Por Ana Maria Estevam

Redatora formada em RH, apaixonada por pessoas, inovação, plantas e pela escrita.

Publicado em 25/10/2019. | Atualizado em 25/10/2019


Viver essas três jornadas em conjunto foi um grande divisor de águas na minha vida. Creio que uma coisa me deu energia para prosseguir com a outra. Hoje, me sinto mais forte e sei que posso concretizar meus projetos.

Um câncer significa, na maioria do tempo, muita dor e medo. Mas ele também pode ser um sinal do universo dizendo que você é capaz de fazer muito mais do que tem feito, que precisa reinventar a sua vida e que tem muito mais força do que jamais poderia imaginar!

As adversidades da vida podem nos paralisar, nos matar ou nos fazer crescer 20 anos em 2. Tudo depende que como olhamos para elas. O que expresso hoje é a minha gratidão por ter aprendido enxergar e abraçar as oportunidades escondidas no deserto, e por ter encontrado forças para alcançar o mar!

Um velho desejo

No início de 2017 eu estava bastante sossegada, trabalhando com o meu irmão na fábrica de sorvetes que sustenta minha família há mais de 20 anos. Depois de alguns anos encarando o desafio de ser comerciante, eu estava mesmo respirando aliviada! Só havia um detalhe que começou a me incomodar mais que de costume: eu queria muito fazer um curso superior!

Sempre gostei muito de ler e estudar, fiz muitos cursos — principalmente na área de informática — e sempre trabalhei de forma autônoma, mas não tinha o tão sonhado diploma universitário. Então resolvi que, no próximo semestre, começaria uma faculdade. Um curso de apenas 2 anos, que eu não sabia se daria conta…

Sempre fui uma pessoa muito inconstante: me cansava das coisas com facilidade e tinha o péssimo hábito de não terminar nenhum dos meus projetos. Então não me surpreendi, quando pessoas bem próximas, me disseram que eu não daria conta de terminar uma faculdade. Mas eu amo um desafio!

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Uma nova descoberta

Nessa de encarar um desafio foi que veio a história mais “interessante” — vamos dizer assim — da minha vida: no mesmo mês em que fiz a matrícula na faculdade, me preparando para começar no semestre seguinte, eu descobri um nódulo no meu seio esquerdo.

Depois que eu senti o nódulo, levei ainda uns 40 dias para ir ao hospital. Para ser sincera, por não haver histórico de câncer na família, não levei muito a sério (grande erro). O médico avaliou e também tratou de me tranquilizar:

— Você é jovem, deve ser só um nódulo benigno, mas vamos fazer todos os exames para ficarmos tranquilos.

E nessa de ser jovem, por não ter histórico de câncer na família e achar que era só um nódulo benigno, acabei demorando bastante para pegar o resultado dos exames.

Fiz a biópsia porque queria tirar o nódulo, mesmo se fosse benigno. Quando finalmente peguei o resultado, veio o diagnóstico: eu estava com carcinoma ductal estágio 2 e o médico não teve meias palavras — já disse logo que eu ia precisar de cirurgia e quimioterapia.

Então, no meio do primeiro semestre da graduação, descobri que teria que passar o próximo ano da minha vida tratando um câncer de mama.

Hoje, percebo que não tive tempo para sentir o impacto da notícia. Eu estava muito empolgada com o curso e cheia de planos. Então, não me dei o direito de sofrer, de me sentir vítima, e também não deixei que meus familiares me tratassem como doente.

Uma oportunidade do deserto

Fiz a cirurgia em outubro e, um mês depois, tentei voltar ao trabalho na fábrica. Só que eu trabalhava na produção e, por mais tranquila que fosse a rotina, sempre exigia que eu carregasse peso. O médico já havia me alertado que eu não poderia mais. Teimei, mas percebi logo que aquele trabalho não era mais para mim.

Comecei a fazer a quimioterapia mais forte em novembro e, por ser bastante debilitante e destruir as defesas do organismo, o médico me instruiu a trancar a faculdade. Faltando um mês para acabar o semestre! Teimei de novo e não desisti. Ia das sessões de quimioterapia direto para a faculdade.

Estudando RH, pensei em conseguir um estágio: 40 anos, sem nenhuma experiência corporativa e fazendo quimioterapia. Preciso dizer que não deu certo? Tudo bem, foi bem melhor assim. Entre uma pesquisa e outra, procurando por uma atividade, fui naturalmente atraída pelo marketing de conteúdo.

Uma vaga de estágio pedia um redator para uma empresa de recursos humanos (combinação interessante para mim). Ela exigia que o candidato tivesse o certificado de produção de conteúdo para a web da Rock Content. Encontrei mais algumas vagas com a mesma exigência e, muito curiosa, fui ver que certificado da Rock tão solicitado era esse.

Curso de Produção de Conteúdo para WebPowered by Rock Convert

Fiz o curso e, logo em seguida, fui convidada para me inscrever como redatora. Em março de 2018, enquanto ainda fazia quimioterapia, fiz o teste e fui aprovada na categoria de recursos humanos.

Me lembro que, durante a produção do texto de teste para a Rock, fiquei bem insegura. Afinal, por mais que eu gostasse de escrever e tivesse um bom português, eu nunca tinha escrito nada para passar por um processo seletivo. Pedi ajuda para nosso professor de comportamento e cultura, para ver se minhas idéias estavam coerentes e o feedback dele ajudou muito!

Eu me tornei uma leitora assídua do Comunidade Rock Content. Além dos cursos da universidade, o conteúdo do blog é um perfeito treinamento para que a gente possa produzir e vender bons conteúdos. A partir do que aprendi com a Rock, foi que comecei a expandir meus horizontes como freelancer.

Um novo caminho

No segundo semestre de 2018, terceiro na faculdade e enfrentando sessões diárias de radioterapia, eu já havia me tornado uma profissional de conteúdo e, com a otimização que fiz no meu perfil do LinkedIn, não precisava mais procurar por clientes. Eles me encontram por lá!

Àquela altura eu ainda via o trabalho de redatora como um “quebra-galho”, e pensava mesmo em buscar uma oportunidade na área de RH. Só que nunca trabalhei de CLT e, sinceramente, não tenho vontade. Amo ser dona do meu tempo e escolher meus trabalhos!

Numa aula de planejamento de carreira, o professor perguntou em que éramos realmente bons, o que as pessoas nos pagariam para fazer por elas? Até pensei em outras habilidades, mas escrever é o que eu mais amo, e hoje sei que é isso que quero fazer.

O RH continua na minha vida. Gestão de pessoas e inovação são minhas paixões e é sobre o que escrevo, na maioria do tempo, com muito prazer! A estrada do comércio e do sorvete passou, a da CLT, não encontrei, e estou muito feliz no caminho que tenho percorrido. 

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Um oceano de gratidão

Viver essas três jornadas em conjunto foi um grande divisor de águas na minha vida. Creio que uma coisa me deu energia para prosseguir com a outra. Hoje, me sinto mais forte e sei que posso concretizar meus projetos.

Não foi fácil fazer prova após uma sessão de quimio vermelha (Doxorrubicina), muito menos passar um ano sem meus cabelos e sobrancelhas ou ir da radioterapia direto para a faculdade, mas valeu muito a pena não desistir no caminho!

Sou imensamente grata a Deus pelo apoio que tive durante os últimos dois anos: minha família, colegas de faculdade, professores e a Rock Content, que apareceu na minha vida no exato momento em que precisei encontrar um novo caminho. E, mesmo sem saber da minha história, me presenteou com as ferramentas que eu precisava para a nova jornada.

Contar essa história foi um desafio para mim. Olhando de fora, custo a acreditar que é parte da minha trajetória, que vivi tudo isso.

Mas aí está, consegui!

E a sua história, já contou aqui na Coluna Freela? Compartilha com a gente!

Ana Estevan

Redatora, formada em RH, apaixonada por pessoas, inovação, plantas… e por escrever muito!

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