conhecimento em um diferencial do seu trabalho. Com uma identidade própria, você tem tudo para se destacar!

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