Por Amanda Gusmão

Amante do homeoffice, geek old school e mãe de dois pequenos padawans.

Publicado em 27/09/2019. | Atualizado em 12/09/2019


Veja como as minhas decisões profissionais — certas e erradas — acabaram me trazendo para a vida freelancer e o que elas me ensinaram.

A vida é feita de escolhas. Já reparou o quanto essa frase é valiosa? E se eu te contar que ela me trouxe algumas lições importantes?

Não precisa ser um mago das probabilidades para lembrar que temos 50% de chances de acertar e errar em cada uma delas, certo? Bom, não foi isso que eu concluí na minha jornada até o mercado freelancer.

A parte boa, e não tem nenhum spoiler nisso, é que posso afirmar que depois de alguns tropeços, sacudidas de poeira e recomeços, me encontrei por aqui, como freelancer. Mas sabe por quê?

Esta, meus companheiros, foi a primeira lição que essa frase me ensinou: escolher é inevitável, assim como aceitar as consequências. As outras conto neste post, que não é o “Arquivo Confidencial” do Faustão, mas tem muita emoção! Ô loko, bicho!

Viver da minha arte: a escolha (errada) da minha faculdade

Quando fiz meu teste vocacional, acho que dei um bug no questionário. Em vez de haver uma área de conhecimento que se destacava, estavam todas ali, teimosamente iguais.

Eu não tinha nenhum curso pelo qual morria de amores, mas, sabia que queria criar! Então, sabe para o que me inscrevi? Belas Artes!

Não passei no vestibular daquele ano por motivos de #saudadeseternasdomeupai, e no ano seguinte, acabei fazendo uma escolha pensando em ganhar dinheiro, o que se tornou minha formação: Administração de Empresas.

Lição: escolhas grandes, ainda que baseadas nas limitações atuais, vão refletir para o resto da vida. Nada é definitivo, é claro, mas até que você possa mudar algumas delas, pode levar tempo e causar frustração. Por mais difícil que seja, considere isso.

Ajudar sim, negligenciar-se jamais: meus boicotes pessoais

Quando entrei na faculdade, já tinha um estágio em um callcenter de uma companhia aérea, que depois se tornou meu primeiro emprego na área comercial e paixão incondicional.

Sou muito grata pelas experiências, amigos e conhecimento que adquiri por lá. Foi uma grande escola, porém, não posso negar que também foi palco de algumas escolhas erradas que fiz na carreira.

Você sabe dizer “não”? Negar um pedido? Eu tenho uma dificuldade extrema de fazer isso, e, para ajudar a empresa e pessoas a realizarem seus objetivos, acabei boicotando os meus.

Lição: ao escolher ajudar alguém ou um negócio, não se esqueça de você. Precisamos ser mais solidários e menos egoístas, mas não diminuir a importância dos nossos objetivos.

Ame uma empresa, mas nem tanto

Outra coisa que aprendi é que existe um universo fora da empresa, e que você precisa visitá-lo para manter sua sanidade. É, eu não fiz isso.

Se pudesse viver lá dentro da empresa, viveria. Além do mercado ser apaixonante, as pessoas que mais adorava estavam por lá, entende? Mas, com o tempo e o crescimento da demanda, não me dei conta de que estava desenvolvendo cada vez mais estresse, esforço e tensão. De repente, BUM! Um burnout tomou conta.

Depois de entrar novamente nos eixos, a vida continuou, engravidei e comecei a estudar para essa benção que é ser mãe. Entre livros e sites na internet, comecei a pensar que delícia seria escrever sobre aquele assunto. Foi então que comecei um blog, o falecido unidunikids.

Era um projeto paralelo, mas secretamente sonhava em ganhar dinheiro com ele, ser notada pela Pampers ou qualquer marca forte que quisesse me contratar, sabe?

Decida com maturidade ou lide com as consequências sem pirraça

As relações profissionais exigem maturidade, porque, acredite, a pessoa que puxa seu tapete não é um vilão da novela, alguém que bola planos malignos contra você. Ela está somente procurando um lugar melhor ao sol para si mesma.

Vivi uma situação dessas. Estavam me encaminhando para assumir uma gerência regional, mas, depois de alguns dias, toda a preparação desapareceu e os responsáveis começaram a me evitar. Uma semana depois, outro profissional assumiu o cargo.

Como eu fiquei? Com raiva e rancorosa. Não teve nada por debaixo dos panos. Aquele colega que assumiu o cargo comentou com a turma que havia pedido a tal vaga para o diretor alegando que não queria viajar muito como sua antiga posição exigia.

Ou seja, ele estava defendendo a posição dele e provavelmente — porque eu tenho fé nas pessoas — nem sabia de tudo que se passava comigo.

Ainda assim, eu não consegui lidar com essa situação, e, no primeiro convite que recebi para sair da empresa, aceitei. Não pensei na carreira que construía, no networking que perdia, nem mesmo na remuneração, que não crescia de acordo com o desafio que seria.

Lição: tome suas decisões, mas não deixe que as emoções, principalmente aquelas que te tiram a racionalidade, dominarem suas ponderações.

O pão que o capiroto amassou: aqui se faz, aqui se…

Essa foi mais uma escolha errada que fiz, mas não é por isso que a realidade seguinte teria que parecer o pão que o capiroto amassou, né?

Mas foi bem assim, porque antes eu tinha uma infraestrutura e processos bem definidos, e nesse novo desafio, eu era tudo: o famoso bater escanteio e correr para cabecear.

O aprendizado foi super legal, é claro, mas também me exigia um esforço sobrenatural, pelo qual, aliás, eu não me sentia bem remunerada. E, junto de tudo isso, ainda tinha a pressão por (muitas) vendas, bater metas e pagar contas.

Meu blog materno, profissionalmente falando, já era um refúgio para mim. Além de escrever e amar tudo aquilo, passava horas estudando minhas estatísticas tentando entender o que funcionava ou não para aumentar o engajamento.

Deixa a vida me levar, mas não os chefes

Apesar da batalha difícil que foi na empresa, acabamos fechando com chave de ouro. Sim, os donos acabaram vendendo o negócio com um bom lucro.

Eu poderia ter começado a procurar um novo emprego, mas, em vez disso, aceitei ir para a outra empresa do mesmo chefe, aquele que me cobrava vendas, me pedia para ser gandula, massagista, goleira e atacante do time.

Resultado da escolha de aceitar? Mais estresse, mais pressão, mais vontade de sumir no mundo. No meio desse turbilhão, me candidatei despretensiosamente para um processo seletivo no banco.

Olha aqui, uma vaga de emprego respeitosa!

Vaga de gerente de contas no banco? Mercado financeiro? Treinamento de três meses, certificado de consultora de investimentos? Tinha um certo glamour nisso. E lá fui eu, encarar uma atividade só porque achava que ela era respeitável.

Basicamente, as definições de pressão por metas foram redefinidas com sucesso na minha vida. Não só do banco, mas as minhas também. Para que eu tivesse um bom desempenho financeiro, precisava fazer boas vendas.

Eu via meus colegas fazendo vendas agressivas, escutava pelos corredores estratégias duvidosas sobre como oferecer um empréstimo ou consórcio. Aquilo para mim estava ficando tóxico, ter um novo burnout não parecia nada impossível, mas, em vez disso, engravidei novamente.

Com a gestação do baby, também comecei a amadurecer a ideia de me dedicar à carreira de blogueirinha. E, depois de seis meses de licença maternidade e mais um de férias, voltei ao banco.

Na nova agência, me deixaram chegar mais cedo para que eu pudesse sair antes e buscar os meninos na escola. Mas, depois de uma semana, não estava rolando.

Chegava atrasada no berçário e me sentia péssima. No outro dia, começava o dia escutando que eu tinha que ser mais incisiva nos argumentos de vendas porque o cliente estava terminando de pagar o empréstimo e podia contratar outro. Quase adoecia.

Lembro exatamente o dia em que tomei a decisão de chutar o balde. Liguei para a responsável pela minha área e disse:

— Vou sair do banco.

Ela, como se tivesse toda a riqueza da minha vida na mão, me respondeu:

— Mas nós não vamos te demitir não, viu?

Eu abri um sorriso enorme naquela hora, e respondi:

— Eu não estou pedindo isso, estou apenas comunicando a minha decisão.

Eu percebi que ela não entendia que meu pedido era por questões pessoais, de inadequação àquele modelo de trabalho, porque para ela, que estava bem integrada a tudo aquilo, tal decisão só poderia ser para ter alguma vantagem financeira, seguro-desemprego ou coisa do tipo. E, no meu caso, era só para ser feliz mesmo.

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De freela em freela, chega-se aonde se quer

Ainda na minha vibe blogueirinha, achei que no mês seguinte de dedicação integral para o projeto, já teria três contratos de publicidade, seria chamada para eventos e estaria fazendo vídeos de recebidinhos.

Obviamente, não rolou. Comecei a escrever para outro blog, continuei pesquisando sobre como ganhar dinheiro na internet, até que cheguei no site da Rock Content.

Passei madrugadas lendo tudo que era possível, baixando ebooks, planilhas etc. Aprendi e melhorei muita coisa, viu?!

Foi tanto tempo interagindo com o blog que, em algum momento, a equipe do comercial da empresa até entrou em contato comigo para ver se eu estaria interessada em suas soluções.

Mas, a essa altura, já estava eu sendo freelancer feliz da vida. Naquele momento, um novo capítulo na minha vida profissional já tinha começado. Tudo porque, entre todas as escolhas erradas que fiz, aquela que respeitava meu perfil, desejos, habilidades e competências, tinha me feito trilhar um novo caminho.

Obviamente, ele não é mais fácil ou difícil que todos os outros que ela poderia ter levado, mas, olhe só, tinha um componente que me era claro desde o início: criar. Hoje crio conteúdos de diversos temas, formatos e estilos.

Só posso dizer que sim, a vida é feita de escolhas, e, sobre elas, que até mesmo as erradas nos ensinam lições valiosas se assumirmos o protagonismo delas. Ou seja, o cenário apresenta os desafios e os pontos a considerar, mas quem decide como reagir a elas é você!

Então, que tal tomar uma ótima decisão agora mesmo? Escreva você também uma coluna freela contando sua história, o que aprendeu ou sua receita para ser feliz!

Amanda Gusmão

Amanda Gusmão

Formada em Administração, freelancer desde 2015, mãe de 2 filhos e apaixonada pela escrita criativa.

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